# como abordar a #Covid-19 em #crianças e adolescentes?

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criança com covid-19 usando máscara deitada no carro

Manejo inicial da Covid-19 em crianças

Na China, os quadros de Covid-19 em crianças foram menos prevalentes e menos graves. Um estudo retrospectivo e descritivo investigou 1412 suspeitos com RT-PCR e 731 foram positivos. Tal estudo chinês demonstrou:

  • Mediana da idade: 10 anos; menor prevalência nos mais jovens; prevalência no sexo masculino;
  • Grande parte dos casos foram assintomáticos ou com quadros leves;
  • Houve um único óbito, em um paciente de 14 anos, com diagnóstico prévio de asma.
  • As crianças são igualmente susceptíveis, mas menos afetadas pelas repercussões.
  • Imunidade humoral e celular imatura: menor tempestade de citocinas e repercussões;
  • Imaturidade dos receptores ACE-2 e menor infectividade;
  • Sugere-se imunidade cruzada, dada a exposição a outros anticorpos.

Casos suspeitos versus confirmados

Acerca da definição de casos suspeitos:

  • Síndrome gripal (SG): quadro respiratório agudo, com sensação febril ou febre (Tax > ou igual a 37,8°C), mesmo que relatada, com tosse OU dor de garganta OU coriza OU dificuldade respiratória. Em crianças, considera-se também obstrução nasal sem outro diagnóstico específico;
  • Síndrome respiratória aguda grave (SRAG): indivíduo com SG associada a dispneia/desconforto respiratório OU pressão persistente no tórax OU cianose OU saturação arterial de oxigênio (SatO2) < 95%. Em crianças, considera-se também a presença de batimento de asa de nariz, cianose, tiragem intercostal, desidratação ou inapetência.

Sobre a definição de casos confirmados:

  • Confirmação laboratorial: caso suspeito de SG ou SRAG com teste RT-PCR detectando infecção (até o 7º dia) ou teste rápido positivo (anticorpos para SARS-CoV-2 após o sétimo dia da doença);
  • Um RT-PCR negativo não exclui a doença: baixa sensibilidade do swab nasofaríngeo ou se feito muito previamente na evolução da doença.
  • Clínico-epidemiológico: caso suspeito de SG ou SRAG com contato próximo ou domiciliar nos setes dias antes dos sintomas com caso confirmado laboratorialmente e sem possibilidade de investigação laboratorial específica;
  • Espectro de apresentação: de casos assintomáticos a críticos, conforme visto em: Covid-19 em pediatria – reconhecimento.

 

Manejo de acordo com a gravidade

Avaliação inicial dos pacientes internados:

  1. Radiografia de tórax, hemograma, PCR, CPK, TGO/TGP, D-dímero, CK-MB e troponina;
  2. Testar influenza e vírus sincicial respiratório;
  3. Achados clássicos: leucopenia/linfopenia, elevação do LDH e ferritina, transaminases, PCR, D-dímero – critérios de maior gravidade;
  4. À radiografia de tórax, são possíveis achados: ausência de alterações no início da doença; vidro fosco periférico, infiltrados algodonosos focais ou bilaterais; infiltrados intersticiais;
  5. À tomografia computadorizada (TC) de tórax: imagem em vidro fosco, inflamação subpleural, imagem em alvo invertido. HC-FMB mostra normalidade em 50% das TC nos dois primeiros dias de avaliação da doença.

Então, para o correto manejo: identificação, isolamento, diagnóstico e tratamento precoces.

Protocolo de assistência HC-FMB: Em caso de queixa respiratória, máscara para a criança e seu acompanhante. Triagem com a devida paramentação.

Após triagem:

  • Se não houver indicação de internação: orientações gerais, prescrição de sintomáticos, atestado de 14 dias para a criança e os contactantes, oseltamivir para os grupo de risco;
  • Em caso de internação: notificar como SRAG, pesquisa de vírus sincicial respiratório e influenza; coleta de teste para Covid-19, exceto se positivo para outro vírus; Oseltamivir até exclusão de influenza;
  • Em caso de instabilidade e indicação de internação em Unidade de Terapia Intensiva UTI: fornecimento de oxigênio via cateter nasal (3L), visando manter SatO2 > 94%, com máscara não reinalante;
  • Se demandar, via aérea definitiva;
  • Em caso de choque: iniciar reposição volêmica (10-20 mL/kg), reavaliações sucessivas, administração de vasopressores (se hipoperfusão ou sobrecarga). Preferência por epinefrina;
  • Propostas terapêuticas: não há tratamento definitivo, mas seguem em estudo: remdesivir, lopinavir + ritonavir, ribavirina/oseltamivir, cloroquina/hidroxicloroquina.

Autor:

Fernando Menezes

Graduando em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Extensão universitária nas áreas de Imunologia e Administração e Finanças (UERJ)

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