#Cardiopatas possuem maior risco na pandemia da #Covid-19?

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Em outras ocasiões já abordamos esse tema no portal, entretanto os dados eram iniciais e maiores conhecimentos foram adquiridos ao longo da evolução da pandemia de Covid-19. Inicialmente estudos observacionais tem procurado entender o comportamento da infecção pelo novo coronavírus, mas um grupo em especial tem chamado muito a atenção, os cardiopatas.

Esses pacientes são desproporcionalmente afetados pelo vírus, diversos mecanismos foram postulados em relação, dentre eles o mais pesquisado consiste na utilização dos receptores da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA 2) como ponte para a entrada nas células pelo vírus.

O uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA) teria o poder de expor mais os receptores de ECA2 ao vírus, facilitando sua entrada nas células e deixando os pacientes cardiopatas especialmente vulneráveis. Entretanto, como não há nenhuma evidência concreta desse efeito as principais sociedades de cardiologia pelo mundo não recomendam a descontinuação destes medicamentos.

 

Cardiopatas na pandemia de Covid-19

Um grande estudo multicêntrico, observacional em 169 hospitais com maios 8.000 pacientes decidiu investigar a relação entre a doença cardiovascular e o uso dessas medicações.

Dos 8.910 pacientes internados 515 vieram a óbito (5,8%), com o restante recebendo alta. Os fatores de risco relacionados a morte destes pacientes foram, idade maior que 65 anos, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica, arritmias cardíacas e tabagismo.

Não foi encontrada, no estudo, nenhuma evidência de que os IECA ou BRA estiveram relacionados a um aumento de mortalidade.

Estes dados corroboram que cardiopatas em geral estão mais propensos a ter um desfecho pior durante a infecção pelo coronavírus, entretanto não foi observada uma relação entre o uso de IECA ou BRA e um aumento de mortalidade.

Estudos observacionais são excelentes para ser ter um panorama geral da situação, entretanto devemos aguardar os estudos randomizados e controlados, avaliado outros desfechos clínicos como infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico e morte cardiovascular para contar com dados mais robustos.

Autor:

Gabriel Quintino Lopes

Sou médico clínico geral e cardiologista, atualmente atuando na área de terapia intensiva, ambulatorial, assistência em enfermaria e coordenação médica. Trabalho no Hospitais Santa Casa em Barra Mansa e na Unidade Cardiointensiva do Hospital São Lucas em Copacabana.

Referências bibliográficas:

  • Mehra MR, Desai SS, Kuy S, Henry TD, Patel AN. Cardiovascular disease, drug therapy, and mortality in Covid-19. N Engl J Med.

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