Perda de peso e controle dos sintomas vasomotores na transição menopáusica

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Entre 40 e 50 anos a maior parte das mulheres passa por grandes mudanças em seu padrão menstrual, com início dos sintomas vasomotores típicos do climatério, ganho de peso e aumento da cintura abdominal. 

É extremamente comum ouvir das pacientes nessa faixa etária que, embora comam pequenas porções nas refeições e façam atividade física, mesmo assim não conseguem perder peso.

A obesidade, em qualquer faixa etária, agrega fatores de risco para diversas doenças, e no climatério se traduz em maior risco de síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, neoplasia endometrial, câncer de mama e morte. Dados norte-americanos estimam que 75% das mulheres com 60 anos ou mais estão acima do peso e metade estão obesas. Uma intervenção farmacológica que reduzisse os sintomas vasomotores e demonstrasse, potencialmente, levar à perda de peso, seria um acréscimo importante ao arsenal da terapia da menopausa. 

Queda do estrogênio e mudança no padrão corporal

De fato, a queda de estrogênio no climatério promove distúrbios de sono, alterações no humor, mudança na distribuição de gordura corporal tendendo a um acúmulo central. Porém, os estudos não mostram que a reposição estrogênica favoreça a perda de peso. A boa notícia é que as evidências atuais demonstram que a terapia hormonal melhora o ganho de massa corporal magra, a resistência à insulina e níveis de lipídios, bem como favorece uma diminuição na gordura abdominal.

Drogas promissoras para controle dos sintomas vasomotores

Curiosamente, um suplemento dietético contendo succinato foi estudado no último ano em dois ensaios clínicos randomizados pequenos demonstrando uma redução nos sintomas relacionados à menopausa e perda de peso modesta entre as mulheres do grupo controle.

Em outubro deste ano de 2020, foi publicado na Revista da North American Menopause Society um projeto piloto usando a locarserina, um agonista do receptor de serotonina, para o tratamento de peso e melhora dos sintomas vasomotores. A droga mostrou resultados muito satisfatórios e já havia sido liberada pelo FDA para emagrecimento, porém, uma provável associação com aumento de risco para câncer de mama deixa seu uso a desejar. 

O ensaio clínico randomizado VESTA que avaliou a nova droga fezolinetant, um agonista do receptor de neurocinina 3, mostrou resultados promissores na melhora de sintomas vasomotores, e qualidade de vida em geral, porém, a perda de de peso não foi contemplada no estudo.

A North American Menopause Society no editorial deste mês de dezembro reitera a ideia de que a mudança para um estilo de vida saudável é elemento fundamental na terapêutica da mulher no climatério, e que dificilmente uma “pílula milagrosa” irá promover melhoria da saúde e qualidade de vida. 

Sendo assim, até o momento, não existe nenhuma droga disponível e liberada pelo FDA que contemplem os dois objetivos de melhora de sintomas vasomotores e emagrecimento. Novas drogas similares a locarserina estão sendo estudadas e prometem ampliar e otimizar o arsenal terapêutico da mulher climatério. 

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