#Arritmias na #Covid-19

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Monitor cardíaco em paciente com Covid-19 e risco de arritmia

A pandemia pelo SARS-COV-2 assolou o mundo e trouxe diversos novos conhecimentos e desconhecimentos para a comunidade científica. Na parte cardiológica, a Covid-19 mostrou injúria miocárdica coincidindo com maior gravidade, além da possibilidade de descompensações de doenças crônicas previamente estabilizadas, aumento de morte súbita em domicílio e menor procura na emergência por quadro como infarto agudo do miocárdio. As arritmias cardíacas também estiveram presentes no quadro infecciosos em graus variáveis, entretanto os dados são pobres, não identificando os tipos de arritmia, por exemplo.

 

Estudo sobre arritmias em pacientes com Covid-19

Um estudo realizado no Hospital of the University of Pennsylvania avaliou 700 pacientes com Covid-19 confirmados por swab e reação em cadeia da polimerase (PCR) durante um período de 9 semanas. A população estudada tinha em média 50 anos de idade, 45% eram homens e 71% eram negros. Destes 79 (11%) pacientes foram admitidos em unidades de terapia intensiva com uma mortalidade de 23%. Os demais 621 pacientes que permaneceram em enfermarias mostraram uma mortalidade de 2%.

Diversas patologias como doenças cardiovasculares, DPOC, diabetes, apneia obstrutiva do sono, entre outras foram avaliadas, e exames laboratoriais coletados. Os desfechos foram morte, além da avaliação das arritmias apresentadas. Para isso diversos registros foram analisados. Pacientes com história de FA prévia foram excluídos da análise de fibrilação atrial.

Características médicas dos pacientes

Os pacientes admitidos na unidade de terapia intensiva eram mais velhos, com maior tendência a doenças cardiovasculares, diabetes, DPOC e doença renal. Além disso apresentaram mais alterações laboratoriais (troponina, BNP, D-dímero) e receberam mais hidroxicloroquina e remdesivir. Apenas 6% dos pacientes apresentaram história prévia de fibrilação atrial e 3% possuíam dispositivos cardíacos implantáveis.

 

No total foram 53 pacientes com arritmia, sendo que 9 tiveram parada cardíaca, 6 deles em atividade elétrica sem pulso, 2 em assistolia e apenas 1 em torsades de pointes. Houve 25 casos de FA, 9 casos de bradiarritmia sintomática e 10 de taquicardia ventricular não sustentada. Um fator de risco para o desenvolvimento de arritmias era a admissão em unidade de terapia intensiva com risco elevado em 10 vezes.

Limitações

O estudo apresentou diversas limitações, como por exemplo o fato de ter sido realizado em um único centro, não podendo ser refletido mundialmente, além disso a falta de monitorização de pacientes internados em unidades fora da terapia intensiva pode ter subestimado a ocorrência de arritmia nessa população.

 

Conclusão sobre relação entre arritmias e Covid-19

Por fim os pesquisadores concluíram que a incidência de arritmias estava mais ligada a gravidade do quadro e não somente a infecção pelo vírus.

Autor(a):

Gabriel Quintino Lopes

Sou médico clínico geral e cardiologista, atualmente atuando na área de terapia intensiva, ambulatorial, assistência em enfermaria e coordenação médica. Trabalho no Hospitais Santa Casa em Barra Mansa e na Unidade Cardiointensiva do Hospital São Lucas em Copacabana.

Referências bibliográficas:

  • Bhatla A, Mayer MM, Adusumalli S, Hyman MC, Oh E, Tierney A, Moss J, Chahal AA, Anesi G, Denduluri S, Domenico CM, Arkles J, Abella BS, Bullinga JR, Callans DJ, Dixit S, Epstein AE, Frankel DS, Garcia FC, Kumareswaram R, Nazarian S, Riley MP, Santangeli P, Schaller RD, Supple GE, Lin D, Marchlinski F, Deo R, COVID-19 and Cardiac Arrhythmias, Heart Rhythm (2020), doi: https://doi.org/10.1016/j.hrthm.2020.06.016.

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