Esquema terapêutico se consagra como primeira linha no câncer de endométrio avançado

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Carboplatina-paclitaxel (TC) deve ser o tratamento padrão global de primeira linha para o câncer de endométrio avançado, sugerem novas descobertas. A combinação provou ser não inferior ao esquema doxorrubicina + cisplatina seguido de paclitaxel (TAP) em termos de resposta, sobrevida livre de progressão e sobrevida global, além de apresentar menor toxicidade.

A mediana de sobrevida global foi de 37 meses para carboplatina-paclitaxel e de 41 meses para TAP. E foram observados mais eventos adversos de grau ≥ 3 com o uso de TAP.

Os dados foram inicialmente apresentados na reunião anual de 2012 da Society of Gynecologic Oncology. Na apresentação original, o primeiro autor do estudo, Dr. David Scott Miller, disse que essa combinação deveria ser o padrão de cuidado neste cenário. O Dr. David é médico e professor de obstetrícia e ginecologia no University of Texas Southwestern Medical Center, nos Estados Unidos.

“Esta publicação do acompanhamento de longo prazo subsequente confirmou isso”, disse ele ao Medscape. O esquema “TAP raramente é usado hoje em dia”.

Os resultados foram publicados no periódico Journal of Clinical Oncology.

Cerca de 10 anos antes, em 2004, o ensaio clínico Gynecologic Oncology Group (GOG) 177 estabeleceu TAP como padrão de tratamento sistêmico do câncer de endométrio em estágio III-IV e recorrente (J Clin Oncol. 2004; 22:2159-2166). No entanto, o esquema terapêutico foi associado a uma toxicidade muito maior do que a combinação doxorrubicina-cisplatina, com a qual foi comparado no estudo GOG 177.

Os ensaios de fase 2 com carboplatina-paclitaxel sugeriram que a combinação foi ativa no câncer de endométrio, observaram os autores. Eles levantaram a hipótese de que a doxorrubicina poderia ser retirada do esquema, e que a carboplatina poderia ser substituída pela cisplatina.

Sobrevida equivalente, menor toxicidade

No estudo em tela, Dr. David e colaboradores buscaram determinar se o esquema carboplatina-paclitaxel era equivalente ou não inferior ao TAP em relação aos desfechos de sobrevida. Os desfechos secundários foram perfil de toxicidade do carboplatina-paclitaxel em comparação com o TAP. Os dois esquemas terapêuticos também foram comparados em relação à neurotoxicidade relatada pela paciente e à qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS).

De 2003 a 2009, 1.381 mulheres com câncer de endométrio em estágio III, estágio IV e recorrente foram inscritas no estudo de fase 3 GOG0209. As pacientes foram tratadas com o esquema 45 mg/m2 de doxorrubicina + 50 mg/m2 de cisplatina (1º dia), seguido de 160 mg/m2 de paclitaxel (2º dia) com fator estimulador de colônia de granulócitos ou 175 mg/m2 de paclitaxel e área sob a curva 6 de carboplatina (1º dia) a cada 21 dias por sete ciclos.

Após a conclusão do tratamento, as pacientes fizeram acompanhamento trimestral por dois anos, passando para semestral por três anos e, então, anual até a morte. A maioria das pacientes (61%) tinha doença mensurável ou recorrente no início do estudo.

Nesta análise atualizada, com uma mediana de acompanhamento de 124 meses, cerca de dois terços (> 65%) das pacientes morreram; 28% continuam vivas sem evidências de câncer. A razão de risco ajustada (HR, sigla do inglês, adjusted Hazard Ratio) de morte de carboplatina-paclitaxel versus TAP foi de 1,002; a aHR de progressão da doença de carboplatina-paclitaxel vs. TAP foi de 1,032.

A mediana de sobrevida livre de progressão para TAP vs. carboplatina-paclitaxel foi de 14 meses vs. 13 meses, e de sobrevida global foi de 41 meses vs. 37 meses, respectivamente.

Quanto aos eventos adversos, febre neutropênica foi relatada em 7% das pacientes que receberam TAP e em 6% das que receberam carboplatina-paclitaxel. A taxa de neuropatia sensorial foi maior entre as pacientes que receberam TAP (26% vs. 20%; P = 0,40), assim como a taxa de trombocitopenia de grau ≥ 3 (23% vs. 12%), vômitos (7% vs. 4%), diarreia (6% vs. 2%) e toxicidades metabólicas (14% vs. 8%). A taxa de neutropenia foi maior com carboplatina-paclitaxel (52% vs. 80%).

Os dados sobre a QVRS foram coletados das primeiras 538 pacientes inscritas antes de 26 de março de 2007. A QVRS foi avaliada no início do estudo e, em seguida, em 6, 15 e 26 semanas. Em seis semanas, o grupo carboplatina-paclitaxel obteve pontuações mais altas para bem-estar físico e funcional (diferença de 2,1 pontos; 0,3 a aproximadamente 3,9 pontos; P = 0,009; tamanho do efeito de 0,19). Não houve diferenças estatisticamente significantes entre os grupos em 15 e 26 semanas.

Na subescala Functional Assessment of Cancer Therapy (FACT)/GOG-Neurotoxicidade de quatro itens de medida de neuropatia sensorial (GOG-Ntx), as pontuações foram 1,4 pontos mais altas (indicando menos sintomas neurotóxicos) entre as pacientes no grupo carboplatina-paclitaxel (0,4 a aproximadamente 2,5 pontos; P = 0,003; tamanho do efeito de 0,64) em 26 semanas. Não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos em 6 e 15 semanas.

O Dr. David observou que o esquema carboplatina-paclitaxel é agora o “componente fundamental ou braço controle da maioria dos ensaios clínicos subsequentes”, como aqueles que avaliam a imunoterapia e outros agentes neste contexto.

O estudo recebeu apoio do National Cancer Institute para o Gynecologic Oncology Group Administrative Office, o Gynecologic Oncology Group Statistical Office, NRG Oncology (1 U10 CA180822), NRG Operations e o National Cancer Institute Community Oncology Research Program. O Dr. David Scott Miller prestou consultoria ou assessoria para Genentech, Tesaro, Eisai, AstraZeneca, Guardant Health, Janssen Oncology, Alexion Pharmaceuticals, Karyopharm Therapeutics, Incyte, Guardant Health, Janssen, Alexion Pharmaceuticals, Clovis Oncology e Merck Sharp & Dohme; fez parte do grupo de palestrantes da Clovis Oncology e da Genentech; e recebeu financiamento de pesquisa institucional de US Biotest, Advenchen Laboratories, Millennium, Tesaro, Xenetic Biosciences, Advaxis, Janssen, Aeterna Zentaris, TRACON Pharma, Pfizer, Immunogen, Mateon Therapeutics e Merck Sharp & Dohme.

J Clin Oncol. Publicado on-line em 29 de setembro de 2020. Texto completo

Medscape Notícias Médicas © 2020 WebMD, LLC

Citar este artigo: Esquema terapêutico se consagra como primeira linha no câncer de endométrio avançado – Medscape – 3 de dezembro de 2020.

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