Overdoses não fatais relacionadas a medicamentos entre pacientes pediátricos

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Overdoses não fatais relacionadas a medicamentos entre pacientes pediátricos

Um estudo publicado no jornal Pediatrics concluiu que as suspeitas de overdoses de medicamentos estimulantes parecem estar aumentando entre os jovens nos Estados Unidos.

Durante a atual crise de overdose de drogas, os Estados Unidos estão vivenciando um número significativo de mortes, hospitalizações e visitas aos departamentos de emergência (DE). Os pesquisadores Douglas Roehler (médico epidemiologista do órgão americano Centers for Disease Control and Prevention – CDC), e sua equipe realizaram uma análise retrospectiva dos dados de vigilância sindrômica de DE dos Estados Unidos para detectar tendências trimestrais em suspeitas de overdoses de medicamentos no período entre abril de 2016 a setembro de 2019.

Características do estudo

Foram incluídos dados de jovens de três grupos: 0 a 10, 11 a 14 e 15 a 24 anos de idade. Os dados foram analisados por meio do software Electronic Surveillance System for the Early Notification of Community Based Epidemics. Overdoses suspeitas de qualquer medicamento, opioides, heroína e estimulantes foram identificadas usando as definições de caso desenvolvidas pelo CDC. A categoria de “qualquer medicamento” abrangia os medicamentos relacionados aos códigos T36 a T50 da International Classification of Diseases, 10th Revision, Clinical Modification (ICD-10-CM), incluindo medicamentos de venda livre, benzodiazepínicos, opioides e estimulantes; a categoria de opioides incluía heroína, narcóticos sintéticos e outros narcóticos não especificados; estimulantes incluíram drogas como cocaína, anfetaminas (metanfetamina e ecstasy) e outros psicoestimulantes. A definição de síndrome de qualquer medicamento incluiu todas as outras categorias analisadas (opioide, heroína e estimulantes). A definição de síndrome específica de heroína incluía apenas heroína, enquanto a definição de síndrome de opioide incluía heroína e todos os outros opioides (como opioides sintéticos como fentanil) e códigos de envenenamento por drogas no ICD-10-CM.

Durante o período de realização da pesquisa, houve 89.536.857 de visitas aos DE por pacientes de 0 a 24 anos, divididas da seguinte forma: 39.575.938 – 0 a 10 anos; 9.330.693 – 11 a 14 anos; 40.630.226 – 15 a 24 anos. Entre as crianças de 0 a 10 anos, houve uma média de 22,3 suspeitas de overdoses de qualquer medicamento, 0,7 suspeitas de opioides e 0,6 suspeitas de estimulantes para cada 10.000 visitas ao DE. No grupo de 11 a 14 anos, houve uma média de 43,2 suspeitas de overdoses de qualquer medicamento, 0,6 suspeitas de opioides e 0,7 suspeitas de estimulantes para cada 10.000 visitas ao DE.

Por fim, na faixa etária de 15 a 24 anos, houve uma média de 85,2 suspeitas de overdoses de qualquer medicamento, 13,2 suspeitas de opioides, 2,65 suspeitas de estimulantes e 6,95 suspeitas de heroína para cada 10.000 visitas ao DE. Os pesquisadores observaram que, em média, houve um aumento de 2,0% para jovens de 0 a 10 anos e de 2,3% para jovens de 11 a 14 anos por suspeita de overdoses de qualquer medicamento. A suspeita de overdoses de heroína diminuiu em média 3,3% por trimestre para jovens de 15 a 24 anos. Entre todas as faixas etárias, a suspeita de overdoses de estimulantes aumentou ao longo do período de estudo, 3,3% para 0 a 10 anos, 4,0% para 11 a 14 anos e 2,3% para 15 a 24 anos.

Conclusão

Os pesquisadores descreveram que os resultados desse estudo indicam que overdoses de drogas estão aumentando entre os adolescentes de 15 anos de idade; enquanto isso, as suspeitas de overdoses de heroína estão diminuindo entre indivíduos de 15 a 24 anos. Mais pesquisas são necessárias para indicar se esses padrões estão continuando e para identificar as drogas específicas que impulsionam esses aumentos. No entanto, o estudo sugere que intervenções direcionadas, mesmo para crianças pequenas, incluindo a escola, a família e os médicos que cuidam desses pacientes podem ser justificadas para prevenir overdoses que requerem tratamento.

Autor(a):

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação.

Referências bibliográficas:

  • Roehler DR, Olsen EO, Mustaquim D, Vivolo-Kantor AM. Suspected Nonfatal Drug-Related Overdoses Among Youth in the US: 2016-2019. Pediatrics. 2021 Jan;147(1):e2020003491. doi: 10.1542/peds.2020-003491.

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