#Assim como os adultos, as #crianças também podem apresentar quadros graves de #Covid-19

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médico conferindo intubação de criança com covid-19 grave em utip

Em um estudo realizado em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) canadenses e americanas, a maioria das crianças hospitalizadas pela doença do novo coronavírus (Covid-19) tinha condições preexistentes, sendo que 38% delas necessitaram de ventilação mecânica invasiva (VMI).

Os resultados estão no artigo Characteristics and Outcomes of Children With Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Infection Admitted to U.S. and Canadian Pediatric Intensive Care Units, publicado no jornal JAMA Pediatrics.

Covid-19 grave em crianças

Os pesquisadores Lara Shekerdemian e equipe conduziram um estudo transversal que incluiu crianças positivas para COVID-19 em 46 UTIP norte-americanas entre 14 de março e 03 de abril de 2020, com seguimento até 10 de abril. Foram incluídas 48 crianças.

 

  • Vinte e cinco (52%) eram meninos;
  • A mediana de idade foi de 13 anos (4,2-16,6);
  • Quarenta (83%) das crianças tinham comorbidades prévias;
  • Dezenove crianças (40%) foram classificadas como “clinicamente complexas” (crianças com atraso no desenvolvimento ou anomalias genéticas e que eram dependentes de suporte tecnológico), 11 tinham imunossupressão, sete era obesas e quatro eram diabéticas;
  • Trinta e cinco (73%) apresentaram sintomas respiratórios, embora três estivessem em cetoacidose diabética e um lactente com doença falciforme apresentava dor óssea por crise vaso-oclusiva;
  • Trinta e três (69%) eram muito graves à admissão;
  • Doze (25%) receberam drogas vasoativas;
  • Trinta e nove (81%) precisaram de suporte ventilatório;
  • Dezoito (38%) necessitaram de VMI (por cânula endotraqueal ou traqueostomia);
  • Vinte e um (44%) foram ventilados de forma não invasiva;
  • Onze (23%) apresentaram falência em dois ou mais órgãos;
  • Uma criança (2%) foi submetida à oxigenação por membrana extracorpórea (extracorporeal membrane oxygenation – ECMO);
  • Vinte e oito (61%) receberam terapias direcionadas. A hidroxicloroquina foi o medicamento mais usado, tanto como terapia direcionada única (11 crianças) quanto combinada (dez pacientes).

 

Resultados

Ao final do período de seguimento:

  • 2 crianças (4%) evoluíram para óbito;
  • 15 (31%) continuaram hospitalizadas;
  • 3 ainda demandavam suporte ventilatório;
  • A criança em ECMO permanecia em uso da estratégia;
  • Para os pacientes que receberam alta hospitalar, a mediana de tempo de internação na UTIP foi de 5 (3-9) dias. Já a mediana de permanência no hospital foi de 7 (4-13) dias;
  • Os dois pacientes que morreram tinham idades entre 12 e 17 anos. Ambos tinham comorbidades prévias e evoluíram para falência de múltiplos órgãos;
  • A taxa de letalidade nesse estudo foi de 4,2%.

 

Os pesquisadores descreveram que podem se considerar “cautelosamente otimistas” com esses resultados em crianças. Isso porque a taxa de letalidade foi de 4,2%, muito aquém das taxas relatadas em pacientes adultos de 50 a 62% para pacientes com Covid-19 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Ademais, destacaram que o ônus da doença em crianças ainda é menor em comparação à influenza sazonal e citam que Center for Disease Control and Prevention (CDC) relataram, em 28 de abril de 2020, oito óbitos em pacientes pediátricos com 14 anos de idade ou menos relacionados à COVID-19 em comparação a 169 mortes relacionadas à influenza em crianças com a mesma faixa etária durante a temporada 2019 – 2020.

Conclusão

Shekerdemian e colaboradores concluíram que, apesar das taxas de letalidade serem menores que as de pacientes adultos, as crianças podem apresentar formas graves de Covid-19. Além disso, descrevem que a existência de comorbidades prévias é um importante fator de risco.

Autora:

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Consultora científica (Medical Science Liaison) na Mundipharma. Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB. Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referência bibliográfica:

  • SHEKERDEMIAN, Lara et al. Characteristics and Outcomes of Children With Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Infection Admitted to U.S. and Canadian Pediatric Intensive Care Units. JAMA Pediatrics, 2020; DOI: 10.1001/jamapediatrics.2020.1948

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