SOP, menopausa e risco de doenças cardiovasculares: existe correlação?

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A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma patologia que cursa com diversas alterações endócrinas metabólicas, dentre elas a resistência insulínica, esta que frequentemente encontra-se associada a dislipidemia. Diante da possibilidade dessa patologia cursar com infertilidade, os profissionais da área acabam realizando parte do acompanhamento dessas pacientes por um período considerável.

Durante o último congresso virtual promovido pela American Society for Reproductive Medicine (ASRM), em setembro de 2020, foram apresentados resultados de estudos evidenciando que mulheres portadoras de SOP possuem maior risco de acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio e outras patologias cardíacas. 

De acordo com os resultados apresentados, mulheres que possuem SOP têm um risco 64% maior de desenvolver doenças cardiovasculares ao entrarem na menopausa, independente de hábitos de vida (ex.: tabagismo), índice de massa corporal (IMC), raça e idade. Os dados analisados foram Study of Women’s Health Across the Nation (SWAN) para a coorte prospectiva, foram incluídas mulheres entre 42 e 52 anos que possuíam no início do estudo: útero, pelo menos um ovário e ter apresentado período menstrual espontâneo nos últimos três meses. 

Após a menopausa portadoras da SOP possuem mais risco de doenças cardiovasculares

A população estudada foram 1.340 mulheres, onde destas 174 (13%) possuíam diagnóstico de SOP e 1.116 que não. As pacientes portadoras da síndrome apresentaram maior incidência de tabagismo (22% vs 12,7%), bem como maior IMC (31,3% vs 26,7). Quando avaliado a pressão arterial sistólica e o colesterol, as portadoras de SOP também apresentaram maiores índices. Por fim, a glicemia foi significativamente maior nessa população (103,7 vs 89,2 mg/dL). 

Ao estratificar por idade, no momento do ingresso da paciente no estudo, raça, tabagismo e IMC, os autores concluíram que as portadoras da síndrome apresentam 1,6 a mais de chance de um evento cardiovascular após a menopausa quando comparado com mulheres sem a patologia (odds radio [OR], 1,6; P=0,029), de acordo com o escore de Framingham em 10 anos. Diante disso, é fundamental que os profissionais de reprodução assistida que prestam assistência a parte desse perfil de paciente, reforcem a importância de manter os tratamentos mesmo após alcançar uma gestação.

Autor(a):

Camilla Luna

Graduada em Medicina pela Universidade Estácio de Sá/RJ ⦁ Pós-graduada em Saúde da Família pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Residência em Ginecologia e Obstetrícia na UERJ ⦁ Pós-graduada em Reprodução Humana na UNIGRANRIO • Residência em Reprodução Humana no Hospital Pérola Byington • Aperfeiçoamento em Reprodução Humana no Humanitas Research Hospital (Itália)

Referências bibliográficas: 

  • American Society for Reproductive Medicine (ASRM) 2020 Scientific Congress: Abstract O-35. Presented October 17, 2020.

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