Mulheres infectadas: grávidas fazem parte do grupo de risco da Covid-19?

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Em junho de 2020, o CDC relatou um dado impressionante sobre as 27 milhões de pessoas infectadas pela Covid-19 em todo mundo: a hospitalização ocorreu em 31,5% das mulheres grávidas em comparação com 5,8% das mulheres não grávidas.  No entanto, não haviam dados sobre a indicação deste aumento de internações. Até hoje as principais sociedades de infectologia ainda não têm segurança de afirmar se mulheres grávidas fazem ou não parte do grupo de risco para desenvolver a forma grave da pneumonia da Covid-19. 

Também há pouco conhecimento das taxas e características da infecção neonatal precoce por SARS-Cov-2. Embora as evidências preliminares sugiram que os resultados adversos da gravidez, como parto prematuro, pré-eclâmpsia e cesariana são maiores em mulheres com infecção confirmada de SARS-CoV-2 durante a gravidez, poucos estudos em grande escala foram realizados com poder suficiente para avaliar o risco de resultados adversos específicos.  

Estudo publicado no JAMA ajuda no desfecho das mulheres grávidas

Neste ínterim, foi publicado no mês passado no JAMA, um estudo com objetivo estudar de forma abrangente os resultados adversos da gravidez associados à infecção por SARS-CoV-2, descrevendo o manejo clínico, gravidade da doença materna e progressão clínica, admissão hospitalar, anormalidades placentárias e resultados neonatais.

O estudo foi desenhado como uma coorte, no Parkland Health and Hospital System, no Texas, e avaliou 252 gestantes com diagnóstico de Covid-19 e outras 3122 testadas negativas para a doença. E a boa notícia é que a Covid-19 não foi associada a resultados adversos na gravidez. A infecção neonatal chegou até 3% e ocorreu predominantemente em mulheres assintomáticas ou levemente sintomáticas. Anormalidades placentárias não foram associadas à gravidade da doença, e a frequência de hospitalização foi semelhante às taxas entre mulheres não grávidas.

Os autores do estudo acreditam que a maioria das gestantes com infecção assintomática ou leve é ​​admitida por indicação obstétrica, e isso justificariam as altas taxas de hospitalizações relatadas pelo CDC. Uma limitação que vale ser destacada é que nem todos os neonatos foram testados para SARS-CoV-2, além disso, nem todas as placentas estavam disponíveis para análise patológica.

Até o momento, há poucos estudos sobre essas correlações, a maior parte deles sendo séries de casos. Uma meta-análise publicada recentemente, relatou maior parto pré-termo entre mulheres grávidas com Covid-19 (15,9%) em comparação com mulheres não infectadas (6,1%), porém, o número avaliado era diminuto e incluía apenas uma série de casos.

Mais estudos são necessários para entender se a infecção materna com SARS-CoV-2 está associada à saúde materna ou infantil em longo prazo.

Autor(a):

Juliana Olivieri

Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ⦁ Ginecologista e Obstetra ⦁ Pós-graduada em Endocrinologia Feminina e Climatério pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira(IFF/Fiocruz)

Referência bibliográfica: 

  • Emily H. Adhikari, MD1,2; Wilmer Moreno, MD1,2; Amanda C. Zofkie, MD1,2; et al ,Pregnancy Outcomes Among Women With and Without Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Infection, JAMA Netw Open. 2020;3(11)

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