depressão

#Ansiedade é o transtorno mais comum entre os brasileiros durante a #pandemia

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homem com ansiedade em consulta com psicóloga

Segundo uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, a ansiedade é o transtorno mais presente durante a pandemia de Covid-19. Além da ansiedade, encontrada em 86,5% dos respondentes, foi constatada uma presença moderada de transtorno do estresse pós-traumático (45,5%). A proporção de depressão grave foi um pouco mais baixa, 16%.

O Ministério divulgou os resultados preliminares ontem, dia 29. A pesquisa foi feita por meio de um questionário online, que ficou disponível de 23 de abril a 15 de maio deste ano. O objetivo era analisar o impacto da pandemia e isolamento social na saúde mental do brasileiro.

A primeira amostra do estudo envolveu 17.491 pessoas com idade média de 38,2 anos (variação de 18 e 92 anos), das quais 98,1% não tinham sido diagnosticadas com Covid-19. Entre eles, 20,2% eram profissionais de saúde.

Do total, a maioria era do sexo feminino (71,9%), de raça/cor autorreferida branca (61,3%), casados (44,3%), residentes em bairros populares (46,8%) e com renda mensal variando entre R$1.049,00 e R$2.096,00 (24,3%).

Segundo os dados divulgados, 25% deles concluíram ensino superior e trabalharam para uma pessoa ou empresa privada (25,5%), e 18% eram desempregados. Entre os que trabalhavam, 31% continuavam trabalhando presencialmente e 93% adotaram o distanciamento social.

Saúde mental na pandemia de Covid-19

Na avaliação de transtornos mentais, 12.676 indivíduos preencheram a escala de avaliação de ansiedade já instalada e 11.444 responderam sobre sintomas de ansiedade. As escalas com sintomas de depressão e transtorno do estresse pós-traumático foram preenchidos por 11.150 e 9.015 pessoas.

O questionário tinha uma primeira parte, sobre questões sociodemográficas, e uma segunda sobre saúde mental, utilizando escalas de rastreio. Pessoas que deixaram o contato na pesquisa também estão sendo monitoradas sobre a evolução de seus transtornos mentais.

Essa foi a primeira fase do estudo, que ainda está avaliando o uso de álcool e drogas em sua segunda etapa, com questionário divulgado no mês de agosto, e terá também uma terceira fase. Os dados gerais serão divulgados em dezembro.

Ansiedade em profissionais de saúde

Desde o início da pandemia, foi observado que a ansiedade está só presente na população em geral e, principalmente, nos profissionais de saúde atuantes na linha de frente. Um artigo publicado em abril no JAMA, que falamos aqui no Portal, procurou avaliar os principais motivos de apreensão dos profissionais nas primeiras semanas de pandemia.

Os resultados apontaram oito possíveis fontes de ansiedade:

  • Acesso aos equipamentos de proteção individual (EPI);
  • Ser exposto à doença e retransmiti-la a seus familiares;
  • Medo de não ter acesso aos testes diagnósticos caso apresentem sintomas e de infectar os colegas do trabalho;
  • Insegurança sobre o que acontecerá a eles ou seus familiares caso desenvolvam a doença;
  • Preocuparem-se sobre os cuidados dos seus filhos e familiares quando a sua carga horária de trabalho aumentar;
  • Preocupação sobre as necessidades de suas famílias e de seu abastecimento enquanto estiverem sob maior demanda de trabalho;
  • Questionamentos se conseguirão desempenhar bem suas atividades, caso sejam transferidos para outro setor ou outra área (ex: equipe que não está acostumada com terapia intensiva ser transferida para um CTI);
  • Restrição de acesso à informação e comunicação.

 

Burnout e Covid-19

No Brasil, a PEBMED realizou uma pesquisa com profissionais da área de saúde e concluiu que a prevalência do burnout é de 83% nos médicos que estão na linha de frente, e 71% naqueles que não estão atuando no combate ao novo coronavírus.

Ao todo, a prevalência da síndrome foi de 78% entre os respondentes, sendo 79% entre médicos, 74% entre enfermeiros e 64% entre técnicos de enfermagem. Para avaliar o esgotamento profissional, foi utilizada a escala Oldenburg Burnout Inventory (OLBI), que define o burnout como a interseção entre exaustão e desengajamento.

O estudo transversal foi realizado com autoavaliação dos profissionais por meio de um questionário online. Dos 3.613 participantes, 2.932 eram médicos, 457 enfermeiros e 224 técnicos de enfermagem.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

#Emergências em #pediatria: #depressão, #ansiedade e a relação com #asma

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asma é uma doença crônica comum na infância, responsável por 1,7 milhões de idas ao departamento de emergência (DE) anualmente nos Estados Unidos. Ansiedade e depressão também são causas cada vez mais comuns de visitas aos DE e são condições comuns de saúde mental pediátrica. Estima-se que a prevalência de ansiedade esteja entre 6 a 13% em pacientes pediátricos com menos de 18 anos de idade, e a prevalência de depressão varia de 2% em crianças pré-púberes a 5 a 8% em adolescentes.

Os diagnósticos de ansiedade e depressão frequentemente ocorrem juntos em pediatria. Estudos em adultos com asma sugerem que um diagnóstico de ansiedade ou depressão está associado a um maior uso dos cuidados de saúde relacionados à asma. No entanto, essa associação entre ansiedade e depressão e aumento do uso desses cuidados relacionados à asma ainda não havia sido avaliada em crianças.

Avaliar essa associação em pacientes pediátricos com asma foi o objetivo do estudo Depression, Anxiety, and Emergency Department Use for Asthma, de Bardach e colaboradores (2019), publicado na revista americana Pediatrics.

 

Depressão e ansiedade em pacientes asmáticos

Os pesquisadores identificaram pacientes asmáticos com idades entre seis e 21 anos através do Massachusetts All-Payer Claims Database, de 2014 a 2015, usando os códigos de Classificação Internacional de Doenças, Nona e Décima Revisão (International Classification of Diseases, Ninth and 10th Revision).

Os autores avaliaram a associação entre a presença de ansiedade, depressão ou ansiedade e depressão concomitantes e a taxa de visitas aos DE relacionadas à asma por 100 crianças-ano usando análises bivariadas e multivariáveis com regressão binomial negativa.

Resultados

  • Foram identificados 65.342 pacientes com asma. Destes pacientes, 24,7% tiveram diagnóstico de ansiedade, depressão ou ambos (11,2% apenas de ansiedade, 5,8% apenas de depressão e 7,7% ambos);
  • A taxa geral de uso do DE relacionada à asma foi de 17,1 consultas por 100 crianças-ano [intervalo de confiança de 95% (IC 95%): 16,7–17,5];
  • Controlando por idade, sexo, tipo de plano de saúde e outras doenças crônicas:
  • Os pacientes com ansiedade tiveram uma taxa de 18,9 (IC 95%: 17,0-20,8) visitas aos DE por 100 crianças-ano;
  • Os pacientes com depressão tiveram uma taxa de 21,7 (IC 95%: 18,3–25,0) visitas aos DE por 100 crianças-ano;
  • Os pacientes com depressão e ansiedade apresentaram uma taxa de 27,6 (IC95%: 24,8–30,3) visitas aos DE por 100 crianças-ano;
  • Essas taxas foram mais altas que as dos pacientes que não tiveram diagnóstico de ansiedade ou depressão (15,5 visitas por 100 crianças-ano; IC95%: 14,5-16,4; P, 0,001).

 

Conclusão

Barache e colaboradores (2019) concluíram que crianças com asma e ansiedade e/ou depressão apresentam taxas mais altas de uso dos DE relacionadas à asma em comparação com aquelas crianças sem esses diagnósticos psiquiátricos.

No entanto, são necessárias mais pesquisas para determinar se a coordenação intensiva de gestão e cuidados para pacientes pediátricos com asma com ansiedade e/ou depressão pode reduzir esse aumento da dependência de cuidados de emergência.

Autor:

Roberta Esteves Vieira de Castro
Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), do Hospital Caxias D’Or (Duque de Caxias) e do Hospital Getúlio Vargas Filho (Getulinho – Niterói). Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referências bibliográficas:

  • BARDACH, N. S. et al. Depression, Anxiety, and Emergency Department Use for Asthma. Pediatrics, v.144, n.4, e20190856, 2019.

DEPRESSÃO

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O que é a Depressão?

A Depressão é um transtorno emocional/psicológico caracterizado por sentimentos de angústia e tristeza profunda. A tristeza é normal, todos nós nos sentimos tristes em algum momento, mas quando não conseguimos gerir as emoções, a nossa paz interior é afetada e perdemos a energia que nos move para viver uma vida feliz.

A palavra Depressão deriva do latim deprimere, que significa “prensar, esmagar, afundar”. O sentimento mais comum de uma pessoa deprimida é a angústia e o aperto sentido quando pensamos ou estamos em situações de vida que nos perturbam e entristecem.

A Depressão, quando não tratada, pode tornar-se numa espiral de angústia tão grave, que a morte  pode parecer a única saída.

SINAIS A QUE DEVE ESTAR ATENTO

  • Sente-se triste sem motivo aparente
  • Tem vontade de chorar frequentemente, mesmo sem motivo aparente
  • Perdeu o interesse por atividades que anteriormente lhe davam prazer
  • Sente-se cansado e esgotado, sem vontade de fazer nada
  • Critica-se constantemente e sente-se inútil
  • Tem problemas de concentração e lapsos de memória frequentes
  • Sente dores de cabeça, de costas ou de estômago sem haver uma causa física
  • Deseja morrer porque a morte parece a única saída para acabar com a angústia

Causas

São as más experiências do passado que nos trazem angústia e tristeza. Sentimos angústia sempre que nos deparamos com experiências que quebram o estado de motivação, como ofensas, incompreensões, violência, entre tantas outras circunstâncias que nos retiram a paz interior e a alegria. Muitas vezes, sofremos com experiências que colidem com os nossos sonhos, com as nossas ambições e que prejudicam a nossa auto-estima e auto-confiança.

Experiências como traumas, violência infantil, bullying, divórcios, relacionamentos difíceis, podem ser vividos com uma intensidade tal que se pode tornar difícil ultrapassá-las.

Quando as emoções causadas por essas experiências não são geridas nem ultrapassadas entramos num estado de Depressão.

Sintomas

  • Tristeza
  • Cansaço
  • Desmotivação
  • Alteração do sono
  • Apatia
  • Crises de choro
  • Sentimentos de inutilidade
  • Irritabilidade
  • Sintomas de culpa
  • Diminuição do desejo sexual
  • Ideias de morte

Tratamento

As emoções como o medo, a mágoa e a tristeza, sentidas na Depressão, se não forem tratadas, destroem a nossa qualidade de vida, incapacitando-nos de sermos felizes.

O tratamento mais usado é ainda o farmacológico, com recurso a medicamentos que atuam exclusivamente nos sintomas de Depressão. No entanto, a medicação nem sempre resulta e os efeitos secundários provocados são muito negativos. A toma regular destes fármacos altera o pensamento e a capacidade de raciocínio.

Deve-se, portanto, trabalhar nas causas da Depressão, e não nos sintomas, sendo a Psicoterapia o caminho mais indicado para as pessoas que sofrem desta perturbação.

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#Há uma relação direta entre a #Depressão e a #Ansiedade?

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Muitas vezes, a Ansiedade e a Depressão são estados vividos em simultâneo. Mas resta saber: há uma relação de causalidade?

Por JOANA MENDES

À primeira vista, a Ansiedade e a Depressão são perturbações psicológicas totalmente distintas e até contrárias. Ainda assim, é bastante comum uma mesma pessoa apresentar sintomas de ambos os estados, o que nos leva a ponderar: afinal, existe uma relação direta entre ambas?

 

O que distingue a Depressão da Ansiedade?

Clarificando, a Depressão refere-se a um estado caracterizado por sentimentos de uma tristeza profunda que se traduz num sentimento muito forte de Angústia. O chamado aperto no peito quando se deteta que existem situações que perturbam ou incomodam mais do que seria esperado.

Já a Ansiedade é um sentimento de tensão que na sua essência se alimenta do medo. De facto, o medo serve como um mecanismo adaptativo importante para a sobrevivência da espécie. Fugimos daquilo que consideramos perigoso. Porém, quando situações normais são vividas como ameaçadoras, todo o nosso corpo responde com sensações de fuga e evitamento.

O 1º estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental veio apontar a Depressão como a 3ª principal doença causadora de morbilidade nas mulheres e 4ª doença nos homens, contribuindo para cerca de 70% dos suicídios em Portugal. Já a Ansiedade afeta cerca de meio milhão de portugueses. Estes números são de tal forma alarmantes que é necessário compreender o verdadeiro impacto destes dois estados no dia-a-dia das pessoas, percebendo igualmente que muitas vezes não são estanques e ocorrem em simultâneo.

 

Será a Depressão alimentada por um estado de Ansiedade?

Assim sendo, clinicamente estes dois estados sobrepõem-se e é muito frequente, em consulta, ouvir relatos de pessoas com sintomas como tremores, tensão muscular, taquicardia. Como nem sempre compreendemos o que se está a passar, estas sensações físicas acabam por se traduzir em períodos de desalento e angústia profunda. Quando nos debruçamos sobre o seu estado, percebemos que, na maioria das vezes, as pessoas estão numa espiral de sensações de Depressão alimentadas por um estado de Ansiedade.

Uma pessoa com Ansiedade ou Ataques de Pânico tem um desgaste físico e psicológico enorme. Isto é, as constantes crises são tão incapacitantes que as pessoas se sentem completamente bloqueadas, impotentes na sua recuperação. Muitas vezes, as pessoas não se conseguem libertar deste sofrimento, o que dá origem ao desespero e a um enorme desalento. São estes sentimentos que provocam um estado de tristeza profunda e mesmo de Depressão.

O Modelo Psicoterapêutico HBM permite-nos compreender quais as verdadeiras causas dos problemas emocionais de quem nos procura. Com as perguntas certas, é possível perceber o que nasceu primeiro e de que forma é que a Ansiedade e a Depressão sentidas estão relacionadas. Só assim é possível uma verdadeira recuperação emocional assente em mudanças profundas, que permitam construir um futuro assertivo e um desenvolvimento pessoal no alcance do seu potencial máximo.

#As Diferentes Apresentações da #Depressão e a Relação com a #Bipolaridade.

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A depressão é a síndrome mental mais comum e está presente em até 25% da população ao longo da vida, o que significa que 1/4 das pessoas experimentará um episódio depressivo ao longo de sua história.

Por ser muito comum, o entendimento do que é depressão difere entre o público leigo e os médicos. Hoje em dia, uma tristeza passageira ou uma reação de luto pela perda de uma pessoa querida são logo definidas como depressão pelo público. A depressão tem sido relacionada pela mídia a uma reação natural das pessoas à modernidade, às dificuldades sócio-econômicas, às mudanças nas relações humanas e trabalhistas, como se o psiquismo de cada um respondesse da mesma maneira às condições adversas da vida.

Mas será que todos os estados que comumente definimos como depressão são considerados pela medicina como a mesma doença? Todas as formas de depressão são iguais e tratadas da mesma forma? Como diferenciar os estados depressivos bipolares e unipolares? Esse artigo é direcionado ao público em geral e pretende, através de uma linguagem acessível, explicar as variadas formas de depressão e seus tratamentos.

A seguir apresento os dois tipos principais de depressão atualmente aceitos pelos Manuais Diagnósticos de Psiquiatria.

A depressão melancólica ou clássica

Na década de 70 havia uma diferenciação entre depressão “endógena” e “exógena”. A “endógena” era considerada como um estado melancólico, de tristeza profunda, que “vinha de dentro” (por isso endógena), sem causa externa aparente. A depressão “exógena” era considerada reativa, deflagrada por traumas, perdas, separações, etc, e representava a maioria dos casos. Essa conceituação dividiu as depressões em reativas e não-reativas e era comum ouvir que a depressão verdadeira era aquela em que a pessoa não sabia o motivo da tristeza. Com a evolução dos estudos sobre a depressão e suas causas, essa classificação caiu por terra, reconhecendo-se que seja qual for a causa da depressão, tenha ela uma causa identificada (exógena) ou não (endógena), isso não era determinante para a sua gravidade, curso e prognóstico. Portanto, a maneira como cada um responderá ao ambiente, seja qual for a intensidade ou a qualidade do fator desencadeante, dependerá das características individuais de temperamento, personalidade, capacidade de solução de problemas e de superação das dificuldades.

Os pesquisadores passaram então a valorizar mais a apresentação sintomática das depressões do que propriamente suas causas, descrevendo com detalhes os sintomas depressivos, como a tristeza profunda, a apatia, o desânimo, o retardo psicomotor, a falta de vontade por vezes até para as atividades essenciais, como se alimentar, cuidar de sua higiene, arrumar-se, etc.

A depressão clássica é considerada pelos seguintes sintomas, com duração superior a duas semanas consecutivas, trazendo prejuízos para a vida familiar, social ou laborativa:

Tristeza durante a maior parte do dia e num grau que cause algum prejuízo para as atividades: pacientes que choram com facilidade ou a maior parte do tempo, que têm um olhar e uma fisionomia triste, que são melancólicos, pessimistas, derrotistas. Em geral os pacientes se queixam de uma tristeza mais forte pela manhã, aliviando um pouco ao longo do dia e à noite. Em casos graves, o paciente pode estar tão triste que desenvolve o que chamamos de “sentimento de falta de sentimento”, ou seja, o paciente está tão deprimido, que não consegue sequer experimentar tristeza.

Desânimo: falta de vontade que pode se estender a tudo, inclusive falta de vontade de se alimentar, de tomar banho, de trocar de roupa, de arrumar-se, de sair de casa, de limpar a casa ou de fazer qualquer tarefa. O desânimo pode evoluir para total apatia, quando o paciente quase não fala, interage pouco com a família, tem um olhar vago e perdido, fica muito tempo parado numa mesma posição, totalmente desmotivado.

Anedonia ou falta de prazer: quando o paciente não tem prazer nas atividades das quais antes gostava, como exercícios, músicas, filmes, leituras, teatros, bate-papos, saídas com amigos, etc. O paciente deixa de se envolver em atividades prazerosas por não ser mais capaz de sentir prazer.

Pensamentos negativos, niilistas, de culpa, ideação suicida, baixa auto-estima: o pensamento na depressão está sempre afetado. O paciente pode pensar negativo, ser pessimista, achar que tudo vai dar errado, acreditar que não sirva mais para nada, culpando-se excessivamente, com baixa auto-estima, sem autoconfiança, julgando-se incapaz para tudo, e em casos graves pode ter delírios, em geral com conteúdos negativos, como, p.ex., achar que é culpado pela miséria do mundo, pela fome, pelas guerras, achar que tem uma doença grave ou que seus órgãos estão podres e sem funcionar (essa última conhecida como Síndrome de Cotard). O pensamento pode ficar lento, o paciente pode ter dificuldade em se expressar, em encadear suas idéias, ter a sensação de estar com a cabeça vazia, sem pensamentos.

Sensopercepção: o paciente pode perceber o mundo ao seu redor “preto e branco”, sem vida, achar as pessoas diferentes, etc. Em casos mais graves pode ter alucinações.

Motricidade: os movimentos podem estar lentos, assim como a fala. O paciente pode passar a maior parte do dia deitado ou sentado numa mesma posição. Em casos graves pode ocorrer a Catatonia, quando há ausência de resposta motora ou verbal ao meio, apesar do paciente estar acordado.

Sintomas neurovegetativos: pode ocorrer insônia, em geral insônia terminal, aquela em que o paciente dorme, mas acorda precocemente, às três ou 4h da manhã e não consegue dormir mais, vendo o dia clarear. Ocorre comumente inapetência ou perda do apetite, com conseqüente emagrecimento. Não é incomum pacientes graves darem entrada no hospital por desnutrição e serem diagnosticados como deprimidos graves somente nesse estágio. Outros sintomas como desidratação, constipação ou diarréia, perda de cabelo, lesões de pele, entre outras podem ser conseqüências dos sintomas depressivos anteriormente descritos.

Crítica de morbidade: o paciente pode não ter completa consciência do seu estado de saúde, pode recusar-se a ir ao médico ou menosprezar seus sintomas, pode recusar a medicação e atuar contra o tratamento, numa atitude para perpetuar a depressão, seja por questões suicidas ou por falta de vontade de melhorar.

Déficits cognitivos: a capacidade de concentração e a memória são as funções cognitivas mais comumente afetadas na depressão. O paciente pode ter dificuldade em manter o foco da atenção em atividades como leituras, produção de textos e cálculos, dificuldade para lembrar-se de fatos recentes (déficit de codificação de informações novas na memória) ou remotos (déficit de evocação de informações já armazenadas na memória). Entretanto, acometimentos mais extensos da memória, que podem se assemelhar a quadros demenciais, são raros e ocorrem apenas em depressões graves (chamamos de “pseudodemência”). Nesses casos, o paciente pode ficar desorientado no tempo e espaço, esquecer completamente de fatos recentes e ter dificuldade para aprender informações novas. O estado nutricional (p.ex. hipovitaminoses) pode contribuir para a deterioração cognitiva.

A Depressão Atípica

A depressão clássica e a atípica têm alguns sintomas em comum (tristeza, desânimo, anedonia, déficits cognitivos, etc), mas a atípica possui alguns sintomas opostos aos da depressão clássica: a característica central da depressão atípica é a oscilação do humor, conhecida por reatividade do humor. A reatividade do humor é a capacidade do paciente mudar seu humor, positiva ou negativamente, frente aos acontecimentos do dia-a-dia. Enquanto que na depressão clássica o humor varia pouco com fatos positivos e prazerosos, na depressão atípica o paciente pode ter uma melhora instantânea do humor diante de fatos positivos e o mesmo vale no caso dos fatos negativos, agravando o humor para o pólo depressivo. Outras características que definem a depressão atípica são a hipersonia, que é a necessidade aumentada de sono, com sonolência ao longo do dia ou vontade de ficar na cama “cochilando”, e a hiperfagia, que é o aumento do apetite, podendo ocorrer generalizadamente ou seletivamente para doces ou através de compulsões alimentares periódicas. Por isso, pacientes com depressão atípica têm uma tendência a ganhar peso. Outro aspecto é a hipersensibilidade à rejeição, quando o paciente responde muito negativamente, com raiva ou isolamento, a fatos cotidianos que lhe desagradam ou decepcionam, com pouca flexibilidade em aceitar outras alternativas além daquelas esperadas. Sensação de peso nas pernas (como se as pernas fossem de chumbo) também tem sido associada à depressão atípica. Clinicamente esses pacientes parecem “menos deprimidos” do que os deprimidos clássicos e muitas vezes têm dificuldade em reconhecer-se como deprimidos. Apesar do grande sofrimento (são mais ansiosos do que os deprimidos típicos), demoram a procurar ajuda médica e têm um curso mais crônico.

Outras Apresentações de Depressão

As depressões descritas a seguir não são classificações contidas nos Manuais Diagnósticos atuais, mas são tipos comumente encontrados na população e merecem ao meu ver uma consideração à parte. Além dos sintomas depressivos descritos anteriormente, elas cursam com sintomas adicionais que estão presentes em outras condições psiquiátricas e que modificam a apresentação clínica da depressão, muitas vezes dificultando o diagnóstico e alterando o curso evolutivo da doença. Na sua maioria, os sintomas depressivos que mais encontramos nesses subtipos são os que ocorrem na depressão atípica.

Depressão com Sintomas Obsessivo-compulsivos

Alguns pacientes adquirem, durante o episódio depressivo, compulsões, que são rituais repetitivos para descarregar a ansiedade, em geral provocada por pensamentos intrusivos e desagradáveis que chamamos de obsessões. Compulsões como de limpeza (lavar as mãos diversas vezes ao dia, tomar vários banhos, mania de limpar a casa, etc) por preocupação exagerada com a sujeira ou contaminação por germes da rua, compulsões de checagem, desenvolvendo o hábito de checar o gás para ver se ele está fechado, a porta de casa para ver se está trancada ou sair de casa e retornar diversas vezes para ver se a fechou direito, entre outras checagens, compulsões de arrumação e simetria, com fixação em arrumar a casa, armários, quartos, pertences pessoais ou dispor as coisas simetricamente, estão entre as compulsões mais comuns. O que difere esses pacientes daqueles com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é que as compulsões ocorrem exclusivamente durante o episódio depressivo. Em geral, esses pacientes livram-se completamente das compulsões com o tratamento e a remissão da depressão.

Depressão Ansiosa

A depressão é freqüentemente acompanhada por ansiedade, que pode se expressar de maneiras diversas no organismo, através de somatizações (dores, dormências, paralisias, desmaios), crises de pânico ou ansiedade generalizada (sudorese, taquicardia, tremores). Por vezes, a ansiedade é mais incômoda do que a própria depressão. Os pacientes com depressão ansiosa são muitas vezes inquietos e estão sob um risco maior de suicídio pela gravidade de seus sintomas ansiosos. Vale ressaltar subtipos que vemos com mais freqüência na população, como a Depressão com Ataques de Pânico, em que pacientes sem história prévia de Transtorno do Pânico desenvolvem ataques de pânico quando na fase depressiva, e a Depressão Fóbica, em que pacientes desenvolvem fobias variadas (como medo de sair na rua sozinho, medo de lugares fechados ou de transportes coletivos, fobia social, etc) como parte da depressão.

Depressão com Ataques de Raiva

A depressão pode vir acompanhada de ataques de ira e agressividade verbal e física. Nesses casos a família do paciente estranha esses comportamentos violentos, pois eles não eram habituais antes da depressão. A depressão com ataques de raiva freqüentemente vem acompanhada mais por irritabilidade e intolerância do que por humor deprimido propriamente dito, embora esses pacientes se sintam tristes. Cabe ressaltar que o comportamento violento nesses casos desperta depois um forte sentimento de culpa, fazendo com que o paciente se arrependa. Apesar disso, dado o forte componente impulsivo dessa depressão, ele tem dificuldade em se conter em situações que lhe despertem raiva.

Depressão com Compulsão por Comprar

Alguns pacientes têm necessidade de comprar durante a fase depressiva, indo a shoppings e supermercados para comprar objetos não necessariamente caros, como forma de aliviar temporariamente a angústia. Como o alivio é de curta duração, acabam comprando compulsivamente.

Depressão com Aceleração do Pensamento

O paciente fica durante a fase depressiva com muitos pensamentos confundindo a sua mente, às vezes com dificuldade de encadear suas idéias e se expressar, por sentir seus pensamentos acelerados. Costumam ter grande dificuldade de concentração e, conseqüentemente, alterações de memória, com esquecimentos freqüentes. A família percebe o paciente muito falante, mudando rapidamente de assunto, como se estivesse ligado numa tomada de 220 Volts.

Depressão Agitada

É o equivalente motor da depressão anteriormente descrita. Pacientes ficam inquietos, não conseguem ficar parados, andam de um lado a outro da casa, precisam estar sempre em atividade. Nos casos mais graves, os pacientes ficam extremamente agitados, podendo chegar à agressividade física ou a quebrar objetos, rasgar suas roupas, etc.

Depressão com Abuso de Substâncias Psicoativas

Alguns pacientes deprimidos sentem um desejo ou vontade aguçada de usar substâncias estimulantes ou entorpecentes (legais ou ilegais), como álcool, cafeína, anfetamina, maconha, cocaína, entre outras, e acabam fazendo uso abusivo dessas substâncias ao longo do episódio depressivo. Esses pacientes têm um risco maior de se tornarem dependentes de drogas.

Na prática clínica esses sintomas não se agrupam necessariamente dessa forma, sendo comum pacientes apresentarem um ou mais aspectos de diferentes subtipos de depressão. O fundamental é estar atento a sintomas que não são necessariamente depressivos, mas que podem estar presentes nas depressões, causando um sofrimento maior para o paciente e muitas vezes dificultando o diagnóstico e tratamento.

O Conceito de Bipolaridade

O Transtorno Bipolar do Humor (TBH) era conhecido há tempos atrás como transtorno maníaco-depressivo ou mais popularmente como PMD (psicose maníaco-depressiva). Ele foi inicialmente descrito no início do século passado por um psiquiatra alemão chamado Emil Kraepelin. Para entender o conceito novo de Espectro Bipolar, que inclui diferentes apresentações da antiga PMD, é necessário fazer um resgate histórico da descrição de Kraepelin.

Kraepelin considerava o TBH um continuum entre a depressão e a mania. A mania é descrita como um estado de elevação do humor, com euforia, sentimento de grandiosidade, eloqüência, hiper-excitabilidade, aumento de energia e vontade, perda de crítica e comportamento desinibido, diminuição da necessidade de sono, aumento da velocidade da fala e do pensamento, pressão para falar, aumento de libido, entre outros sintomas. Entre os extremos, denominados de pólo maníaco (mania) e pólo depressivo (depressão clássica), Kraepelin considerava estados mais leves de depressão (depressão leve) e de mania (hipomania) e estados mistos de humor (mistura de sintomas depressivos e maníacos ou hipomaníacos).

Os estados mistos de humor são mais difíceis de serem identificados e Kraepelin considerava haver ao menos cinco tipos. Para reconhecê-los, Kraepelin considerava três funções psíquicas centrais: humor, pensamento e psicomotricidade.

Os estados mistos resultariam da discrepância entre essas três funções, quando humor, pensamento e psicomotricidade deixassem de apontar num mesmo sentido. Assim sendo, um quadro com humor deprimido com pensamento e/ou motricidade acelerados seria considerado como estado misto. Veja a tabela a seguir com os 5 tipos mistos de Kraepelin destacados em negrito.

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Tipos Humor Pensamento Psicomotricidade
Mania elevado acelerado acelerada
Depressão deprimido lentificado acelerada
Mania depressiva deprimido acelerado acelerada
Mania irascível irritado acelerado acelerada
Mania ansiosa ansioso acelerado acelerada
Depressão agitada deprimido lentificado acelerada
Depressão com fuga de idéias deprimido acelerado lento

Esses conceitos vem sendo atualmente trabalhados por pesquisadores como Hagop Akiskal para uma melhor adequação ao espectro bipolar.

Hipomania

Segundo estudos recentes, a hipomania e os estados mistos do humor estariam sendo sub-diagnosticados, inflando a categoria diagnóstica de Depressão Unipolar (aquela que cursa somente com episódios depressivos puros, sem mania, hipomania ou estados mistos). Alguns autores apontam para até 60% de erro diagnóstico, ou seja, numa amostra de pacientes diagnosticados como Depressão Unipolar haveria até 60% de pacientes deprimidos com TBH (depressão bipolar). Isso em grande parte decorre da dificuldade em se fazer um diagnóstico de hipomania ou de estado misto.

A hipomania é mais difícil de reconhecer do que a mania, pois muitos sintomas hipomaníacos podem ser considerados “normais” ou aceitos dentro de um determinado contexto sócio-cultural. Akiskal dividiu, então, aspectos da hipomania em uma parte boa (sunny side) e outra ruim (dark side).

O Lado Azul da Hipomania (Sunny side of Hypomania)

· Menor necessidade de sono;
· Mais energia e desejo;
· Maior autoconfiança;
· Maior motivação para o trabalho;
· Mais atividades sociais;
· Mais atividade física (inclusive no trabalho);
· Mais planos e idéias;
· Menos inibição e menos timidez;
· Mais falante do que o usual;
· Humor extremamente alegre, eufórico;
· Mais trocadilhos, piadas e brincadeiras, rindo mais;
· Pensamento mais ágil.

O Lado Negro da Hipomania (Dark side of Hypomania)

· Mais viagens;
· Direção imprudente;
· Aumento de gastos e/ou compras;
· Comportamento “tolo”, infantil, inconseqüênte no trabalho e em investimentos;
· Mais irritável impaciente;
· Muito distraído, com dificuldade de focar a atenção por muito tempo;
· Aumento do desejo e interesse sexual podendo afetar o comportamento sexual(promiscuidade, envolvimentos afetivos desastrosos);
· Aumento do consumo de café e cigarros;
· Aumento do consumo de bebidas alcoólicas.

A hipomania pode durar de dias a semanas, mas alguns pacientes oscilam de humor rapidamente dentro de um mesmo dia, podendo variar de sintomas depressivos a sintomas hipomaníacos em questão de horas. Nos episódios mistos, os sintomas hipomaníacos coincidem com sintomas depressivos. É o caso de um paciente que tem humor deprimido, mas mantém uma vida social agitada, bebe um pouco a mais, tem períodos de alegria ou euforia, não perde a libido, faz gastos excessivos, compra demais, consome muito café e mantém-se ativo.

Episódios Mistos e Temperamento

O aumento da atividade, seja ideativa (através da aceleração do pensamento), seja motora (através da inquietação e hiperatividade), tem sido considerado como aspecto central dos episódios mistos, o qual permite diferenciar a depressão clássica ou “pura”, da depressão com algum componente hipomaníaco.

O temperamento da pessoa parece ter uma participação fundamental na forma de apresentação da depressão ou da mania. Kraepelin descreveu 5 temperamentos distintos:

1. Temperamento depressivo – caracterizado por mau-humor preponderante, pessimismo, fatalismo, derrotismo, ou seja, o indivíduo conhecido como “rabugento”.

2. Temperamento hipertímico – caracterizado por humor preponderantemente alegre, extrovertido, comunicativo, simpático, com atitude teatral e cativante.

3. Temperamento ciclotímico – caracterizado por mudanças súbitas de humor e imprevisibilidade. A pessoa ora está bem humorada, ora está com mal-humor e irritabilidade.

4. Temperamento irritadiço – caracterizado por humor preponderantemente irritado, que facilmente explode, impaciente, com baixa tolerância à frustração.

5. Temperamento ansioso – caracterizado por humor ansioso, com sensações desagradáveis de ansiedade como tremores, sudorese ou taquicardia, sempre com reações ansiosas em situações específicas (provas, trabalho, entrevistas, situações sociais, etc).

O temperamento é o tônus afetivo que acompanha a pessoa ao longo da vida e certamente existirão outros tipos a serem descritos. Ele é o pano de fundo no qual se inserem os episódios afetivos maiores (p.ex. depressão ou mania). A interação desses dois pode resultar em apresentações diversas. Enquanto, p.ex., uma pessoa com temperamento depressivo (TD) estará mais propensa a desenvolver episódios puros de depressão (depressão+TD=depressão pura) e episódios mistos de mania (mania+TD=mania depressiva), uma pessoa com temperamento hipertímico (TH) tenderá a desenvolver episódios maníacos puros (mania+TH=mania pura) e episódios depressivos mistos (depressão+TH= depressão agitada).

O temperamento não é sinal de doença e nem de que aquela pessoa vá desenvolver um episódio afetivo maior, mas me parece razoável que o temperamento, como algo mais estável do que o humor, tenha um papel crucial na apresentação de uma depressão ou de uma mania naquela pessoa.

Grande parte das depressões consideradas no início desse artigo são depressões mistas ou bipolares, pois existem alguns sintomas que estão em direção oposta à depressão. As depressões agitada e ansiosa, p.ex., cursam com aumento da psicomotricidade, inquietação, ou mesmo agitação. As depressões com sintomas obsessivo-compulsivos ou com aceleração do pensamento cursam com aumento do trânsito de pensamentos ou mesmo com aceleração de idéias. As depressões com compulsão por comprar, com interesse maior em sexo ou com abuso de substâncias caracterizam-se por aumento do desejo canalizado para alguma atividade, o que não é habitual nas depressões clássicas. Nesses casos é importante pesquisarmos se há história de hipomania (o que com freqüência encontramos) ou mesmo mania, bem como entendermos o temperamento daquela pessoa para compreender que influências ele tem sobre os sintomas.

Depressão Bipolar

A depressão bipolar é caracterizada por sintomas depressivos, que geralmente são atípicos (reatividade do humor, hipersonia, hiperfagia), mas que também podem ser típicos ou clássicos (melancolia, lentificação do pensamento e da psicomotricidade, insônia, inapetência), pela presença ou não de sintomas mistos (não-depressivos), como p.ex. aceleração do pensamento, aumento de libido, aumento de gastos, aumento da atividade, e geralmente por uma história prévia de episódios hipomaníacos (mais freqüente) ou maníacos.

Contudo, é importante lembrar que a maioria dos transtornos bipolares do humor inicia-se por episódios depressivos e, dependendo do momento do diagnóstico, alguns pacientes não terão história prévia de episódios hipomaníacos ou maníacos. Nesses casos, o diagnóstico deve ser feito com base nos sintomas do episódio depressivo somente, o que pode ser particularmente difícil. Mas é fundamental um diagnóstico correto nessa fase, pois o uso de antidepressivos pode agravar o quadro ou mesmo desencadear um episódio maníaco indesejado. As apresentações depressivas descritas anteriormente são uma boa pista para o diagnóstico de depressão bipolar. Outra dica boa é a consideração de Kraepelin sobre estados mistos e estar atento aos aspectos mistos do humor num episodio depressivo (tristeza com aceleração do comportamento e/ou do pensamento). Na dúvida, a recomendação de pesquisadores como Akiskal é sempre “pensar bipolar”, principalmente se houver durante a depressão sinais de:

. Sintomas tipo pânico (taquicardia, falta de ar, sudorese, sensação de desmaio);
. Sintomas alimentares (compulsão alimentar, bulimia);
. Descontrole de impulsos (p.ex. agressividade, jogo patologico, cleptomania, comprar compulsivo);
. Sintomas obsessivo-compulsivos (compulsões – limpeza, checagem, simetria, etc, e obsessões);
. Ideação suicida intensa ou tentativas de suicídio;
. Fobias (medos injustificados, como de sair à rua sozinho, de freqüentar lugares fechados ou cheios, fobia social, etc);
. Sintomas psicóticos (alucinações, delírios, desorganização do pensamento e do comportamento);
. Abuso de substâncias estimulantes e/ou álcool;
. Presença de déficits cognitivos – alterações de atenção e memória, sem sintomas depressivos importantes que os justifiquem (dissociação cognitivo-psicopatológica).

São sinais de alerta para o diagnóstico de Transtorno Bipolar (independente do episódio atual ser depressivo, hipomaníaco ou maníaco):

. Início precoce (infância, adolescência ou idade adulto jovem);
. História familiar de bipolaridade;
. História familiar de alcoolismo, dependência química, suicídio, psicose;
. Abuso de substâncias (álcool, drogas ilícitas, anfetaminas);
. Transtornos de Ansiedade quando complexos, graves, atípicos ou difíceis de tratar (incluindo Pânico Transtorno Obsessivo-compulsivo – TOC, Fobia Social, Ansiedade Generalizada, Dismorfofobia, e outros como Bulimia e Transtornos do Impulso);
. Regra dos “3 ou mais”: 3 antidepressivos, 3 médicos, 3 diagnósticos/3 transtornos ansiosos, 3 casamentos, 3 trabalhos, 3 talentos, etc.

Depressão e TBH na Mulher

A depressão é duas vezes mais freqüente na mulher do que no homem e pode ocorrer sob influências dos hormônios femininos (estrogênio). São exemplos o Transtorno Disfórico Pré-menstrual (TDPM), a Depressão Puerperal ou Pós-parto e a Depressão na Perimenopausa ou Menopausa.

O TBH também é mais comum entre mulheres e as mulheres têm mais episódios depressivos e hipomaníacos do que os homens, com episódios maníacos equivalentes entre os sexos. Portanto, mulheres bipolares têm mais diagnósticos de depressão e usam mais antidepressivos. Essa talvez seja uma das razoes para as altas taxas de ciclagem rápida (mudança rápida de um pólo depressivo a um pólo maníaco/hipomaníaco e vice-versa) entre as mulheres (70% versus 20%).

As mulheres com TBH têm também maior comorbidade com doenças da tireóide, enxaquecas, obesidade e alcoolismo.

Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM)

O TDPM, vulgarmente conhecido como TPM, é sub-diagnosticado por ser uma condição de saúde pouco reconhecida como doença. Por motivos culturais, muitas mulheres aceitam os sintomas como “naturais” de seu ciclo hormonal.

O TDPM é um distúrbio do humor caracterizado por irritabilidade/intolerância, tristeza, ansiedade, maior sensibilidade e choro fácil, cansaço físico ou hipersonia, hiperfagia (geralmente para doces), que ocorre de dias a semanas antes da menstruação. Algumas mulheres têm a síndrome incompleta, de forma mais branda e poucos dias antes, não justificando um tratamento. Porém outras têm intenso sofrimento, até duas semanas antes da menstruação, com prejuízos para as suas relações pessoais e de trabalho, necessitando de tratamento.

O TDPM está associado a um risco maior da mulher desenvolver episódios afetivos ao longo da vida, particularmente depressivos. No Transtorno Bipolar do Humor o TDPM está presente em até 1/4 das mulheres. É comum mulheres com TDPM relatarem períodos em que se sentem numa “eterna TPM”, o que deve servir de alerta para um diagnóstico de episódio depressivo distinto.

Depressão Pós-parto

A depressão pós-parto ocorre em 10% das puérperas e tem início dias após o parto, podendo ocorrer mais tardiamente, dentro de um período de 6 meses. Ela deve ser diferenciada da tristeza pós-parto, muito mais freqüente.

Algumas particularidades da depressão pós-parto, para além dos sintomas depressivos gerais, são:

. Sentimento de fracasso e incompetência materna e sentimentos de culpa;
. Preocupações excessivas com a saúde e bem-estar do bebê, desenvolvendo gradativamente uma atitude superprotetora e cerceadora;
. Dependência emocional em relação ao bebê, com dificuldade de distanciar-se dele, de sair sozinha de casa, em casos graves não suportando ficar muito tempo em outro cômodo da casa que não seja na companhia dele;
. Desenvolve hábitos repetitivos (compulsivos), como de ir diversas vezes ao quarto do bebê para ver se está tudo bem, de tirar a temperatura, de examinar as fraldas, etc.
. Torna-se facilmente impaciente e pode ter reações agressivas e perder o controle com o bebê;
. Pode desenvolver crenças de que o bebê está doente, é frágil e que pode morrer.

Conseqüências principais:

. O bebê desenvolve um apego excessivo à mãe, com maior dificuldade para o desmame e adaptação a outros ambientes (p.ex. creche);
. O bebê fica mais ansioso e inquieto, dorme mal, chora mais;
. Prejuízos para o casamento, distanciamento do esposo, mudança qualitativa na relação homem-mulher;
. Dificuldade maior de retorno ao trabalho, com prolongamento da licença maternidade.

A depressão pós-parto pode agravar-se por idéias de suicídio da parte da mãe ou idéias de matar o bebê e se matar. Embora mais raro, podem ocorrer delírios e alucinações, evoluindo para uma Psicose Pós-parto.

A depressão pós-parto pode ser um episódio dentro de um transtorno do humor. Até 40% das mulheres com TBH tem o início do transtorno através de um episódio depressivo pós-parto e mais de 50% das pacientes com TBH tem recaídas por ocasião da gravidez e do parto. Ela pode ser crônica, com duração de até 1 ano, e até 70% das mulheres pode ter recaídas ao longo da vida, principalmente se a depressão pós-parto for um episódio de um TBH.

Depressão na Menopausa

A perimenopausa e a menopausa estão freqüentemente associadas à depressão. Essa aceitação também faz com que mulheres não procurem tratamento especializado, acreditando que a depressão é “natural e passageira”, o que é um equívoco. A depressão na menopausa pode ser crônica, incapacitante e está associada a um risco maior de suicídio. Os sintomas vasomotores da menopausa (fogachos, p.ex.) também são mais freqüentes entre mulheres deprimidas do que naquelas que passam pela menopausa sem depressão.

A depressão na menopausa também é mais comum em mulheres com história de depressão ou de TBH, época em que pode ocorrer uma piora dos sintomas. Depressão passada e uso de antidepressivos estão associados a um risco maior de menopausa precoce.

Tratamento

O tratamento dos episódios depressivos é em geral com medicamentos antidepressivos. Entretanto, em se tratando de um TBH, existe o risco do antidepressivo piorar os sintomas e a evolução da depressão, tornando-a crônica ou mesmo desencadeando um quadro oposto à depressão, como um quadro maníaco ou hipomaníaco (o que denominamos “virada maníaca”). Num paciente bipolar, o antidepressivo pode deixá-lo mais agressivo, impulsivo ou ansioso, pode piorar a ideação suicida e precipitar uma tentativa e esses sintomas devem servir de alerta para uma mudança no tratamento.

Os medicamentos que atualmente tratam com segurança e eficácia o TBH e a depressão bipolar são os estabilizadores de humor. Os mais conhecidos são: Carbonato de Lítio (Carbolitium), Ácido Valpróico (Depakote), Lamotrigina (Lamictal), Oxacarbazepina (Trileptal) e Carbamazepina (Tegretol). Cada um deles tem suas especificidades, efeitos colaterais e atuação diferenciada nas fases do TBH.

Outra classe de medicamentos que mais recentemente vem sendo indicada no tratamento do TBH é a dos antipsicóticos atípicos. Os principais são a Risperidona (Risperdal), a Olanzapina (Zyprexa), a Quetiapina (Seroquel), a Ziprasidona (Geodon), a Clozapina (Leponex) e o Aripiprazol (Abilify).

O tratamento do TBH freqüentemente necessita de associações de medicamentos para tratar os episódios e prevenir as recaídas. O antidepressivo pode ser necessário em associação com o estabilizador de humor para episódios depressivos mais graves. Associações de estabilizadores e antipsicóticos podem ser necessários para quadros maníacos, hipomaníacos, mistos ou com ciclagem rápida.

Casos refratários, ou seja, aqueles que não responderam às diferentes associações medicamentosas, devem ser elegíveis para a Eletroconvulsoterapia (ECT), popularmente conhecido como eletro-choque. O ECT é um procedimento médico, seguro, com bases científicas e eficácia reconhecida ao longo de décadas no tratamento de quadros psiquiátricos resistentes às medicações. Apesar do estigma e do preconceito criado em torno desse tratamento, hoje esse procedimento é feito sob anestesia, com supervisão de um psiquiatra e um anestesista, em clínicas preparadas para possíveis intercorrências clínicas, que são raras quando o tratamento é criteriosamente indicado. As principais entidades médicas internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), e nacionais, como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), regulamentaram o ECT como parte do arsenal terapêutico da psiquiatria. Na prática, vemos pacientes que não responderam aos tratamentos convencionais tendo seu sofrimento aliviado, permitindo uma melhor qualidade de vida para si e seus familiares.

O TBH pode ser um transtorno de boa evolução quando tratado adequadamente. Os principais fatores que contribuem para um pior prognóstico são:

. Ausência de crítica do paciente em relação à doença;
. Recusa em fazer o tratamento e tomar a medicação;
. Diagnóstico tardio;
. Demora em buscar um tratamento adequado;
. Uso de antidepressivos ao longo da vida;
. Uso de anfetaminas, álcool ou outras drogas;
. Ausência de suporte familiar e presença de ambiente familiar conflituoso;
. Ausência de uma psicoterapia adjuvante à medicação.

#11 formas de mostrar o seu #amor a alguém com #Depressão

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A Depressão não é uma escolha. Infelizmente, é a responsável pela criação de paredes entre as pessoas, a maioria das vezes, entre aqueles que mais se amam.

Não se limite a oferecer flores e chocolates, lembre-se da célebre frase d’O Principezinho, “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”. E não é que é mesmo? O indispensável é mostrar que ama aquela pessoa. Aqui encontra 11 formas de o fazer

namorados com o braço dado

1. Esteja lá quando a pessoa precisa

Um dos maiores medos de alguém que vive com Depressão é, precisamente, ficar sozinho. É importante que, se promete que estará lá nos piores momentos, efetivamente esteja. Isto pode passar por receber chamadas a horas em que preferiria estar a dormir, ouvir a pessoa a pessoa a chorar e consolá-la sem perceber muito bem porque está triste ou, simplesmente, sentar-se ao seu lado e mostrar que está lá para tudo.

2. Dê-lhe tempo quando necessário

Há dias em que o seu ou sua companheira sentirá que quer estar sozinha. Não tem energia para falar, não tem energia para ouvir. São momentos em que precisa de privacidade acima de tudo. Respeite. Se tem a certeza de que não está a ser afastado para que a pessoa possa fazer mal a si própria, dê-lhe espaço.

3. Incentive a fazer coisas diferentes

Planeie algo divertido: um piquenique ou um passeio à beira-mar.
Pode não lhe apetecer muito, mas é importante que procure fazer coisas que a façam sentir-se melhor. O contacto com a natureza é sempre saudável e uma boa aposta. Contudo, não a force a fazer o que não quer e compreenda que até as mais pequenas coisas se podem tornar em enormes desafios para quem sofre de Depressão.

4. Peça-lhe ajuda para entender o que ele ou ela está a sentir

Mostre que se importa, mostre que quer entender. Se a pessoa conseguir explicar o que está a sentir, será mais fácil para si ajudar. A partilha destes momentos pode ser uma forma de combater a solidão, de se sentir menos sozinho nesta caminhada. Mas não insista, nem sempre é possível explicar.

5. Oiça atentamente

Por vezes é preciso ouvir e apenas ouvir. Alguém que vive com Depressão é alguém que tem consciência de que os seus medos e angústias são irracionais, mas não os consegue evitar. Dizer-lhe isso não vai ajudar a pessoa a sentir-se melhor, vai fazê-la sentir-se julgada e pior com a situação. Por vezes, tudo o que ela precisa é de ventilar.

6. Tome conta da pessoa

A Depressão pode tornar as mais rotineiras tarefas absolutamente esgotantes. O que acontece é que deixa de haver energia e, até mesmo, vontade para tomar conta de si próprio. Faça pequenas coisas. Prepare-lhe uma refeição equilibrada, ou tome conta de determinadas tarefas enquanto o seu companheiro ou companheira relaxa.

7. Não culpe

Compreenda que a pessoa que ama não está feliz, não porque não quer, mas apenas porque não consegue. A verdade é que é muito difícil ser-se feliz quando tudo o que sente é Angústia, o tempo todo.

8. Não se culpe

Mas a culpa também não é sua. Não é porque não faz o suficiente.

9. Abrace

Todos estamos familiarizados com os poderes terapêuticos de um abraço. Libertam hormonas que nos relaxam, o que é perfeito para alguém que sofra de Depressão. Abrace muito e com força porque estará a ajudar a pessoa que ama.

10. Relembre a pessoa do quanto a ama

Relembre sempre que possível. Quando não nos amamos a nós próprios é muito complicado compreender porque é que alguém o fará. Lembre o seu companheiro ou companheira de todos os momentos felizes que passaram juntos.

11. Ajude a pessoa a ser ajudada

Perceba que o seu apoio é extremamente importante, mas não é suficiente. Incentive o seu companheiro ou companheira a encontrar ajuda especializada e a terapia certa. É importante, numa primeira fase, ajudar a pessoa a perceber que tem um problema, mas que este pode ser resolvido com ajuda profissional e, posteriormente, acompanhá-la ao longo da sua recuperação, lembrando que há momentos menos fáceis, mas que dias bem melhores virão para ficar.

Fonte: Clinica da Mente. Porto. Portugal

Depressão

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A Depressão é um estado emocional que nos retira a vontade de viver.

mulher sentada no chão com as mãos a tapar a cara num ambiente de tristezaDepressão é uma perturbação na qual são experienciadas emoções de Angústia, Tristeza, Frustração, Desânimo, Desmotivação, resultantes de experiências traumáticas vividas no passado, das quais ainda não nos conseguimos libertar. Muitas vezes, vivemos experiências que colidem com os nossos valores, com as nossas crenças, com os nossos objetivos, criando conflitos emocionais.

Estas emoções de tristeza, de mágoa e de revolta perturbam e deprimem-nos. Por vezes, estas emoções são muito fortes e, por isso, não nos conseguimos libertar emocionalmente delas. Vivemos, assim, muito tempo com este peso, com estas sensações e sentimentos, dia após dia, acumulando emoções negativas, o que nos leva a um estado de absoluta incapacidade para lidar com este estado emocional negativo. Quando chegamos a este estado emocional, ficamos sem recursos mentais, sem energia para estabelecermos os nossos objetivos, para vivermos de uma forma feliz.

CAUSAS DA DEPRESSÃO

A Depressão e a Ansiedade são, de facto, estados perturbadores e não desequilíbrios químicos.

As pessoas que sofrem de Depressão ou outra forma de perturbação emocional são pessoas que vivem estados emocionais tão fortes dos quais não se conseguem dissociar facilmente. A causa desta condição é a força emocional das experiências que viveram no seu passado.

Experiências como traumas, violência infantil, Bullying, divórcios, maus tratos diversos, podem ser vividos com uma intensidade tal que se torna difícil ultrapassar a dor que elas trazem. Estas emoções que não ultrapassamos, como o medo, a mágoa, a tristeza, ao longo do tempo destroem a sua qualidade de vida, limitando-nos na sua liberdade de sermos felizes.

As pessoas que não conseguem ultrapassar as dificuldades do passado não são as mais fracas, mas sim as que mais sentiram a dor ou o medo dessas experiências.

A medicina psiquiátrica distingue a Depressão pelas diversas manifestações, sintomas e consequências, intervindo apenas de forma farmacológica nos sintomas, não resolvendo as causas da Depressão.

É comum referir-se que a Depressão é consequência de um desequilíbrio químico do cérebro, mas nós sabemos que este desequilíbrio verificado no cérebro é uma consequência do estado depressivo.

OS PRINCIPAIS SINTOMAS DOS ESTADOS DEPRESSIVOS SÃO:

  • Angústia e Tristeza
  • mulher de bruços com as mãos na cabeçaFadiga, Cansaço e Perda de Energia
  • Sentimentos de Inutilidade, de Falta de Confiança e de Auto-estima
  • Sentimentos de Culpa e Sentimento de Incapacidade
  • Falta ou Excesso de Apetite
  • Perturbação do Sono
  • Falta ou Alterações na Concentração
  • Preocupações Recorrentes
  • Desinteresse, Apatia e Tristeza
  • Diminuição do Desejo Sexual
  • Irritabilidade
  • Manifestação de Sintomas Físicos, como Dores Musculares, Dores Abdominais, entre outros.

COMO SE DEVE TRATAR A DEPRESSÃO?

Deve perseguir-se as causas da Depressão e não os sintomas. O Modelo Psicoterapêutico HBM é um método que permite ao psicoterapeuta perseguir as causas das dificuldades de cada um, e que permite a cada pessoa libertar-se dos seus medos e angústias. O Modelo Psicoterapêutico HBM, utilizado na Clínica da Mente, funciona como um GPS, onde o terapeuta vai à origem emocional do problema que provoca a perturbação, e conduz o paciente a vencer e ultrapassar esta dificuldade que condiciona todo o seu estado mental. Esta nova abordagem permite-nos compreender que a intervenção eficaz é a alteração na perceção das memórias, nas imagens mentais e nas representações mentais das experiências perturbadoras. Isto faz-se com técnicas de psicoterapia sem uso de medicação nem internamento.

Fonte: Clínica da Mente. Porto ( Portugal )

 

#Privação de sono é um tratamento rápido e efetivo para #depressão

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Nancy A. Melville

A terapia de privação de sono mostra consistentemente uma redução rápida, embora de curta duração, nos sintomas depressivos em até metade dos pacientes com o transtorno, sugere uma nova meta-análise.

Embora esses efeitos sejam de curta duração, eles são suficientemente intrigantes para continuarem a gerar interesse em como manter a resposta, observam os pesquisadores, liderados por Philip R. Gehrman, University of Pennsylvania, na Filadélfia.

“A disponibilidade de um tratamento antidepressivo que tenha efeitos rápidos em 50% dos pacientes marcaria uma melhora radical na prática clínica, se pudermos encontrar formas de manter os efeitos ao longo do tempo”, escrevem os pesquisadores.

“A curta duração da resposta é uma das razões pelas quais a privação de sono não é rotineiramente usada fora de protocolos de pesquisa”, disse Gehrman ao Medscape.

Os pesquisadores relatam que esta é a primeira análise quantitativa da abordagem terapêutica em mais de uma década.

Os resultados foram publicados on-line em 19 de setembro no Journal of Clinical Psychiatry.

Raramente usada na depressão

Os efeitos antidepressivos potenciais da privação de sono são estudados há tempos, com publicações que comumente mostram taxas de resposta de 40% a 70%. Embora a restrição do sono seja por vezes usada como componente do tratamento da insônia, o uso deste recurso como tratamento para a depressão é raro.

A última análise quantitativa de pesquisas sobre os efeitos antidepressivos da privação de sono data de 1990. Desde então, até 75 novos estudos que avaliam a privação de sono foram publicados, com ampla variação nos desenhos de estudo e nas populações de pacientes.

Para avaliar melhor as evidências desde a última análise, os pesquisadores realizaram uma meta-análise quantitativa de 66 estudos que preenchiam os critérios de inclusão.

De acordo com dados anteriores, os resultados gerais mostram que aproximadamente 50% dos 1593 participantes com depressão demonstraram uma resposta afetiva positiva durante um período de tratamento de 36 horas. A taxa de resposta foi de 45% entre 141 participantes em ensaios clínicos randomizados.

A consistência permaneceu apesar das diferentes definições de resposta. O mais comum foi uma redução de 30% na gravidade da depressão.

O tratamento envolvendo uma noite de privação parcial de sono não foi menos efetivo do que uma noite completa. De acordo com os resultados anteriores, o uso de medicamentos antidepressivos não foi associado com benefício adicional ou eficácia reduzida.

“Embora algumas revisões qualitativas tenham sugerido que a privação de sono possa ser ligeiramente mais efetiva em amostras bipolares, nossos achados indicaram resultados inferiores, mas não significativamente, em pacientes bipolares em relação a pacientes unipolares”, escrevem os autores.

No entanto, eles alertam que esses achados foram inconclusivos.

“Seria incorreto concluir que a privação de sono não é um tratamento eficaz para a depressão bipolar”, observa o autor.

Em geral, os resultados mostram consistência notável de resposta, apesar das numerosas diferenças em variáveis importantes.

“Assim, não importa como a resposta é quantificada, como a privação de sono é aplicada, ou se o paciente tem depressão bipolar ou unipolar, a privação de sono tem uma taxa de resposta quase equivalente”, escrevem os autores.

Mecanismo potencial

Uma abordagem de privação de sono parcial “tardia”, que envolveu privação de sono durante as últimas quatro horas da noite, geralmente é considerada mais eficaz do que a privação “precoce” durante as primeiras quatro horas.

No entanto, a nova análise foi incapaz de comparar as duas abordagens porque 14 dos 15 estudos que utilizam a privação parcial do sono só utilizaram a privação parcial tardia.

Embora a maioria dos estudos sugira que a gravidade da depressão não influencia a resposta, os pesquisadores não conseguiram avaliar essa medida.

Apesar das taxas de resposta consistentes, uma importante ressalva da terapia de privação de sono é a duração muito curta da resposta. A maior parte da melhora geralmente é perdida após a próxima noite de sono, com pesquisas mostrando que 80% dos pacientes que respondem apresentam recaída.

Ainda assim, o benefício estimulou esforços para prolongar de alguma forma a resposta, principalmente com o uso de terapias combinadas.

Gehrman observou que a nova análise excluiu 16 estudos que avaliaram terapias combinadas com a privação de sono, com o objetivo de se concentrar especificamente nos efeitos da privação de sono isoladamente.

“Existem vários estudos não incluídos em nossa meta-análise que combinam privação de sono com outras técnicas chamadas cronoterapêuticas – por exemplo, exposição a luz brilhante ou avanço na fase de sono – em um esforço para prolongar a resposta. E esses estudos demonstraram algum sucesso nesse objetivo”, disse ele.

Uma meta-análise recente da terapia com luz isoladamente, e em combinação com privação de sono, sugeriu eficácia em melhorar a gravidade da doença, particularmente entre pacientes com transtorno bipolar. Outra estratégia estudada foi o uso de privação de sono repetida.

Dos estudos excluídos na análise atual, a maioria incluiu pacientes com transtorno bipolar que foram frequentemente submetidos a repetidas sessões de privação de sono. As taxas de resposta variaram de 45% a 79%, informam os autores.

“Assim, considerados em conjunto, pode ser que os indivíduos com transtorno bipolar tenham maior probabilidade de se beneficiar da privação de sono quando ela é administrada com cronoterapia em uma série de administrações, mas isso não pode ser determinado com base na literatura atualmente disponível”, escrevem eles.

Uma teoria para o mecanismo pelo qual a privação de sono reduz os sintomas depressivos é que os efeitos podem ser provocados por uma “reinicialização” dos ritmos circadianos do corpo, como resultado da transcrição do gene CLOCK, observam os pesquisadores.

Outros estudos sugerem efeitos em regiões específicas do cérebro, como o córtex pré-frontal medial ou córtex do cíngulo anterior, e os sistemas de neurotransmissores. No entanto, a ampla variação nos biomarcadores de estudo e nos métodos de neuroimagem não permite uma análise precisa.

Em última análise, os autores especulam que a resposta consistente de 45% a 50% aponta para fenótipos específicos como preditores prováveis de resposta.

“Não obstante a variabilidade entre os estudos, a estabilidade da taxa de resposta em diferentes décadas e laboratórios sugere que a resposta à privação de sono em indivíduos com depressão pode ser fenotípica, o que não recebeu consideração adequada”, escrevem.

“Para determinar se este é o caso, idealmente, deve-se estudar a privação de sono em indivíduos deprimidos pelo menos duas ou mais vezes, utilizando correlações intraclasse para estabelecer o grau de variabilidade fenotípica (estável no mesmo indivíduo) da resposta”, escrevem os pesquisadores. “Em nosso conhecimento, esse estudo ainda não foi relatado”, acrescentam.

Taxa de recaída diminui entusiasmo

Comentando os resultados para o Medscape, o Dr. Daniel F. Kripke, professor emérito de psiquiatria na University of California, em San Diego, descreveu a análise como um “excelente resumo” da pesquisa de privação de sono para a depressão.

“A conclusão de que a taxa de resposta é de cerca de 50% é consistente com estudos anteriores. Esta é uma taxa de resposta muito grande em comparação com as respostas farmacológicas e de psicoterapia, em relação ao controle placebo, e muito mais rápidas”, disse ele ao Medscape.

“Por outro lado, o fato de que a maioria dos pacientes recai após a noite de sono seguinte diminuiu qualquer entusiasmo entre a maioria dos psiquiatras dos EUA.”

Como observado pelos pesquisadores, Dr. Kripke ressaltou o fato de que a terapia de privação de sono já é praticada como um componente da terapia cognitivo-comportamental da insônia (TCC-I), e foi demonstrado que ela beneficia pacientes com depressão nesse contexto.

“A restrição do sono é um dos elementos mais importantes da TCC-I”, disse ele. “Inicialmente, ela induz alguma redução no tempo total de sono – embora, após várias semanas, o tempo de sono total possa se recuperar ou mesmo melhorar”.

Ele acrescentou que outros estudos de terapia combinada são cruciais para entender todo o potencial da terapia de privação de sono.

“A principal limitação da meta-análise, como muitas meta-análises, é que ela exclui alguns estudos valiosos, particularmente os estudos sobre o uso de luz brilhante e métodos cronobiológicos para manter as respostas”, disse o Dr. Kripke.

Um estudo recente, que foi o foco de um editorial de autoria do Dr. Kripke, mostrou melhoras significativas nos sintomas depressivos quando a terapia com luz foi combinada com o antidepressivo venlafaxina. Os efeitos de uma semana de terapia com luz persistiram durante oito semanas.

Ele observou que vários autores do estudo recomendaram explorar uma abordagem de “terapia tripla” que também incorpora restrição de sono.

“Certamente, os estudos recentes de esforços para sustentar a resposta com luz brilhante e intervenções cronobiológicas são excepcionalmente encorajadores, e parecem indicar que as respostas rápidas e valiosas podem ser mantidas com simples adições à privação de sono. Isso é o que é importante na pesquisa atual”. No entanto, é necessário muito mais trabalho, disse ele.

“Faltam na literatura científica ensaios comparativos adequados que mostram se uma única noite de privação parcial ou completa acrescenta ao tratamento leve após um acompanhamento de oito semanas, ou 16 semanas, ou mais; se a alteração de fase circadiana acrescenta à luz; e se a combinação tripla é melhor do que combinações de dois desses tratamentos”, disse o Dr. Kripke.

O estudo foi financiado por verbas de: National Institutes of Health, National Aeronautics and Space Administration, National Heart, Lung, and Brain Institute, National Institute on Drug Abuse, Office of Naval Research, National Space Biomedical Research Institute, Merck e Philips Healthcare/Respironics. Os autores do estudo e o Dr. Kripke declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

J Clin Psychiatry. Publicado on-line em 19 de setembro de 2017. Resumo

#11 formas de mostrar o seu #amor a alguém com #Depressão

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A Depressão não é uma escolha. Infelizmente, é a responsável pela criação de paredes entre as pessoas, a maioria das vezes, entre aqueles que mais se amam.

Não se limite a oferecer flores e chocolates, lembre-se da célebre frase d’O Principezinho, “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”. E não é que é mesmo? O indispensável é mostrar que ama aquela pessoa. Aqui encontra 11 formas de o fazer

namorados com o braço dado

1. Esteja lá quando a pessoa precisa

Um dos maiores medos de alguém que vive com Depressão é, precisamente, ficar sozinho. É importante que, se promete que estará lá nos piores momentos, efetivamente esteja. Isto pode passar por receber chamadas a horas em que preferiria estar a dormir, ouvir a pessoa  a chorar e consolá-la sem perceber muito bem porque está triste ou, simplesmente, sentar-se ao seu lado e mostrar que está lá para tudo.

2. Dê-lhe tempo quando necessário

Há dias em que o seu ou sua companheira sentirá que quer estar sozinha. Não tem energia para falar, não tem energia para ouvir. São momentos em que precisa de privacidade acima de tudo. Respeite. Se tem a certeza de que não está a ser afastado para que a pessoa possa fazer mal a si própria, dê-lhe espaço.

3. Incentive a fazer coisas diferentes

Planeie algo divertido: um piquenique ou um passeio à beira-mar.
Pode não lhe apetecer muito, mas é importante que procure fazer coisas que a façam sentir-se melhor. O contacto com a natureza é sempre saudável e uma boa aposta. Contudo, não a force a fazer o que não quer e compreenda que até as mais pequenas coisas se podem tornar em enormes desafios para quem sofre de Depressão.

4. Peça-lhe ajuda para entender o que ele ou ela está a sentir

Mostre que se importa, mostre que quer entender. Se a pessoa conseguir explicar o que está a sentir, será mais fácil para si ajudar. A partilha destes momentos pode ser uma forma de combater a solidão, de se sentir menos sozinho nesta caminhada. Mas não insista, nem sempre é possível explicar.

5. Oiça atentamente

Por vezes é preciso ouvir e apenas ouvir. Alguém que vive com Depressão é alguém que tem consciência de que os seus medos e angústias são irracionais, mas não os consegue evitar. Dizer-lhe isso não vai ajudar a pessoa a sentir-se melhor, vai fazê-la sentir-se julgada e pior com a situação. Por vezes, tudo o que ela precisa é de ventilar.

6. Tome conta da pessoa

A Depressão pode tornar as mais rotineiras tarefas absolutamente esgotantes. O que acontece é que deixa de haver energia e, até mesmo, vontade para tomar conta de si próprio. Faça pequenas coisas. Prepare-lhe uma refeição equilibrada, ou tome conta de determinadas tarefas enquanto o seu companheiro ou companheira relaxa.

7. Não culpe

Compreenda que a pessoa que ama não está feliz, não porque não quer, mas apenas porque não consegue. A verdade é que é muito difícil ser-se feliz quando tudo o que sente é Angústia, o tempo todo.

8. Não se culpe

Mas a culpa também não é sua. Não é porque não faz o suficiente.

9. Abrace

Todos estamos familiarizados com os poderes terapêuticos de um abraço. Libertam hormonas que nos relaxam, o que é perfeito para alguém que sofra de Depressão. Abrace muito e com força porque estará a ajudar a pessoa que ama.

10. Relembre a pessoa do quanto a ama

Relembre sempre que possível. Quando não nos amamos a nós próprios é muito complicado compreender porque é que alguém o fará. Lembre o seu companheiro ou companheira de todos os momentos felizes que passaram juntos.

11. Ajude a pessoa a ser ajudada

Perceba que o seu apoio é extremamente importante, mas não é suficiente. Incentive o seu companheiro ou companheira a encontrar ajuda especializada e a terapia certa. É importante, numa primeira fase, ajudar a pessoa a perceber que tem um problema, mas que este pode ser resolvido com ajuda profissional e, posteriormente, acompanhá-la ao longo da sua recuperação, lembrando que há momentos menos fáceis, mas que dias bem melhores virão para ficar.

Fonte: Clinica da Mente. Porto. Portugal

#Depressão no início da vida aumenta risco de #Alzheimer

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Pauline Anderson

LONDRES – Depressão que se inicia precocemente na vida aumenta o risco para doença de Alzheimer (DA), de acordo com novos resultados de um grande estudo longitudinal, que é o primeiro a relatar esta associação.

Lena Johansson

A relação não havia sido observada em estudos prévios, disse ao Medscape Lena Johansson, do Instituto de Neurociências e Fisiologia, Centro Acadêmico Sahlgrenska para Envelhecimento e Saúde, da University of Gothenburg (Suécia).

“Estudos prévios tiveram períodos de acompanhamentos mais curtos, e foram realizados principalmente em populações idosas. As associações entre depressão e demência poderiam nesses casos ser devidas a perda cognitiva e declínio cognitivo leve”, ela disse.

O presente estudo sugere que a “depressão é não apenas um resultado de demência incipiente”, disse Lena.

Os resultados foram apresentados na Conferência Internacional da Alzheimer’s Association (AAIC) de 2017.

Hipótese potencial

Vários estudos anteriores, revisões sistemáticas e meta-análises analisaram a relação entre demência e depressão, e quase todas essas pesquisas mostraram que o risco para demência aumenta após depressão.

No entanto, uma vez que esses estudos foram limitados por seguimentos curtos, a associação entre depressão e demência observada neles pode ser uma correlação inversa, disse Lena aos presentes na conferência.

Várias hipóteses podem explicar a associação entre depressão e demência, disse Lena. Por exemplo, a depressão pode ser um sintoma inicial de demência, ou as duas condições podem compartilhar uma fisiopatologia subjacente.

É possível que a depressão seja uma reação psicológica ao declínio cognitivo. Se a depressão afeta os níveis de hormônios de estresse e vários neurotransmissores, incluindo serotonina, dopamina e glutamato, isso pode prejudicar o cérebro e aumentar o risco de demência.

O novo estudo usou dados do Estudo Populacional Prospectivo de Mulheres em Gotemburgo, Suécia, iniciado há quase 50 anos. Em 1968, a amostra do estudo incluiu 800 mulheres (média de idade de 46 anos), nascidas entre 1914 e 1930.

Na entrevista inicial as participantes foram questionadas quanto a depressão atual e prévia. A amostra foi acompanhada em 1974, 1980, 1992, 2000, 2009 e 2012. Durante estas consultas de acompanhamento as participantes foram novamente questionadas sobre depressão.

Além de exames neuropsiquiátricos, informações sobre depressão vieram de entrevistas com informantes, prontuários médicos e do Registro de Altas Hospitalares da Suécia.

Os pesquisadores usaram critérios do DSM-III para estabelecer um diagnóstico de depressão, e para determinar se os casos foram de depressão leve ou maior. Eles também determinaram a idade da paciente no primeiro episódio depressivo.

Cerca de 67% das participantes do estudo preencheram critérios para depressão leve ou maior uma ou mais vezes. Dessas pacientes, 44% tiveram depressão maior.

A média de idade das pacientes no momento do primeiro episódio depressivo foi 42 anos.

Pesquisadores usaram o DSM-III-R para determinar diagnósticos de demência. Usando critérios do National Institute of Neurological and Communicative Disorders, e da Stroke –Alzheimer’s Disease and Related Disorders Association, os pesquisadores identificaram 133 pacientes que haviam desenvolvido Alzheimer.

Usando critérios do workshop do National Institute of Neurological Disorders and Stroke-Association Internationale pour la Recherche et l’Enseignement en Neurosciences, os pesquisadores concluíram que 70 pacientes haviam desenvolvido demência vascular ou de outros tipos.

Uma condição grave

Os pesquisadores observaram que, em comparação com mulheres que não tinham história de depressão, aquelas que haviam apresentado qualquer depressão durante a vida estavam sob maior risco de Alzheimer (hazard ratio, HR, de 1,75; intervalo de confiança, IC, de 95%, 1,15 – 2,66) após ajustar por idade, educação, presença de hipertensão e status do gene APOE4.

A associação foi mais forte para depressão maior que para depressão leve.

Os pesquisadores observaram que em comparação com mulheres que não tinham depressão, aquelas que apresentaram o início da depressão antes de 20 anos tiveram chances três vezes maiores de desenvolver doença de Alzheimer (HR ajustada de 3,41; IC de 95%, 1,78 – 6,24).

O risco também foi aumentado para pacientes que apresentaram o início da depressão entre as idades de 20 e 49 anos (HR de 1,65), mas não para aquelas que apresentaram início da depressão entre 50 e 69 anos (HR de 1,02). O risco aumentou após 70 anos (HR de 2,11).

Não houve associações entre depressão e demência vascular ou de outros tipos.

Uma limitação do estudo foi que ele não incluiu informações a respeito do tratamento para depressão.

“Assim, não podemos saber se a medicação antidepressiva ou a psicoterapia tiveram algum papel”, disse Lena.

Entretanto, uma vez que o estudo mostrou que a depressão maior esteve associada com maior risco de demência, “provavelmente é importante evitar episódios graves de depressão”, disse ela.

Outra limitação do estudo é que os pesquisadores não têm informações sobre o número de episódios depressivos.

“Pesquisas futuras deveriam avaliar isso, e fatores como situação socioeconômica, atividade física e uso de drogas, para tornar mais claras as associações”, disse Lena.

A principal mensagem desta nova pesquisa é que os médicos devem considerar a depressão como uma condição grave e prescrever terapia, incluindo terapia com conversação ou antidepressivos, quando necessários, acrescentou ela.

Não há razão para achar que a associação entre depressão em longo prazo e demência deveria ser diferente para os homens, observou Lena.

Após a apresentação, um congressista pediu a Lena que explicasse a alta prevalência de depressão na amostra de estudo – quase 70%.

Ela destacou que isso representa uma prevalência de depressão ao longo da vida, e que os dados são comparáveis com aqueles de outras pesquisas epidemiológicas.

Outro congressista ficou surpreso que o estudo não tenha encontrado associação entre demência vascular e depressão.

Lena respondeu que isso pode ter ocorrido por problemas metodológicos. O fato de que poucos pacientes tenham desenvolvido demência vascular poderia ter reduzido o poder estatístico.

“A depressão pode não afetar fatores vasculares na mesma extensão que afeta o cérebro”, disse Lena. “Mais estudos são necessários para analisar esta associação”.

Lena Johansson declarou não possuir conflitos de interesses relevantes.

Conferência Internacional da Alzheimer’s Association (AAIC) de 2017. Resumo 17671, apresentado em 5 de julho de 2017.