#FDA alerta para o #“desafio do Benadryl”

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Pais devem ficar atentos aos perigos do “desafio do Benadryl” em redes sociais

Amplamente divulgado na rede social Tik Tok, o “desafio do Benadryl” tem instigado adolescentes a consumirem altas doses deste fármaco. Recentemente, uma jovem americana de 15 anos, proveniente de Oklahoma, foi a óbito, após filmar-se com alucinações por overdose desse medicamento. Há relatos também de outros adolescentes que sobreviveram, mas deram entrada em departamentos de Emergência pelo mesmo motivo.

 

O medicamento

O Benadryl®, cujo princípio ativo é o anticolinérgico difenidramina (muito usado para aliviar temporariamente os sintomas decorrentes de alergias respiratórias ou resfriado comum, como coriza e espirros) causa toxicidade dose-dependente. As manifestações clínicas no sistema nervoso central (SNC) decorrentes de intoxicação anticolinérgica incluem agitação, ataxia, confusão, delirium, alucinações, convulsões (embora raras) e coma. Outras manifestações em outros sistemas incluem: midríase, taquicardia, hipertensão, náuseas, vômitos, diminuição de peristalse, pele ruborizada, boca seca, hipertermia, movimentos mioclônicos espasmódicos e coreoatetose (que podem levar à rabdomiólise), retenção urinária e, mais raramente, insuficiência renal por rabdomiólise.

Diante dessa situação, o órgão americano Food and Drug Administration (FDA) emitiu, em 24 de setembro de 2020, uma nota alertando sobre as complicações decorrentes do uso de altas doses da difenidramina. O FDA relata estar investigando esses relatos e conduzindo uma revisão para determinar se casos adicionais foram noticiados e que atualizará o público assim que concluírem essa revisão ou tiverem mais informações. Além disso, refere ter entrado em contato com a rede social TikTok, incentivando-a fortemente a remover os vídeos da plataforma e estarem atentos para remover vídeos adicionais que possam ser postados.

Cuidados extras

O FDA destaca que os profissionais de saúde devem estar cientes de que o “desafio do Benadryl” está ocorrendo entre os adolescentes e alertar seus cuidadores sobre isso, além de pensar na possibilidade de overdose de difenidramina em um paciente com clínica de intoxicação exógena. Além disso, recomenda que os consumidores, pais e cuidadores devem armazenar o medicamento difenidramina e todos os outros medicamentos de venda livre ou com retenção de receita longe e fora do alcance e da visão das crianças, mantendo-os guardados em locais trancados, para evitar intoxicações acidentais por crianças e uso indevido por adolescentes, especialmente durante o isolamento social devido à pandemia de Covid-19.

 

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disponibiliza, para população e para os profissionais de saúde, o Disque-Intoxicação (gratuito), cujo número é 0800-722-6001. O usuário recebe atendimento por uma das 36 unidades da Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Renaciat).

Autor(a):

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB. Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referências bibliográficas:

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