#Irritabilidade é associada a #suicídio na #depressão maior

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A ocorrência de irritabilidade em adultos com transtorno depressivo maior ou com transtorno por uso de estimulantes está fortemente associada a suicídio, e deve ser avaliada por médicos.

Três ensaios clínicos com pacientes adultos com transtorno depressivo maior e um estudo com adultos com transtorno por uso de estimulantes mostraram que a associação entre irritabilidade e suicídio é mais forte do que a associação entre gravidade da depressão e comportamento suicida.

“A irritabilidade é uma característica importante que não é estudada com frequência em adultos com transtorno depressivo maior”, disse ao Medscape o Dr. Manish K. Jha, médico da Icahn School of Medicine em Mount Sinai, Nova York.

“Se você observar a convenção diagnóstica atual, a irritabilidade não é considerada um sintoma de episódios depressivos graves em adultos, mas, abaixo dos 18 anos, é considerado um dos dois principais sintomas”, disse o Dr. Manish.

Os achados foram apresentados na edição on-line da reunião anual de 2020 da American Society of Clinical Psychopharmacology (ASCP).

Clinicamente útil

“A irritabilidade é avaliada por meio de normas de comportamento para a idade”, explicou o Dr. Manish.

“A melhor forma de conceituar a irritabilidade é a propensão a ficar bravo com facilidade ou com mais frequência quando comparado a colegas em resposta à frustração. Eu tenho um filho de dois anos e meio, e se ele fizer uma birra, será perfeitamente apropriado para a sua idade, mas se eu fizesse a mesma coisa, seria um ato de irritabilidade extrema. A literatura pediátrica utiliza o termo ‘rabugice’, mas é um pouco difícil de definir, em parte porque não foi estudado extensivamente”, disse o médico.

Para entender melhor a potencial associação entre irritabilidade e suicídio, os pesquisadores revisaram os resultados de três estudos com adultos com transtorno depressivo maior. Os estudos foram: Combining Medications to Enhance Depression Outcomes (CO-MED)”, que incluiu 665 pacientes; Establishing Moderators and Biosignatures of Antidepressant Response in Clinical Care (EMBARC)”, que incluiu 296 pacientes; e o Suicide Assessment Methodology Study (SAMS)”, que incluiu 266 pacientes.

Os pesquisadores também avaliaram o estudo Stimulant Reduction Intervention Using Dosed Exercise (STRIDE)”, que incluiu 302 adultos com transtorno por uso de estimulantes.

Todos os estudos avaliaram a irritabilidade utilizando a escala Concise Associated Symptom Tracking, uma escala de Likert de cinco pontos. Esses estudos também avaliaram o risco de suicídio com a escala Concise Health Risk Tracking Suicidal Thoughts.

Os pesquisadores descobriram que a irritabilidade e o risco de suicídio estavam correlacionados de forma positiva. A associação entre irritabilidade e suicídio foi de duas a onze vezes mais forte do que a relação com depressão em geral.

A identificação de irritabilidade mais acentuada ao início do estudo foi um preditor de maiores níveis de suicídio na nona semana dos estudos CO-MED (P = 0,011), EMBARC (P < 0,0001) e STRIDE (P = 0,007), mas não do estudo SAMS (P = 0,21).

Uma redução mais acentuada da irritabilidade desde o início do estudo até a quarta semana foi um preditor de menores níveis de risco de suicídio na oitava semana dos estudos CO-MED (P = 0,007), EMBARC (P < 0,0001) e STRIDE (P < 0,0001), mas não no estudo SAMS (P = 0,65).

De forma semelhante, irritabilidade mais discreta ao início do estudo e maiores reduções na irritabilidade foram associadas a menores níveis de suicídio na 28ª semana do estudo CO-MED, na 16ª semana do estudo EMBARC e na 36ª semana do estudo STRIDE.

O Dr. Manish especulou que, ao tratar a irritabilidade seria possível diminuir as taxas de ideação suicida subsequente, e ele acredita que medir a irritabilidade no transtorno depressivo maior “tem utilidade clínica”.

Sintoma comum e incapacitante

Comentando o estudo para o Medscape, o Dr. Sanjay J. Mathew, médico e professor de psiquiatria e ciências comportamentais do Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, disse que os achados oferecem mais embasamento de que a irritabilidade é um sintoma associado à depressão maior relativamente comum e incapacitante.

“A presença de irritabilidade importante foi associada a maiores níveis de ideação suicida e, portanto, é algo muito relevante a ser avaliado pelos médicos”, disse o Dr. Sanjay, que não participou do estudo.

“A melhora precoce na irritabilidade está associada a melhores desfechos em longo prazo com tratamentos antidepressivos, e isso destaca a necessidade de avaliação clínica minuciosa e precoce no curso do tratamento antidepressivo, idealmente nas primeiras duas semanas”, ele disse.

O Dr. Manish informou relações financeiras com a ACADIA Pharmaceuticals e Janssen Research & Development. O Dr. Sanjay informou relações financeiras com a Allergan, Vistagen, Janssen, Clexio e Biohaven.

Encontro anual de 2020 da American Society of Clinical Psychopharmacology (ASCP): Abstract 3002163. Apresentado em 30 de maio de 2020

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