Qual o impacto da falta de exercícios na pandemia com o risco de depressão no pré-natal?

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mulher grávida com risco de depressão no pré-natal com a mão na barriga

A pandemia de Covid-19 trouxe um grande impacto negativo na saúde física e mental em todo o mundo. O isolamento social foi uma recomendação que fez reduzir vertiginosamente a prática de exercícios durante o pré-natal. Há hoje diversos estudos relatando aumento de depressão, transtorno de ansiedade e depressão em diversas regiões do mundo.

O risco de depressão é ainda maior em gestantes

Além de existir um maior risco de desfechos ruins de Covid-19, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) alerta que as mulheres grávidas podem sentir maior estresse ou ansiedade durante a pandemia. Acredita-se que a regra de “ficar em casa” que está sendo implementadas por muitos governos para desacelerar a disseminação do SARS-CoV-2 aumenta os sentimentos de ansiedade e isolamento, especialmente entre as populações já vulneráveis.

As evidências recentes sugerem que a sintomatologia da depressão materna se tornou ainda mais comum durante a pandemia. Mudanças fisiológicas associadas à gravidez foram claramente associadas ao aumento do risco de depressão, estimativas norte americanas revelam que 1 em 8 mulheres apresenta sintomas de depressão pós-parto.

Esses sintomas relacionados à depressão incluem fadiga, alterações no apetite ou no sono, choro mais frequente do que o normal, vontade de afastamento de entes queridos ou do bebê, sentimentos de raiva, tristeza, desesperança, inutilidade ou inquietação e ideologia suicida.

As gestantes já apresentam um risco elevado de depressão em comparação com o público em geral, e a diminuição ou suspensão de atividades físicas nesse contexto impactou de forma muito negativa na saúde mental dessas mulheres.

Evidências científicas

Nesse ínterim, foi publicado, no último mês, um estudo na revista multidisciplinar californiana Plos One, que avaliou 1.856 gestantes durante a pandemia, de abril a junho de 2020, no intuito de correlacionar diminuição de prática de exercício com aumento de depressão nas regiões do Estados Unidos, país que mais sofre com a Covid-19 até o momento. A avalição transversal utilizou uma plataforma digital para entrevistar as pacientes, que responderam a um questionário de depressão (Pesquisa de Depressão Pós-Natal de Edimburgo).

Foi perguntado aos participantes “sua rotina de exercícios mudou desde o início da pandemia de Covid-19?”. Os participantes responderam sim ou não (tornando esta uma variável dicotômica). Além disso, os participantes foram questionados sobre o número de dias por semana (em média) que eles praticaram exercícios moderados por pelo menos 30 minutos. As participantes foram, ainda, indagadas em relação à região geográfica, faixa etária, idade gestacional, raça e etnia, estresse financeiro causado pelo Covid-19, renda familiar, educação e classificação de risco de sua gestação.

Resultados e conclusões

Mulheres que relataram mudanças nos exercícios durante a pandemia exibiram escores de depressão significativamente mais altos em comparação com aquelas que não relataram mudanças.

Outro ponto foi a idade gestacional, pacientes no segundo trimestre apresentaram menos sintomas depressivos do que em outro momento da gestação.

Além disso, o estudo evidenciou que os indivíduos que vivem em áreas metropolitanas, independente do tamanho, eram mais propensos a relatar alterações de exercícios em comparação com as mulheres que vivem em áreas não metropolitanas.

Portanto, os resultados do estudo reiteram a necessidade de estímulo ao exercício físico, especialmente em áreas urbanas, que podem ser, inclusive, os mais simples, realizados com segurança em casa, sem equipamento especializado (por exemplo, agachamentos, levantamentos de perna de lado, etc.).

É importante ressaltar que as recomendações de exercícios podem ser mais eficazes se comunicadas por profissionais que entendem a saúde pessoal e as limitações de espaço de cada paciente. O exercício representa uma ferramenta não farmacêutica em potencial para apoiar a saúde física e mental das mulheres grávidas, tanto durante quanto após a pandemia.

Lembrando que diversos importantes Colégios de Obstetrícia e o American College of Obstetricians and Gynecologists recomendam que mulheres grávidas sem contraindicações médicas realizem pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada todas as semanas, divididos em intervalos de 30 minutos na maioria dos dias da semana.

Autora:

Juliana Olivieri

Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ⦁ Ginecologista e Obstetra ⦁ Pós-graduada em Endocrinologia Feminina e Climatério pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira(IFF/Fiocruz)

Referência bibliográfica:

  • Gildner TE, Laugier EJ, Thayer ZM. Exercise routine change is associated with prenatal depression scores during the COVID-19 pandemic among pregnant women across the United States. PLoS One. 2020 Dec 21;15(12):e0243188. doi: 10.1371/journal.pone.0243188. PMID: 33347484; PMCID: PMC7751871.

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