#Maior #risco de fratura em pacientes jovens utilizando #benzodiazepínicos

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Adolescente com ansiedade tratada com benzodiazepínicos se preocupa com a possibilidade de maior risco de fraturas

Segundo o estudo Benzodiazepine Treatment and Fracture Risk in Young Persons With Anxiety Disorders, publicado no jornal Pediatrics, o risco de fratura é maior em crianças e adolescentes em uso de benzodiazepínicos para ansiedade. Isso quando comparados àqueles que tomam antidepressivos. Nesse estudo, o objetivo foi avaliar se jovens com distúrbios de ansiedade que iniciam o tratamento com benzodiazepínicos têm um risco aumentado de fraturas em comparação a jovens que iniciam inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS).

 

Características do estudo sobre risco de fraturas e benzodiazepínicos

Os pesquisadores Greta Bushnell e colaboradores avaliaram crianças (6 a 17 anos) e adultos jovens (18 a 24) com um diagnóstico recente de transtorno de ansiedade. E que iniciaram tratamento com benzodiazepínicos ou ISRS, no período entre 2008 a 2016. Os jovens, que possuíam seguro de saúde, foram acompanhados até apresentarem fratura. Ou terem seu tratamento interrompido ou trocado, ou cancelarem a matrícula, ou completarem três meses ou até 31 de dezembro de 2016.

O banco de dados foi obtido através do MarketScan Commercial Claims and Encounters. Esta base de dados abrange indivíduos com seguro de saúde patrocinado pelo empregador e seus dependentes nos Estados Unidos. O desfecho primário foi o registro de códigos de diagnóstico para fraturas de membros superiores e inferiores. O seguimento foi restrito em até 30 dias.

Foram incluídos registros de prescrição de 120.715 crianças de 6 a 17 anos e de 179.768 adultos jovens de 18 a 24 anos. Todos diagnosticados com ansiedade. Em crianças, as taxas brutas de fraturas durante o tratamento foram de 33,1 por 1.000 pessoas/ano para pacientes que iniciaram tratamento com benzodiazepínicos e 25,1 por 1000 pessoas/ano para quem iniciou o tratamento com ISRI. Os pesquisadores observaram que o risco foi aumentado em crianças que iniciaram benzodiazepínicos de ação prolongada versus ISRSs [incident rate ratios (IRR) ajustada = 2,30 / Intervalo de confiança de 95% (IC 95%): 1,08–4,91)]. As taxas de fratura foram menores em adultos jovens, com diferenças mínimas entre os tratamentos [IRR ajustada = 0,85 (IC 95%: 0,57–1,27; diferença na taxa de incidentes ajustada = 21,3 por 1000 pessoas-ano)].

 

Limitações dos dados sobre tratamento com benzodiazepínicos e o risco de fraturas

Os pesquisadores descreveram as seguintes limitações do estudo: não se pode ter certeza de que a indicação do tratamento primário era um transtorno de ansiedade e se e quando prescrições preenchidas foram consumidas. Faltam medidas de gravidade clínica; não está claro quantas diferenças não medidas na gravidade da condição psiquiátrica existem entre jovens iniciando um benzodiazepínico versus ISRS e como a gravidade da ansiedade afeta o risco de fratura. Pesquisas adicionais são necessárias para avaliar se o risco elevado de fratura com o tratamento com benzodiazepínico está concentrado em crianças com comorbidade psiquiátrica ou se essa observação é resultado de diferenças nas prescrições e/ou características dos pacientes entre crianças com e sem comorbidades psiquiátricas.

O tratamento com benzodiazepínicos é tipicamente mais curto que com ISRS; no entanto, os resultados com restrição de 30 dias de tratamento comparam os resultados com um denominador semelhante. Muitas análises de subgrupos foram limitadas pelo tamanho da amostra. Embora a definição de fratura primária pretenda capturar fraturas com maior probabilidade de ser causada por uma queda, as fraturas podem ser causadas por qualquer mecanismo e não estar relacionadas ao tratamento. Os eventos de fratura foram baseados em códigos de diagnóstico e podem não representar eventos verdadeiros. A validade dos códigos de diagnóstico de fraturas varia de acordo com o tipo de fratura, com valores preditivos positivos tipicamente estimados em 0,80%. Por fim, os dados sobrepuseram a transição para os códigos da International Classification of Diseases, 10th Revision, Clinical Modification (ICD-10-CM).

Conclusão

Bushnell e colaboradores observaram um aumento da taxa de fraturas em crianças com distúrbios de ansiedade que iniciam o tratamento com benzodiazepínicos em comparação ao tratamento com ISRS. Entretanto, isso não foi observado em adultos jovens. Dessa forma, enfatizam a necessidade de maior cautela nas semanas após o início da benzodiazepínicos em crianças com transtornos de ansiedade. Além disso, dada a falta de evidências de eficácia e os dados de segurança limitados para o tratamento com benzodiazepínicos em transtornos de ansiedade em pediatria, esse sinal é uma consideração importante na avaliação de benefício-dano da prescrição de benzodiazepínicos a jovens com esses transtornos.

 

Sobre benzodiazepínicos

Os benzodiazepínicos são uma classe de medicamentos comumente prescrita no Estados Unidos, inclusive em populações mais jovens. São prescritos para condições psiquiátricas e não psiquiátricas. Além de serem comumente usados para transtornos de ansiedade entre os jovens; apesar de não serem recomendados pelo Food and Drug Administration (FDA) para essa condição.

Autor(a):

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB. Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referências bibliográficas:

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