coronavírus (2019-nCoV)

#Existem #sintomas neuropsiquiátricos na infecções por #coronavírus?

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Um artigo publicado este mês no Lancet Psychiatry faz uma revisão sistemática sobre a presença de sintomas neuropsiquiátricos associados às infecções por coronavírus. Neste ponto, cabe lembrar que as epidemias por SARS, em 2002, e MERS, em 2012, também foram causadas por subtipos de coronavírus. Portanto, já sabemos que diferentes formas de coronavírus podem infectar os seres humanos, sendo a sua apresentação clínica mais comum a infecção das vias aéreas.

A atual nova forma de coronavírus, responsável pela Covid-19, não foge à regra e também pode causar uma síndrome respiratória aguda grave. Contudo, partículas virais também já foram encontradas no líquor e no cérebro de pacientes que apresentaram quadros de encefalite, encefalomielite e/ou convulsões.

Conforme a atual pandemia se alastra, estuda-se cada vez mais o impacto dessa doença sobre as diversas áreas da medicina, inclusive sobre a psiquiatria – seja por seu impacto político e social (ex: distanciamento social/quarentena) ou pelas queixas dos pacientes contaminados (ex: estigma, memórias traumáticas ou amnésia). Dessa forma, é possível entender que as consequências neuropsiquiátricas (doença ou lesão cerebral que têm como consequência um transtorno mental) podem ser um resultado direto no sistema nervoso central ou indireto pelo uso de medicações ou mediado pela resposta imunológica.

 

Sintomas neuropsiquiátricos e coronavírus

Em uma série de casos feita em Wuhan, província chinesa e o primeiro local afetado pela Covid-19, dentre os pacientes hospitalizados pela doença 36% tinham alterações neurológicas, constituídas geralmente por sintomas leves, como cefaleia e vertigem; mas alguns pacientes tiveram sintomas como alteração da consciência e doença cerebrovascular aguda. É mais provável que tais sintomas sejam uma manifestação da doença sistêmica do que de uma síndrome neurológica própria.

Já se sabe que o vírus entra na célula através dos receptores da enzima conversora de angiotensina 2. Mas há poucos desses receptores no cérebro, gerando questionamentos e hipóteses sobre como o vírus chega e atua nessa região. Apesar disso e mesmo considerando que as consequência neuropsiquiátricas sejam raras, ainda é possível que muitos pacientes venham a ser afetados, dada a forma como a doença se espalha.

Por isso, este estudo pretende revisar as possíveis alterações neuropsiquiátricas relacionadas aos coronavírus a partir de uma revisão de trabalhos referentes às epidemias por SARS e MERS e a partir do que já se sabe ou se tem publicado sobre a Covid-19.

Metodologia

  • Trata-se de uma revisão sistemática da literatura.
  • As bases de dados estudadas foram: PsycINFO, MEDLINE, Embase, Cumulative Index to Nursing e o Allied Health Literature.
  • Período de avaliação: desde as datas de criação das bases até 18 de março deste ano.
  • Outras bases: bioRxiv, medRxiv e PsyARXiv também foram consultadas. Datas: desde o dia 1o de janeiro de 2020 até o último 10 de abril. Também foi feito contato com especialistas na área e as referências aos outros artigos foram avaliadas.
  • Os resultados duplicados foram removidos.
  • Termos: diversos termos e suas combinações foram usados para selecionar uma grande quantidade de sintomas, sua gravidade, diagnóstico e qualidade de vida entre os infectados e que apresentavam sintomas neuropsiquiátricos nos casos confirmados das 3 infecções por coronavírus. Contudo, foram excluídos termos que fizessem menção à doenças puramente neurológicas (ex: AVC ou convulsão) e na ausência de uma apresentação neuropsiquiátrica.
  • Língua: estudos publicados em língua inglesa.
  • Exclusão: foram excluídos os efeitos indiretos da infecção em indivíduos que não foram contaminados.
  • O material encontrado foi pesquisados por 2 pesquisadores independentes. Em casos de dúvida sobre a inclusão de um material, um terceiro avaliador independente era consultado.
  • Diretriz: PRISMA, apesar de o protocolo de estudo não ter sido registrado.
  • Os dados foram extraídos por 2 ou 3 revisores independentes e, na ausência de certas informações, foi feito contato com seus autores.
  • Os autores deste estudo recebem financiamentos, mas declaram que os financiadores não tiveram qualquer relação com o desenvolvimento deste trabalho.

Para mais informações sobre a metodologia, confira o estudo original através da bibliografia.

 

Resultados

  • As publicações foram produzidas em diversos países da Ásia, Europa e América do Norte.
  • Infelizmente em alguns trabalhos houve uma sobreposição da amostra, dificultando a estimativa de casos únicos.
  • A maior parte era de casos relacionados à SARS, seguidos pela MERS e, finalmente, pelo COVID-19.
  • Dos 65 estudos avaliados pelos pares, 32 foram considerados como de baixa qualidade, 30 de qualidade moderada e 3 foram tidos como de alta qualidade.
  • Dentre os estudos que ainda não foram publicados, 2 foram considerados de baixa qualidade, 4 tinham qualidade moderada e apenas 1 foi considerado como de boa qualidade.
  • Uma das fraquezas mais importantes foi a limitação às informações sobre a presença de sintomas psiquiátricos antes da infecção e ausência de comparação adequada entre os grupos.

Discussão

  • Foram avaliados 72 estudos independentes (incluindo sete estudos do medRxiv ainda não publicados) com informações sobre as alterações na fase aguda e após a recuperação da infecção por coronavírus envolvendo os sintomas neuropsiquiátricos.
  • A maior parte das informações colhidas diz respeito à pacientes com SARS e MERS, cujo tratamento ocorreu em ambiente hospitalar.
  • Portanto, é necessária cautela quanto às generalizações para a Covid-19, especialmente em relação aos casos leves.

Fase aguda:

  • Achados mais relevantes: na fase aguda das 3 doenças causadas por coronavírus, o delirium foi a alteração mais comum.
  • Sintoma de fase aguda mais encontrado na SARS e na MERS: confusão (em 27,9% dos casos), o que pode sugerir que o quadro de delirium era relativamente comum.
  • Outros achados foram: insônia, ansiedade e depressão.
  • Uma minoria (0,7%) apresentou sintomas psicóticos ou de mania, mas numa pequena amostra estes diagnósticos parecem estar relacionados ao uso de corticoide.
    Outros sintomas relativamente comuns foram: labilidade emocional, insônia, irritabilidade, euforia e pressão de fala, o que sugere que sintomas subclínicos de mania podem estar presentes.

Acompanhamento/seguimento após a recuperação dos quadros por SARS ou MERS:

  • Achados mais comuns após a doença: transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade, fadiga e depressão. OBS: ainda há poucos dados sobre a Covid-19.
  • Os trabalhos que avaliaram o seguimento acompanharam os pacientes após a recuperação dos quadros por SARS ou MERS por um período que variou entre 6 e 39 semanas.
  • 15% dos pacientes apresentou sintomas como a labilidade emocional, transtornos do sono, memórias traumáticas frequentes, fadiga, dificuldade de concentração e alterações na memória.
  • No grupo que recebeu altas doses de corticoides a presença de sintomas como pressão de fala, euforia e labilidade emocional foram relatados por um período de alguns dias.
  • Altos pontos de prevalência para os transtornos de ansiedade, depressão e TEPT, apesar das limitações (como acesso à dados anteriores à infecção sobre a presença de sintomas psiquiátricos e a adequada comparação entre os grupos). Dessa forma não se pode descartar a presença de um viés de seleção.
  • Para avaliar a gravidade dos sintomas foram usadas algumas escalas padronizadas, sendo que não foram atingidos os pontos de corte mínimos para os transtornos ansiosos ou o transtorno depressivo.
  • Já as medidas de avaliação de qualidade de vida foram menores no grupo que teve SARS do que nos grupos controle.
  • O impacto sobre a saúde mental foi menor do que sobre o funcionamento.
  • Surpreendentemente foi notado um efeito positivo de crescimento pessoal durante as adversidades.

Mais uma vez é necessário ressaltar a necessidade de se ter cautela sobre os efeitos da Covid-19, pois ainda há poucas informações sobre estes sintomas na fase aguda, assim como ainda não há trabalhos sobre o seguimento após a doença. É possível que os pacientes graves que demandam cuidados intensivos possam desenvolver alterações neuropsiquiátricas. Foram encontrados apenas 3 casos de sintomas psiquiátricos associados à Covid-19 relacionados ao dano cerebral ou à hipóxia.

A etiologia dos sintomas psiquiátricos associados ao coronavírus pode ser multifatorial, incluindo os efeitos diretos do vírus sobre o SNC, comprometimento fisiológico (hipóxia), doença cerebrovascular (nos casos de hipercoagulabilidade), intervenções médicas, resposta imunológica, o isolamento social, o impacto de uma doença potencialmente fatal, estigma e medo de contaminar outras pessoas. Lembrando que já há algum tempo se pesquisa a relação entre inflamação e depressão, quando justamente a Covid-19 parece desencadear um processo inflamatório exacerbado, levando os autores a sugerirem que essa poderia ser uma suposição explicativa para tal morbidade.

Cabe lembrar também que os pacientes que sobrevivem a um quadro crítico estão sob maior risco de desenvolverem um quadro psiquiátrico persistente após a alta. Cerca de um ano após as altas as prevalências para cada transtorno foram: 34% para TEPT e transtornos ansiosos e 29% para depressão. A maioria dos pacientes com síndrome da angústia respiratória (SARA) apresentaram alterações na concentração, memória, atenção e processamento de informações após 1 ano. O quadro de desconforto respiratório associado à ventilação mecânica também foram associados a uma pior qualidade de vida do que as admissões em terapia intensiva por outras causas.

 

Limitações

Algumas já foram citadas, mas vamos recapitular todas as limitações deste trabalho:

  • Seleção de artigos ainda não publicados e que ainda não foram revisados por seus pares;
  • A exclusão de material que não estivesse em língua inglesa;
  • A inclusão de estudos com amostras muito pequenas;
  • O fato de a maior parte do material avaliado ser de baixa e média qualidade;
  • O fato de pacientes com MERS necessitarem de mais terapia intensiva e suporte ventilatório do que aqueles com outras formas de coronavírus;
  • Variações nas definições de doenças e da verificação de dados laboratoriais entre os estudos;
  • A ausência de padronização das avaliações psiquiátricas influenciando nas medidas de incidência (apesar de ter sido possível avaliar a prevalência);
  • Poucos estudos usaram parâmetros biológicos para avaliação (como neuroimagem ou laboratório);
  • Poucos estudos tiveram grupo controle;
  • Possível viés de seleção e
  • Variações relativas ao seguimento/acompanhamento após a(s) doença(s).

Conclusão

Apesar das limitações, este trabalho pode ser interessante, pois imagina-se que uma grande parte da população deverá entrar em contato com o vírus. Como o delirium foi encontrado em quadros agudos de infecções por coronavírus, devemos considerar que um aumento de sua incidência possa significar um maior tempo de internação. Alguns dados também relacionam a presença de delirium ao aumento da mortalidade por MERS.

Vale lembrar que pacientes hospitalizados também possuem um maior risco de desenvolver transtornos mentais. Ainda considerando a relativa frequência de quadros psiquiátricos e a queixa de fadiga que alguns pacientes apresentam, pode ser que ocorra uma certa dificuldade para o retorno às suas funções, ao menos no curto prazo.

Finalmente, é possível concluir que a maioria das pessoas infectadas não irá sofrer com um transtorno mental. Apesar da sugestão de que delirium seja a complicação neuropsiquiátrica na fase aguda das infecções por coronavírus, há poucas evidências de outras alterações por enquanto. Em relação ao seguimento/acompanhamento após a recuperação, é interessante estar atento ao surgimento de quadros neuropsiquiátricos como TEPT, transtornos ansiosos, fadiga, depressão, dentre outras alterações.

Autora:

Paula Benevenuto Hartmann

Psiquiatra pela UFF ⦁ Graduação em Medicina pela UFF

Referências bibliográficas:

  • Rogers JP, Chesney E, Oliver D, Pollack TA, McGuire P, Fusar-Poli P, et al. Psychiatric and neuropsychiatric presentations associated with severe coronavirus infection: a systematic review and meta-analysis with comparison to the COVID-19 pandemic. The Lancet Psychiatry, May 18th, 2020. https://doi.org/10.1016/S2215-0366(20)30203-0

#Coinfecção pode ser comum em #crianças com a doença pelo novo #coronavírus?

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Criança consciente realiza a higeinização necessária na época de pandemia por Covid-19, atenta as coinfecções que pode ter.

Segundo o novo estudo Co-infection and Other Clinical Characteristics of Covid-19 in Children de Wu e colaboradores divulgado no jornal Pediatrics da American Academy of Pediatrics, as coinfecções são comuns em crianças com a doença do novo coronavírus (Covid-19).

Coinfecção em crianças

Com o objetivo de determinar as características epidemiológicas e clínicas de pacientes pediátricos com Covid-19, os pesquisadores revisaram e analisaram dados de 20 de janeiro a 27 de fevereiro de 2020 de crianças com Covid-19 confirmada em laboratório, incluindo informações básicas, histórico epidemiológico, manifestações clínicas, achados laboratoriais e radiológicos, tratamento, desfecho e acompanhamento.

  • Foram incluídos 74 pacientes pediátricos com Covid-19;
  • Nenhuma das crianças no presente estudo teve uma doença crônica;
  • Dos 68 casos cujos dados epidemiológicos estavam completos, 65 (65/68, 95,59%) eram contatos domiciliares de adultos cujos sintomas se desenvolveram mais cedo;
  • Aproximadamente 27% das crianças eram assintomáticas. Seus casos foram geralmente descobertos após o diagnóstico de um membro da família;
  • 32% das crianças tiveram infecção aguda do trato respiratório superior, 39% tiveram pneumonia leve, 1% apresentou pneumonia grave e nenhum paciente foi considerado crítico;
  • Tosse (32,43%) e febre (27,03%) foram os sintomas predominantes de 44 (59,46%) pacientes sintomáticos no início da doença;
  • Anormalidades na contagem de leucócitos foram encontradas em 23 (31,08%) crianças. Dez crianças (13,51%) apresentaram contagem anormal de linfócitos;
  • Dos 34 (45,95%) pacientes que apresentaram resultados de testes de ácidos nucleicos para patógenos respiratórios comuns, 19 (51,35%) apresentaram coinfecção com outros patógenos que não o SARS-CoV-2. A coinfecção mais comum foi por Mycoplasma pneumoniae. Outras coinfecções detectadas foram por: vírus sincicial respiratório (3 – 15.8%), vírus Epstein-Barr (3 – 15.8%), citomegalovírus (3 – 15.8%) e Influenza A e B (1 – 5.3%);
  • Dez (13,51%) crianças fizeram análise de RT-PCR para amostras fecais. Oito delas mostraram duração prolongada de RNA do SARS-CoV-2;
  • A tomografia computadorizada de tórax encontrou alterações em um ou ambos os pulmões da metade dos pacientes pediátricos. A maioria não foi específica para infecção por SARS-CoV-2, enquanto os adultos geralmente têm áreas multifocais de sombras em vidro fosco e infiltração bilateral.

 

Os pesquisadores descreveram que o estudo apresentou as seguintes limitações:

  • O rápido surto de Covid-19 e a falta de medidas específicas de contenção no estágio inicial causaram pânico na comunidade e nos hospitais, sendo assim, não foi possível coletar informações epidemiológicas completas de seis pacientes;
  • Somente exames de sangue de rotina, bioquímica e biomarcadores para infecção, foram analisados neste estudo devido a diferentes padrões para testes laboratoriais entre os dois hospitais;
  • Não foi possível medir as cargas virais ou detectar a presença de SARS-CoV-2 em swabs nasofaríngeos e amostras fecais de todos os pacientes;
  • Foram analisados somente os patógenos respiratórios comuns em crianças que foram admitidas em hospitais durante a fase posterior do surto. Mas os pesquisadores acreditam que esses 74 casos com prontuários médicos completos durante o período de hospitalização e acompanhamento sejam bons representantes dos pacientes pediátricos da Covid-19 na China.

 

Wu e colaboradores concluíram que a alta taxa de coinfecção em crianças destaca a importância da triagem de SARS-CoV-2, especialmente durante a alta temporada para resfriados, gripe e outras doenças respiratórias na faixa etária pediátrica.

Autor(a):

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Consultora científica (Medical Science Liaison) na Mundipharma. Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB. Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referências bibliográficas:

  • Wu Q, Xing Y, Shi L, et al. Co-infection and other clinical characteristics of Covid-19 in children. Pediatrics. 2020; doi: 10.1542/peds.2020-0961

#Detectados possíveis novos sintomas do novo #coronavírus

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médico segurando teste do novo coronavírus

A Organização Mundial da Saúde lista os sintomas mais comuns da Covid-19, como febre, cansaço e tosse seca. Outros órgãos, como o CDC, incluem faringite, mialgia, cefaleia, “arrepios” (calafrios ou a famosa “febre interna”) e perda do paladar e/ou olfato (anosmia).

Mas também existem outros sintomas mais incomuns que foram detectados em diversos pacientes de diferentes nacionalidades nas últimas semanas. Confira!

 

Lesões nos pés

Pacientes em vários países relataram erupções nos dedos dos pés, parecendo frieiras. A condição foi apelidada de “Covid toe”. As erupções cutâneas podem assumir a forma de lesões vermelhas ou roxas e, apesar do nome, podem ser encontradas na lateral ou na região plantar, ou mesmo nas mãos e dedos.

O Conselho Geral de Colégios Oficiais de Podólogos da Espanha publicou em seu site que foram detectadas erupções nos pés de crianças, jovens e adultos diagnosticados com a doença.

A entidade explicou que numerosos casos estão sendo observados em diferentes países do continente europeu, como Itália, França e Espanha, onde pacientes da Covid-19 apresentaram lesões violáceas nos dedos dos pés.

European Journal of Pediatric Dermatology também relatou que uma epidemia de “Covid toe” está acontecendo na Itália.

 

Conjuntivite

Em um comunicado, a Academia Americana de Oftalmologia alertou que a conjuntivite pode ter passado despercebida em casos de contágio da Covid-19.

“Em regiões com alta prevalência da doença, praticamente qualquer paciente atendido por um oftalmologista pode estar infectado com a doença, independentemente de fatores de risco ou indicação para a visita”, diz a entidade.

Em um estudo publicado no Journal of Virology foram analisadas 30 indivíduos com Covid-19. A conclusão foi que apenas um apresentou quadro de conjuntivite. No entanto, as outras 29 apresentaram secreções oculares com o novo coronavírus. Em outra pesquisa, com mais de mil pessoas, também mostrou casos de conjuntivite em pacientes com Covid-19.

No Reino Unido, o Royal College of Ophthalmologists e o College of Optometrists afirmam que qualquer infecção do trato respiratório superior pode resultar em conjuntivite viral como uma complicação secundária, e também é o caso da Covid-19. No entanto, é improvável que uma pessoa apresente conjuntivite viral secundária ao Covid-19 sem outros sintomas de febre ou tosse contínua, pois a conjuntivite parece ser uma característica tardia onde ocorreu.

Livedo ou necrose

Um estudo espanhol publicado no British Journal of Dermatology descobriu que 6% dos 375 casos do novo coronavírus examinados envolviam livedo ou necrose em extremidades! A pele pode ficar manchada e apresentar áreas irregulares violáceas ou vermelhas, que podem aparecer em um padrão reticular.

No estudo, foi geralmente encontrado em pacientes idosos com casos mais graves de Covid-19. No entanto, isso não foi consistente em todos os aspectos e necrose também foi encontrada em algumas pessoas com a enfermidade que não precisavam de hospitalização.

 

CDC atualiza lista de sintomas de coronavírus

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos adicionaram seis novos possíveis sintomas do novo coronavírus, que podem aparecer entre dois e 14 dias após a exposição ao vírus:

  • Febre;
  • Tosse;
  • Dispneia;
  • Calafrios;
  • Agitação repetida com calafrios (shivering);
  • Mialgia;
  • Cefaleia;
  • Dor de garganta;
  • Nova perda de paladar ou olfato (anosmia).

Anteriormente, havia observado apenas febre, tosse e falta de ar como possíveis sintomas da doença.

 

Referências bibliográficas:

#Medidas preventivas contra o novo #coronavírus

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mulher de máscara como medidas contra o coronavírus medidas

Medidas preventivas contra o coronavírus

A palestra sobre medidas preventivas, feita pelo Francisco Ivanildo, iniciou relembrando a história da Influenza H1N1 (em 1918), quando havia ausência de vacinas e tratamento específico. Foram fechadas escolas, igrejas bares e cinemas, mas quando se retornou à circulação houve um pico de casos. À época, enquanto a Filadélfia teve um grande pico de casos, St. Louis, com medidas mais restritivas, apresentou dupla onda, com menores picos e melhor capacidade de controle.

Ele ressaltou que no caso do SARS-CoV-2, a transmissão pode ser desde a fase assintomática ou pré-sintomática, com transmissão pessoa-pessoa por gotículas, objetos e aerossóis em ambiente hospitalar.

Dos termos, diferenciar dois é preciso, sendo:

  • Mitigação: desacelerar, mas não necessariamente impedir propagação;
  • Supressão: reverter o crescimento, reduzindo casos e manter a situação indefinidamente.

Objetivos da mitigação: achatar a curva e reduzir aceleração dos casos e número do pico – evitar que ultrapasse (ou que isso ocorra de forma tênue) a capacidade de atenção médica e sem sobrecarregar o sistema de saúde.

 

Mas como fazer? Medidas não farmacológicas. E o que já foi testado?

Em nível individual: isolamento, etiqueta respiratória, higiene das mãos; quarentena familiar voluntária, quando um dos membros afetado (pelo tempo de incubação da doença – 14 dias).

Em nível comunitário: interrupção de atividades não essenciais, fechamento de escolas, bares e cinemas.

A nível ambiental: higienização de objetos e superfícies, nas casas e em ambientes públicos.

Com relação às lacunas de conhecimento, temos dúvidas sobre o melhor momento para abrir e reabrir. Será que reabrindo viveríamos novos picos como foi com a influenza?

Além disso, há alguns obstáculos práticos às medidas, como o descumprimento da quarentena, falta de clareza pela autoridade responsável pelas decisões, falta de acesso aos recursos, falta de liderança política de alto nível; ausência de coordenação com empresas, ONGs e organizações comunitárias; falta de comunicação clara e consistente.

Então quais seriam os impactos das medidas não farmacológicas? (isolamento domiciliar, rastreio do contato, quarentena das pessoas expostas, fechamento das escolas e locais de trabalho e evitamento aglomerações)

  • Tomando-se todas as medidas, observaremos queda da transmissão.
  • Só funcionam enquanto estão em vigor, mas há recrudescimento posterior. Medidas efetivas são vacinas ou tratamento. Será preciso momentos de novos isolamentos.
  • Distanciamento social favorece a capacidade de atendimento dos modelos de saúde, enquanto sua não realização sobrecarrega o sistema.

E a eficácia da máscara cirúrgica? (estudo com H1N1 e Sars-Cov-1)

O palestrante refere que há grande incerteza sobre sua utilização – sobretudo sobre as máscaras de tecido –, mas o CDC tem orientado sua utilização em ambientes públicos.

 

Autor:

Fernando Menezes

Graduando em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Extensão universitária nas áreas de Imunologia e Administração e Finanças (UERJ)

#Qual a relação endócrina e metabólica com a infecção pelo novo# coronavírus?

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médica orientando paciente sobre endocrinologia e coronavírus

Diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão são as comorbidades mais comuns em pacientes com infecções por coronavírus. Evidências emergentes demonstram um importante vínculo mecânico e metabólico endócrino direto com o processo da doença viral. É necessário precisam garantir um controle metabólico precoce e completo de todos os pacientes afetados pela Covid-19.

Endocrinologia e coronavírus

O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) parece ser um fator de risco para adquirir a nova infecção por coronavírus. De acordo com o CDC, pacientes com DM2 e síndrome metabólica podem ter risco dez vezes maior de morte quando contraem Covid-19.

Embora o DM2 e a síndrome metabólica aumentem o risco de sintomas e mortalidade mais graves em muitas doenças infecciosas, existem alguns aspectos mecanicistas específicos adicionais nas infecções por coronavírus que requerem consideração separada, o que terá consequências clínicas para melhorar o manejo de pacientes gravemente afetados.

Hiperglicemia e diagnóstico de DM2 são preditores independentes de mortalidade e morbidade nesses pacientes.

Esse achado pode dever-se ao fato de esses pacientes apresentarem um estado de inflamação metabólica que os predispõe a uma liberação aprimorada de citocinas.

 

Para a Covid-19, uma tempestade de citocinas tem sido implicada na falência de múltiplos órgãos em pacientes com doença grave. A inflamação metabólica também comprometerá o sistema imunológico, reduzindo a capacidade do organismo de combater a infecção, prejudicando o processo de cicatrização e prolongando a recuperação.

Camundongos diabéticos que expressam o DPP4 humano exibiram um perfil alterado de citocinas, com aumento da expressão de IL-17α após a infecção.

Esses dados sustentam a hipótese de que a combinação de infecção por coronavírus e DM2 desencadeia uma resposta imune desregulada, resultando em uma patologia pulmonar mais agravada e prolongada.

 

Uma ligação endócrina direta

O coronavírus SARS-CoV-2 entra nas células humanas através da glicoproteína do envelope, que também é responsável pela transmissão entre humanos.

Essa glicoproteína, encontrada na superfície do vírus, se liga a ACE2 para obter entrada na célula. Além disso, a serina protease celular TMPRSS2 é necessária para iniciar a entrada viral via ACE2.

No sistema respiratório, o ACE2 tem a função de degradar a angiotensina II em angiotensina 1–7 e atua como um ponto regulatório essencial para o sistema de angiotensina.

Quando a atividade da ACE1 é aumentada e a inibição da ACE2, a angiotensina II intacta atua através do receptor da angiotensina 1 (AT1R) ou AT2R para exercer respostas pró-inflamatórias e estimular a secreção de aldosterona; esses efeitos não apenas aumentam a pressão sanguínea e potencialmente causam hipocalemia, mas também aumentam a permeabilidade vascular localmente, aumentando o risco de síndrome do desconforto respiratório.

Por outro lado, a angiotensina 1-7 atua na via do receptor Mas, o que leva a respostas anti-inflamatórias e anti-fibróticas que seriam favoráveis ​​à recuperação de pacientes com Covid-19.

Pode-se postular que indivíduos com Covid-19 mais grave apresentam um desequilíbrio na ativação dessas vias, com um aumento na ativação do AT1R e AT2R, o que pode ocorrer nos casos de DM2, hipertensão e resistência à insulina.

 

Um link metabólico direto

Além de um vínculo entre infecção por coronavírus e hipertensão, parece haver um vínculo direto com o DM2.

No pâncreas, a ligação do SARS-CoV ao seu receptor, ACE2, danifica ilhotas e reduz a liberação de insulina.

Em um estudo, os pacientes com SARS que não tinham histórico de DM2 e não receberam tratamento com esteroides foram comparados com seus irmãos saudáveis ​​durante um período de acompanhamento de três anos.

Mais de 50% dos pacientes no estudo tornaram-se diabéticos durante a hospitalização pela infecção por SARS-CoV.

Após 3 anos de recuperação da infecção viral, apenas 5% dos pacientes permaneceram diabéticos.

Como o pâncreas endócrino humano expressa a ECA2, o coronavírus pode entrar nas ilhotas e causar disfunção aguda das células β, levando a hiperglicemia aguda e T2DM transitório.

Mais importante, as evidências em camundongos diabéticos demonstraram que os níveis de atividade da ECA2 foram aumentados no pâncreas.

Esse achado sugere que pacientes com DM2 podem ser particularmente vulneráveis ​​a uma infecção por corona-vírus.

Da mesma forma, o T2DM induz a expressão de enzimas conversoras de angiotensina em outros tecidos, incluindo pulmão, fígado e coração, o que explica por que o T2DM pode contribuir mecanicamente para a falência de múltiplos órgãos nas infecções por SARS-CoV.

Consequências clínicas imediatas

Com base nos dados discutidos aqui, é evidente que o controle metabólico ideal do DM2 e os parâmetros metabólicos associados em pacientes com Covid-19 são obrigatórios.

Medicamentos antidiabéticos, como os agonistas do GLP1, que melhoram a função metabólica e induzem a atividade das vias protetoras dos receptores ACE2 e podem ter a vantagem de melhorar o metabolismo da glicose e a pressão sanguínea, além de impedir a entrada de coronavírus nas células como resultado de ligação competitiva ao ACE2. Esse efeito pode ajudar a proteger e restaurar a função pulmonar.

Da mesma forma, o tratamento precoce com bloqueadores dos receptores da angiotensina II (como losartana ou telmisartan) ou, mais diretamente, ACE2 recombinante, pode ser útil para aprimorar o sistema ACE2 e, de preferência às vias mediadas pelos receptores da angiotensina.

Essa abordagem permitiria a combinação de um efeito antidiabético, anti-inflamatório e antiviral.

Finalmente, o inibidor sintético da protease camustat, que bloqueia a serina protease TMPRSS2 necessária para a entrada de coronavírus mediada por ACE2 nas células, também reverte a dislipidemia e a hiperglicemia.

O vínculo intrigante entre infecções por coronavírus e essas vias endócrinas e metabólicas terá um efeito importante no tratamento clínico geral do Covid-19 grave.

Os glicocorticoides que foram úteis no tratamento da síndrome do desconforto respiratório agudo podem não ser indicados em pacientes com infecção por coronavírus.

Os glicocorticoides agravam não apenas o controle metabólico, mas também atenua a expressão da angiotensina 1–7 e do receptor Mas9.

Portanto, eles podem ter um papel limitado no tratamento de pacientes com Covid-19.

Por outro lado, o fármaco anti-reumático hidroxicloroquina, que agora é amplamente utilizado em muitos centros ao redor do mundo no tratamento de pacientes com COVID-19, também atraiu interesse como uma potencial intervenção terapêutica para pacientes com T2DM.

Neste momento, não está claro se a hidroxicloroquina, além dos anti-inflamatórios e antidiabéticos, também interferirá diretamente nas vias coronavírus-ACE2.

Em conclusão, o COVID-19 não é primariamente uma doença metabólica, mas o controle metabólico da glicose, dos níveis lipídicos e da pressão arterial são fundamentais nesses pacientes.

Essa abordagem é importante para abordar as complicações metabólicas e cardiovasculares bem estabelecidas dessa comorbidade primária.

Além disso, o controle efetivo desses parâmetros metabólicos pode representar uma abordagem específica e mecanicista para prevenir e melhorar os efeitos agudos desse vírus, reduzindo a resposta inflamatória local e bloqueando sua entrada nas células.

Autora:

Priscilla Maris Pereira Alves Pantaleão

Medica Residente De Endocrinologia Do HU/UFS • Clínica Médica No Hospital Universitário De Alagoas • Formada Na Universidade Federal De Alagoas.

Referência bibliográfica:

#A #ceratoconjuntivite pode ser a apresentação inicial do novo #coronavírus?

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coronavírus em imagem digital

Um artigo publicado no Jornal Canadense de Oftalmologia relatou um caso de Covid-19 com a apresentação inicial do paciente sendo um quadro de ceratoconjuntivite. Foi o primeiro caso relatado de quadro de olho vermelho e lacrimejamento como primeiros sintomas na América do Norte.

Conjuntivite no coronavírus

A paciente tinha 29 anos, previamente saudável, foi atendida em emergência oftalmológica com história de conjuntivite em olho direito há um dia, fotofobia e lacrimejamento. Ela havia retornado há três dias de uma viagem de um mês para as Filipinas, passando um dia em São Francisco antes de retornar ao Canadá. Dois dias após o retorno iniciou quadro de rinorreia, tosse, congestão nasal e conjuntivite no olho direito. Não teve febre. Seu acompanhante na viagem iniciou quadro de rinorreia e tosse logo após mas teve teste negativo para Covid-19.

O paciente inicialmente foi avaliado pelo médico de família no primeiro dia de sintomas e encaminhado para o oftalmologista. Foi atendida já com quadro de fotofobia, edema palpebral e descarga mucosa. A acuidade visual era de 20/20 em ambos os olhos, ao exame do olho afetado foi encontrado injeção conjuntival, folículos, pseudodendritos pequenos na córnea temporal inferior e 8 infiltrados subepiteliais com defeito epitelial no limbo temporal superior.

 

Foi iniciado valaciclovir oral 500 mg 3x ao dia e moxifloxacino colírio tópico 1 gota 4 x ao dia em olho direito baseado no diagnóstico presumido de ceratoconjuntivite herpética. Dois dias depois o paciente retornou com piora da hiperemia, dor e irritação ocular e foi notado linfonodo pré-auricular tenso. Ao exame oftalmológico notou-se o desenvolvimento de infiltrados subepiteliais numerosos com defeito epitelial sobrejacente. Foi continuado o tratamento com valaciclovir e moxifloxacino porém um novo diagnóstico de ceratoconjuntivite epidêmica foi feito.

Conjuntivite viral. | Imagem da autora.

No dia seguinte foi submetido à nova revisão, com piora dos sintomas oculares e piora da visão para 20/30. Havia linfadenopatia pré-auricular e cervical, conjuntivite folicular com injeção conjuntival, mais de 50 infiltrados subepiteliais discretos espalhados por toda a córnea com defeito epitelial sobrejacente. Quando examinado ele não atendia aos quesitos de recomendação locais para realização de teste para Covid-19 baseado no país de viagem do paciente.

No dia 6 de março as recomendações passaram a ser testar qualquer pessoa com sintomas que houvesse saído do Canadá e portanto a paciente foi testada com RT-PCR. O swab nasofaríngeo foi fortemente positivo para Covid-19. O swab ocular usado para os testes de gonorreia e clamídia foi testado retrospectivamente e deu fracamente positivo.

 

Conclusão

Esse é o primeiro artigo mostrando um caso de Covid-19 com a ceratoconjuntivite sendo seu achado principal, reforçando a importância dos Oftalmologistas se manterem vigilantes e considerarem o SARS CoV 2 como um agente causal possível em pacientes que se apresentam com conjuntivite viral, particularmente em pacientes de alto risco que vieram de ou estão em áreas de transmissão ativa do vírus.

Autora:

Juliana Rosa

Pós graduação Lato Sensu em Córnea pela UNIFESP ⦁ Especialização em lentes de contato e refração pela UNIFESP ⦁ Residência médica em Oftalmologia pela UERJ ⦁ Graduação em Medicina pela UFRJ ⦁ Contato: julianarosaoftalmologia@gmail.com

Referência bibliográfica:

  • Cheema M, et al. Keratoconjunctivitis as the initial medical presentation of the novel coronavirus disease 2019. (COVID-19). Canadian Ophthalmological Society. https://doi.org/10.1016/j.jcjo.2020.03.003 ISSN 0008-4182

#Obesidade aumenta risco de complicações na infecção pelo novo #coronavírus?

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médico medindo circunferência de paciente com obesidade e possível risco para coronavírus

Covid-19, causada pela infecção pelo novo coronavírus, SARS-CoV-2, pode se manifestar de diversas formas, desde infecção assintomática a pneumonia grave caracterizada por lesão respiratória aguda. Os fatores de risco associados à gravidade, incluem idade avançada, diabetes, supressão imunológica e falência orgânica.

Uma nova carta de pesquisadores da Universidade de Nova York mostra que a obesidade pode ser um fator de risco para hospitalização por Covid-19 em pacientes com menos de 60 anos.

Obesidade e coronavírus

Segundo a publicação, foi realizada uma análise retrospectiva do IMC estratificado por idade em em pacientes Covid-19-positivo sintomáticos que se apresentaram em um sistema hospitalar acadêmico na cidade de Nova York, entre 4 de março de 2020 e 4 de abril de 2020.

 

Resultados do estudo

Dos 3.615 indivíduos que apresentaram resultado positivo para Covid-19, 775 (21%) apresentaram índice de massa corporal (IMC) 30-34 e 595 (16% da coorte total) tinham IMC > 35. Pacientes com idade inferior a 60 anos, com IMC de 30 a 34 apresentaram 2,0 vezes mais chances de serem admitidos na emergência (acute care) e 1,8 vezes mais chances de admissão em terapia intensiva, em comparação com indivíduos com IMC abaixo de 30. Para pacientes na mesma faixa etária com IMC acima de 35, o risco foi 2,2 e 3,6 vezes maior, respectivamente.

Embora pacientes com idade < 60 anos sejam geralmente considerados um grupo de risco mais baixo do Covid-19, com base nos dados do estudo americano, a obesidade parece ser uma doença não reconhecida anteriormente que funciona fator de risco para internação e necessidade de cuidados intensivos. Este dado é bastante relevante, já que quase 40% dos adultos nos EUA são obesos com IMC > 30.

 

Outros estudos relacionando obesidade e Covid-19

Relatórios recentes de pacientes hospitalizados com Covid-19 mostraram que a obesidade é um fator de risco para doenças graves e morte. O relatório do Intensive Care National Audit and Research Centre (ICNARC) informou que no estudo com 2.621 pacientes em unidades de terapia intensiva na Inglaterra a taxa de letalidade naqueles com IMC ≥ 30 foi maior que os pacientes com IMC < 25 (57,5% vs 46,4%).

O relatório Internacional do International Severe Acute Respiratory & emerging Infection Consortium (ISARIC) (n.2) de 1.123 pacientes com Covid-19 confirmado ou suspeito informou que a obesidade era a quinta comorbidade mais comum em pacientes hospitalizados – apenas um pouco menos comum do que as condições de “alto risco” amplamente divulgadas, como asma e doença pulmonar crônica.

 

Take-home message

A obesidade parece ter contribuído como fator de risco para casos graves de Covid-19 em alguns estudos.

Aguardaremos novos resultados de coortes, incluindo as coortes brasileiras, para maiores esclarecimentos. Porém, vale a pena observar com mais atenção os pacientes que chegarem no plantão com suspeita de Covid-19 e apresentarem obesidade.

Autora:

Dayanna de Oliveira Quintanilha

Residência em Clínica Médica na UFF ⦁ Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Contato: dayquintan@hotmail.com ⦁ Instagram: @medayquintan

Referências bibliográficas:

  • Jennifer Lighter, et al. Obesity in patients younger than 60 years is a risk factor for Covid-19 hospital admission. Published by Oxford University Press for the Infectious Diseases Society of America
  • ICNARC report on COVID-19 in critical care. 4 April 2020. London: 2020. Accessed April 9,2020)
  • ISARIC. International Severe Acute Respiratory and Emerging Infection Consortium: COVID-19 Report 2 April 2020. vol. 9. 2020.
  • Lakshmi Manoharan & Blake Thomson Obesity: An independent risk factor for COVID-19 severity? ISARIC

#Como abordar #pacientes pediátricos com #erros inatos da imunidade durante pandemia de Covid-19?

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Médica examina criança com erros inatos da imunidade durante a pandemia de Covid-19

Em meio à pandemia que estamos vivendo com o novo coronavírus (Covid-19), um ponto importante para prevenir desfechos desfavoráveis é a identificação dos pacientes de risco. Estudos apontam que os principais grupos de risco são compostos por idosos, cardiopatas, diabéticos, obesos, pacientes com doença respiratória prévia e pacientes com condições que cursam com imunossupressão/imunodesregulação/imunodeficiência.

Covid-19 e erros inatos da imunidade

Existem mais de 400 tipos de erros inatos da imunidade (EII), com vários graus de comprometimento do sistema imunológico. De forma geral, os pacientes com EII apresentam o mesmo risco da população geral de infecção pelo Covid-19, mas o risco de doença respiratória grave varia de acordo com o defeito imunológico apresentado e a via afetada.

Ainda não há estudos na literatura que avaliem o acometimento dos pacientes com EII infectados pelo Covid-19. Baseando-se no tipo de defeito imunológico, os pacientes foram estratificados segundo risco em: baixo risco, moderadamente vulneráveis e extremamente vulneráveis.

 

Níveis de risco

Os pacientes de maior risco são os que apresentam imunodeficiência combinada grave, tanto antes quanto depois do transplante. Os pacientes transplantados em uso de tratamento imunossupressor também possuem risco considerável de desenvolverem doença grave.

Os pacientes de risco moderado são aqueles com imunodeficiência comum variável, agamaglobulinemia congênita, doença granulomatosa crônica e defeitos do sistema complemento (exceto de MBL). Pacientes com defeito na produção de anticorpos não apresentam maior risco de infecção pelo Covid-19, mas têm maior chance de desenvolver complicação bacteriana uma vez infectados.

O uso de imunoglobulina policlonal humana com intuito de prevenir a infecção pelo coronavírus não está indicado (nem mesmo para os pacientes que necessitam de reposição), uma vez que não confere proteção contra o vírus. Alguns medicamentos vêm sendo testados para tratar a infecção, sem resultados conclusivos que justifiquem seu uso. Assim sendo, a principal arma contra o coronavírus ainda é a prevenção.

 

O que fazer?

As medidas mais importantes para os pacientes com EII são:

  • Manter isolamento social (o paciente e os coabitantes da casa);
  • Não suspender ou iniciar tratamentos sem orientação médica;
  • Manter a aplicação de imunoglobulina para os pacientes que necessitam de reposição (considerar alteração dos intervalos de aplicação e aplicação domiciliar);
  • Manter as medidas de higiene (principalmente lavagem adequada das mãos);
  • Realizar vacina contra influenza;
  • Evitar serviços de emergência (exceto se febre alta ou desconforto respiratório).
Condição clínica Grupo 1 – Extremamente vulnerável Grupo 2 – Risco moderado  Grupo 3 – Risco semelhante ao da população em geral
Imunodeficiências primárias Imunodeficiências combinadas de células T e B 

Linfopenia CD4 no contexto de qualquer EII

 

Qualquer EII necessitando uso de antibioticoprofilaxia ou imunoglobulina com comorbidades*

 

Qualquer EII que necessite fazer antibioticoprofilaxia ou imunoglobulina E em uso de mais de 5 mg de prednisolona ao dia ou imunossupressores** ou anticorpos monoclonais*** ou inibidores da JAK# por mais de 4 semanas

 

Desordens associadas a hemofagocitose linfohistiocítica

Imunodeficiência comum variável 

Agamaglobulinemia congênita

 

Doença granulomatosa crônica

 

Outras IDP em uso de imunoglobulina ou antibioticoprofilaxia que não preencham critérios do grupo 1

 

Defeitos do sistema do Complemento (exceto de MBL)

 

Outros defeitos primários na produção de anticorpos sem alteração pulmonar e sem necessidade de uso de imunoglobulina ou antibióticos profiláticos 

Deficiência de MBL

 

Deficiência seletiva de IgA

 

Imunodeficiências secundárias Necessidade de uso de imunoglobulina ou antibiótico profilático e com comorbidades* 

Necessidade de antibioticoprofilaxia ou imunoglobulina E em uso de ≥ 5 mg de prednisolona ao dia ou imunossupressores** ou anticorpos monoclonais*** ou inibidores da JAK# por mais de 4 semanas

Transplante de células tronco hematopoiéticas em pacientes com EII Pacientes atualmente com:• Menos de 1 ano de transplante

• Ainda em uso de imunossupressores

• Ainda com reposição de imunoglobulina

• Doença pulmonar significativa ou

• Com doença enxerto versus hospedeiro crônica

Mais de um ano após transplante e na ausência de:• Uso de imunossupressor

• Reposição regular de imunoglobulina

• Doença pulmonar significativa

• Doença enxerto versus hospedeiro crônica

 

Fonte: Advice for Healthcare professionals looking after patients with immunodeficiency regarding Covid-19
*comorbidades: idade > 70 anos; diabetes mellitus; doença pulmonar pré-existente; insuficiência renal; hipertensão arterial sem controle; história de cardiopatia isquêmica; hepatopatia crônica.
**imunossupressores: azatioprina; metotrexato; micofenolato; ciclosporina, ciclofosfamida; tacrolimo, sirolimo. Não inclui hidroxicloroquina ou sulfassalazina.
***anticorpos monoclonais: rituximabe há menos de 1 ano; todos os anti-TNF; tocilizumabe; abatacept; belimumabe; anakinra; ustekinumabe; sarilumumabe; canakinumabe # inibidores da Jak: ruxolitinibe; baracitinibe; tofacitinibe e outros.
Tabela adaptada da Nota de Alerta da SBP, BRAGID, JM e ASBAI.

Autor(a):

Gabriela Guimarães Moreira Balbi

Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) • Pediatra pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) • Reumatologista pediatra pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM)

Referências bibliográficas:

  • Nota de Alerta da SBP, BRAGID, JM e ASBAI. A Covid-19 em pacientes pediátricos com Erros Inatos da Imunidade Posicionamento conjunto. Disponível em: file:///Users/gabrielabalbi/Downloads/22427c-imunologia-NAlerta_-_Covid-19_em_PacPedi_c_erros_inatos_na_Imunidade.pdf

#Coronavírus: #Troponina I em pacientes com #Covid-19

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ficha com niveis de troponina em paciente com coronavirus

A doença do coronavírus 2019 (Covid-19) constitui uma pandemia causada por um coronavírus denominado SARSCov-2. A Covid-19 tem demonstrado espectro de apresentação que varia de forma assintomática a síndrome de insuficiência respiratória grave refratária com óbito.

Como existem relatos de pior evolução da Covid-19 em pacientes cardiopatas, inclusive com evidência de complicações cardíacas em formas graves, foi realizada uma meta-análise visando obter mais esclarecimento a respeito da relação entre possível lesão cardíaca com aumento de troponina circulante e prognóstico da doença.

Troponina no contexto do coronavírus

Recente publicação no Progress in Cardiovascular Diseases expôs preliminarmente os resultados de uma meta-análise, realizada com o objetivo de investigar se a medida de troponina, I ou T, de alta sensibilidade poderia ajudar na previsão da gravidade clínica da doença nos pacientes que tivessem o diagnóstico de COVID-19.

 

Metodologia

A meta-análise foi realizada através de busca nas bases eletrônicas Medline, Scopus e Web of Science, utilizando as seguintes palavras-chave: “laboratory” OR “troponina” AND “coronavirus 2019” OR “2019-nCov” OR “SARS-Cov-2”, desde o ano de 2019 até 04/03/2020.

Foram selecionados estudos que relatavam expressamente informação de valores de troponina em pacientes com diagnóstico de Covid-19, diferenciando os valores obtidos nos casos de doença leve e nos das formas graves da doença. O método laboratorial específico utilizado não foi descrito nos estudos, porém praticamente todos utilizaram troponina de alta sensibilidade. No total, a meta-análise contou com inclusão de 341 pacientes, 123 deles, 36% dos doentes, com forma grave da Covid-19.

Os 341 pacientes analisados compunham quatro estudos selecionados para a meta-análise em tela. Os quatro estudos eram chineses, todos preencheram os critérios de inclusão e não exibiram razões para exclusão (como no caso de alguns estudos de revisão selecionados na busca, mas não incluídos na meta-análise, por exemplo).

 

Resultados

Verificou-se que os valores de troponina foram significativamente aumentados em pacientes com formas graves de Covid-19, em relação aos doentes com a forma leve da doença, embora a heterogeneidade dos estudos tenha sido consideravelmente alta.

Dados recentes da literatura médica mostram que há aumento marginal de troponina em todos os pacientes com Covid-19, sendo esse aumento importante, com valores superiores ao percentil 99 – limite superior de referência, em cerca de 8 a 12% dos casos de Covid-19.

A meta-análise mostrou, em seus resultados, que pacientes que apresentaram formas graves da doença causada pelo novo coronavírus tiveram aumento significativo da troponina I de alta sensibilidade em relação aos casos dos doentes que tiveram formas leves da Covid-19.

O racional obtido preliminarmente com esse resultado é que muito provavelmente uma medida inicial na emergência e medidas subsequentes de monitoramento longitudinal da troponina I de alta sensibilidade podem permitir tanto prever lesão cardíaca causada pelo SARS-Cov-2, quanto pior desfecho clínico da doença Covid-19.

Take-home message

Novos estudos precisam ser feitos com urgência a fim de se definir se testes ecocardiográficos, terapias cardioprotetoras adjuvantes (corticosteróides, outros antinflamatórios), imunossupressores, antivirais (agentes antivirais ou tipos de interferon), bem como terapia imunomodulatória (imunoglobulinas) podem trazer benefícios evidentes nos pacientes portadores de Covid-19 que apresentem elevação significativa de biomarcadores de lesão cardíaca.

 

Autor:

Felipe Lima Pedrozo

Graduado em Medicina pela UFRGS (2005) ⦁ Especialista em Cardiologia pela SBC e AMB ⦁ Pós-graduação em Medicina de Emergência no Instituto de Educação e Pesquisa do HMV-PoA, reconhecida pelo MEC ⦁ Especialização em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista no Hospital São Francisco do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre

Referências bibliográficas:

  • Cardiac troponin I in patients with coronavirus disease 2019 (COVID-19): Evidence from a meta-analysis. Progress in Cardiovascular Diseases. G. Lippi, C.J. Lavie and F. Sanchis-Gomar., https://doi.org/10.1016/j.pcad.2020.03.001

#Quais as possíveis #manifestações oculares relacionadas ao novo #coronavírus?

Postado em

médico escrevendo sobre manifestações oculares do coronavírus

Desde dezembro de 2019, o coronavírus (Covid-19) foi reportado entre pacientes chineses. O vírus SARS-CoV-2 é um novo coronavírus, diferente de outro coronavírus que já afetou alguns pacientes em outros anos (SARS-CoV-1). Comparado com o SARS-CoV-1, o SARS-CoV-2 tem receptores similares, achados patológicos sistêmicos e características epidemiológicas similares. Apesar de não existir nenhuma evidência de que a replicação do SARS-CoV-1 resulta em conjuntivite e outras doenças oculares, alguns artigos tem descrito o olho como um potencial sítio de transmissão viral.

Da mesma forma, a transmissão do SARS-CoV-2 através do olho também é suspeita. Não existe, porém, artigo na literatura médica que identifique uma relação direta entre SARS-CoV-2 e o olho. Um estudo publicado no JAMA por um grupo da China em 31 de março avaliou o envolvimento ocular nos pacientes altamente suspeitos ou confirmados com COVID-19.

 

Coronavírus e manifestações oculares

De 9 a 15 de fevereiro de 2020, 38 pacientes hospitalizados no Yichang Central People’s Hospital foram diagnosticados e foram analisados os sintomas, manifestações oculares, tomografia pulmonar e o PCR de swab conjuntival e nasofaríngeo para SARS-CoV-2. Dos 38 pacientes, 25 eram homens (65,8%) e a média de idade era 65.8 anos. Vinte e oito pacientes (73.7%) tiveram PCR nasofaríngeo positivo para Covid-19 e desses dois pacientes (5.2%) tiveram também PCR positivo conjuntival.

Os outros dez pacientes se mantiveram suspeitos para SARS-CoV-2 pelo guideline PC-NCP (National Guideline on Prevention and Control of the Novel Coronavirus Pneumonia), com febre, sintomas respiratórios e tomografia compatível com pneumonia por Covid-19.

Um total de 12 dos 38 pacientes (31.6%) tiveram manifestações oculares compatíveis com conjuntivite, incluindo hiperemia conjuntival, quemose, epífora e secreção. Desses 12 pacientes, quatro casos foram considerados moderados (febre e/ou sintomas respiratórios e achados tomográficos), dois casos foram considerados graves (dispneia, saturação de O2 menor que 93%) e seis casos foram considerados críticos (falência respiratória ou choque ou disfunção de múltiplos órgãos), de acordo com o guideline PC-NCP4.

Desses pacientes, um teve epífora como primeiro sintoma de Covid-19. Nenhum apresentou embaçamento visual. Pacientes com sintomas oculares tiveram uma maior tendência a ter aumento dos leucócitos, contagem de neutrófilos e níveis elevados de procalcitonina, proteína C reativa e desidrogenase láctica que pacientes sem sintomas oculares. Onze dos 12 pacientes (91,7%) com anormalidades oculares tiveram resultado positivo para SARS-CoV-2 no PCR do swab nasofaríngeo. Desses, dois tiveram PCR positivo tanto no swab conjuntival quanto nasofaríngeo.

 

 

Resultados

A investigação sugeriu que entre os pacientes com Covid-19, 31,6% tiveram anormalidades oculares, com a maioria dos pacientes com manifestações sistêmicas graves ou achados anormais nos testes sanguíneos. Esses resultados sugerem que os sintomas oculares comumente aparecem em pacientes com pneumonia grave. O estudo mostrou uma baixa prevalência (5.2%) de nucleotídeos de SARS-CoV-2 nos espécimes conjuntivais de pacientes com Covid-19, consistente com os estudos prévios na SARS.

Foi encontrado apenas um paciente com conjuntivite como primeiro sintoma. Artigos anteriores mostraram a contaminação potencial da infecção ocorrendo em pacientes sem febre e poucos ou sinais ausentes de infecção. Olhos não protegidos foram associados com um risco aumentado de transmissão de SARS-CoV-1 e os resultados desse novo estudo sugerem que o SARS-CoV-2 pode também ser transmitido através dos olhos.

As limitações do estudo incluem uma amostra pequena e a ausência de um exame ocular mais detalhado para excluir outras doenças oculares. Além disso, foi coletada apenas uma amostra do olho de cada paciente, o que pode ter gerado mais falsos negativos. Ainda aguardamos mais estudos que possam elucidar de forma mais consistente a transmissão pela via conjuntival.

Autora:

Juliana Rosa

Pós graduação Lato Sensu em Córnea pela UNIFESP ⦁ Especialização em lentes de contato e refração pela UNIFESP ⦁ Residência médica em Oftalmologia pela UERJ ⦁ Graduação em Medicina pela UFRJ ⦁ Contato: julianarosaoftalmologia@gmail.com

Referência bibliográfica:

  • Wu P, Duan F, Luo C, et al. Characteristics of Ocular Findings of Patients With Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) in Hubei Province, China. JAMA Ophthalmol. Published online March 31, 2020. doi:10.1001/jamaophthalmol.2020.1291