Prematuridade ou baixo peso ao nascer podem comprometer saúde óssea mais tarde

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Estados Unidos (Reuters Health) — Adultos jovens que nasceram prematuros extremos ou muito abaixo do peso podem apresentar comprometimento da saúde óssea anos mais tarde, em comparação com seus pares nascidos a termo, de acordo com um estudo longitudinal australiano.

Aos 25 anos, o grupo de pacientes prematuros extremos ou que nasceram muito abaixo do peso apresentou densidade mineral óssea (DMO) e escore z no colo do fêmur significativamente mais baixos, bem como escore z total do quadril inferior ao de indivíduos pareados por idade nascidos a termo com o peso normal, no artigo publicado no periódico Bone.

“Nossos achados têm implicações clínicas importantes”, disse à Reuters Health por e-mail a Dra. Anjali Haikerwal, médica do The Royal Women’s Hospital, na Austrália. “Estratégias efetivas para modificações de estilo de vida, em particular a nutrição e a prática de atividade física ao ar livre, que maximizam a saúde óssea, devem ser incentivadas na infância.”

Ela acrescentou que, para reduzir a incidência de fraturas na terceira idade, os jovens adultos que nasceram prematuros, seus familiares e os profissionais de saúde devem ser informados sobre a importância de otimizar e talvez monitorar a saúde óssea.

Victorian Infant Collaborative Study incluiu 297 bebês que nasceram prematuros extremos ou muito abaixo do peso e os acompanhou desde o momento do nascimento, em 1991 e 1992 – próximo ao início da era da terapia intensiva neonatal moderna, quando as taxas de sobrevida de bebês nascidos nessas condições aumentaram drasticamente. Esse período foi particularmente marcado pela introdução do surfactante exógeno para o tratamento da síndrome do desconforto respiratório em recém-nascidos.

De acordo com o estudo, a definição de pacientes prematuros extremos ou que nasceram muito abaixo do peso consistiu em bebês nascidos antes da 28ª semana gestacional e com menos de 1 kg, respectivamente.

Aos 25 anos, próximo ao pico de massa óssea, 162 (55%) participantes do grupo de pacientes prematuros extremos ou que nasceram muito abaixo do peso e 129 (50%) dos 260 controles incluídos no estudo tinham dados de saúde óssea disponíveis. Os participantes do primeiro grupo eram significativamente mais baixos do que os do segundo (média de aproximadamente seis centímetros) e apresentaram mais tecido adiposo visceral, antes e depois do ajuste para altura e peso.

Após ajuste para altura e peso, as diferenças médias na densidade mineral óssea e no escore z no colo do fêmur foram de 0,044 g/cm2 e 0,53, respectivamente; o escore z total do quadril foi menor em 0,35 pontos. Essas diferenças foram estatística e clinicamente importantes, de acordo com os autores.

Em comparação com o grupo de controle, em geral, os pacientes do sexo masculino incluídos no grupo prematuros extremos ou que nasceram muito abaixo do peso mostraram mais déficits ósseos do que as do sexo feminino. Além disso, eles apresentaram menos massa magra do que os controles.

Os pacientes nos grupos prematuros extremos ou que nasceram muito abaixo do peso crescimento precoce, sexo masculino, altura e massa magra, medidas musculares, níveis de 25(OH)D e marcadores de remodelação óssea foram independentemente associados a medidas minerais ósseas, estrutura e força.

“Mais tempo de acompanhamento dos pacientes no grupo de prematuros extremos ou que nasceram muito abaixo do peso determinará se eles terão mais risco de fratura por fragilidade quando mais velhos”, explicaram os autores.

A Dra. Unni Syversen, médica e professora de endocrinologia da Norges teknisk-naturvitenskaplige universitet, na Noruega, disse que a pesquisa “confirmou estudos anteriores mostrando uma associação entre bebês prematuros/que nascem muito abaixo do peso e baixo pico de massa óssea”.

“O que há de novo”, disse ela à Reuters Health por e-mail, “é que o estudo em tela usou tomografia computadorizada quantitativa periférica, além de absorciometria com raios-X de dupla energia para avaliar os parâmetros ósseos”.

“Diante do crescente número de sobreviventes dentre aqueles que nascem muito abaixo do peso, os achados deste estudo têm significância clínica”, continuou a Dra. Unni. “Esses indivíduos devem ser acompanhados para otimizar seu pico de massa óssea, pois este é um determinante importante do risco futuro de fratura”.

A Dra. Thuy Mai Luu, médica da Université de Montréal CHU Sainte-Justine, no Canadá, especializada em desenvolvimento fetal e prematuridade, disse à Reuters Health por e-mail: “A contribuição deste estudo é ter demonstrado que certos fatores potencialmente modificáveis foram associados ao aumento da densidade mineral óssea, ou seja, melhor crescimento infantil, aumento dos níveis de vitamina D e aumento da massa magra. Esses são todos possíveis alvos para uma intervenção para prevenir morbidades decorrentes da redução da densidade mineral óssea.”

“Os pediatras e médicos de família estão bem posicionados para incentivar a ingestão nutricional que otimizará o crescimento e a saúde óssea (ou seja, vitamina D e cálcio),” acrescentou a Dra. Thuy Mai. “Exercícios com peso também devem ser incentivados.”

A Dra. Unni Syversen e a Dra. Thuy Mai Luu não participaram do estudo.

FONTE: https://bit.ly/30c8VEm

Bone. Publicado on-line em 17 de setembro de 2020.

Reuters Health Information © 2020 Reuters Ltd.

Citar este artigo: Prematuridade ou baixo peso ao nascer podem comprometer saúde óssea mais tarde – Medscape – 26 de outubro de 2020.

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