#Existe uma inter-relação entre #diabetes e #Covid-19?

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Parece haver uma relação bidirecional entre diabetes e Covid-19. De fato, o diabetes tem sido consistentemente relatado como um dos fatores de risco mais importantes relacionados à evolução grave e mortalidade pela doença do novo coronavírus. Além disso, evidências sugerem um impacto específico da Covid-19 no próprio diabetes.

Diabetes e Covid-19

Em carta publicada no The New England Journal of Medicine, um grupo internacional de investigadores, liderado por Francesco Rubino e Paul Zimmet, alerta para o fato de que casos de diabetes de início recente, bem como complicações metabólicas agudas e graves de diabetes preexistente, foram observados em pessoas afetadas pela Covid-19, incluindo cetoacidose diabética (CAD) e síndrome hiperosmolar. Essas manifestações representam desafios significativos no manejo clínico e sugerem uma fisiopatologia complexa do diabetes relacionado à Covid-19.

O SARS-CoV-2, vírus responsável pela Covid-19, se liga aos receptores da ECA-2, que são expressos em vários órgãos e tecidos metabólicos importantes, incluindo as células β pancreáticas, tecido adiposo, intestino delgado, fígado e rins. Assim, é plausível que o SARS-CoV-2 possa causar múltiplas alterações do metabolismo da glicose, que podem complicar a fisiopatologia do diabetes preexistente ou levar a novos mecanismos da doença. De fato, existem precedentes para uma etiologia viral para diabetes propensa a cetose.

De forma geral, essas observações fornecem suporte para a hipótese de um potencial efeito diabetogênico da Covid-19, que vai além da bem conhecida resposta ao estresse associada a doenças graves.

Existe, portanto, uma necessidade urgente de caracterizar o diabetes relacionado à Covid-19, particularmente em comunidades desproporcionalmente afetadas por maus resultados em infecções pelo vírus, como aqueles de etnia negra e pessoas com obesidade.

 

O que não sabemos

  • As alterações no metabolismo da glicose que ocorrem agudamente com Covid-19 grave persistem ou remitem após a resolução da infecção?
  • Se o diabetes remite, os pacientes permanecerão em maior risco de diabetes futuro? Se persiste, haverá maior risco de CAD?
  • Quão frequente é o fenômeno do diabetes de início recente?
  • Esse fenômeno representa o início abrupto do diabetes tipo 1 ou 2 clássico, ou de um novo tipo de diabetes?
  • Em pacientes com diabetes preexistente a Covid-19 altera a fisiopatologia subjacente e a história natural da doença?

A obtenção de respostas a essas perguntas, explorando ainda mecanismos potencialmente novos da doença, poderá definir melhor o gerenciamento clínico imediato, o acompanhamento e o monitoramento das pessoas afetadas.

 

Projeto COVIDIAB

Com o objetivo de aprimorar o conhecimento nessa área, um grupo internacional de pesquisadores está conduzindo o projeto CoviDIAB, que estabeleceu um registro global de pacientes com diabetes relacionado à Covid-19.

Os investigadores pretendem:

  • Estabelecer a extensão e o fenótipo do diabetes de início recente relacionado à Covid-19, definido pela presença de hiperglicemia, Covid-19 confirmada, história negativa de diabetes, e nível normal de hemoglobina glicada.
  • Caracterizar o curso clínico e os resultados do diabetes em pacientes com doença preexistente que desenvolvem agudamente complicações metabólicas graves durante a Covid-19, como cetoacidose diabética e hiperglicemia hiperosmolar não cetótica.
  • Investigar as características epidemiológicas e a patogênese do diabetes relacionado à Covid-19 e obter pistas sobre cuidados adequados para os pacientes durante e após o curso da infecção. A coleta de dados inclui o acompanhamento após a resolução da Covid-19, com relação específica à persistência, remissão e recidiva do diabetes.

Conclusões

Dada a história muito curta de infecção humana por SARS-CoV-2, esse registro nos ajudará a entender mais rapidamente como o diabetes relacionado à Covid-19 se desenvolve, sua história natural e seu melhor gerenciamento.

O estudo do diabetes relacionado à Covid-19 também pode descobrir novos mecanismos da doença.

Autora:

Daniele Zaninelli

Graduada em Medicina pela UFPR (1998) ⦁ Especialização em Endocrinologia e Metabologia no HC/UFPR ⦁ Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia (2003) ⦁ Mestrado no Serviço de Endocrinologia e Metabologia pelo Departamento de Clínica Médica do HC/UFPR ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia / Membro da Endocrine Society ⦁ Presidente da Associação SEMPR Amigos (SEMPR: Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná)

Referências bibliográficas:

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