Crianças

#Assim como os adultos, as #crianças também podem apresentar quadros graves de #Covid-19

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médico conferindo intubação de criança com covid-19 grave em utip

Em um estudo realizado em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) canadenses e americanas, a maioria das crianças hospitalizadas pela doença do novo coronavírus (Covid-19) tinha condições preexistentes, sendo que 38% delas necessitaram de ventilação mecânica invasiva (VMI).

Os resultados estão no artigo Characteristics and Outcomes of Children With Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Infection Admitted to U.S. and Canadian Pediatric Intensive Care Units, publicado no jornal JAMA Pediatrics.

Covid-19 grave em crianças

Os pesquisadores Lara Shekerdemian e equipe conduziram um estudo transversal que incluiu crianças positivas para COVID-19 em 46 UTIP norte-americanas entre 14 de março e 03 de abril de 2020, com seguimento até 10 de abril. Foram incluídas 48 crianças.

 

  • Vinte e cinco (52%) eram meninos;
  • A mediana de idade foi de 13 anos (4,2-16,6);
  • Quarenta (83%) das crianças tinham comorbidades prévias;
  • Dezenove crianças (40%) foram classificadas como “clinicamente complexas” (crianças com atraso no desenvolvimento ou anomalias genéticas e que eram dependentes de suporte tecnológico), 11 tinham imunossupressão, sete era obesas e quatro eram diabéticas;
  • Trinta e cinco (73%) apresentaram sintomas respiratórios, embora três estivessem em cetoacidose diabética e um lactente com doença falciforme apresentava dor óssea por crise vaso-oclusiva;
  • Trinta e três (69%) eram muito graves à admissão;
  • Doze (25%) receberam drogas vasoativas;
  • Trinta e nove (81%) precisaram de suporte ventilatório;
  • Dezoito (38%) necessitaram de VMI (por cânula endotraqueal ou traqueostomia);
  • Vinte e um (44%) foram ventilados de forma não invasiva;
  • Onze (23%) apresentaram falência em dois ou mais órgãos;
  • Uma criança (2%) foi submetida à oxigenação por membrana extracorpórea (extracorporeal membrane oxygenation – ECMO);
  • Vinte e oito (61%) receberam terapias direcionadas. A hidroxicloroquina foi o medicamento mais usado, tanto como terapia direcionada única (11 crianças) quanto combinada (dez pacientes).

 

Resultados

Ao final do período de seguimento:

  • 2 crianças (4%) evoluíram para óbito;
  • 15 (31%) continuaram hospitalizadas;
  • 3 ainda demandavam suporte ventilatório;
  • A criança em ECMO permanecia em uso da estratégia;
  • Para os pacientes que receberam alta hospitalar, a mediana de tempo de internação na UTIP foi de 5 (3-9) dias. Já a mediana de permanência no hospital foi de 7 (4-13) dias;
  • Os dois pacientes que morreram tinham idades entre 12 e 17 anos. Ambos tinham comorbidades prévias e evoluíram para falência de múltiplos órgãos;
  • A taxa de letalidade nesse estudo foi de 4,2%.

 

Os pesquisadores descreveram que podem se considerar “cautelosamente otimistas” com esses resultados em crianças. Isso porque a taxa de letalidade foi de 4,2%, muito aquém das taxas relatadas em pacientes adultos de 50 a 62% para pacientes com Covid-19 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Ademais, destacaram que o ônus da doença em crianças ainda é menor em comparação à influenza sazonal e citam que Center for Disease Control and Prevention (CDC) relataram, em 28 de abril de 2020, oito óbitos em pacientes pediátricos com 14 anos de idade ou menos relacionados à COVID-19 em comparação a 169 mortes relacionadas à influenza em crianças com a mesma faixa etária durante a temporada 2019 – 2020.

Conclusão

Shekerdemian e colaboradores concluíram que, apesar das taxas de letalidade serem menores que as de pacientes adultos, as crianças podem apresentar formas graves de Covid-19. Além disso, descrevem que a existência de comorbidades prévias é um importante fator de risco.

Autora:

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Consultora científica (Medical Science Liaison) na Mundipharma. Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB. Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referência bibliográfica:

  • SHEKERDEMIAN, Lara et al. Characteristics and Outcomes of Children With Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Infection Admitted to U.S. and Canadian Pediatric Intensive Care Units. JAMA Pediatrics, 2020; DOI: 10.1001/jamapediatrics.2020.1948

#Coinfecção pode ser comum em #crianças com a doença pelo novo #coronavírus?

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Criança consciente realiza a higeinização necessária na época de pandemia por Covid-19, atenta as coinfecções que pode ter.

Segundo o novo estudo Co-infection and Other Clinical Characteristics of Covid-19 in Children de Wu e colaboradores divulgado no jornal Pediatrics da American Academy of Pediatrics, as coinfecções são comuns em crianças com a doença do novo coronavírus (Covid-19).

Coinfecção em crianças

Com o objetivo de determinar as características epidemiológicas e clínicas de pacientes pediátricos com Covid-19, os pesquisadores revisaram e analisaram dados de 20 de janeiro a 27 de fevereiro de 2020 de crianças com Covid-19 confirmada em laboratório, incluindo informações básicas, histórico epidemiológico, manifestações clínicas, achados laboratoriais e radiológicos, tratamento, desfecho e acompanhamento.

  • Foram incluídos 74 pacientes pediátricos com Covid-19;
  • Nenhuma das crianças no presente estudo teve uma doença crônica;
  • Dos 68 casos cujos dados epidemiológicos estavam completos, 65 (65/68, 95,59%) eram contatos domiciliares de adultos cujos sintomas se desenvolveram mais cedo;
  • Aproximadamente 27% das crianças eram assintomáticas. Seus casos foram geralmente descobertos após o diagnóstico de um membro da família;
  • 32% das crianças tiveram infecção aguda do trato respiratório superior, 39% tiveram pneumonia leve, 1% apresentou pneumonia grave e nenhum paciente foi considerado crítico;
  • Tosse (32,43%) e febre (27,03%) foram os sintomas predominantes de 44 (59,46%) pacientes sintomáticos no início da doença;
  • Anormalidades na contagem de leucócitos foram encontradas em 23 (31,08%) crianças. Dez crianças (13,51%) apresentaram contagem anormal de linfócitos;
  • Dos 34 (45,95%) pacientes que apresentaram resultados de testes de ácidos nucleicos para patógenos respiratórios comuns, 19 (51,35%) apresentaram coinfecção com outros patógenos que não o SARS-CoV-2. A coinfecção mais comum foi por Mycoplasma pneumoniae. Outras coinfecções detectadas foram por: vírus sincicial respiratório (3 – 15.8%), vírus Epstein-Barr (3 – 15.8%), citomegalovírus (3 – 15.8%) e Influenza A e B (1 – 5.3%);
  • Dez (13,51%) crianças fizeram análise de RT-PCR para amostras fecais. Oito delas mostraram duração prolongada de RNA do SARS-CoV-2;
  • A tomografia computadorizada de tórax encontrou alterações em um ou ambos os pulmões da metade dos pacientes pediátricos. A maioria não foi específica para infecção por SARS-CoV-2, enquanto os adultos geralmente têm áreas multifocais de sombras em vidro fosco e infiltração bilateral.

 

Os pesquisadores descreveram que o estudo apresentou as seguintes limitações:

  • O rápido surto de Covid-19 e a falta de medidas específicas de contenção no estágio inicial causaram pânico na comunidade e nos hospitais, sendo assim, não foi possível coletar informações epidemiológicas completas de seis pacientes;
  • Somente exames de sangue de rotina, bioquímica e biomarcadores para infecção, foram analisados neste estudo devido a diferentes padrões para testes laboratoriais entre os dois hospitais;
  • Não foi possível medir as cargas virais ou detectar a presença de SARS-CoV-2 em swabs nasofaríngeos e amostras fecais de todos os pacientes;
  • Foram analisados somente os patógenos respiratórios comuns em crianças que foram admitidas em hospitais durante a fase posterior do surto. Mas os pesquisadores acreditam que esses 74 casos com prontuários médicos completos durante o período de hospitalização e acompanhamento sejam bons representantes dos pacientes pediátricos da Covid-19 na China.

 

Wu e colaboradores concluíram que a alta taxa de coinfecção em crianças destaca a importância da triagem de SARS-CoV-2, especialmente durante a alta temporada para resfriados, gripe e outras doenças respiratórias na faixa etária pediátrica.

Autor(a):

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Consultora científica (Medical Science Liaison) na Mundipharma. Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB. Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referências bibliográficas:

  • Wu Q, Xing Y, Shi L, et al. Co-infection and other clinical characteristics of Covid-19 in children. Pediatrics. 2020; doi: 10.1542/peds.2020-0961

#Infecções por coronavírus em #crianças: o que sabemos até agora?

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Desde 31 de dezembro de 2019, quando os primeiros casos da doença causada pelo SARS-CoV-2 começaram a aparecer na China, o mundo vem observando a disseminação do novo coronavírus até o ponto da Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhecer uma situação de pandemia. No entanto, muitas dúvidas têm sido levantadas a respeito das infecções causadas pelo vírus, em especial na faixa etária pediátrica.

Tentando minimizar essas dúvidas, o jornal The Pediatric Infectious Disease Journal publicou, no último dia 12, um artigo intitulado “Coronavirus Infections in Children including COVID-19: An Overview of the Epidemiology, Clinical Features, Diagnosis, Treatment and Prevention Options in Children”. O artigo aborda as principais características relacionadas às infecções por coronavírus, incluindo a COVID-19 (termo usado para a doença clínica causada pelo SARS-CoV-2).

Infecções por coronavírus

Embora o assunto tenha tomado maior dimensão nos últimos meses, as infecções por coronavírus não são novidades. Quatro coronavírus já circulam habitualmente entre os seres humanos: HCoV2-229E, HCoV-HKU1, HCoV-NL63 e HCoV-OC43. Além disso, já foram descritas duas epidemias por novos coronavírus: em 2002, na China, pelo SARS-CoV e em 2012 na Arábia Saudita pelo MERS-CoV.

Os coronavírus são reconhecidos por sua capacidade de rápida mutação e recombinação, levando a novos coronavírus que se disseminam de animais para seres humanos. Dessa forma, supõe-se que o novo coronavírus SARS-CoV-2 seja uma mutação de coronavírus relacionados a morcegos, embora ainda não se tenha certeza de qual animal serviu como hospedeiro intermediário nessa transição.

Os quatro coronavírus habitualmente presentes nos seres humanos, citados acima, são encontrados em 4-6% de crianças hospitalizadas, principalmente em crianças abaixo de três anos e crianças com doenças cardíacas. Podem causar coinfecções com outros vírus respiratórios.

O SARS-CoV e o MERS-CoV podem causar doenças respiratórias graves com alta taxa de letalidade: 50% em pessoas maiores de 60 anos para o SARS-CoV e 20-40 % para o MERS-CoV. As epidemias ocorridas em 2002 e 2012, respectivamente, se caracterizaram por um processo de supertransmissão relacionada a cuidados de saúde, com número reprodutivo viral de 22 pessoas infectadas por caso para o SARS-CoV e 30 para o MERS-CoV.

Desde 2003, não se observa infecções humanas por SARS-CoV, embora o vírus ainda seja encontrado em morcegos, com possibilidade real de retorno de infecções. O MERS-CoV ainda apresenta transmissão zoonótica para seres humanos, devido ao contato com dromedários (que são os reservatórios da doença) em algumas comunidades do Oriente Médio.

 

Características do SARS-CoV-2

O SARS-CoV-2 apresenta sua principal forma de disseminação relacionada ao contato pessoal. Seu número reprodutivo viral é de 2,7 pessoas infectadas por caso, com média de período de incubação entre 5-6 dias. Até o momento, estima-se que já causou mais de 100 mil infecções com 3.500 mortes em mais de 100 países, com tendência a aumento desses números.

Com relação a crianças, o estudo sugere que as crianças apresentam quadros clínicos mais leves que os adultos, incluindo muitos relatos de infecções assintomáticas. Porém, a relevância de portadores assintomáticos para a transmissão da doença ainda não está estabelecida.

Os sinais e sintomas descritos em crianças incluem: febre, tosse, rinite, fadiga, cefaleia, diarreia, e nos casos graves, dispneia, cianose e dificuldades para se alimentar, embora a proporção de cada sintoma não esteja especificada.

As alterações laboratoriais mais comuns encontradas em crianças são semelhantes às observadas nas infecções pelos outros coronavírus, e incluem neutropenia , linfopenia e trombocitopenia. A proteína C reativa e níveis de procalcitonina costumam encontrar-se normais. Em casos graves, pode haver alterações hepáticas e distúrbios de coagulação. As alterações radiológicas costumam ser mais brandas que em adultos e incluem opacidades irregulares com padrão em vidro fosco e infiltrados em partes médias ou externas do pulmão ou subpleurais. O diagnóstico é confirmado através de PCR-RT em secreções de vias aéreas superiores ou inferiores, com maior positividade em secreções de vias aéreas inferiores, onde se encontra maior carga viral.

O tratamento ainda é de suporte, incluindo o uso de cefalosporinas de segunda ou terceira geração em casos de infecção bacteriana associada. A suplementação de oxigênio e o controle adequado de fluidos também são indicados.

O uso de antivirais como o lopinavir/ritonavir foi descrito para o tratamento do SARS-CoV-2, mas ainda não existe embasamento científico para o uso rotineiro dessa ou de outras medicações.

 

Cuidados para evitar a transmissão nosocomial

Como ocorreu nas epidemias de SARS-CoV e MERS-CoV, uma preocupação importante nos cuidados de crianças portadoras do vírus é a redução do risco de transmissão nosocomial. Dessa forma, o artigo enfatiza a necessidade de uso de equipamentos de proteção individual (EPI) adequados (gorros, máscaras N95, luvas descartáveis, e protetores oculares e/ou faciais); isolamento e quarentena de indivíduos com história de febre, sintomas respiratórios e história de contato com pessoas doentes; internação em quartos com isolamento respiratório e pressão negativa; uso de aspiradores e ventilação mecânica com sistema de circuito fechado e filtros virais; e, se necessário utilizar nebulização ou ventilação não invasiva, não realizar isso em enfermarias abertas.

Autor:

Dolores Henriques

Médica formada pela UNIRIO ⦁ Residência médica em pediatria pelo HUPE/UERJ ⦁ Médica concursada do Ministério da Educação (Colégio Pedro II e CEFET-RJ) ⦁ Tem experiência nas áreas de Terapia Intensiva Pediátrica, Pediatria Geral e Medicina de Urgência.

Referências bibliográficas:

#Cresce o número de hospitalizações de #crianças por #transtornos mentais

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adolescente conversando com terapeuta sobre transtornos mentais

As crianças e adolescentes estão sofrendo mais com transtornos mentais e comportamentais no país, indica um estudo da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com base em dados do Ministério da Saúde.

Dados do levantamento mostram que as internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) de jovens por conta de transtornos mentais aumentaram assustadores 107% nos últimos nove anos.

 

Quando consideradas apenas as hospitalizações relacionadas a transtornos de humor na faixa etária de dez a 14 anos, o índice sobe para 300%. No total, são quase 25 mil internações no período. Já na faixa etária de 15 a 19 anos, foram mais de 130 mil casos em uma década.

Conforme a médica do Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da SBP, Ana Márcia Guimarães Alves, é preciso que os médicos saibam identificar os diferentes sintomas que as faixas etárias apresentam.

“Mais perto da adolescência, a depressão vai se parecendo mais com a do adulto. É mais tristeza, melancolia. Já nas crianças menores podem ser medos excessivos, fobias, transtornos do sono, dificuldade em ganhar peso e no crescimento, adoecimentos frequentes, dores inexplicáveis”, explica Ana Márcia Alves.

Transtornos mentais em crianças e adolescentes

A avaliação da Sociedade Brasileira de Pediatria indica que o aumento das hospitalizações pode estar relacionado ao avanço da depressão no século 21. A maioria das ocorrências é motivada por quadros de transtorno de humor, estresse e outras doenças.

Entre as razões também estão registrados transtornos causados pelo uso de substâncias psicoativas, como medicamentos, alucinógenos, maconha e álcool. O aumento da intervenção dessa causa foi de 41%.

Para Ana Márcia Guimarães Alves é importante alertar aos pais que prestem atenção aos fatores ambientais que podem ser mais controlados, como o excesso de mídia e exposição a telas, a falta de limites e regras, a negligência dos pais, a falta de afeto, as agendas sobrecarregadas das crianças que têm que cumprir uma atividade intelectual muito grande e não têm tempo livre e até a falta de uma alimentação adequada.

Entre as situações de risco para identificar a propensão ao desenvolvimento de algum problema emocional estão a ocorrência de dificuldades emocionais durante gestação, o histórico familiar, as tentativas de suicídios, o estresse tóxico na infância, o abuso sexual, entre outros.

Na opinião da Sociedade Brasileira de Pediatria, o momento é de instrução para os pediatras identificarem melhor os quadros, o mais precocemente possível. E, se for preciso, encaminhar ao especialista. A orientação médica é que as famílias não ignorem a possibilidade de doenças, como a depressão e os transtornos psicológicos na infância.

O perigo dos transtornos alimentares

Para a psiquiatra Paula Hartmann, residente pela Universidade Federal Fluminense, foi muito válida a divulgação dos resultados da pesquisa, mas achou curioso que a Sociedade Brasileira de Pediatria focasse tanto nos transtornos de humor, sendo que uma importante causa de internação em clínicas pediátricas seja o transtorno alimentar.

Os principais sintomas físicos dos transtornos alimentares são peso abaixo do normal (IMC menor ou igual 17,5 CID-10), medo exagerado em engordar e distorção da imagem corporal. Apresenta como sintomas psíquicos o perfeccionismo, controle, rigidez, introversão, retração social e pensamentos obsessivos.

 

Presença de doença mental na família é sinal de alerta

Paula Hartmann também enfatiza que a presença de doença mental na família é um aspecto interessante a ser investigado pelos pediatras no momento da consulta com crianças e adolescentes.

“Um fator importante que está em vários artigos científicos é que filhos de pais com algum transtorno mental estão entre a população mais vulnerável. Isso deve ser um sinal de alerta para os pediatras. Lembrando que os transtornos mentais são, geralmente, multifatoriais, não tem uma causa única. Os transtornos de humor, por exemplo, apresenta uma genética forte, mas não somente isso”, esclarece a psiquiatra.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Autor:

Úrsula Neves
Úrsula Neves

Referência bibliográfica:

#Crianças que não tomam #café da manhã podem deixar de receber #nutrientes-chave

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Shereen Lehman

(Reuters Health) – Um estudo do Reino Unido sugere que as crianças que não têm o costume de tomar café da manhã têm maior probabilidade de não receber todos os seus nutrientes essenciais diários recomendados.

A equipe de pesquisa descobriu que as crianças que não tomavam café da manhã todos os dias apresentaram menor probabilidade de receber ferro, cálcio, iodo e folato suficientes, em comparação com crianças que tomavam café da manhã diariamente.

“Uma proporção bem maior de crianças que tomavam café da manhã alcançou a ingestão recomendada destes nutrientes em comparação com as que não tomavam café da manhã”, assinalaram as coautoras Gerda Pot e Janine Coulthard (Kings College London) à Reuters Health em uma entrevista feita por e-mail.

“Estas descobertas sugerem que tomar café da manhã pode ter um papel importante para garantir que uma criança consuma estes micronutrientes de maneira suficiente”, explicaram Gerda e Janine.

Embora crianças mais velhas fossem mais propensas a não tomar café da manhã, o déficit de nutrientes foi maior quando crianças mais novas não faziam esta refeição.

“Nossa pesquisa indicou que, embora uma proporção menor de crianças entre quatro e 10 anos não tomem café da manhã regularmente, em comparação com crianças de 11 a 18 anos, foram observadas maiores deficiências de micronutrientes no grupo mais jovem, ao comparar os dias em que tomaram café da manhã e os dias em que não o tomaram. Pode, portanto, ser particularmente importante garantir que este grupo mais jovem tome um café da manhã saudável, seja em casa ou na escola.”

Os pesquisadores examinaram a rotina de alimentação de quase 1.700 crianças com idades entre quatro e 18 anos por quatro dias. As informações foram adquiridas por meio de uma pesquisa nacional anual sobre dieta e nutrição entre 2008 e 2012.

Café da manhã foi definido como consumo de mais de 100 calorias de 6h a 9h. Em geral, em torno de 31% das crianças tomavam café da manhã diariamente, 17% nunca tomavam, e o restante tomava de forma irregular. Neste grupo os pesquisadores também compararam as diferenças na ingestão de nutrientes pela mesma criança em dias diferentes. A equipe detectou que 6,5% das crianças com idades entre quatro e 10 anos não tomavam café da manhã nunca, em comparação com aproximadamente 27% das crianças com 11 a 18 anos.

As meninas foram mais propensas que os meninos a não tomar o café da manhã, e a renda familiar tendia a ser maior entre as crianças que tomavam café da manhã todos os dias.

Mais de 30% das crianças que não tomavam café da manhã não ingeriram ferro suficiente durante o dia, em comparação com menos de 5% das crianças que tomavam café da manhã, relataram os pesquisadores no British Journal of Nutrition, publicado on-line em 17 de agosto.

Em torno de 20% das crianças que não tomavam café da manhã tinham baixos níveis de cálcio e iodo, em comparação com aproximadamente 3% das crianças que faziam regularmente esta refeição. Cerca de 7% das crianças que não tomavam café da manhã apresentaram baixas taxas de folato, em comparação com nenhuma criança no grupo que fazia a refeição. Os pesquisadores descobriram que a ingestão de gordura aumentou quando as crianças não tomavam café da manhã.

As crianças que não tomaram o café da manhã não pareceram compensar a falta dele consumindo mais calorias mais tarde durante o resto do dia. Na verdade, as que não tomavam café da manhã acabavam ingerindo o mesmo número ou menos calorias totais do que as crianças que faziam a refeição todos os dias.

Certificar-se de que as crianças tomem café da manhã parece mais difícil no grupo de mais idade, que possivelmente recebe menos supervisão dos pais, indicaram Gerda e Janine.

“Uma tática seria envolver as crianças no preparo do café da manhã, talvez deixando algo pronto na noite anterior, se houver pouco tempo de manhã.”

As autoras verificaram que há uma grande variedade de receitas saudáveis, simples e saborosas disponíveis nas mídias sociais, que as crianças podem escolher, acrescentando que os pequenos poderiam inclusive postar on-line uma foto das suas criações.

FONTE: http://bit.ly/2wjszk0

Br J Nutr 2017.

Inseticidas “seguros” associados a problemas neurocomportamentais em crianças

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Batya Swift Yasgur

 

A exposição pré-natal e infantil a inseticidas piretroides pode afetar de forma adversa o desenvolvimento neurocomportamental em crianças até os seis anos de idade, revela uma nova pesquisa.

Um grupo de pesquisadores franceses liderados pelos Drs. Jean-François Viel e Andreas G. Franke, ambos da University of Mainz (Alemanha), investigou as associações entre a exposição aos inseticidas piretroides e habilidades comportamentais em crianças de seis anos.

Piretroides são produtos químicos sintéticos amplamente utilizados em ambientes agrícolas. Eles também são encontrados em uma gama de produtos, incluindo repelentes de mosquitos e tratamentos para piolhos, escabiose e pulgas. A população em geral é exposta a piretroides por meio da dieta e de usos no interior das residências (ou seja, por ingestão e por via dérmica e inalatória).

Com o uso de um desenho longitudinal, os pesquisadores avaliaram a exposição a piretroides em crianças antes do nascimento e aos seis anos de idade. Eles observaram que em crianças de seis anos, concentrações pré-natais aumentadas do metabolito cis-dimetilciclopropano ácido carbólico estavam associadas a dificuldades de internalização. Uma associação positiva também foi encontrada entre a presença de ácido 3-fenoxibenzoico na infância (3-AFB) e dificuldades de externalização.

“O presente estudo sugere que a exposição a certos piretroides nas doses ambientais baixas encontradas pelo público em geral pode estar associada a distúrbios comportamentais de internalização e externalização em crianças”, disse o Dr. Viel ao Medscape.

“Os comportamentos de internalização são inibidos e excessivamente controlados na natureza, enquanto as crianças com comportamentos externalizantes sofrem de condições desafiadoras como déficit de atenção, hiperatividade e oposição”, explicou ele.

O estudo foi publicado on-line em primeiro de março no periódico Occupational and Environmental Medicine.

Neurotoxinas

Pesquisas recentes apontando para as consequências adversas para a saúde da exposição a inseticidas organofosforados levaram ao uso crescente de inseticidas piretroides, que foram considerados uma alternativa mais segura. No entanto, os piretroides são neurotóxicos em insetos, e estudos em animais sugerem potencial de toxicidade ao desenvolvimento neurológico em seres humanos.

Pesquisas anteriores mostraram uma associação entre níveis urinários aumentados de metabólitos piretroides em crianças e transtornos como autismo ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), mas a exposição a inseticidas piretroides, tanto antes do nascimento quanto durante a infância, não foi pesquisada.

“Pouca atenção foi dada à potencial neurotoxicidade dos piretroides em seres humanos, razão pela qual decidimos realizar este estudo”, relatou o Dr. Viel.

Os pesquisadores usaram um desenho longitudinal para avaliar a relação entre as concentrações de piretroide pré-natal e infantil, usando dados do estudo francês mãe-filho PELAGIE. Esse estudo inscreveu 3421 mulheres grávidas da Bretanha, França, entre 2002 e 2006. Desta coorte, 287 mães escolhidas aleatoriamente concordaram em participar do acompanhamento neuropsicológico.

As mães se inscreveram na primeira consulta pré-natal antes da décima nona semana de gestação e preencheram um questionário sobre características familiares, sociais e demográficas, bem como dieta e estilo de vida.

A equipe médica das maternidades forneceu informações sobre gestação, parto, peso ao nascimento e saúde neonatal das mulheres e seus recém-nascidos. Quando os filhos das participantes alcançaram seis anos de idade as mães preencheram um questionário para fornecer informações sobre características sociodemográficas e fatores de estilo de vida, bem como informações sobre o comportamento dos filhos, saúde e exposição ambiental.

Os psicólogos, que estavam cegos aos níveis de exposição aos piretroides nos participantes do estudo, realizaram avaliações do neurodesenvolvimento e entrevistas maternas para avaliar o ambiente doméstico. Eles também coletaram amostras de urina das crianças, bem como amostras de poeira.

Os pesquisadores avaliaram ou ajustaram diversos fatores de risco, incluindo preditores conhecidos de problemas de desenvolvimento neurológico e consideraram informações sobre exposições ambientais neurotóxicas adicionais a partir de substâncias como inseticidas organofosforados e fumaça do tabaco.

Os comportamentos das crianças foram estudados utilizando-se três subescalas (comportamento pró-social, transtornos de internalização e transtornos de externalização) do Questionário de Força e Dificuldades, que é um dispositivo de rastreio breve usado em pesquisa epidemiológica para identificar crianças em alto risco de transtornos de saúde mental.

Os níveis de cinco metabolitos piretroides (trans-dimetilciclopropano ácido carboxílico, DCAC, cis-DCAC, cis-3-(2,2-dibromovinil)-2,2-DCAC, cis-DBAC, ácido 3-fenoxibenzoico, 3-AFB, e 4-fluoro-3-AFB, 4-F-3-AFB) foram avaliados em amostras de urina materna e infantil coletadas entre seis e 19 semanas de gestação e aos seis anos de idade.

Os pesquisadores observaram uma associação entre o aumento das concentrações de cis-DCAC pré-natal e as dificuldades de internalização (valor de P Cox = 0,05).

Eles também encontraram uma associação positiva entre as concentrações de 3-AFB e dificuldades de externalização (valor de P Cox = 0,04). Além disso, foram encontradas odd ratios (ORs) elevadas para comportamento social anormal ou limítrofe (OR, 2,93, intervalo de confiança, IC, de 95%, 1,27 – 6,78 e OR, 1,91; IC de 95%, 0,80-4,57 para as categorias de concentração intermediária e alta de metabólitos, respectivamente).

Uma das limitações do estudo é que “avaliar a exposição aos piretroides em amostras de urina é um desafio, porque eles são eliminados pelo corpo em apenas alguns dias, com substancial variabilidade na mesma criança”, observam os pesquisadores.

O estudo teve importantes pontos positivos, incluindo o desenho longitudinal, “que analisa a associação entre exposição a piretroides e dificuldades comportamentais na infância em dois momentos – durante o primeiro trimestre da gravidez e aos seis anos de idade”, comentou o Dr. Viel.

“Estamos cautelosos porque este é um estudo observacional, por isso não podemos tirar conclusões sólidas baseadas simplesmente em uma associação”, acrescentou. Ainda assim, “acreditamos que os clínicos gerais devem estar cientes desses resultados”.

“Contribuição importante”

“Eu acho que este é um bom estudo, e seus métodos são sólidos”, comentou Kimberly Yolton, professora de pediatria, University of Cincintti College of Medicine e da Divisão de Pediatria Geral e Comunitária, Cincinnati Children’s Hospital Medical Center, Ohio, que não esteve envolvida no estudo.

“Os pesquisadores mediram muitas covariáveis ​​que outros não levam em consideração, como o ambiente doméstico e o QI materno”, disse ela ao Medscape.

No entanto, ela observou que os pesquisadores “não esclarecem completamente o impacto potencial do tabagismo, que estava presente em 41% dos ambientes domésticos e em cerca de 25% das mães quando foram avaliadas durante a gravidez”.

Ainda assim, o estudo “traz uma contribuição importante” porque “nos permite observar as exposições pré-natais e aquelas que ocorrem durante a infância, o que nos possibilita entender mais sobre o impacto desses produtos químicos”.

Ela enfatizou que os piretroides estão se tornando mais comuns e exigem mais pesquisas.

O Dr. Viel concordou. “Estamos cientes de que nossa pesquisa deve ser confirmada por outros estudos, e agora precisamos deles mais do que nunca”, disse ele.

Ele observou que o estudo está em andamento e vai reavaliar as crianças com aproximadamente 11 a 12 anos de idade.

“Esta questão acaba de chamar a atenção, por isso acreditamos que outros estudos trabalhando em outras coortes mãe-filho devem se concentrar nestes pesticidas”, afirmou.

Este estudo foi financiado por Agência Nacional de Pesquisa Francesa, Fundação Pfizer francesa e Instituto de Pesquisa Francês para Saúde Pública. Os autores do estudo e o Dr. Yolton declararam não possuir conflitos de interesse relevantes.

Occup Environ Med. Publicado on-line em 1º de março de 2017. Artigo

Uso de mídias sociais pelos pais pode trazer danos às crianças, alertam pesquisadores

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San Francisco — Os pais podem causar danos à reputação dos filhos ao compartilharem muito sobre eles nas mídias sociais, dizem pesquisadores.

A professora de pediatria Bahareh Keith, e a professora de direito Stacey Steinberg, ambas da University of Florida, em Gainesville, se uniram na busca por diretrizes para o uso de mídias sociais por cuidadores.

“Queremos mudar o discurso social de forma a equilibrar o direito dos pais de compartilharem com o direito dos filhos à privacidade”, disse Stacey ao Medscape.

Dra. Bahareh e Stacey apresentaram seu trabalho na Conferência e Mostra Nacional de 2016 da American Academy of Pediatrics (AAP).

Os pais podem se beneficiar do suporte emocional e de conselhos práticos obtidos ao discutir experiências com outros pais em fóruns on-line, concordam as professoras. “A mídia social pode ser uma ferramenta maravilhosa”, disse Stacey.

Mas os pais frequentemente postam informações privadas sem considerar que isso resulta em um registro indelével, por vezes público. “A informação que os pais colocam no universo digital pode alcançar o passado e o futuro distantes da criança”, acrescentou Stacey.

Por exemplo, um comentário sobre a dificuldade dos pais no treinamento de toalete da criança pode aparecer em uma busca na internet quando ela estiver enfrentando bullying cibernético no ensino médio ou mesmo se candidatando a um emprego.

Fotografias podem ser copiadas e compartilhadas de forma repetida, chegando a uma audiência muito maior que o intencionado pelos pais.

Um estudo na Austrália mostrou que metade das fotografias em sites de pedofilia foram pirateadas de mídias sociais. “Essa informação me deu calafrios”, disse a Dra. Bahareh ao Medscape. “Isso quantifica um risco muito maior que eu imaginava. Não eram fotos de nudez parcial, eram apenas fotos de pessoas fazendo coisas normais. Isso é extremamente perturbador”.

Alguns países europeus reconheceram o direito legal a privacidade que permite que um indivíduo force as companhias de internet a deletar informações ou links para websites. Mas os Estados Unidos ainda não estabeleceram essa questão legal, disse Stacey, que é ex-promotora.

Os direitos da criança à privacidade estão consagrados na Convenção de Direitos da Criança das Nações Unidas. Mas o senado dos Estados Unidos nunca ratificou esse tratado.

O governo dos Estados Unidos coloca a liberdade de expressão à frente da privacidade, disse ela. A lei dá aos guardiões o papel de zelar pelas decisões sobre a privacidade da criança, mas nesse caso os pais têm um conflito de interesse.

E os problemas podem ir além do constrangimento, alertou a Dr. Bahareh. Sequestradores ou ladrões de identidade também podem fazer uso dessas informações postadas sobre as crianças. Algumas vezes a informação sobre o momento e o local de uma fotografia está nos metadados anexados à imagem.

“É onde entra o modelo da saúde pública”, disse Dra. Bahareh. “É extremamente efetivo”. Os pediatras podem oferecer guias para os pais, antecipando informações sobre o uso de mídias sociais, assim como oferecem instruções sobre o uso de assentos no carro ou síndrome da morte súbita do lactente”, acrescentou.

As duas pesquisadoras recomendam as seguintes precauções para os pais:

  • Conheça as políticas de privacidade de suas mídias sociais.
  • Ajuste notificações de alerta para quando o nome de seu filho estiver on-line e disponível por uma busca no Google.
  • Se decidir compartilhar informações sobre questões comportamentais de seu filho considere fazê-lo de forma anônima.
  • Tenha cuidado ao compartilhar a localização de seu filho.
  • Considere dar a crianças mais velhas “poder de veto” sobre publicações on-line.
  • Considere os riscos antes de postar imagens de crianças com qualquer forma de nudez.
  • Considere o efeito que um compartilhamento pode ter no bem-estar futuro de seu filho.

É difícil determinar o quanto de dano já foi causado, pois existe muito pouca pesquisa sobre essa questão, ressaltou a Dra. Bahareh.

“Isso é novo”, concordou o Dr. Dimitri Christakis, professor de pediatria e diretor do Center for Child Health, Behavior and Development,em Seattle, Washington. “É importante. É algo para se pensar a respeito.

Quando os filhos dele se tornaram adolescentes, eles o repreenderam por postar fotos deles no Facebook sem permissão, contou o Dr. Christakis.

Os pediatras tipicamente aconselham os adolescentes a terem cuidado com o que postam, pois isso leva a uma impressão digital, disse ele ao Medscape.

“Mas nós não aconselhamos os pais. A maioria dos pais provavelmente tem menos noção que os nossos pacientes”, disse ele.

Stacey Steinberg, Dra. Bahareh, e o Dr. Christakis declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Conferência Nacional de 2016 da American Academy of Pediatrics (AAP): Resumo 319978. Apresentado em 22 de outubro de 2016.

Crianças consomem 5 milhões de psicofármacos em Portugal

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Não há margem para dúvidas e quem o diz é a Direção Geral da Saúde: as crianças portuguesas até aos 14 anos consomem mais de 5 milhões de doses por ano de psicofármacos relacionados com as anfetaminas, como a Ritalina. Estas prescrições pretendem tratar a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) caracterizada por problemas em prestar e manter a atenção, hiperatividade ou impulsividade. Mas a forma de diagnosticar e tratar este problema muda conforme o local onde se está. Pelo menos 9% das crianças norte-americanas em idade escolar foram diagnosticadas com PHDA e estão medicadas, enquanto que em França a percentagem desce para 0,5%.

EM FRANÇA NÃO HÁ PDAH?

A vasta maioria dos psiquiatras infantis norte-americanos considera que esta perturbação é de ordem biológica com causas também biológicas, sendo o tratamento concordante: medicações psicoestimulantes. Já os especialistas franceses preferem encarar este problema como o resultado do contexto social em que a criança está inserida, procurando aí as causas do sofrimento da criança. Marylin Wedge, terapeuta e autora de A Disease Called Childhood (Uma doença chamada Infância) destaca o contraste desta visão com a tendência americana de atribuir todos os sintomas da uma disfunção biológica tal como um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

A especialista explica, num post de sua autoria, que os psiquiatras franceses não utilizam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais que os psiquiatras americanos e não recorrem ao Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM, preferindo um sistema de classificação alternativo que se foca na “identificação e tratamento das causas psicossociais subjacentes aos sintomas da criança, em vez de procurar os melhores pensos rápidos com os quais mascarar os sintomas”.

Esta abordagem conduz a uma redução do número de diagnósticos de PHDA, cuja definição é menos abrangente do que a do sistema Americano – a qual, na opinião de Wedge, tende a “encarar como psicologicamente anormal muito daquilo que é o comportamento normal da criança”.

MEDICALIZAÇÃO DESNECESSÁRIA

Pedro Brás, psicoterapeuta da Clínica da Mente, concorda com esta opinião de que, hoje em dia, ocorre um excesso de diagnósticos focado no tratamento dos sintomas, sem observar as causas:

«O grande problema do nosso tempo é haver uma tendência para caracterizar os comportamentos humanos, sendo que os comportamentos que diferem do pré-estabelecido são considerados “anormais”. Sendo assim, estamos a ser influenciados para acreditarmos que temos um “problema”, quando na verdade apenas somos diferentes! Infelizmente, hoje em dia é comum considerar que as crianças que manifestam ansiedade e que se expressam com a excitação normal de quem tem medo, e com o medo perdem o foco nos estudos, têm Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH); os idosos que se sentem sós e choram, estão com Depressão; os trabalhadores com dificuldades em gerir a relação com os superiores e estão sujeitos a grande pressão têm transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Em suma, há um excesso de diagnósticos e com isto, ou, por isso, uma medicalização desnecessária, fazendo crer que as pessoas estão nos estados que estão por estarem doentes, e como doentes a cura é tomar remédios. Mas neste caso os remédios só remedeiam o estado, tentando neutralizar os sintomas, e criando, por outro lado, mais sintomas com os seus efeitos adversos… e entramos numa bola de neve.»

Enquanto a perspetiva francesa analisa, então, fatores como alimentação (como o consumo de corantes e conservantes) e filosofias de educação (como a implementação de regras, de horários e de limites), a americana foca-se no tratamento dos sintomas, privilegiando e encorajando o tratamento farmacológico.

EFEITO DOS QUÍMICOS NO CRESCIMENTO

Mas as consequências desta “ligeireza” no diagnóstico e tratamento medicamentoso da hiperatividade infantil não podem ser ignoradas. Álvaro Carvalho, coordenador para o programa de Saúde Mental, destaca, à RTP3, que“efetivamente, é contra indicado controlar quimicamente qualquer pessoa, muito menos crianças, seja com que fármaco for”, e que “temos a presunção que, sendo substâncias que vão interferir no comportamento das crianças, são potencialmente lesivas”. A administração indevida destes medicamentos é tão ou mais preocupante por se falar de seres em desenvolvimento: “No caso das crianças, como são seres humanos em maturação, em evolução. Estarmos a administrar psicofármacos, sejam eles quais forem, o que vai perturbar esse processo de amadurecimento”, adverte o especialista. As situações de “tensão familiar ou dificuldade de adaptação na escola”, deixam a criança mais inquieta, e a prescrição de substâncias anti-psicóticas em casos de maior dificuldade de integração do ponto de vista comportamental é muitas vezes precipitada, segundo aponta o especialista, que salienta: “Há casos em que muito rapidamente se passa à utilização de substâncias que só deviam ser dadas em psicoses, que são doenças mentais graves.”
O coordenador para a Saúde Mental nota ainda a “grande pressão da indústria farmacêutica”, à qual interessa que as dificuldades comportamentais “sejam consideradas doença”, opinião com que Pedro Brás concorda, em conversa com o Correio da Manhã: “obrigar as crianças a alterar os seus comportamentos com psicofármacos é um crime”.

As vozes de Wedge, Álvaro Carvalho e Pedro Brás são uníssonas: há um excesso de diagnósticos de PHDA e o tratamento medicamentoso é precipitado, banalizado e ineficaz. A melhor forma de abordar os problemas de comportamento nas crianças é estudando a sua envolvente e intervindo a nível psicoterapêutico, já que as causas dos problemas de comportamento residirão, essencialmente, na falta de rotinas e regras bem definidas e na ansiedade e medo normais que as crianças sentem.

Texto por Rita Bastos

Texto por Rita Bastos. Clinica da Mente. Porto

Crianças consomem 5 milhões de psicofármacos em Portugal

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Não há margem para dúvidas e quem o diz é a Direção Geral da Saúde: as crianças portuguesas até aos 14 anos consomem mais de 5 milhões de doses por ano de psicofármacos relacionados com as anfetaminas, como a Ritalina. Estas prescrições pretendem tratar a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) caracterizada por problemas em prestar e manter a atenção, hiperatividade ou impulsividade. Mas a forma de diagnosticar e tratar este problema muda conforme o local onde se está. Pelo menos 9% das crianças norte-americanas em idade escolar foram diagnosticadas com PHDA e estão medicadas, enquanto que em França a percentagem desce para 0,5%.

Em França não há PDAH?

A vasta maioria dos psiquiatras infantis norte-americanos considera que esta perturbação é de ordem biológica com causas também biológicas, sendo o tratamento concordante: medicações psicoestimulantes. Já os especialistas franceses preferem encarar este problema como o resultado do contexto social em que a criança está inserida, procurando aí as causas do sofrimento da criança. Marylin Wedge, terapeuta e autora de A Disease Called Childhood (Uma doença chamada Infância) destaca o contraste desta visão com a tendência americana de atribuir todos os sintomas da uma disfunção biológica tal como um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

A especialista explica, num post de sua autoria, que os psiquiatras franceses não utilizam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais que os psiquiatras americanos e não recorrem ao Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM, preferindo um sistema de classificação alternativo que se foca na “identificação e tratamento das causas psicossociais subjacentes aos sintomas da criança, em vez de procurar os melhores pensos rápidos com os quais mascarar os sintomas”.

Esta abordagem conduz a uma redução do número de diagnósticos de PHDA, cuja definição é menos abrangente do que a do sistema Americano – a qual, na opinião de Wedge, tende a “encarar como psicologicamente anormal muito daquilo que é o comportamento normal da criança”.

Medicalização Desnecessária

Pedro Brás, psicoterapeuta da Clínica da Mente, concorda com esta opinião de que, hoje em dia, ocorre um excesso de diagnósticos focado no tratamento dos sintomas, sem observar as causas:

«O grande problema do nosso tempo é haver uma tendência para caracterizar os comportamentos humanos, sendo que os comportamentos que diferem do pré-estabelecido são considerados “anormais”. Sendo assim, estamos a ser influenciados para acreditarmos que temos um “problema”, quando na verdade apenas somos diferentes! Infelizmente, hoje em dia é comum considerar que as crianças que manifestam ansiedade e que se expressam com a excitação normal de quem tem medo, e com o medo perdem o foco nos estudos, têm Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH); os idosos que se sentem sós e choram, estão com Depressão; os trabalhadores com dificuldades em gerir a relação com os superiores e estão sujeitos a grande pressão têm transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Em suma, há um excesso de diagnósticos e com isto, ou, por isso, uma medicalização desnecessária, fazendo crer que as pessoas estão nos estados que estão por estarem doentes, e como doentes a cura é tomar remédios. Mas neste caso os remédios só remedeiam o estado, tentando neutralizar os sintomas, e criando, por outro lado, mais sintomas com os seus efeitos adversos… e entramos numa bola de neve.»

Enquanto a perspetiva francesa analisa, então, fatores como alimentação (como o consumo de corantes e conservantes) e filosofias de educação (como a implementação de regras, de horários e de limites), a americana foca-se no tratamento dos sintomas, privilegiando e encorajando o tratamento farmacológico.

Efeito dos químicos no crescimento

Mas as consequências desta “ligeireza” no diagnóstico e tratamento medicamentoso da hiperatividade infantil não podem ser ignoradas. Álvaro Carvalho, coordenador para o programa de Saúde Mental, destaca, à RTP3, que “efetivamente, é contra indicado controlar quimicamente qualquer pessoa, muito menos crianças, seja com que fármaco for”, e que “temos a presunção que, sendo substâncias que vão interferir no comportamento das crianças, são potencialmente lesivas”. A administração indevida destes medicamentos é tão ou mais preocupante por se falar de seres em desenvolvimento: “No caso das crianças, como são seres humanos em maturação, em evolução. Estarmos a administrar psicofármacos, sejam eles quais forem, o que vai perturbar esse processo de amadurecimento”, adverte o especialista. As situações de “tensão familiar ou dificuldade de adaptação na escola”, deixam a criança mais inquieta, e a prescrição de substâncias anti-psicóticas em casos de maior dificuldade de integração do ponto de vista comportamental é muitas vezes precipitada, segundo aponta o especialista, que salienta: “Há casos em que muito rapidamente se passa à utilização de substâncias que só deviam ser dadas em psicoses, que são doenças mentais graves.”
O coordenador para a Saúde Mental nota ainda a “grande pressão da indústria farmacêutica”, à qual interessa que as dificuldades comportamentais “sejam consideradas doença”, opinião com que Pedro Brás concorda, em conversa com o Correio da Manhã: “obrigar as crianças a alterar os seus comportamentos com psicofármacos é um crime”.

As vozes de Wedge, Álvaro Carvalho e Pedro Brás são uníssonas: há um excesso de diagnósticos de PHDA e o tratamento medicamentoso é precipitado, banalizado e ineficaz. A melhor forma de abordar os problemas de comportamento nas crianças é estudando a sua envolvente e intervindo a nível psicoterapêutico, já que as causas dos problemas de comportamento residirão, essencialmente, na falta de rotinas e regras bem definidas e na ansiedade e medo normais que as crianças sentem.

Texto por Rita Bastos. Clínica da Mente. Porto

Saúde Mental nas Crianças

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Saúde Mental nas Crianças

Perturbações mentais são todos os conflitos emocionais que a criança tem que lhe trazem infelicidade.

Existem três fatores que condicionam o bem-estar mental da criança: Fatores Ambientais, Emocionais (distúrbios) e Biológicos.

Fatores Ambientais:

A criança é um ser humano em formação. Ao longo dos seus primeiros 18 anos de vida, a criança apreende a cultura da sociedade no ambiente que a envolve.

Esta aprendizagem é fundamental para um correto enquadramento social. Só somos felizes se os nossos comportamentos não entrarem em conflito com a sociedade. Então, só a correta aprendizagem dos valores e crenças, ou seja, da cultura do nosso povo, nos deixa sentir seguros e integrados.

Por processos de aprendizagem errados, tais como a convivência familiar desestruturada, falta de disciplina, bullying e as mais diversas formas de violência e agressões, as crianças desenvolvem valores e crenças errados que os tornam diferentes dos outros, com comportamentos que os isolam da sociedade, que dificultam a integração social, criando conflitos internos como a Depressão, Ansiedade, Perturbações Obsessivo-Compulsivas, Fobia Social, entre outros.

Tratamento: Cabe aos tutores (Pais, familiares e professores) mudarem as circunstâncias ambientais que levam à perturbação do jovem, quer seja mudar a atitude educacional como capacitando o jovem com uma estrutura emocional mais reativa, adequada ao ambiente em que ele vive. O tratamento psicoterapêutico é necessário na correção de estados já perturbadores.

Fatores Emocionais:

Tal como os adultos, as crianças podem desenvolver comportamentos perturbadores do seu bem-estar mental, como os Ataques de Pânico, Pensamentos Obsessivos e Depressão por Angústia, como resultado de distúrbios emocionais. Um distúrbio emocional acontece quando há uma má percepção da experiência que se vive. Estes erros de entendimento sobre o que sentimos podem levar a um distúrbio mental, em que sentimos sensações de mau estar contínuas sem razões aparentes, como a Perturbação Cíclica da Ansiedade (Ataques de Pânico) ou a Perturbação Cíclica da Angústia (Depressão por Angústia).

Tratamento: Intervenção Psicoterapêutica adequada na mudança de percepções das experiências vividas.

Fatores Biológicos:

A genética humana é semelhante entre os indivíduos. No entanto, nalguns seres humanos observam-se alterações genéticas que definem um padrão comportamental diferente dos demais. O cérebro, sendo um órgão do corpo humano, pode, em alguns indivíduos, desenvolver características diferentes.

Algumas crianças são diferentes no seu comportamento, por causa do seu diferente cérebro: estamos a falar dos jovens com Autismo, Asperger, Esquizofrenia, Demência, entre outras. Estas doenças do cérebro condicionam os comportamentos, desenquadrando a criança com o meio que a envolve, criando infelicidade e mau estar na criança.

Tratamento: O principal tratamento é aceitar essas crianças como diferentes, com características comportamentais próprias – mas crianças. Compreendendo a diferença e interagindo com as crianças respeitando as suas diferenças, estamos a criar crianças felizes. Não é isso que queremos? Crianças felizes?

Só nos fatores biológicos deverá ser admissível o uso de psicofármacos, pois nos casos de perturbações Ambientais e Emocionais, os psicofármacos apenas atuam nos sintomas, afetando a capacidade da criança de viver uma infância com energia e a vitalidade normal necessárias à correta aprendizagem.

Fonte: Pedro Brás, Psicoterapeuta HBM