#Diretrizes alimentares americanas para bebês e crianças de até dois anos de idade

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Diretrizes alimentares para bebês e crianças pequenas

Em 29 de dezembro de 2020, o Departamento de Agricultura e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (United States Department of Agriculture and the Department of Health and Human Services) divulgaram novas diretrizes alimentares que incluem, pela primeira vez, recomendações para bebês e crianças pequenas de até dois anos de idade. As novas diretrizes aconselham que um padrão alimentar saudável deve ser seguido em todas as fases da vida, incluindo a infância, a  adolescência, a idade adulta, a gestação, a lactação e a terceira idade.

O tempo desde o nascimento até a criança completar dois anos é um período extremamente importante para o crescimento e desenvolvimento adequados. Também é fundamental para o estabelecimento de padrões alimentares saudáveis que podem influenciar a trajetória dos comportamentos alimentares e da saúde ao longo da vida. Durante este período, os nutrientes essenciais para o desenvolvimento e o crescimento cerebrais devem ser fornecidos em quantidades adequadas. As crianças nesta faixa etária consomem pequenas quantidades de alimentos, por isso é importante contabilizar cada mordida, segundo o documento.

Leite materno

As diretrizes destacam que o leite materno deve ser o alimento exclusivo de bebês até os seis meses. Se o leite materno não estiver disponível, os bebês devem receber fórmula infantil enriquecida com ferro durante o primeiro ano de vida.

Água

Para bebês saudáveis com ingestão adequada de leite materno ou fórmula infantil, a suplementação de água normalmente não é necessária nos primeiros 6 meses. Pequenas quantidades de água potável fluoretada podem ser administradas aos bebês com a introdução de alimentos complementares. Essa ingestão pode ser aumentada lentamente após 1 ano, para atender às necessidades de hidratação e flúor.

Suplementação de vitamina D

Pelas diretrizes, a suplementação de vitamina D deve ser prescrita para os bebês logo após o seu nascimento.

Alimentação complementar

Aos 6 meses, os bebês devem receber alimentos complementares ricos em nutrientes. Bebês e crianças devem ser incentivados a consumir uma variedade de alimentos de todos os grupos alimentares, incluindo alimentos ricos em ferro e zinco, especialmente bebês alimentados com leite materno. Além disso, nessa idade, os alimentos potencialmente alergênicos também devem ser introduzidos. De acordo com o documento, a introdução, no primeiro ano de vida, de alimentos que contenham amendoim reduz o risco de uma criança desenvolver alergia alimentar a esta oleaginosa.

Adição de açúcares

As novas diretrizes recomendam que açúcares não sejam adicionados na dieta de bebês e de crianças até 2 anos. Isso ocorre porque as necessidades de nutrientes para nessa faixa etária são bastante altas em relação ao seu tamanho, mas a quantidade de alimentos complementares que eles consomem é pequena. Os alimentos complementares precisam ser ricos em nutrientes e não conter calorias adicionais de açúcares. Além disso, adoçantes de baixa e nenhuma caloria não são recomendados para crianças menores de 2 anos de idade. As preferências de sabor estão sendo formadas, e os bebês e as crianças podem desenvolver preferências por alimentos excessivamente doces se introduzidos durante esse período.

Alimentos com alto teor de sódio

Alimentos com alto teor de sódio também devem ser evitados. O sódio é encontrado em vários alimentos, incluindo salgadinhos, alimentos industrializados para bebês e carnes processadas. Além de manter a ingestão de sódio dentro dos limites para crianças pequenas, outra razão para se evitar alimentos com alto teor de sódio é que as preferências de sabor por alimentos salgados podem ser estabelecidas no início da vida.

Cafeína

Em relação à cafeína, há preocupações sobre seus potenciais efeitos negativos na saúde de crianças pequenas, e nenhum limite seguro foi estabelecido para essa faixa etária. As principais fontes de cafeína para os americanos incluem refrigerantes, chá, café e bebidas esportivas. As diretrizes aconselham que bebidas que contêm cafeína devem ser evitadas em crianças menores de 2 anos.

Mel e alimentos e bebidas não pasteurizados

As diretrizes ressaltam que mel e alimentos e bebidas não pasteurizados devem também ser evitados, os bebês não devem receber alimentos que contenham mel cru ou cozido. O mel pode conter o microrganismo Clostridium botulinum, causador do botulismo, levando a quadros graves e até mesmo ao óbito. Bebês e crianças de até dois anos também não devem receber alimentos ou bebidas não pasteurizados, como sucos, leite, iogurte ou queijos, pois podem conter bactérias nocivas.

Sucos de frutas

Antes dos 12 meses de idade, sucos feitos 100% com frutas ou vegetais não devem ser dados a crianças. No segundo ano de vida, o suco de frutas não é necessário, dando-se preferência à ingestão da fruta. Se for fornecido suco de fruta 100%, até 120 mL por dia podem se encaixar em um padrão alimentar saudável. Os sucos que contêm adição de açúcares devem ser evitados.

Bebidas adocicadas

Bebidas com açúcar (por exemplo, refrigerante, sucos sem ser 100% de frutas, bebidas esportivas e água com açúcar) não devem ser dadas a crianças menores de 2 anos de idade. Bebidas rotuladas como sucos de frutas ou bebidas com sabor de frutas não são o mesmo que suco de fruta 100% e contêm açúcares adicionados. Essas bebidas substituem bebidas e alimentos ricos em nutrientes na dieta de crianças pequenas. Bebês e crianças pequenas não têm espaço em suas dietas para as calorias adicionais dos açúcares adicionados encontrados nessas bebidas. Além disso, a ingestão de bebidas adoçadas com açúcar na primeira infância pode predispor as crianças a consumir mais dessas bebidas mais tarde na vida.

Bebidas lácteas

Até os dois anos, não há necessidade de bebidas lácteas. Bebidas lácteas são suplementadas com nutrientes e normalmente contêm açúcares adicionados.

Leite de vaca e bebidas contendo soja

Os bebês não devem consumir leite de vaca ou bebidas de soja antes dos 12 meses para substituir o leite materno ou fórmula infantil. O leite de vaca não tem a quantidade correta de nutrientes para crianças e seu alto teor de proteínas e minerais são difíceis de serem processados pelos rins e sistema digestivo de uma criança. Leite de vaca puro (leite integral) ou bebida de soja sem açúcar podem ser oferecidos a partir dos 12 meses de idade para ajudar a atender às necessidades de cálcio, potássio, vitamina D e proteínas. Os leites com sabor para crianças de 12 a 23 meses devem ser evitados porque contêm adição de açúcares.

Leites à base de vegetais

Incluem bebidas feitas com soja, aveia, arroz, coco e amêndoa. Essas bebidas não devem ser usadas no primeiro ano de vida para substituir o leite materno ou a fórmula infantil. Elas podem vir em sabores diferentes e algumas formas têm açúcares adicionados. Versões sem açúcar dessas bebidas podem ser acomodadas em pequenas quantidades na dieta durante o segundo ano de vida, mas a maioria tem significativamente menos proteína do que o leite de vaca e nem sempre são fortificadas com cálcio e vitamina D.

No Brasil, as diretrizes alimentares para crianças se encontram no Manual de Alimentação da Sociedade Brasileira de Pediatria – https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/lancamento-do-manual-de-alimentacao-ajudara-pais-e-profissionais-a-tomar-decisoes-sobre-cuidados-com-criancas-e-adolescentes/

Autor(a):

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação.

Referências bibliográficas:

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