#Covid-19: modulação de #ACE2 pode explicar a origem dos #efeitos extrapulmonares?

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coronavírus em imagem digital

As infecções respiratórias são provadas pelo tempo como grandes responsáveis por pandemias históricas.
Nas últimas décadas, foram grandes acometimentos com impactos importantes em economia, altos níveis de mortalidade e pânico disseminado. Muito se aprendeu com estes eventos, principalmente a SARS de 2002, a H1N1 em 2009, a MERS em 2012 e, atualmente, a Covid-19, ainda em evolução.

Uma parte deste aprendizado é que, no geral, as infecções e suas possíveis comorbidades secundárias são subestimadas, em grande parte pela existência de manifestações extrapulmonares que nem sempre dão a pista da infecção respiratória inicial.

Distúrbios cardiovasculares agudos e crônicos são complicações comumente percebidas nestes grandes quadros pulmonares, e secundárias a diversos mecanismos, como isquemia absoluta ou relativa, inflamação local e sistêmica, e danos patógeno-mediados.

 

Covid-19

No contexto recente de Covid-19, as casuísticas têm mostrado que tais complicações são ainda mais graves caso haja doença de base preexistente – é o observado em cerca de 50% dos pacientes hospitalizados até então, sendo, destes, 40% doenças cérebro- ou cardiovasculares.

Tem sido notado também que as doenças preexistentes apresentam tendência de descompensação. Isso ocorre principalmente pelo desbalanço entre as altas demandas metabólicas pelo estado infeccioso e SIRS, e a reserva cardíaca reduzida. Coronariopatas têm ainda a particularidade de risco de rotura das placas coronarianas, também devido ao estado de SIRS – o uso de agentes estabilizadores de placa é altamente recomendado (AAS, estatinas, betabloqueadores e IECA’s).

Os coronariopatas já submetidos à angioplastia têm ainda risco adicional de trombose intra-stent, pois a SIRS apresenta importante efeito pró-coagulante.

 

Qual o link entre Covid-19 e o coração?

Estudos das cepas vêm mostrando que SARS-CoV exibem uma tendência de ligação a células com receptores específicos, dentre eles o principal é a enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2). Essa enzima é expressa principalmente em células endoteliais de vasos sanguíneos e em vários órgãos, incluindo coração, pulmões e rins. Desta foram conseguimos entender melhor qual o fundamento das manifestações extrapulmonares.

SARS-CoV modula negativamente a expressão de ACE2 nos sistemas cardiovascular e pulmonar, predispondo a miocardite e insuficiência respiratória, respectivamente. Por outro lado, a produção de citocinas pró-inflamatórias é aumentada, levando a uma resposta inflamatória exacerbada e ao estado de SIRS.

Autora:

Michelle Costa Galbas

Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais

Referências bibliográficas:

  • SARS-coronavirus modulation of myocardial ACE2 expression and inflammation in pacients with SARS (European Journal of Clinical Investigation vol 39, 618-625).

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