-

Endometriose

Endometriose

Postado em

Por James H. Liu, MD, Arthur H. Bill Professor and Chair, Departments of Obstetrics and Gynecology and Reproductive Biology, UH Cleveland Medical Center, Case Western Reserve University; Professor, Obstetrics and Gynecology, Case Western Reserve University School of Medicine

Na endometriose, pedaços do tecido endometrial — que normalmente se encontra apenas no revestimento interno uterino (endométrio) — crescem para fora do útero.

  • Ainda não se sabe por que o tecido endometrial cresce para fora do útero.

  • A endometriose pode comprometer a fertilidade da mulher e causar dor (especialmente antes e durante o período menstrual, e durante a relação sexual), mas também pode não causar sintomas.

  • Os médicos examinam o tecido endometrial introduzindo um laparoscópio através de uma pequena incisão próxima ao umbigo (laparoscopia).

  • Os medicamentos são administrados para aliviar a dor e para retardar o crescimento inapropriado do tecido.

  • Uma cirurgia pode ser realizada para remover o tecido endometrial que está fora do útero e, às vezes, para remover o útero e os ovários.

Endometriose: Tecido fora do lugar

Na endometriose, pedaços (pequenos ou grandes) do tecido endometrial, que normalmente se encontra apenas no revestimento interno uterino (endométrio), surgem em outras partes do corpo. Ainda não se sabe explicar como e por que isso acontece.

Os ovários e os ligamentos que sustentam o útero são locais onde o tecido endometrial ectópico costuma se desenvolver e, com menos frequência, ele se situa nas trompas de Falópio. O tecido endometrial ectópico também pode atingir outras regiões da pelve e do abdômen. Em casos muito raros, o tecido endometrial pode ser encontrado nas membranas que revestem os pulmões ou o coração.

O tecido endometrial ectópico pode irritar os tecidos próximos a ele, fazendo com que faixas de tecido cicatricial (adesões) se formem entre as estruturas no abdômen. O tecido endometrial ectópico também pode bloquear as trompas de Falópio, causando infertilidade.

Endometriose: Tecido fora do lugar

Endometriose: Tecido fora do lugar

A endometriose é uma doença crônica que pode ser dolorosa. Não se sabe exatamente quantas mulheres têm endometriose, pois geralmente o quadro pode ser diagnosticado apenas pela visualização direta do tecido endometrial (o que exige um procedimento cirúrgico, normalmente uma laparoscopia). Aproximadamente 6 a 10% das mulheres têm endometriose. A porcentagem de mulheres com endometriose é maior entre a população infértil (25 a 50%) e entre as mulheres que têm dor pélvica (75 a 80%). A idade média de diagnóstico é de 27 anos, mas a endometriose também pode se desenvolver em adolescentes.

Locais comuns de tecido endometrial ectópico (chamados de implantes) incluem os seguintes:

  • Ovários

  • Ligamentos que sustentam o útero

  • O espaço entre o reto e a vagina ou o colo do útero

Já os locais menos comuns incluem as trompas de Falópio, a superfície exterior dos intestinos delgado e grosso, os ureteres (canais que vão desde os rins até à bexiga urinária), a bexiga e a vagina. Raramente, o tecido endometrial cresce nas membranas que revestem os pulmões (pleura), no saco que envolve o coração (pericárdio), na vulva, no colo do útero ou nas cicatrizes cirúrgicas encontradas no abdômen.

O tecido endometrial ectópico reage aos hormônios assim como o tecido endometrial normal faz. Portanto, ele pode causar dor e sangramentos, especialmente antes e durante os períodos menstruais. A gravidade dos sintomas e dos efeitos da doença na fertilidade da mulher e no funcionamento dos órgãos varia muito de mulher para mulher.

À medida que a doença progride, o tecido endometrial ectópico tende a aumentar gradualmente de tamanho. Ele também pode se espalhar em novos locais. No entanto, a quantidade de tecido e o quão rápido a endometriose avança são fatores extremamente variáveis. O tecido pode permanecer sobre a superfície das estruturas ou pode penetrá-las profundamente (invadir) e formar nódulos.

Causas da endometriose

Não se sabe exatamente qual é a causa da endometriose, mas existem várias teorias:

  • Pequenos pedaços do revestimento uterino (endométrio) que são eliminados durante a menstruação sobem pelas trompas de Falópio em direção aos ovários, adentrando a cavidade abdominal, em vez de descer pela vagina e sair do corpo da mulher na menstruação.

  • As células do endométrio (células endometriais) podem ser transportadas para outro local pelos vasos sanguíneos ou linfáticos.

  • As células localizadas fora do útero podem se transformar em células endometriais.

A endometriose às vezes é hereditária e mais comum entre parentes de primeiro grau (mães, irmãs e filhas) de mulheres que têm a doença. Ela tem mais propensão de ocorrer em mulheres com as características a seguir:

  • Tiveram o primeiro bebê após os 30 anos de idade

  • Nunca tiveram um bebê

  • Têm ciclos menstruais curtos (menos de 27 dias) que são abundantes e duram muito tempo

  • Começaram a ter a menstruação antes da época normal ou pararam de menstruar depois da época normal

  • Têm determinadas anomalias estruturais do útero

  • Têm mães que, quando estavam grávidas, tomaram o medicamento dietilestilbestrol (DES), receitado para evitar abortos espontâneos (esse medicamento foi banido nos Estados Unidos em 1971)

A endometriose parece ter uma tendência para ocorrer com menos frequência em mulheres com as seguintes características:

  • Tiveram várias gestações

  • Começaram a ter a menstruação depois da época normal

  • Amamentam por muito tempo

  • Usam um contraceptivo oral de baixa dose

  • Praticam atividade física regularmente (especialmente se iniciaram antes dos 15 anos de idade e se exercitam mais de quatro horas por semana, ou ambos)

Sintomas da endometriose

O principal sintoma é

  • Dor na região inferior do abdômen e na região pélvica

A dor geralmente varia de intensidade durante o ciclo menstrual, ficando mais forte antes e durante os períodos menstruais. As irregularidades menstruais, como sangramento menstrual intenso e manchas antes da menstruação podem ser observadas. O tecido endometrial ectópico reage aos mesmos hormônios – estrogênio e progesterona (produzidos pelos ovários) – assim como o tecido endometrial normal no útero. Consequentemente, o tecido ectópico pode sangrar durante a menstruação e muitas vezes provocar cólicas e dor.

A gravidade dos sintomas da endometriose não depende da quantidade de tecido endometrial ectópico. Algumas mulheres com alto volume de tecido ectópico não apresentam os sintomas. Outras, até mesmo com uma pequena quantidade, sentem dores incapacitantes. Em muitas mulheres, a endometriose não causa dor até anos depois de a doença ter começado a se desenvolver. Para algumas mulheres, a relação sexual tende a ser dolorosa, antes ou durante a menstruação.

Os sintomas também variam dependendo do local onde o tecido endometrial se encontra. Possíveis sintomas de acordo com a localização:

  • Intestino grosso: Inchaço abdominal, dor durante as evacuações ou diarreia, constipação, sangramento retal durante a menstruação

  • Bexiga: Dor acima do osso púbico, ao urinar, urina com sangue e uma necessidade frequente e urgente de urinar

  • Ovários: Formação de uma massa cheia de sangue (endometrioma) que, por vezes, se rompe ou vaza, causando dor abdominal súbita e aguda

O tecido endometrial ectópico e seu sangramento podem irritar os tecidos próximos a ele. Como resultado, pode haver a formação de tecidos cicatriciais, às vezes na forma de faixas de tecido fibroso (adesões) entre as estruturas abdominais. O tecido endometrial ectópico e as adesões podem interferir no funcionamento dos órgãos. Raramente, as aderências chegam a bloquear o intestino.

A endometriose severa pode causar infertilidade, quando os blocos de tecido ectópico bloqueiam a passagem do óvulo do ovário para o útero. A endometriose leve também pode causar infertilidade, mas ainda não se sabe ao certo como isso acontece.

Durante a gravidez, a endometriose pode ficar temporária ou, às vezes, permanentemente inativa (entrar em remissão). A endometriose tende a ficar inativa após a menopausa, já que tanto a concentração de estrogênio como de progesterona diminuem.

Diagnóstico da endometriose

  • Laparoscopia para verificar a presença de tecido endometrial

  • Algumas vezes, ultrassonografia

Os médicos suspeitam de endometriose em mulheres que apresentam sintomas típicos ou infertilidade inexplicada. Às vezes, durante o exame pélvico, a mulher pode sentir dor ou sensibilidade, ou o médico pode sentir um nódulo ou massa de tecido atrás do útero ou próximo dos ovários.

Se houver suspeita de endometriose, o médico examinará a cavidade abdominal com um fino instrumento de fibra ótica (chamado laparoscópio) para avaliar o tecido endometrial. O laparoscópio é inserido dentro da cavidade abdominal (o espaço em torno dos órgãos abdominais) através de uma pequena incisão feita, na maioria das vezes, um pouco acima ou abaixo do umbigo. Injeta-se dióxido de carbono na cavidade abdominal para dilatá-la, de modo que os órgãos possam ser visualizados com mais facilidade. Toda a cavidade abdominal é examinada.

Se um médico detecta um tecido anormal e não tem certeza se ele é de origem endometrial, uma biópsia desse material pode ser feita. O médico coleta uma amostra do tecido, usando instrumentos inseridos através do laparoscópio. Em seguida, a amostra é analisada com um microscópio. A laparoscopia é um procedimento que geralmente requer anestesia geral, mas a pernoite no hospital costuma ser necessária somente se uma quantidade muito grande de tecido anormal é removida. A laparoscopia provoca desconforto abdominal leve a moderado mas, em geral, a paciente pode retomar suas atividades normais em poucos dias.

Dependendo da localização do tecido ectópico, uma biópsia pode ser realizada quando a vagina é examinada durante um exame pélvico ou quando um instrumento flexível de fibra ótica é introduzido através do ânus para examinar a parte inferior do intestino grosso, o reto, o ânus (sigmoidoscopia) ou a bexiga (cistoscopia).

Uma ultrassonografia pode ser realizada para determinar a abrangência da endometriose e para acompanhar sua evolução, mas sua utilidade para diagnosticar a doença é limitada.

Se uma mulher for estéril, podem ser feitos exames para determinar se a causa é a endometriose ou outro distúrbio, como problemas nas trompas de Falópio.

Os médicos classificam a endometriose como sendo mínima (estágio I), leve (estágio II), moderada (estágio III) ou grave (estágio IV) tomando por base as seguintes características:

  • A quantidade de tecido ectópico

  • Sua localização

  • Sua profundidade (se ele se encontra na superfície ou afetou profundamente o órgão)

  • A presença e o número de endometriomas e adesões

Os médicos podem usar os seguintes parâmetros para estimar quais são as chances que uma mulher com endometriose tem para engravidar:

  • Grau de severidade da endometriose (qual é a sua fase)

  • Idade da mulher

  • Tempo de esterilidade da mulher

  • Se a mulher já esteve grávida

  • Quão bem os órgãos reprodutores da mulher estão funcionando

Tratamento da endometriose

  • AINEs para dor

  • Medicamentos para suprimir a atividade dos ovários

  • Cirurgia para remover ou eliminar o tecido endometrial ectópico

  • Às vezes, cirurgia para remover apenas o útero ou o útero e os ovários

O tratamento depende dos sintomas da mulher, dos planos para gravidez e da idade, assim como da fase da endometriose.

Medicamentos usados para tratar a endometriose

Em geral, os medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são administrados para aliviar a dor. Eles podem ser o tratamento suficiente se os sintomas são leves e as mulheres não pretendem engravidar.

Medicamentos podem ser receitados para inibir a atividade dos ovários e, assim, retardar o crescimento do tecido endometrial ectópico e reduzir o sangramento e a dor. Os seguintes medicamentos costumam ser usados:

  • Contraceptivos orais combinados ( estrogênio somado a uma progestina)

Outros medicamentos que suprimem a atividade dos ovários costumam ser usados apenas quando a mulher não pode tomar contraceptivos orais combinados ou quando o tratamento com contraceptivos orais combinados não é eficaz. Eles incluem

  • Progestinas (por exemplo, medroxiprogesterona e a noretindrona)

  • Agonistas do hormônio liberador de gonadotrofinas (agonistas de GnRH, tais como a leuprolida e a nafarelina)

  • Danazol (um hormônio masculino sintético ou andrógeno)

No entanto, esses medicamentos não são capazes de eliminar a endometriose, e mesmo se o fizerem, muitas vezes ela volta depois que a terapia é interrompida, a menos que um tratamento mais radical seja usado para fazer com que os ovários parem de funcionar total e permanentemente.

Os contraceptivos orais combinados são prescritos principalmente para mulheres que não pretendem engravidar em breve. Eles também podem ser usados ​​após o tratamento com danazol ou com um agonista de GnRH para tentar retardar a evolução da doença e para diminuir a dor. Os contraceptivos orais podem ser tomados continuamente, especialmente se a dor é mais forte durante os períodos menstruais.

Os agonistas de GnRH interrompem o sinal que o cérebro transmite aos ovários para que produzam estrogênio e progesterona. Com isso, a produção desses hormônios diminui. Os efeitos colaterais dos agonistas de GnRH incluem ondas de calor, enrijecimento das articulações, alterações do humor e secura vaginal. O uso continuado de agonistas de GnRH por mais de quatro a seis meses reduz a densidade óssea e pode causar osteoporose. Para minimizar a redução da densidade óssea, os médicos prescrevem às mulheres pequenas doses de uma progestina ou de um bifosfonato (tais como alendronato, ibandronato ou risedronato). Se houver recorrência da endometriose, pode ser necessário tratar a mulher novamente.

O danazol inibe a liberação de óvulos (ovulação). No entanto, ele tem efeitos colaterais, como o ganho de peso e o desenvolvimento de características masculinas (como, por exemplo, mais pelos no corpo, perda de cabelo da cabeça, redução do tamanho das mamas e engrossamento da voz). Esses efeitos colaterais limitam seu uso.

Depois do tratamento com medicamentos, as taxas de fertilidade variam de 40 a 60%. Os medicamentos não alteram as taxas de fertilidade em mulheres com endometriose mínima ou leve.

Medicamentos comumente usados para tratar endometriose

Medicamento

Alguns efeitos colaterais

Comentários

Contraceptivos orais combinados de estrogênio e progestina

Etinilestradiol administrado com uma progestina

Inchaço abdominal, sensibilidade mamária, aumento do apetite, inchaço dos tornozelos, náuseas, sangramento entre as menstruações (sangramento episódico), oscilações do humor e trombose venosa profunda

Em casos raros, um aumento do risco de ter ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e doença vascular periférica

Os contraceptivos orais podem ser úteis para as mulheres que desejam ter filhos mais tarde. Eles podem ser tomados três semanas por mês (ciclicamente) ou todos os dias (de forma contínua), geralmente durante três a quatro meses. Depois desse período, a mulher para de tomar o contraceptivo por quatro dias e volta a tomá-lo logo em seguida.

Progestinas

Um dispositivo intrauterino (DIU) que libera levonorgestrel (progestina)

Sangramento menstrual irregular e a interrupção da menstruação (depois de um tempo de uso do DIU)

Esses DIUs liberam levonorgestrel por cinco anos. Eles devem ser colocados e retirados por um médico. Eles são apropriados para mulheres que não querem engravidar ou que desejam adiar a gravidez.

Acetato de medroxiprogesterona

Sangramento entre as menstruações, oscilações do humor, depressão, ganho de peso e vaginite atrófica (ressecamento e afinamento do revestimento vaginal)

As progestinas são medicamentos que se assemelham ao hormônio progesterona. Elas podem ser administradas por via oral ou por injeção muscular.

Acetato de noretisterona

Sangramento menstrual irregular, oscilações do humor, depressão e ganho de peso

Esse medicamento é administrado por via oral na hora de dormir.

Andrógeno

Danazol

Ganho de peso, acne, engrossamento da voz, aumento de pelos no corpo, ondas de calor, vaginite atrófica, inchaço dos tornozelos, cãibras musculares, sangramento entre as menstruações, redução do tamanho da mama, oscilações do humor, mau funcionamento do fígado, síndrome do túnel do carpo, e os efeitos adversos sobre a concentração de colesterol no sangue

O danazol, um hormônio sintético relacionado com a testosterona, inibe a ação do estrogênio e da progesterona. Este medicamento é administrado por via oral. A utilidade do danazol pode ser limitada pelos seus efeitos colaterais.

Agonistas de GnRH

Leuprolida

Nafarelina

Ondas de calor, vaginite atrófica, redução da densidade óssea, dores musculares e nos ossos, enrijecimento das articulações, oscilações do humor e diminuição da libido

Um agonista de GnRH pode ser injetado sob a pele, uma vez por dia; no músculo, uma vez por mês ou uma vez a cada três meses, ou pode ser administrado em spray nasal. Esses medicamentos muitas vezes são administrados com uma progestina (às vezes combinada com estrogênio) para reduzir os efeitos da redução da concentração de estrogênio, incluindo uma menor densidade óssea (este uso do estrogênio com uma progestina, ou da progestina sozinha é chamado de terapia “add-back”).

GnRH = hormônio liberador de gonadotrofina.

Cirurgia para endometriose

Para a maioria das mulheres com endometriose moderada à severa, o tratamento mais eficaz é a remoção ou eliminação do tecido endometrial ectópico e dos endometriomas. Normalmente, esses procedimentos cirúrgicos são feitos por uma laparoscopia abdominal, através de uma pequena incisão feita próxima ao umbigo. Esse tratamento poderá ser necessário nos seguintes casos:

  • Quando os medicamentos não conseguirem aliviar as intensas dores na região abdominal inferior ou na pelve

  • Quando as adesões na parte inferior do abdômen ou da pelve causarem sintomas significativos

  • Quando o tecido endometrial ectópico bloquear uma ou ambas as trompas de Falópio

  • Quando há endometriomas

  • Quando a endometriose causa infertilidade e a mulher quer ser capaz de engravidar

  • Quando a endometriose causa dor durante as relações sexuais

Muitas vezes, o tecido endometrial ectópico pode ser removido ou eliminado durante uma laparoscopia, quando é feito o diagnóstico. Às vezes, um eletrocautério (dispositivo que usa uma corrente elétrica para produzir calor) ou um laser é usado para eliminar ou remover o tecido endometrial durante uma laparoscopia. Às vezes, é necessário realizar cirurgia abdominal (envolvendo uma incisão no abdômen) para remover o tecido endometrial.

Os endometriomas são drenados e removidos sempre que possível.

Durante a cirurgia, os médicos retiram o máximo possível de tecido endometrial ectópico, sem danificar os ovários. Com isso, a capacidade de a mulher ter filhos pode ser preservada. Dependendo da extensão da endometriose, 40 a 70% das mulheres que se submetem à cirurgia podem engravidar. Se os médicos não podem retirar todo o tecido, eles prescreverão um tratamento com agonista de GnRH à paciente. Entretanto, não se sabe ao certo se esse medicamento aumenta a probabilidade de a mulher engravidar. Algumas mulheres que têm endometriose podem engravidar com técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro.

A remoção cirúrgica do tecido endometrial ectópico é apenas uma medida temporária. Depois que o tecido é retirado, a endometriose reaparece na maioria das mulheres, a menos que elas tomem medicamentos para inibir a ação dos ovários, ou que os ovários sejam removidos.

A remoção do útero, mas não dos ovários (histerectomia sem salpingo-ooforectomia bilateral), costuma ser indicada para mulheres que não planejam engravidar, especialmente quando os medicamentos não aliviam a dor pélvica ou abdominal.

Às vezes, é preciso remover os dois ovários juntamente com o útero. Esse procedimento é denominado histerectomia com salpingo-ooforectomia bilateral. Ele tem os mesmos efeitos que a menopausa pois, assim como na menopausa, ocorre a redução na concentração de estrogênio. Assim, mulheres com menos de 50 anos podem tomar estrogênio para reduzir a gravidade dos sintomas da menopausa que surgem após a cirurgia. No entanto, para ajudar a prevenir a recorrência da endometriose, os médicos costumam recomendar às mulheres para esperarem de três a seis meses após a cirurgia antes de começarem a tomar estrogênio. Também se prescreve uma progestina para a maioria dessas mulheres. A progestina é incluída no tratamento para ajudar a impedir o crescimento de qualquer tecido endometrial ectópico remanescente. O tratamento apenas com uma progestina pode ser indicado às mulheres com mais de 50 anos, para reduzir os sintomas que persistirem após a remoção dos ovários.

Uma histerectomia com salpingo-ooforectomia bilateral pode ser realizada, por exemplo, nas seguintes situações:

  • Quando a mulher, geralmente perto da menopausa, deseja um tratamento definitivo (para eliminar completamente o distúrbio)

  • Quando houver ocorrido recorrência da endometriose, geralmente em várias ocasiões

#Síndrome do #cólon irritável

Postado em

Algumas pessoas experimentam sensações frequentes de desconforto abdominal, cólicas, diarreia, obstipação (prisão de ventre) e aumento dos movimentos intestinais. Muitas delas são portadoras de um distúrbio de motilidade intestinal que recebe o nome de síndrome do cólon irritável.

Para que esse diagnóstico possa ficar claro, o desarranjo precisa estar associado à sensação de desconforto abdominal e dor que não podem ser explicadas por alterações estruturais ou bioquímicas e que tenham pelo menos duas de três caraterísticas:

1) as dores diminuem com a evacuação;

2) a instalação das crises está associada à modificação da frequência das evacuações; ou

3) associada à mudança no formato das fezes. Além disso, no decorrer do último ano, o desconforto ou dor abdominal deve estar presente pelo menos durante 12 semanas, consecutivas ou não.

 

A prevalência é provavelmente bem alta: nos Estados Unidos atinge 15% dos adultos e, entre nós, é o diagnóstico mais comum dos que procuram os gastroenterologistas. A prevalência é três vezes maior nas mulheres. Não se sabe, no entanto, se é porque elas procuram atendimento médico com maior frequência.

Parecem exercer influência no aparecimento da síndrome os fatores abaixo:

1) Motilidade anormal do intestino delgado durante o jejum, contrações exageradas depois da ingestão de alimentos gordurosos ou em resposta ao estresse;

2) Hipersensibilidade dos receptores nervosos da parede intestinal à falta de oxigênio, distensão, conteúdo fecal, infecção e às alterações psicológicas;

3) Pacientes portadores da doença apresentam níveis elevados de neurotransmissores como a serotonina no sangue e no intestino grosso, que podem modificar a contratilidade e a sensibilidade das vísceras;

4) Infecções e processos inflamatórios podem contribuir para a instalação das crises;

5) Portadores da síndrome apresentam quadros de depressão e ansiedade mais frequentes. Crianças que sofreram abusos sexuais, físicos ou psíquicos têm mais risco de desenvolver os sintomas no futuro.

O diagnóstico é baseado nos sintomas, na ausência de sinais relevantes no exame físico e, principalmente, na visualização direta do intestino através da colonoscopia.

É preciso muito cuidado porque outras doenças podem ser confundidas com a síndrome do cólon irritável: câncer de cólon, diverticulite, obstrução mecânica, infecção, isquemia, síndromes de má absorção, doenças metabólicas e inflamatórias, endometriose e outras mais raras. O diagnóstico de cólon irritável é de exclusão, só pode ser estabelecido quando as outras causas puderem ser afastadas.

A anotação diária dos alimentos associados ao aparecimento das crises é muito útil. Piora dos sintomas pode acontecer depois da ingestão de cafeína, álcool, comidas gordurosas, vegetais que aumentam a produção de gases digestivos ou produtos que contém sorbitol, como o chiclete e as balas sem açúcar.

O tratamento das dores é feito com antiespasmódicos. Análises recentes sugerem que alguns pacientes se beneficiam com um grupo de drogas chamado de antidepressivos tricíclicos, outros com anti-inflamatórios e, nos casos mais rebeldes, até com morfina e derivados.

Para a diarreia existem diversas opções de medicamentos que aumentam a consistência do bolo alimentar e reduzem a frequência dos movimentos intestinais. Nos casos refratários, tratamento com antibióticos por tempo curto pode modificar a flora intestinal e reduzir o número de evacuações.

Quando ocorre prisão de ventre, a inclusão de fibras na dieta pode aliviar os sintomas. Os chamados laxativos osmóticos como o leite de magnésia e a lactulose podem ajudar. Além deles, há várias drogas capazes de acelerar o trânsito intestinal e diminuir a consistência das fezes.

A interação entre fatores psicossociais e a síndrome permanece especulativa. Apesar disso, terapêuticas como relaxamento, psicoterapia e exercícios físicos podem ajudar no controle dos sintomas. A síndrome do cólon irritável é uma doença comum, que precisa ser reconhecida e tratada adequadamente, uma vez que seus sintomas exercem profundos efeitos na qualidade de vida de uma parcela significativa da população.

Sobre o autor: Drauzio Varella

Drauzio Varella é médico cancerologista e escritor. Foi um dos pioneiros no tratamento da aids no Brasil. Entre seus livros de maior sucesso estão Estação Carandiru, Por um Fio e O Médico Doente.

#Endometriose, #Estresse Oxidativo e #Antioxidantes

Postado em

O que é endometriose?

A endometriose é uma doença que tem como característica a presença do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina, em outros órgãos da pelve como tubas uterinas, ovários, intestinos e bexiga. O endométrio é uma mucosa que reveste a parede interna do útero, sensível às alterações do ciclo menstrual, e onde o óvulo depois de fertilizado se implanta. Se não houve fecundação, boa parte do endométrio é eliminada durante a menstruação. O que sobra volta a crescer e o processo todo se repete a cada ciclo. Portanto, a endometriose é uma afecção inflamatória provocada por células do endométrio que, em vez de serem expelidas, migram no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar. A endometriose é uma doença crônica que regride espontaneamente com a menopausa, em razão da queda na produção dos hormônios femininos. Segundo informações da Associação Brasileira de Endometriose, entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos) podem desenvolvê-la e ocorre entre 25 e 40% das mulheres inférteis.

Sintomas da endometriose

A endometriose pode ser assintomática. Quando os sintomas aparecem, merecem destaque:

* Dismenorreia – cólica menstrual que, com a evolução da doença, aumenta de intensidade e pode incapacitar as mulheres de exercerem suas atividades habituais;

* Dispareunia – dor durante as relações sexuais;

* Dor e sangramento intestinais e urinários durante a menstruação;

* Infertilidade.

 

Diagnóstico da endometriose

A endometriose ainda é uma doença difícil de diagnosticar por meio do exame físico, ou seja, realizado durante a consulta ginecológica de rotina. Dessa forma, os exames de imagem são mais adequados para indicar a possível existência do problema, que será confirmada posteriormente por meio de exames laboratoriais específicos.

Entre os exames de imagem que podem sinalizar a endometriose, destacam-se:

Ultrassonografia transvaginal – Procedimento de menor custo, que permite a identificação de endometriomas, aderências pélvicas e endometriose profunda.

Ressonância magnética – Exame mais caro, a ressonância magnética apresenta melhores taxas de sensibilidade e especificidade na avaliação de pacientes com endometrioma e endometriose profunda.

Para identificar a existência da endometriose, outros exames complementares ainda podem ser solicitados pelo médico, como a ultrassonografia transretal, a ecoendoscopia retal, tomografia computadorizada e dosagem de marcadores séricos da endometriose. Após a identificação de alguma alteração, o médico poderá optar por realizar uma biópsia da lesão encontrada, de modo a confirmar o diagnóstico. Essa avaliação será realizada por meio de exames chamados laparoscopia e laparopotomia.

Estresse oxidativo e endometriose

Alguns autores sugeriram a possibilidade de a endometriose ser uma doença originada ou associada ao estresse oxidativo. Isto porquê no sistema reprodutor feminino, diversos mecanismos biológicos conduzem ao desempenho harmônico das suas funções. Os radicais livres são importantes moduladores dos processos fisiológicos do trato reprodutor feminino. Baixas concentrações de espécies reativas de oxigênio (EROs) têm importância na modulação de inúmeros processos fisiológicos do trato reprodutivo fe­minino, como a maturação oocitária, a atresia folicular, a função do corpo lúteo, a interação gamética, a fertilização, o desenvolvimento e a implantação embrionária. Porém, quando há um desequilíbrio entre os agentes pró-oxidantes (radicais livres) e os mecanismos antioxidantes de defesa do organismo, pode ocorrer o estresse oxidativo, que tem sido envolvido na etiopatogênese de diversas doenças reprodutivas e da infertilidade.

Os lipídios oxidados, ao serem metabolizados, geram produtos reconhecidos como corpos estranhos, desencadeando respostas antigênicas com consequente produção de anticorpos. O estresse oxidativo também danifica células mesoteliais (presentes nas cavidades pleural, peritoneal e pericárdica, e ainda na túnica albugínea do ovário) e pode induzir o aparecimento de sítios de adesão para células endometriais, favorecendo o desenvolvimento e a progressão dos focos de endometriose.

Estilo de vida e endometriose

Existem indicações na literatura que relacionam a endometriose com a falta de atividade física, exposição a substâncias tóxicas, baixa ingestão de vitaminas e fi­bras. A prática de exercícios diários melhora o sistema imunológico e por consequência, o corpo elimina com maior facilidade os coágulos de endometriose. Outro fator importante relacionado à atividade física é a diminuição da secreção do estro­gênio, o qual favorece a progressão da doença. Uma vida estressante e agitada pode ser fator de risco para o desenvolvimento da doença. O consumo de álcool e a baixa atividade física foram os maiores preditores do desenvolvimento de endometriose num grande estudo prospectivo realizado por Heiler e colaboradores em 2007. O uso de cigarro atrapalha a maturação dos óvulos e é responsável por 13% dos casos de infertilidade feminina. Há dados empíricos que mos­tram uma redução significativa no risco de desenvolver a doença em pessoas com um alto consumo de verduras verdes e frutas. Além disso, foi mostrado que antioxidantes, como vitamina C e A podem evitar a evolução de pro­cessos que prejudicam o endométrio.

A boa notícia é que, além da prevenção, a endometriose também tem cura, mas depende muito do seu tratamento. A endometriose é uma doença que pode ser tratada com cirurgicamente ou tratamentos hormonais. Mas é claro que tudo depende do estágio em que a doença se encontra. Uma das formas mais utilizadas para o diagnóstico e determinação do estágio em que a doença se encontra é a dosagem dos níveis séricos de marcadores da endometriose.

Marcadores séricos da endometriose

Muitos marcadores séricos e peritoneais têm sido estudados para o diagnóstico da endometriose. Dentre eles, o marcador mais utilizado com este propósito é o CA-125. O CA-125 (cancer antigen 125) é um marcador tumoral que se mede no sangue podendo estar presente em alguns tipos de câncer, todavia não é específico, estando relacionado com outras enfermidades (cirrose, endometriose, hepatite, pancreatite, cistos no ovário) ou até mesmo presente em pessoas sadias. Este exame deve ser realizado do primeiro ao terceiro dia do ciclo menstrual, servindo como marcador da endometriose avançada e/ou profunda quando apresentar-se em valores superiores a 100 U/mL. A dosagem da Proteína Sérica Amiloide-A (SAA) na mesma fase pode, quando em níveis superiores a 50 μg/mL em associação com CA-125 superior a 100 UI/mL, predizer comprometimento intestinal.

A produção de radicais livres pode promover a peroxidação lipídica dos ácidos graxos poli-insaturados presentes nas membranas celulares, com produção de hidroxiperóxidos lipídicos, aldeídos e isoprostanos. O malondialdeído (MDA) é um desses produtos secundários da peroxidação lipídica que, por ser um produto estável, pode ser utilizado como medida cumulativa desse processo. Apesar dos dados serem controversos, alguns autores evidenciaram aumento significativo das concentrações de peróxidos lipídicos no fluido peritoneal de portadoras de endometriose pélvica. A vitamina E é um dos principais antioxidantes não-enzimáticos, podendo tanto bloquear o início da peroxidação lipídica como inibir a sua propagação. Em estudo recentemente publicado, evidenciaram-se menores níveis séricos de vitamina E em portadoras de infertilidade relacionada à endometriose. A glutationa, principal componente sulfidril não-proteico em células de mamíferos, desempenha um papel fundamental na neutralização de peróxidos e na proteção celular contra o estresse oxidativo. Uma das atividades antioxidantes da glutationa consiste em eliminar, indiretamente, o tocoferol oxidado, importante para a reciclagem e manutenção de níveis fisiológicos de vitamina E, essenciais para o combate ao estresse oxidativo.

A avaliação do total de hidroperóxidos em uma dada amostra permite uma análise indireta da produção de espécies reativas que antecede tanto o maior consumo de antioxidantes não-enzimáticos como a vitamina E e a glutationa, por exemplo, a detecção de produtos do dano oxidativo, como a peroxidação lipídica. Apesar de existirem evidências sugerindo presença de estresse oxidativo nos sítios dos implantes pélvicos endometriais, pouco se sabe sobre o status oxidativo sistêmico em portadoras de infertilidade relacionada à endometriose. Da mesma maneira, muito pouco é conhecido sobre a associação entre estadiamento da doença e os marcadores sistêmicos de estresse oxidativo.

Neste sentido, um trabalho realizado por pesquisadores do Laboratório de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos  e publicado em 2010 na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, objetivou a  comparação de quatro marcadores séricos de estresse oxidativo entre pacientes inférteis com endometriose e controles, aferidos na fase folicular precoce do ciclo menstrual, e avaliação da associação destes marcadores com o estadiamento (grau de disseminação) da doença. Os resultados obtidos permitiram os pesquisadores concluírem que foi evidenciada uma associação positiva entre infertilidade relacionada à endometriose, avanço do estadiamento da doença e aumento dos níveis séricos de hidroperóxidos, sugerindo aumento da produção de espécies reativas em portadoras de endometriose. Esses dados, associados à redução dos níveis séricos de vitamina E e de glutationa, sugerem a ocorrência de estresse oxidativo sistêmico em portadoras de infertilidade associada à endometriose.

Apesar da presença de estresse oxidativo sistêmico em portadoras de infertilidade relacionada à endometriose, como evidenciado neste estudo, observou-se que o consequente consumo de antioxidantes, como a glutationa e a vitamina E, parecem prevenir a ocorrência de peroxidação lipídica sistêmica, uma vez que foram observados níveis séricos de malondialdeído similares nas portadoras de infertilidade relacionada à endometriose e nas pacientes controles.

A peroxidação lipídica pode ser  avaliada pela quantificação de malondialdeído no sangue.

 

Endometriose e Progesterona

A ação da progesterona é crucial para diminuir a inflamação no endométrio e falta da ligação de progesterona com seu receptor  resulta em um fenótipo pró-inflamatório. Inversamente, a inflamação crônica pode induzir um estado resistente àprogesterona. Este  hormônio melhorou a progressão da endometriose por inibição da proliferação celular, inflamação e neovascularização segundo estudo publicado na PLOS ONE em 2016.

Referências

Marcadores séricos de estresse oxidativo em mulheres inférteis com endometriose

http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v32n6/v32n6a05.pdf

Avaliação do nível sérico de prolactina e CA 125 como marcadores diagnósticos de endometriose

 http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/26117

Lipid peroxidation and vitamin E in serum and follicular fluid of infertile women with peritoneal endometriosis submitted to controlled ovarian hyperstimulation: a pilot study.

http://www.fertstert.org/article/S0015-0282(07)03958-1/abstract

The importance of having high glutathione (GSH) level after bovine in vitro maturation on embryo development effect of beta-mercaptoethanol, cysteine and cystine.

http://www.theriojournal.com/article/S0093-691X(99)00278-2/abstract

Oxidative stress and reactive oxygen species.

https://www.karger.com/Article/Abstract/85686

A vivência de infertilidade e endometriose: pontos de atenção para profissionais de saúde

http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?pid=S1645-00862010000200004&script=sci_arttext&tlng=en

ENDOMETRIOSE

https://drauziovarella.com.br/mulher-2/endometriose/

ENDOMETRIOSE VESICAL: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-42302001000100028&script=sci_arttext&tlng=pt

Progesterone Alleviates Endometriosis via Inhibition of Uterine Cell Proliferation, Inflammation and Angiogenesis in an Immunocompetent Mouse Model.

http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0165347

Progesterone resistance in endometriosis: origins, consequences and interventions. 

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/aogs.13156/abstract;jsessionid=1A206141781D6FF1F4FA4658D1D5FFFF.f03t03

 

DR. ROBERTO FRANCO DO AMARAL NETO

Endometriose: Como a fisioterapia pode te ajudar?

Postado em

O que é?

Endometriose é uma doença caracterizada pela presença de endométrio fora do útero. O endométrio é a camada que reveste internamente a cavidade uterina e é renovado mensalmente por meio da descamação durante o fluxo menstrual. Em algumas situações este tecido, ao invés deendometriose-sintomas ser eliminado, volta pelas trompas, alcança a cavidade pélvica e abdominal, gerando a endometriose. A doença pode acometer também os ovários, as tubas e outros órgãos como o intestino e a bexiga. As células do endométrio, na pelve, vão funcionar de forma semelhante as que estão revestindo o útero, isso quer dizer que elas vão “menstruar” também e, é essa menstruação no lugar errado que é responsável por grande parte dos sintomas da doença.

No Brasil, são cerca de 6 milhões de mulheres sofrendo com a endometriose, sendo que 53% desconhecem a doença.

Sintomas

Os principais sintomas da endometriose são dor e infertilidade. Aproximadamente 20% das mulheres têm apenas dor, 60% têm dor e infertilidade, e 20% apenas infertilidade. Entre os sintomas mais comuns estão:

• Cólicas menstruais intensas e dor durante a menstruação;
• Dor pré-menstrual;endometriose
• Dor durante as relações sexuais;
• Dor difusa ou crônica na região pélvica;
• Fadiga crônica e exaustão;
• Sangramento menstrual intenso ou irregular;
• Alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação;
• Dificuldade para engravidar e infertilidade.

A boa notícia é que há saída!

A abordagem da paciente com endometriose deve ser integral e realizada, preferencialmente, por uma equipe multidisciplinar. Dentro desta equipe encontra-se o fisioterapeuta com o objetivo de minimizar a dor através da elevação da liberação de endorfinas com exercícios direcionados, relaxar a musculatura da pelve, trabalhar posturas antálgicas (postura adotada com o intuito de reduzir a dor), ajudar a lidar com a dor, desfazer o ciclo “tensão-dor-tensão”, prevenir incapacidades e restaurar as funções desejadas pela paciente.

A fisioterapia tem diversos recursos para ajudá-la, como:

– cinesioterapia – reabilitação por meio de movimentos específicos do corpo;pilates

– liberação miofascial – manobras superficiais para mobilizar a fascia (tecido que recobre todos os orgãos e músculos);

– eletroestimulação – aplicação de correntes indolores que causam analgesia;

Além da dor pélvica, a endometriose com freqüência leva a dor durante a relação sexual. Como o estimulo a cada relação é doloroso, a musculatura da vagina fica tensa diante de um estimulo nocivo. Essa tensão muscular pode também causar dor principalmente durante a penetração.  A fisioterapia pode usar recursos para diminuir a dor como:

  • massagem perineal
  • eletroestimulação
  • biofeedback
  • exercícios perineais
  • consciência perineal e corporal

Melhorando dessa forma a satisfação sexual, auto-estima e qualidade de vida!

 

%d blogueiros gostam disto: