Covid-19: descoberta nova linhagem em circulação no Rio de Janeiro

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Pesquisadores brasileiros descobriram uma nova linhagem do novo coronavírus, causador da Covid-19, em circulação no Rio de Janeiro.

Pesquisadores brasileiros descobriram uma nova linhagem do novo coronavírus, causador da Covid-19, em circulação no Rio de Janeiro. Um estudo publicado no dia 20 de dezembro como preprint, ainda não revisado por outros cientistas, aponta que está restrita ainda apenas na capital fluminense.

De acordo com investigação do Laboratório de Computação Científica (LNCC), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e realizado em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a nova cepa foi identificada pela primeira vez em outubro passado na cidade do Rio de Janeiro.

A possível nova linhagem seria originária de uma outra que já havia sido registrada no país durante o início da pandemia de Covid-19, chamada de B.1.1.28.

Cinco mutações encontradas

Segundo o LNCC, foram identificadas cinco mutações, caracterizando uma possível nova linhagem originária do B.1.1.28 do novo coronavírus. Foram sequenciados 180 genomas do novo coronavírus, provenientes de amostras do estado do Rio de Janeiro.

A B.1.1.28 já circulava no Brasil no início do ano. As mutações são C100U, C28253U, G28628U, G28975U e C29754U. Essas cinco mutações foram encontradas no material genético do vírus em, pelo menos, 36 das 180 amostras sequenciadas pelos cientistas, indicando a possibilidade de uma nova linhagem.

Além dessas cinco, foi identificada também uma sexta mutação, a G23012A — também chamada de E484K — na proteína S (spike), que forma a coroa do vírus. É com ela que o novo coronavírus se conecta às células das mucosas para infectá-las e se replicar.

A variante carioca do coronavírus não é a mesma identificada no Reino Unido. Recentemente, autoridades de saúde britânicas anunciaram ter descoberto uma linhagem — batizada de B.1.1.7. —, que é cerca de 70% mais transmissível que o tipo comum.

Circulação restrita

A linhagem encontrada pelos pesquisadores teria surgido em julho de 2020, mas foi identificada apenas três meses depois, com o resultado das análises filogenéticas do vírus.

Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos, do LNCC, disse em um comunicado que os vírus com essa mutação foram encontrados em áreas próximas à cidade do Rio de Janeiro. Além da capital, foram identificadas amostras de pacientes com Covid-19, com a nova linhagem em Cabo Frio, Niterói e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

O estudo não indica se a nova cepa é mais contagiosa ou agressiva, apenas seu achado é divulgado. Até o momento não há indícios de que as cepas de novo coronavírus que estão surgindo no mundo diminuam a eficácia das vacinas que começam a ser distribuídas e aplicadas. Mutações são comuns e costumam surgir durante a replicação do vírus.

A pesquisadora ressalta a importância de estudos contínuos de vigilância genômica para análise da dispersão dessa nova linhagem e na identificação de novas variantes do SARS-CoV-2 no estado do Rio de Janeiro e no Brasil.

As análises indicam que a linhagem B.1.1.28 aparece como emergente, sendo identificada em 38 dos 180 genomas sequenciados. Por outro lado, os pesquisadores apontam que a linhagem B.1.1.33 está em declínio.

“O aumento significativo da frequência dessa linhagem levanta preocupações sobre a gestão da saúde pública e a necessidade de vigilância genômica durante a segunda onda de infecções”, diz o estudo.

Pesquisadores identificam nova variante inédita no Rio Grande do Sul

Amostras coletadas no início de dezembro indicam a presença da variante E484K, mesma mutação do novo coronavírus identificada no Rio de Janeiro no mês passado e mais uma variante inédita no Rio Grande do Sul.

Pesquisadores do Projeto Corona-ômica.Br, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), e integrantes da RedeVírus do MCTI, emitiram um comunicado em que alertam autoridades sanitárias sobre a descoberta, em análise preliminar, da circulação da nova linhagem do novo coronavírus originária do Rio de Janeiro também no Rio Grande do Sul.

Os pesquisadores analisaram 92 amostras de pacientes com teste positivo para Covid-19, destes, 47 estavam infectados com o vírus da linhagem já encontrada no Rio de Janeiro, no fim do ano passado, semelhante a uma identificada na África do Sul. Outros 12 foram contaminados com uma nova variante, identificada de forma inédita no estado.

A nota afirma que os genomas sequenciados foram depositados em bases internacionais e serão descritos em publicação científica em breve.

A cepa encontrada no Rio de Janeiro e que está em circulação no Rio Grande do Sul pode gerar uma mutação em uma região chave para a formação dos chamados anticorpos neutralizantes, o que pode aumentar os casos de reinfecções.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

COVID-19

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