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diverticulite

#Síndrome do #cólon irritável

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Algumas pessoas experimentam sensações frequentes de desconforto abdominal, cólicas, diarreia, obstipação (prisão de ventre) e aumento dos movimentos intestinais. Muitas delas são portadoras de um distúrbio de motilidade intestinal que recebe o nome de síndrome do cólon irritável.

Para que esse diagnóstico possa ficar claro, o desarranjo precisa estar associado à sensação de desconforto abdominal e dor que não podem ser explicadas por alterações estruturais ou bioquímicas e que tenham pelo menos duas de três caraterísticas:

1) as dores diminuem com a evacuação;

2) a instalação das crises está associada à modificação da frequência das evacuações; ou

3) associada à mudança no formato das fezes. Além disso, no decorrer do último ano, o desconforto ou dor abdominal deve estar presente pelo menos durante 12 semanas, consecutivas ou não.

 

A prevalência é provavelmente bem alta: nos Estados Unidos atinge 15% dos adultos e, entre nós, é o diagnóstico mais comum dos que procuram os gastroenterologistas. A prevalência é três vezes maior nas mulheres. Não se sabe, no entanto, se é porque elas procuram atendimento médico com maior frequência.

Parecem exercer influência no aparecimento da síndrome os fatores abaixo:

1) Motilidade anormal do intestino delgado durante o jejum, contrações exageradas depois da ingestão de alimentos gordurosos ou em resposta ao estresse;

2) Hipersensibilidade dos receptores nervosos da parede intestinal à falta de oxigênio, distensão, conteúdo fecal, infecção e às alterações psicológicas;

3) Pacientes portadores da doença apresentam níveis elevados de neurotransmissores como a serotonina no sangue e no intestino grosso, que podem modificar a contratilidade e a sensibilidade das vísceras;

4) Infecções e processos inflamatórios podem contribuir para a instalação das crises;

5) Portadores da síndrome apresentam quadros de depressão e ansiedade mais frequentes. Crianças que sofreram abusos sexuais, físicos ou psíquicos têm mais risco de desenvolver os sintomas no futuro.

O diagnóstico é baseado nos sintomas, na ausência de sinais relevantes no exame físico e, principalmente, na visualização direta do intestino através da colonoscopia.

É preciso muito cuidado porque outras doenças podem ser confundidas com a síndrome do cólon irritável: câncer de cólon, diverticulite, obstrução mecânica, infecção, isquemia, síndromes de má absorção, doenças metabólicas e inflamatórias, endometriose e outras mais raras. O diagnóstico de cólon irritável é de exclusão, só pode ser estabelecido quando as outras causas puderem ser afastadas.

A anotação diária dos alimentos associados ao aparecimento das crises é muito útil. Piora dos sintomas pode acontecer depois da ingestão de cafeína, álcool, comidas gordurosas, vegetais que aumentam a produção de gases digestivos ou produtos que contém sorbitol, como o chiclete e as balas sem açúcar.

O tratamento das dores é feito com antiespasmódicos. Análises recentes sugerem que alguns pacientes se beneficiam com um grupo de drogas chamado de antidepressivos tricíclicos, outros com anti-inflamatórios e, nos casos mais rebeldes, até com morfina e derivados.

Para a diarreia existem diversas opções de medicamentos que aumentam a consistência do bolo alimentar e reduzem a frequência dos movimentos intestinais. Nos casos refratários, tratamento com antibióticos por tempo curto pode modificar a flora intestinal e reduzir o número de evacuações.

Quando ocorre prisão de ventre, a inclusão de fibras na dieta pode aliviar os sintomas. Os chamados laxativos osmóticos como o leite de magnésia e a lactulose podem ajudar. Além deles, há várias drogas capazes de acelerar o trânsito intestinal e diminuir a consistência das fezes.

A interação entre fatores psicossociais e a síndrome permanece especulativa. Apesar disso, terapêuticas como relaxamento, psicoterapia e exercícios físicos podem ajudar no controle dos sintomas. A síndrome do cólon irritável é uma doença comum, que precisa ser reconhecida e tratada adequadamente, uma vez que seus sintomas exercem profundos efeitos na qualidade de vida de uma parcela significativa da população.

Sobre o autor: Drauzio Varella

Drauzio Varella é médico cancerologista e escritor. Foi um dos pioneiros no tratamento da aids no Brasil. Entre seus livros de maior sucesso estão Estação Carandiru, Por um Fio e O Médico Doente.

Consumo de carne vermelha ligado a risco de diverticulite

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Jennifer Garcia

O alto consumo de carne vermelha, particularmente de carne vermelha não processada, está associado a aumento do risco de diverticulite, de acordo com um estudo publicado on-line em 09 de janeiro no periódico Gut.

“Nossos achados estiveram, em geral, alinhados com nossa análise inicial de que a carne vermelha, mas não a carne branca (aves ou peixes), está associada a aumento do risco de doença diverticular”, escrevem Yin Cao, doutoranda em ciências, do Massachusetts General Hospital e Harvard Medical School, em Boston, Massachusetts e colaboradores.

No entanto, a coorte atual teve um acompanhamento mais longo e o dobro de casos, o que permitiu aos pesquisadores restringir a análise apenas para diverticulite e excluir as doenças relacionadas.

Cao e colaboradores analisaram dados coletados prospectivamente de 46.461 homens para testar a associação entre o consumo de carne (carne vermelha total, carne vermelha não processada, carne vermelha processada e carnes brancas) e o risco de diverticulite incidente.

Esses homens participavam do Health Professionals Follow-Up Study e tinham entre 40 e 75 anos de idade no momento da inclusão, em 1986. Durante os 26 anos de acompanhamento (até 2012), os homens responderam a questionários a cada dois anos para coletar dados sobre demografia, estilo de vida, história médica e desfecho de doenças; e a cada quatro anos para coletar dados sobre alimentação.

Foram 764 casos de diverticulite durante 651.970 pessoas-ano de acompanhamento.

Homens no quintil mais alto de consumo total de carne vermelha tiveram o maior risco de diverticulite incidente (risco relativo, RR, 1,58; intervalo de confiança, IC, de 95%, 1,19 a 2,11; P de tendência = 0,01) em comparação com os homens no quintil mais baixo desta categoria. O risco relativo foi determinado após o ajuste para variáveis como ingestão de fibras, idade, atividade, uso de anti-inflamatório não esteroide, história de tabagismo e índice de massa corporal.

Os pesquisadores descobriram que essa associação foi mais forte para a carne vermelha não processada (risco relativo para o quintil mais alto vs. quintil mais baixo: 1,51; IC de 95%, 1,12 a 2,03; P de tendência = 0,03) em comparação à carne vermelha processada (risco relativo, 1,03; IC de 95%, 0,78 a 1,35; P de tendência = 0,26).

Os autores também observam que o risco relativo de diverticulite aumentou em 18% para cada porção de carne vermelha por semana, mas se estabilizou em platô após seis porções por semana.

Além disso, os pesquisadores descobriram que a substituição da carne vermelha por uma porção de carne branca não processada por dia reduziu o risco relativo em 20% (risco relativo, 0,80; IC de 95%, 0,63 a 0,99), após o ajuste por outros fatores.

Os autores não observaram aumento do risco de diverticulite associado ao consumo de peixes ou aves.

Foram excluídos da análise homens com diagnóstico de diverticulose, doença inflamatória intestinal ou câncer gastrointestinal no início do acompanhamento, bem como aqueles para os quais faltaram dados sobre o consumo de carne vermelha, aves e peixes. Os autores definiram diverticulite como “dor abdominal atribuída a doença diverticular e um dos seguintes critérios: (1) complicada por perfuração, abscesso, fístula ou obstrução; (2) requerendo hospitalização, antibióticos ou cirurgia ou (3) dor classificada como dor importante ou aguda, ou dor abdominal com febre, que requer medicação ou avaliação por tomografia computadorizada de abdome “.

Os autores observam que os dados não podem ser generalizados para outras populações e reconhecem as limitações do estudo, como a possível classificação incorreta dos desfechos informados pelos participantes, uma recordação imprecisa do consumo de carne ou o potencial de confusão residual.

Embora o mecanismo subjacente a estas associações não seja claro, a Dra. Cao e colaboradores concluem, “as descobertas podem oferecer orientação nutricional prática para os pacientes com risco de diverticulite.”

O financiamento deste estudo foi feito por meio de bolsas do National Institutes of Health. Os autores informaram não possuir conflitos de interesses relevantes ao tema.

Gut. Publicado on-line 09 de janeiro de 2017. Resumo

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