#Os serviços de atendimento à #saúde da mulher na APS devem ser mantidos durante a pandemia?

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mulher sendo atendida na APS de saúde da mulher

As medidas de isolamento social promovidas para frear o avanço da pandemia por Covid-19 trouxeram também uma redução do movimento nas unidades de Atenção Primária à Saúde (APS). No entanto, a diminuição da circulação de pessoas para reduzir o contágio da doença deve levar em consideração os potenciais malefícios causados pela interrupção dos acompanhamentos em saúde. Inclusive os atendimentos de pré-natal, planejamento familiar e outros relacionados à saúde da mulher.

É importante lembrar a recomendação do Ministério da Saúde de realizar ao menos 6 consultas pré-natais e 2 consultas puerperais. Dessa forma, fornecendo o adequado atendimento à mulher no ciclo gravídico-puerperal. Estudos demonstram a relação entre um menor número de consultas a uma maior mortalidade perinatal e infantil.

 

Consequências de uma pandemia

Exemplos do prejuízo que o acompanhamento deficiente pode trazer às mulheres estão em casos de alguns países africanos que, durante a epidemia por Ebola, experimentaram uma diminuição do cuidado a gestantes e puérperas. Tanto por medo da população de ir até as unidades quanto devido à redução do próprio acesso aos serviços. Isso acabou ocasionando um grande aumento no número de mortes maternas e neonatais, equivalendo-se praticamente ao número de mortes causadas pela epidemia.

Da mesma maneira, houve aumento de gestações indesejadas, devido à diminuição do acesso a contraceptivos e a cuidados relacionados ao planejamento familiar. Vale lembrar que os efeitos da Covid-19 sobre o feto ainda são incertos. Alguns estudos apontam aumento de casos de trabalho de parto prematuro, de crescimento intrauterino retardado, de sofrimento fetal e possibilidade de transmissão vertical. Isso reforça a importância da contracepção nesse momento.

 

Importância da Atenção Primária

A APS é a porta de entrada para o sistema de saúde e deve-se manter atenta para enfrentar possíveis aumentos de desigualdades, usualmente agravadas por epidemias. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade recomenda, portanto, que se garanta o acesso adequado ao acompanhamento do ciclo gravídico-puerperal, ao planejamento familiar e aos atendimentos a queixas que tragam ameaça à saúde da mulher, como sangramento uterino anormal e investigações oncológicas.

Tais serviços devem ser considerados essenciais. Sendo oferecidos com os devidos cuidados, com o uso de máscara, atendimento e espera em locais distantes de sintomáticos respiratórios e desinfecção de superfícies e equipamentos. Recomenda-se também o fornecimento de maior quantidade de cartelas de contraceptivos, a fim de diminuir a circulação de pessoas, sem restringir o acesso.

Autor(a):

Renato Bergallo

Graduação em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF) ⦁ Residência em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e em Administração em Saúde (UERJ) ⦁ Mestre em Saúde da Família (UFF) ⦁ Doutorando em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) ⦁ Professor da disciplina de Saúde da Família e gerente do Centro de Saúde Escola Lapa da Faculdade de Medicina da Universidade Estácio de Sá

Referências bibliográficas:

  • RECOMENDAÇÕES DA SBMFC PARA A APS DURANTE A PANDEMIA DE Covid-19. Grupo Técnico para Recomendações da SBMFC para a APS durante a Pandemia de Covid-19. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. 1ª Edição 16 de maio de 2020.

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