#Estrogênio adjuvante como opção terapêutica para #mulheres com esquizofrenia?

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 O uso adjuvante do estrogênio pode ser eficaz na redução dos sintomas da esquizofrenia nas mulheres, apresentando-se como uma possível nova opção de tratamento, sugere nova pesquisa.

Dra. Elise Turner e Dra. Viviana Alvarez Toro

Uma revisão sistemática da literatura realizada por pesquisadoras da University of Maryland, em Baltimore, mostrou que o uso adjuvante do estrogênio reduziu os sintomas de esquizofrenia de maneira dose-dependente e com significância estatística, em comparação com o tratamento antipsicótico isolado.

“Nossa revisão sugere que o estrogênio tem um papel significativo na melhora dos sintomas psicóticos, portanto, eu acredito que esse achado é muito motivante e precisa ser aprofundado por novos estudos”, a Dra. Viviana Alvarez Toro, médica e pesquisadora do estudo.

Os resultados foram apresentados no encontro anual de 2019 da American Psychiatric Association (APA).

“Antipsicótico natural” 

A esquizofrenia afeta cerca de 1% da população, e pesquisas anteriores mostraram que, embora a esquizofrenia tenha prevalência semelhante em homens e mulheres, sua apresentação clínica geralmente difere entre os sexos.

A Dra. Viviana e a Dra. Elise Turner, que também participou do estudo, ambas médicas residentes do Sheppard Pratt Psychiatry Residency Program da University of Maryland, observaram que as mulheres jovens normalmente apresentam os sintomas três a quatro anos mais tarde do que os homens, e que os sintomas nas mulheres podem aparecer em momentos de variação hormonal, como durante o puerpério ou na pós-menopausa.

Além disso, pesquisas anteriores sugeriram que o nível de estrogênio é tipicamente mais baixo em mulheres com esquizofrenia em comparação com seus pares sem a doença.

Estudos anteriores também indicaram que o estrogênio potencializa os antagonistas da dopamina em modelos animais e pode atuar como um “agente antipsicótico natural”, podendo explicar a diferença dos sintomas entre homens e mulheres, observaram as pesquisadoras.

As pesquisadoras ainda ressaltaram que o estrogênio pode desempenhar um papel protetor na lesão neuronal, promovendo a neurogênese e a re-mielinização.

A partir desses dados, a Dra. Viviana e colaboradores fizeram uma revisão sistemática para avaliar os efeitos do estrogênio adjuvante em mulheres adultas e compararam com o tratamento antipsicótico exclusivo – a terapia padrão vigente.

 

Relação dose-dependente

Para a revisão, foram selecionados apenas ensaios clínicos randomizados (ECR). A análise final foi embasada em seis ECR, com o total de 426 mulheres adultas diagnosticadas com esquizofrenia, de acordo com os critérios do Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM, sigla do inglês Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders).

Esses ensaios clínicos também foram limitados a estudos que usaram escalas baseadas em evidências para medir os sintomas positivos e negativos da esquizofrenia, como a escala para avaliação da síndrome positiva e negativa (PANSS, sigla do inglês Positive and Negative Syndrome Scale) ou a escala breve de avaliação psiquiátrica (BPRS, sigla do inglês Brief Psychiatric Rating Scale).

O desfecho primário de interesse do estudo foi a redução dos sintomas positivos e negativos da esquizofrenia, avaliada pelas escalas de sintomas PANSS e BPRS.

As pesquisadoras descobriram que todos os ensaios clínicos que mediram os sintomas usando a escala PANSS mostraram redução estatisticamente significativa na pontuação total das mulheres tratadas com estrogênio em comparação com as mulheres tratadas exclusivamente com algum antipsicótico.

A revisão também mostrou que quanto maior a dose de estrogênio, maior foi a redução da pontuação total pela escala PANSS. O único estudo que avaliou os sintomas pela escala BPRS mostrou uma tendência de redução, sem significância estatística, na pontuação total das participantes tratadas com estrogênio em comparação com aquelas tratadas com apenas com antipsicótico.

A Dra. Viviana disse que o estrogênio como tratamento adjuvante para mulheres com esquizofrenia, em geral, parece levar à redução dose-dependente dos sintomas positivos e negativos. Embora não haja implicações clínicas neste momento, a Dra. Viviana acrescentou que as descobertas definitivamente justificam a realização de novos estudos em uma população maior e diversificada.

“Oportuno e importante”

 

“Observa-se de maneira consistente que sintomas psiquiátricos podem aparecer no período pré-menstrual, o que engloba os sintomas psiquiátricos positivos e negativos das mulheres com esquizofrenia”, disse a Dra. Dolores, professora de psiquiatria, neurociência e ciências genéticas e genômicas da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, em Nova York.

Além disso, a Dra. Dolores mencionou que a desregulação dos hormônios gonadais é uma característica comum da esquizofrenia, independente do tratamento. Ela também destacou que o estrogênio e o hormônio do estresse, cortisol, têm uma relação inversa; o nível de estresse é comumente alto em mulheres com esquizofrenia, o que, por sua vez, reduz os níveis de estrogênio.

A Dra. Dolores disse que o estrogênio pode ser um importante tratamento adjuvante para algumas mulheres. Entretanto, ela acrescentou que “o tratamento com estrogênio não é isento de riscos”.

Pesquisas anteriores mostraram que o estrogênio tem sido associado a alto risco de câncer e pode elevar a pressão arterial.

As pesquisadoras e a Dra. Dolores informaram não ter relações financeiras relevantes.

American Psychiatric Association (APA) 2019: P2-2 Apresentado em 18 de maio de 2019.

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