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esquizofrenia

#Estrogênio adjuvante como opção terapêutica para #mulheres com esquizofrenia?

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 O uso adjuvante do estrogênio pode ser eficaz na redução dos sintomas da esquizofrenia nas mulheres, apresentando-se como uma possível nova opção de tratamento, sugere nova pesquisa.

Dra. Elise Turner e Dra. Viviana Alvarez Toro

Uma revisão sistemática da literatura realizada por pesquisadoras da University of Maryland, em Baltimore, mostrou que o uso adjuvante do estrogênio reduziu os sintomas de esquizofrenia de maneira dose-dependente e com significância estatística, em comparação com o tratamento antipsicótico isolado.

“Nossa revisão sugere que o estrogênio tem um papel significativo na melhora dos sintomas psicóticos, portanto, eu acredito que esse achado é muito motivante e precisa ser aprofundado por novos estudos”, a Dra. Viviana Alvarez Toro, médica e pesquisadora do estudo.

Os resultados foram apresentados no encontro anual de 2019 da American Psychiatric Association (APA).

“Antipsicótico natural” 

A esquizofrenia afeta cerca de 1% da população, e pesquisas anteriores mostraram que, embora a esquizofrenia tenha prevalência semelhante em homens e mulheres, sua apresentação clínica geralmente difere entre os sexos.

A Dra. Viviana e a Dra. Elise Turner, que também participou do estudo, ambas médicas residentes do Sheppard Pratt Psychiatry Residency Program da University of Maryland, observaram que as mulheres jovens normalmente apresentam os sintomas três a quatro anos mais tarde do que os homens, e que os sintomas nas mulheres podem aparecer em momentos de variação hormonal, como durante o puerpério ou na pós-menopausa.

Além disso, pesquisas anteriores sugeriram que o nível de estrogênio é tipicamente mais baixo em mulheres com esquizofrenia em comparação com seus pares sem a doença.

Estudos anteriores também indicaram que o estrogênio potencializa os antagonistas da dopamina em modelos animais e pode atuar como um “agente antipsicótico natural”, podendo explicar a diferença dos sintomas entre homens e mulheres, observaram as pesquisadoras.

As pesquisadoras ainda ressaltaram que o estrogênio pode desempenhar um papel protetor na lesão neuronal, promovendo a neurogênese e a re-mielinização.

A partir desses dados, a Dra. Viviana e colaboradores fizeram uma revisão sistemática para avaliar os efeitos do estrogênio adjuvante em mulheres adultas e compararam com o tratamento antipsicótico exclusivo – a terapia padrão vigente.

 

Relação dose-dependente

Para a revisão, foram selecionados apenas ensaios clínicos randomizados (ECR). A análise final foi embasada em seis ECR, com o total de 426 mulheres adultas diagnosticadas com esquizofrenia, de acordo com os critérios do Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM, sigla do inglês Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders).

Esses ensaios clínicos também foram limitados a estudos que usaram escalas baseadas em evidências para medir os sintomas positivos e negativos da esquizofrenia, como a escala para avaliação da síndrome positiva e negativa (PANSS, sigla do inglês Positive and Negative Syndrome Scale) ou a escala breve de avaliação psiquiátrica (BPRS, sigla do inglês Brief Psychiatric Rating Scale).

O desfecho primário de interesse do estudo foi a redução dos sintomas positivos e negativos da esquizofrenia, avaliada pelas escalas de sintomas PANSS e BPRS.

As pesquisadoras descobriram que todos os ensaios clínicos que mediram os sintomas usando a escala PANSS mostraram redução estatisticamente significativa na pontuação total das mulheres tratadas com estrogênio em comparação com as mulheres tratadas exclusivamente com algum antipsicótico.

A revisão também mostrou que quanto maior a dose de estrogênio, maior foi a redução da pontuação total pela escala PANSS. O único estudo que avaliou os sintomas pela escala BPRS mostrou uma tendência de redução, sem significância estatística, na pontuação total das participantes tratadas com estrogênio em comparação com aquelas tratadas com apenas com antipsicótico.

A Dra. Viviana disse que o estrogênio como tratamento adjuvante para mulheres com esquizofrenia, em geral, parece levar à redução dose-dependente dos sintomas positivos e negativos. Embora não haja implicações clínicas neste momento, a Dra. Viviana acrescentou que as descobertas definitivamente justificam a realização de novos estudos em uma população maior e diversificada.

“Oportuno e importante”

 

“Observa-se de maneira consistente que sintomas psiquiátricos podem aparecer no período pré-menstrual, o que engloba os sintomas psiquiátricos positivos e negativos das mulheres com esquizofrenia”, disse a Dra. Dolores, professora de psiquiatria, neurociência e ciências genéticas e genômicas da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, em Nova York.

Além disso, a Dra. Dolores mencionou que a desregulação dos hormônios gonadais é uma característica comum da esquizofrenia, independente do tratamento. Ela também destacou que o estrogênio e o hormônio do estresse, cortisol, têm uma relação inversa; o nível de estresse é comumente alto em mulheres com esquizofrenia, o que, por sua vez, reduz os níveis de estrogênio.

A Dra. Dolores disse que o estrogênio pode ser um importante tratamento adjuvante para algumas mulheres. Entretanto, ela acrescentou que “o tratamento com estrogênio não é isento de riscos”.

Pesquisas anteriores mostraram que o estrogênio tem sido associado a alto risco de câncer e pode elevar a pressão arterial.

As pesquisadoras e a Dra. Dolores informaram não ter relações financeiras relevantes.

American Psychiatric Association (APA) 2019: P2-2 Apresentado em 18 de maio de 2019.

#La #violencia, relacionada con la exposición a múltiples #factores de riesgo en la infancia

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Un estudio analiza los elementos que contribuyen a la aparición de conductas agresivas en la población adulta.

Grupo Cibersam

Equipo de investigación de la Facultad de Biología de la Universidad de Barcelona, el Instituto de Biomedicina de la UB (IBUB) y el Cibersam. (DM/CF)

Vivir en grandes ciudades, experimentar abuso físico o sexual, consumir cannabis o abusar del alcohol durante la infancia o la adolescencia son algunos factores que pueden determinar el riesgo de desarrollar un comportamiento agresivo o violento en la edad adulta, según un estudio publicado en la revista Molecular Psychiatry.

El nuevo estudio presenta evidencias científicas del efecto combinado de diferentes factores en el riesgo de convertirse en un adulto violento y de manera independiente a la presencia de un trastorno mental.

El trabajo ha sido desarrollado por expertos del Instituto Max Planck de Medicina Experimental, en Gotinga (Alemania), una institución en la Marina Mitjans, una de las primeras firmantes del artículo y miembro del Centro de Investigación Biomédica en Red de Salud Mental (Cibersam), está realizando una estancia postdoctoral.

Está basado en el análisis de más de 1.500 personas diagnosticadas de esquizofrenia y seleccionadas por el equipo dirigido por la profesora Hannelore Ehrenreich, del Instituto Max Planck de Medicina Experimental, junto con una muestra poblacional de más de 550 personas de la población general española.

En el marco del estudio, se analizó si los individuos habían estado expuestos durante su infancia y juventud a diferentes factores: vivir en una gran ciudad, abuso físico o sexual, pertenecer a un colectivo de inmigrantes, consumir cannabis y beber alcohol en exceso.

En los pacientes con diagnóstico de esquizofrenia, la presencia de conducta violenta se estableció en función de la existencia de condenas por crímenes violentos (abuso sexual, homicidio involuntario, agresión o asesinato). En el caso de la población general, se utilizaron indicadores relacionados con las conductas de agresión violenta, como la presencia de aspectos antisociales psicopáticos así como rasgos de personalidad relacionados con agresión u hostilidad.

Aumento escalonado del riesgo

Según los resultados, la probabilidad de convertirse en un adulto violento y agresivo se incrementaba de forma significativa en todos los grupos analizados que mostraban un factor de alto riesgo como mínimo. A medida que se añadían factores de riesgo, la probabilidad aumentaba de manera escalonada. En los individuos que presentaban tres o más factores de riesgo, el riesgo de presentar actitudes agresivas y violentas en la edad adulta se multiplicaba hasta diez veces.

En conclusión, la expresión de la agresividad en la edad adulta está relacionada con la exposición a múltiples factores de riesgo en la niñez o la adolescencia, apuntan los autores. Además, y de manera importante, este riesgo sería independiente a la existencia de un trastorno mental previo en el individuo.

También se comprobó en un subgrupo seleccionado de 142 individuos que los individuos caracterizados como de alto riesgo ambiental presentaban niveles más elevados de ARNm de la histona-deacetilasa1 (HDAC1), un mediador de procesos epigenéticos. Este descubrimiento abre nuevos interrogantes sobre el posible efecto de la huella epigenética -los efectos de las condiciones ambientales sobre la expresión génica- en el desarrollo de perfiles violentos en la edad adulta.

El nuevo estudio subraya la necesidad de impulsar medidas de tipo psicosocial que mejoren las políticas de prevención contra la violencia en toda la sociedad. Ante este reto, es preciso desarrollar estrategias de intervención psicosocial desde edades tempranas que implican la participación y el compromiso de familias y de los agentes sociales (educadores, etc.).

Jóvenes, minorías étnicas y grupos socioeconómicos desfavorecidos son los más vulnerables de sufrir un primer #episodio de psicosis (JAMA Psychiatry)

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  • Noticias Médicas

Un consorcio internacional liderado por científicos de la Universidad de Sao Paulo, Brasil, ha descubierto que los hombres jóvenes, los que pertenecen a una minoría étnica o los viven en áreas socioeconómicas más desfavorecidas tienen mayor riesgo de sufrir un episodio de psicosis, considerado la primera manifestación de varios trastornos mentales graves como la esquizofrenia, el trastorno bipolar o la depresión.

El hallazgo, publicado en JAMA Psychiatry, es el primero de un trabajo internacional en el que también participan investigadores de España, Francia, Inglaterra, Italia y Países Bajos, y que persigue identificar los colectivos más vulnerables de sufrir este trastorno.

En los últimos años varios estudios han apuntado que la incidencia del primer episodio de psicosis varía por países. Así, se ha visto que en los países europeos estos trastornos son más frecuentes en las grandes ciudades, en comparación con las zonas rurales, así como en determinadas minorías étnicas, como en la población inmigrante de raza negra procedentes de la región del Caribe o África.

En el estudio brasileño incluyeron datos de 26 municipios del área administrativa de Ribeirao Preto, en el estado de Sao Paulo, donde identificaron un total de 2.774 personas que se pusieron en contacto con los servicios de salud mental ante un posible primer episodio de psicosis, de los que algo más de la mitad (1.578) eran hombres.

La mediana de edad en la que se producían estos episodios eran 30 años, según los datos recopilados por todo el consorcio, pero la comparativa por países mostró una fuerte variabilidad en la incidencia, ya que mientras que en Santiago (España) se registraban 6 casos nuevos por cada 100.000 habitantes y año, en París los casos se multiplicaban por ocho (46 por cada 100.000 habitantes). Además, en Brasil los brotes debutaban mucho antes, a los 21 años.

“El estudio confirmó que la incidencia del primer episodio de psicosis varía considerablemente entre las grandes ciudades y las zonas rurales. Y también demostró que los factores ambientales probablemente desempeñan un papel crucial en esta variación significativa”, según Paulo Rossi Menezes, uno de los autores del estudio.

El estudio también mostró que la incidencia del primer episodio de psicosis fue mayor entre los hombres de entre 18 y 24 años que entre las mujeres del mismo grupo de edad, pero a medida que van cumpliendo años la incidencia suele hacerse más pareja e incluso puede llegar a invertirse, como se ha visto en mujeres de 45 a 54 años, donde el riesgo es un levemente más alto que en los hombres.

“No sabemos exactamente por qué existen estas diferencias en la incidencia por sexos y grupos de edad, pero pueden estar relacionadas con el proceso de maduración cerebral, que se produce entre los 20 y 25 años”, según Menezes.

Los investigadores también encontraron que la incidencia del primer episodio de psicosis es alta entre las minorías étnicas y en áreas con menos viviendas ocupadas por sus propietarios, lo que explica el papel que pueden jugar las condiciones socioeconómicas en este aspecto.

“Si podemos identificar los factores de riesgo para el desarrollo de estos trastornos mentales en grupos más vulnerables, podremos intervenir para reducir su incidencia”, concluye.

#Psicose química aumenta o risco de #esquizofrenia e #transtorno bipolar

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ATUALIZADO em 12 de dezembro de 2017 — A psicose induzida por substâncias químicas, especialmente pela Cannabis sativa, ou maconha, está associada de modo significativo tanto ao transtorno bipolar (TB) quanto à esquizofrenia de início tardio, sugere uma nova pesquisa. Em um estudo dinamarquês feito com quase 6.800 pacientes apresentando quadros psicóticos induzidos por algum tipo de substância química, quase um terço dos participantes evoluiu para esquizofrenia ou transtorno bipolar nos 20 anos de acompanhamento.

A proporção da conversão foi ainda maior entre os mais de 1.200 pacientes que apresentaram psicose induzida pela maconha, com quase metade dos participantes comprometidos.

Embora os atos de autoagressão após o quadro psicótico tenham sido significativamente associados a maior risco de conversão tardia em transtorno bipolar e esquizofrenia, a idade mais jovem na época do quadro psicótico foi associada de modo significativo à evolução somente para esquizofrenia.

Carsten Hjorthøj, PhD, do Mental Health Center, Copenhagen University Hospital, na Dinamarca, disse ao Medscape que a mensagem mais importante é a de acompanhar qualquer paciente com psicose induzida por alguma substância química “durante um longo período de tempo, talvez até mesmo na ausência de sintomas psicóticos”.

Dr. Carsten Hjorthøj

Estes pacientes “têm um risco muito maior de abrir um quadro de doença mental grave, mesmo após a fase aguda e a alta”, acrescentou.

“Se os médicos não o puderem fazer, então os pacientes, bem como amigos e familiares, devem ser instruídos a identificar os sinais iniciais da doença mental e a como reagir apropriadamente, o mais cedo possível”.

Os resultados foram publicados on-line em 28 de novembro no periódico American Journal of Psychiatry.

Debate sem fim

“Investigar as psicoses induzidas por substâncias químicas é interessante pelo pouco que sabemos a esse respeito – menos ainda do que você possa imaginar”, disse Hjorthøj.

“Além disso, a potencial relação etiológica entre o uso de substâncias químicas e a deflagração tardia da doença mental grave é mal compreendida; a existência ou não de alguma relação de causalidade é o cerne de um debate infindo. O estudo em tela tem o potencial de ser um elo importante nesta discussão”.

O pesquisador acrescentou que, dado o aumento na incidência dos quadros de psicose induzida por substâncias químicas, especialmente pelo uso de maconha, é importante determinar se existem efeitos tardios.

“Isso poderia, sem dúvida, ser ainda mais importante em um mundo em que vemos uma tendência crescente de legalização ou descriminalização do consumo da maconha”, disse Hjorthøj.

Além disso, “uma compreensão melhor de quais outros fatores possam determinar essa relação irá nos ajudar a descobrir o que fazer, em termos de prevenção direcionada e de acompanhamento personalizado”.

Os pesquisadores examinaram os dados do Danish Civil Registration System e do Psychiatric Central Research Register de 6.788 pacientes (75% homens) diagnosticados entre 1994 e 2014 com psicose induzida por substâncias químicas. Os pacientes com diagnóstico anterior de transtorno bipolar ou transtornos do espectro da esquizofrenia foram excluídos do estudo.

Incidência expressiva de conversão

A psicose induzida pelo álcool foi o diagnóstico mais comum (N = 1.680), seguida pela psicose induzida pela mistura de substâncias químicas ou por outras substâncias (N = 1.405) e pela maconha (N = 1.222).

Curiosamente, a média de idade ao início da psicose deflagrada por álcool, opioides ou sedativos foi acima dos 45 anos. A média de idade foi de 30 anos ou menos nos casos de psicose causada por maconha, anfetaminas, alucinógenos, cocaína e “outras substâncias”.

Depois de um episódio psicótico induzido por alguma substância química, os índices de conversão ao longo de 20 anos de acompanhamento foram:

  • 32,2% tanto para a esquizofrenia quanto para o transtorno bipolar (intervalo de confiança, IC, de 95%, de 29,7 a 34,9)
  • 26,0% para a esquizofrenia isolada (IC de 95%, de 23,7 a 28,9)
  • 8,4% para apenas o transtorno bipolar isolado (IC de 95%, de 7,4 a 9,5)

O mais alto índice de conversão para esquizofrenia ou transtorno bipolar, ou para esquizofrenia isolada, foi o da psicose induzida pela maconha (47,4% e 41,2%, respectivamente).

A tabela a seguir mostra os índices de conversão dos outros tipos de substâncias químicas.

Tabela. Incidência de conversão para esquizofrenia ou transtorno bipolar após quadro de psicose induzida por substâncias químicas

Substância Incidência (%) Intervalo de confiança de 95%
Misturas/outras substâncias 35,0 31,8 a 38,3
Anfetaminas 32,3 26,0 a 39,7
Alucinógenos 27,8 19,5 a 38,6
Álcool 22,1 17,6 a 27,5
Opioides 20,9 11,9 a 35,1
Cocaína 20,2 13,7 a 29,3
Sedativos 19,9 12,8 a 30,1

 

Os pesquisadores também parearam estes pacientes a um grupo de comparação formado de participantes saudáveis. A hazard ratio (HR) de conversão para esquizofrenia entre os pacientes com psicose induzida por substâncias químicas foi de 73,3 vs. o grupo de comparação (IC de 95%, de 65,2 a 91,7; P < 0,001). A HR foi de 24,4 de conversão para transtorno bipolar (IC de 95%, de 20,1 a 29,6; P < 0,001).

A substância associada ao maior risco de conversão para esquizofrenia foi a maconha (HR de 101,7; IC de 95%, de 74,1 a 139,7; P < 0,001). A HR de conversão para transtorno bipolar da maconha foi de 32,5 (IC de 95%, de 21,1 a 50,0; P < 0,001).

Todos os tipos de psicose induzida por substâncias químicas, com exceção da psicose relacionada com os sedativos, foram significativamente associados a aumento do risco de esquizofrenia e de transtorno bipolar (para todas as comparações, P < 0,001). A psicose induzida por sedativos foi associada à conversão para transtorno bipolar isolado (HR de 33,0).

“Observamos que 50% das conversões para esquizofrenia ocorreram nos 3,1 anos após o episódio de psicose induzida por substâncias químicas, e 50% das conversões para doença bipolar ocorreram em 4,4 anos”, escreveram os pesquisadores.

No subgrupo com psicose induzida pela maconha, metade dos homens converteram para esquizofrenia em dois anos, e metade das mulheres converteram em 4,4 anos.

O risco de esquizofrenia diminuiu com o aumento da idade no momento do episódio psicótico induzido por qualquer substância química. O maior risco se deu na faixa etária dos 16 aos 25 anos. Este padrão não foi observado na conversão para transtorno bipolar.

A HR foi de 1,92 de conversão para esquizofrenia em caso de automutilação após o episódio de psicose (IC de 95%, de 1,58 a 2,34); a HR de conversão para transtorno bipolar foi de 1,60 (IC de 95%, de 1,13 a 2,27).

Necessidade de acompanhamento prolongado

“Com base nos diferentes fatores de risco identificados em diferentes análises, e nos índices globais de conversão de 32,2%, parece bem razoável sugerir que todos os pacientes com psicose induzida por substâncias químicas devem ser encaminhados para acompanhamento”, escreveram os pesquisadores.

Os autores acrescentam que este período de acompanhamento deverá ser de pelo menos dois anos, mas que um acompanhamento mais prolongado pode evitar casos de automutilação.

“Na Dinamarca os pacientes são encaminhados para acompanhamento após a automutilação, mas não depois de um episódio de psicose induzida por substâncias químicas”, escrevem.

No estudo, “a magnitude do problema da conversão foi um tanto surpreendente”, acrescentou Hjorthøj.

“A psicose induzida por substâncias químicas claramente não é um quadro inofensivo quando cerca de um terço de todos os casos mais tarde evolui para esquizofrenia ou transtorno bipolar”.

O pesquisador observou ter ficado surpreso ao não encontrar nenhum grupo de risco claramente baixo de conversão, “razão pela qual concluímos que todos os pacientes com psicose induzida por substâncias químicas devem ser monitorados de perto”.

Acompanhamento por at é 15 anos?

Convidado a comentar, O Dr. Michael E. Thase, médico e professor de psiquiatria da University of Pennsylvania Perelman School of Medicine, na Filadélfia, disse ao Medscape que, embora o estudo seja interessante, as conclusões dele não causam surpresa – especialmente porque “grande parte disso já foi descrito anteriormente”.

“Quando alguém está doente, nunca sabemos ao certo o que vai acontecer”, disse o Dr. Thase. Portanto, o comentarista concordou com os pesquisadores que o acompanhamento é importante para estes pacientes.

“Eu também me voltaria para os pais, porque todas as pessoas com alguma dessas doenças têm família e/ou entes queridos”, disse Dr. Thase.

“Se o seu filho aparecer com um quadro de psicose aguda no contexto do uso de substâncias químicas, até mesmo a hipótese diagnóstica inicial tem valor relativo. O acompanhamento atento é importante, como o é estar aberto à possibilidade de que as coisas possam ser melhores do que o que foi considerado inicialmente”.

O comentarista acrescentou que o acompanhamento deve ser feito por períodos mais longos do que o habitual.

“Me parece que estes adultos devem ser acompanhados durante cinco, oito, 10 ou 15 anos antes de você realmente ter mais certeza de qual é a verdade”.

Dr. Thase também observou que pesquisas anteriores mostraram a associação entre a esquizofrenia e uso da maconha, assim os resultados do novo estudo sobre o tema não chamaram especialmente a atenção dos especialistas.

“Isso já é conhecido há cerca de 10 anos. Pessoalmente, acredito que como a maconha é um alucinógeno fraco, quando o uso dela deflagra um quadro psicótico, o mais provável é que o paciente seja propenso à psicose. Como não é uma droga pesada, se exercer esse tipo de efeito debilitante provavelmente você é mais vulnerável”, disse Dr. Thase.

Hjorthøj e um dos dois outros autores do estudo informaram não possuir conflitos de interesse relativos ao tema. O outro autor recebeu uma bolsa de pesquisa de graduação da Lundbeck Foundation pelo trabalho descrito no artigo.

Am J Psychiatry. Publicado on-line em 28 de novembro de 2017. Resumo

#FDA libera #medicamento com #sensor digital deglutível

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ATUALIZADO em 14 de novembro de 2017 | A US Food and Drug Administration (FDA) aprovou o aripiprazol em comprimido contendo um sensor embutido que pode ser ingerido e que registra por meios digitais quando e se a medicação é tomada. O Abilify MyCite™ (Otsuka Pharmaceutical Co/Proteus Digital Health) é o primeiro sistema de medicina digital a ser aprovado pela FDA.

O produto foi aprovado para o tratamento da esquizofrenia, dos episódios agudos de mania, de episódios mistos associados a doença bipolar do tipo I, e para uso como tratamento adjuvante do transtorno depressivo maior em adultos.

“Poder controlar a tomada dos medicamentos prescritos nos casos de doença mental pode ajudar alguns pacientes”, disse o Dr. Mitchell Mathis, diretor da Division of Psychiatry Products do Center for Drug Evaluation and Research da FDA, em um comunicado à imprensa.

“A US Food and Drug Administration apoia a criação e a utilização de novas tecnologias para os medicamentos que exigem prescrição médica, e está empenhada em trabalhar com as empresas no sentido de entender como a tecnologia pode beneficiar os pacientes e os médicos”.

O sistema funciona enviando uma mensagem do sensor embutido no comprimido para um adesivo portátil que o paciente deve usar, que transmite a informação para um aplicativo móvel, permitindo que os pacientes registrem a tomada diária de medicamentos no celular. Os pacientes podem permitir que os profissionais de saúde tenham acesso às suas informações por meio de uma plataforma na internet. O adesivo detecta e registra a data e a hora da tomada do comprimido, bem como alguns dados fisiológicos, tais como o nível de atividade.

O sensor embutido no comprimido é do tamanho de um grão de areia, sendo feito de ingredientes encontrados em alimentos. O sensor é ativado ao entrar em contato com a secreção estomacal, sendo a seguir digerido e eliminado do corpo.

“Até agora, o tratamento farmacológico das doenças mentais graves tem sido desprovido de uma abordagem sistemática que acompanhe e sinalize de forma objetiva que o paciente esteja tomando o medicamento”, disse o Dr. John Kane, vice–presidente sênior do Behavioral Health Services da Northwell Health, em Glen Oaks, Nova York, em um comunicado divulgado pela Otsuka e pela Proteus Digital Health.

“A aprovação do Abilify MyCite™, o primeiro sistema de medicina digital, significa que pela primeira vez em meus anos de experiência como psiquiatra aparece uma forma inovadora de tratar as pessoas com doença mental grave, oferecendo aos pacientes, aos familiares deles, e às equipes de profissionais de saúde informações objetivas sobre os padrões de tomada da medicação, a fim de auxiliar a construir uma estratégia de conduta terapêutica individualizada. Estas informações possibilitam a oportunidade de um diálogo franco com o paciente”, disse o Dr. Kane.

Big Brother?

Em uma entrevista ao Medscape, o Dr. Jeffrey Lieberman, professor catedrático de psiquiatria na Columbia University, e chefe da psiquiatria do New York–Presbyterian Hospital, disse que “afirmaria peremptoriamente que esta inovação, ao casar a tecnologia com a farmacoterapia, foi boa e positiva. Porém, existem muitas indagações em termos dos benefícios que ela trará aos pacientes e aos profissionais de saúde, e se estes benefícios valem a pena, independentemente da ordem de aumento do custo do tratamento. Isso vai depender do que as evidências revelarem em termos de melhora da adesão e da diminuição das consequências do abandono do tratamento. Mas não sabemos o quão eficaz isso será porque estes estudos ainda não foram feitos”.

Também é preciso ver se os pacientes esquizofrênicos irão aceitar o Abilify digital.

“Quando você pensa que este tratamento é indicado para pessoas com sinais e sintomas psicóticos, como delírios paranoicos, pode-se levantar a questão de isso ser invasivo, ou que isso soa um pouco como autoritarismo do governo, a invasão da minha autonomia pessoal pelo Big Brother“, disse Lieberman.

Convidado a comentar, o Dr. Michael Birnbaum, diretor do Early Treatment Program (para a psicose) no Lenox Hill Hospital, na cidade de Nova York, disse ao Medscape que a “adoção contínua de ferramentas tecnológicas novas e inovadoras é onipresente. Isso também vale para os pacientes com esquizofrenia. A tecnologia vai revolucionar o atendimento em saúde comportamental, e esta inovação é apenas o início da transformação digital.”

“Embora algumas pessoas possam inicialmente ficar reticentes, para muitas esses recursos oferecem a oportunidade de capturar passivamente dados digitais que podem ser fundamentais para melhorar os resultados. Em nível pessoal, um sistema de rastreamento digital por ingestão pode ajudar a lembrar os pacientes com esquizofrenia quando eles esqueceram de tomar os medicamentos. Este é um passo à frente no sentido de obter informações mais direcionadas e precisas sobre a adesão à medicação, e pode ajudar a tomar decisões individualizadas bem fundamentadas, o que é uma das características que definem a medicina de precisão”, acrescentou o Dr. Birnbaum.

Lançamento limitado

A capacidade dos comprimidos com sensor de melhorar a adesão do paciente ao tratamento, ou de modificar a posologia do aripiprazol ainda não foi determinada. A utilização do produto para controlar a tomada de medicamentos em tempo real, ou numa situação de emergência, não é recomendada porque a detecção pode ser tardia ou pode não ocorrer. A detecção da ingestão do comprimido pode levar de 30 minutos a duas horas. Às vezes o sistema pode não detectar que o medicamento foi tomado.

Segundo o fabricante, o lançamento do sistema Abilify MyCite™ será realizado em estreita colaboração com um seleto número de médicos e planos de saúde, que irão identificar um número restrito e adequado de adultos com esquizofrenia, transtorno bipolar do tipo I ou transtorno depressivo maior que poderiam se beneficiar com este novo sistema de medicina digital.

“Este lançamento limitado é proposital, já que com menos pessoas usando o sistema inicialmente isso significa que os médicos delas, os planos de saúde, e a empresa Otsuka, poderão se concentrar em aprender com as experiências destes pacientes. Por meio do retorno contínuo daqueles que usarão o sistema todos os dias, a Otsuka irá aprimorar ainda mais a experiência de todos os potenciais utilizadores do sistema Abilify MyCite™. Este lançamento inicial limitado será um passo crucial na determinação de um plano de comercialização mais abrangente”, disse o fabricante.

#Novos #tratamentos para os #sintomas negativos da #esquizofrenia acirram o debate

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Deborah Brauser

O tratamento dos sintomas negativos na esquizofrenia sempre foi um desafio para os médicos. Atualmente, não existem medicamentos aprovados pela US Food and Administration (FDA) para esta indicação específica, mas descobertas recentes feitas em pesquisas podem oferecer novas esperanças.

Embora os antipsicóticos ajudem a tratar os sintomas positivos principais e/ou primários da esquizofrenia, como as alucinações e os delírios, eles não têm sido eficazes para o tratamento dos sintomas negativos primários, como a apatia, a ausência de emoção, e a dificuldade de socialização.

No entanto, resultados provenientes de um ensaio clínico de fase 2b com 244 pacientes  publicados recentemente mostraram que aqueles que receberam 32 mg/dia ou 64 mg/dia do antipsicótico experimental MIN-101 (Minerva Neurosciences) tiveram menor pontuação na 12ª semana na Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS) do que aqueles que receberam placebo.

Isso segue a pesquisa apresentada em junho na reunião anual da American Society of Clinical Psychopharmacology, e publicada no periódico Lancet, mostrando os bons resultados do antipsicótico cariprazina, que tem um mecanismo de ação diferente do MIN-101.

Comentando estas novas descobertas para o Medscape, o Dr. William T Carpenter, médico da University of Maryland School of Medicine,e do Maryland Psychiatric Research Center, em Baltimore, disse que, embora ainda seja necessário fazer mais pesquisas, existem razões para um otimismo comedido neste momento, especialmente no que se refere ao MIN-101.

Dr. William Carpenter

“O que será interessante é saber se este mecanismo é realmente independente do mecanismo dopaminérgico”, disse o Dr. Carpenter, que também é ex-presidente do American College of Neuropsychopharmacology.

“Existe com certeza de uma necessidade terapêutica não atendida. Este tem sido um campo da esquizofrenia estagnado, por isso é empolgante ver algo sobre um novo mecanismo”.

Por outro lado…

O ex-presidente da American Psychiatric Association (APA), Dr. Jeffrey Lieberman, é mais cético.

“Eu advertiria as pessoas contra um entusiasmo exagerado”, disse o Dr. Lieberman, professor e diretor da psiquiatria da Columbia University, e chefe do New York Presbyterian Hospital Columbia Medical Center, em Nova York.

Dr. Jeffrey Lieberman

“Os sintomas negativos são uma dimensão preponderante da esquizofrenia e, embora não sejam angustiantes, certamente são incapacitantes em termos da limitação funcional. E, embora tenha havido alguns chutes para o gol no tratamento desses sintomas, nenhum emplacou”, disse ele.

A cariprazina é um agonista parcial do receptor D3/D3 da dopamina, aprovada pela FDA para o tratamento geral da esquizofrenia. O estudo de fase 3b, publicado no início deste ano no Lancet teve 460 pacientes e revelou melhora mais importante dos sintomas negativos entre aqueles que receberam cariprazina do que entre aqueles que receberam risperidona.

A amissulprida e a asenapina também foram consideradas benéficas para o tratamento dos sintomas negativos da esquizofrenia. Mas houve uma certa controvérsia sobre a especificidade desse benefício – seria ele apenas um efeito secundário do tratamento dos sintomas positivos?

Além disso, os antipsicóticos atualmente disponíveis têm pelo menos alguma atividade antidopaminérgica; e alguns bloqueadores do receptor D2 da dopamina podem causar efeitos adversos semelhantes aos sintomas negativos.

No recente estudo da cariprazina, os pesquisadores “não puderam excluir a possibilidade de haver mecanismos dopaminérgicos envolvidos” no efeito do tratamento, disse o Dr. Carpenter.

O Dr. Lieberman foi mais longe, dizendo que não viu nenhum “efeito terapêutico” real do medicamento nos sintomas negativos. “Se alguém desejar aprofundar isso de forma realmente rigorosa, ótimo; seria bom ver esses resultados. Mas pelos dados disponíveis até agora, os benefícios foram exagerados”, disse ele.

“Não existe fundamento teórico farmacológico plausível sobre a razão pela qual isto seria particularmente eficaz com base no que sabemos acerca da fisiopatologia dos sintomas negativos”.

Por outro lado, o MIN-101 é um derivado de amida cíclica com alta afinidade equipotente pelos receptores s-2 e 5-hidroxitriptamina2A (5-HT2A), sem afinidade direta pela dopamina.

“Este parece ter um mecanismo inteiramente novo”, observou o Dr. Carpenter.

Desfecho primário alcançado

Um ensaio clínico de prova conceitual de fase 2a com pacientes com esquizofrenia aguda demonstrou que aqueles que receberam o MIN-101 apresentaram melhora significativa dos sintomas negativos, de acordo com a pontuação na escala PANSS na 12ª semana, em comparação aos participantes que receberam placebo.

O recente ensaio clínico randomizado de fase 2b foi realizado em 36 centros em seis países europeus. Foram recrutados pacientes adultos dos 18 aos 60 anos, com sintomas estáveis de esquizofrenia, e sintomas negativos moderadamente graves.

Os resultados alcançaram o desfecho primário, com redução significativa da pontuação dos sintomas negativos pela escala PANSS na 12ª semana entre aqueles que receberam MIN-101 na dose de 32 mg/dia (P < 0,02) e 64 mg/dia (P < 0,004) comparados ao grupo do placebo. A melhora também foi demonstrada na 8ª semana com ambas doses. e na 2ª semana para o grupo com a dose de 32 mg/dia.

Curiosamente, não houve diferença entre os grupos na pontuação dos sintomas positivos pela escala PANSS na 12ª semana, mostrando que a melhora direta e específica dos sintomas negativos pode ser atribuída ao MIN-101, disse, na época, o primeiro autor Dr. Michael Davidson, diretor médico da Minerva e professor de psiquiatria na Sackler School of Medicine,na Tel Aviv University (Israel).

“Para a maioria dos pacientes esquizofrênicos, os sintomas negativos persistem muito além da melhora ou da remissão dos sintomas positivos, e respondem pela dificuldade vocacional e de socialização desses pacientes”, acrescentou o Dr. Davidson.

Mais tarde, Dr. Davidson disse ao Medscape que, com base nos resultados da fase 2b, e após conversações com a FDA, o laboratório planeja iniciar um ensaio clínico de fase 3 com 501 pacientes antes do final deste ano.

“Tivemos uma ‘reunião de fim de fase 2’ com eles”, disse o pesquisador. Vários países irão participar do próximo estudo, incluindo os Estados Unidos.”

“Sem embargo, definitivamente há motivo para o otimismo”, disse o Dr. Davidson. “Não existe outra substância que tenha sido realmente proveitosa para os sintomas negativos. Agora, para os médicos é ‘esperar para ver’, enquanto aguardamos os resultados da fase 3, mas estou muito otimista”.

Razão para otimismo?

O Dr. Carpenter, que não participou desta pesquisa, observou que muitos estudos sobre os sintomas negativos demonstraram somente efeitos discretos.

“Virtualmente, não existe nenhum desenho que permita isolar os sintomas negativos; e se você fizer este desenho, não haverá evidências de um tratamento efetivo”, disse ele.

“Eu gosto deste estudo porque os pesquisadores usam muitos elementos do desenho acordados como necessários para a obtenção da indicação da FDA de eficácia para o tratamento dos sintomas negativos”.

Dr. Carpenter acrescentou, porém, que muita coisa pode acontecer entre os ensaios clínicos de fase 2 e os de fase 3. “Todos ficamos tensos, mas se eu fosse o pesquisador, eu estaria confiante”, disse o médico.

Embora o Dr. Carpenter ainda tenha algumas questões em relação ao estudo de fase 2, como questionamentos sobre os índices de abandono do estudo, e sobre o fato de a escala Brief Negative Symptom Scale ser uma medida melhor e mais detalhada do que a escala PANSS, “acho que os pesquisadores foram muito além da maioria dos desenhos de estudo já feitos anteriormente”.

No entanto, o Dr. Lieberman não está impressionado. “Algumas vezes, quando os resultados parecem ser compreendidos como positivos, a pesquisa com a substância progride. E este é o caso com o medicamento experimental da Minerva”, disse o médico.

“Em última análise, isto não vai produzir nenhum valor científico ou clínico com base na farmacologia da substância experimental. Não existe fundamentação teórica clara sobre o motivo pelo qual este fármaco seria terapêutico para os sintomas negativos. E não existe nada proveniente dos dados pré-clínicos e clínicos que me dê um mínimo de esperança”.

Ainda na estaca zero

O objetivo de tratar com eficácia os sintomas negativos da esquizofrenia tem se mostrado fugidio há muitos anos, reiterou o Dr. Carpenter.

Alguns antipsicóticos, mesmo se concentrando nos sintomas positivos, demonstraram algum efeito nos sintomas negativos, “o que é clinicamente vantajoso, mas não é eficaz. E este é um equívoco que tem sido amplamente cometido”, disse o médico.

O Dr. Lieberman observou que na década de 90, o National Institute of Mental Health e a seção de neuropsicofarmacologia da FDA concordaram em trabalhar em conjunto para criar “uma via de desenvolvimento de medicamentos para tratamentos que se concentrassem nos sintomas não psicóticos da esquizofrenia”, como o comprometimento cognitivo e os sintomas negativos.

“Isso viabilizou um caminho bem sinalizado, e um incentivo para os laboratórios farmacêuticos. Embora os antipsicóticos tenham sido a pedra angular do tratamento desta doença, sabia-se bem que esses fármacos não faziam nada para os sintomas negativos. Por isso, havia a necessidade de medicamentos associados”.

Dr. Lieberman disse que ele não chamaria isto necessariamente de “início da corrida do ouro”, mas isso conferiu o incentivo ao qual muitas empresas responderam. “Não obstante, até agora tudo falhou ou, pelo menos, não correspondeu às expectativas”.

Para mostrar a eficácia real de um tratamento potencial, os sintomas negativos secundários da psicose precisam ser separados dos sintomas negativos primários. “E o estudo feito pela Minerva não demonstrou isso de forma conclusiva”, disse o Dr. Lieberman.

“No geral, eu diria que ainda estamos na estaca zero. Não é que não haja mais esperança, mas o pesquisador assume todos os riscos. Este é um objetivo digno de perseguir, mas ainda não encontramos a chave para desbloquear o segredo da patologia”.

O estudo MIN-101 foi financiado pela Minerva Neurosciences. O Dr. Davidson é funcionário da Minerva. O Dr. Carpenter informou não possuir relações financeiras relevantes ao tema, mas uma vez forneceu orientações a uma empresa de consultoria sobre dados hipotéticos para o tratamento de esquizofrenia. O Dr. Lieberman recebeu subsídios de pesquisa das empresas Alkermes, Biomarin, EnVivo/Forum, Genentech, Novartis/Novation e Sunovion. Dr. Lieberman também escreve uma coluna para o Medscape.

 

Nuevas evidencias asocian el consumo de cannabis con el riesgo de padecer esquizofrenia (Psychol Med)

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La relación podría operar en ambas direcciones.

La relación podría operar en ambas direcciones.

Investigadores ingleses han realizado un estudio que evidencia una asociación entre el consumo de cannabis y el riesgo a desarrollar esquizofrenia, no obstante han advertido de que es necesaria una mayor investigación sobre los vínculos entre la salud mental y las drogas ilícitas.

El estudio, publicado en la revista “Psychological Medicine” y realizado por miembros de la University of Bristol, se ha realizado tras las advertencias de salud pública emitidas a principios de este año por investigadores internacionales que expresaron su preocupación por el aumento del riesgo de psicosis en personas vulnerables y dependientes de esta droga.

Este último estudio del departamento de School of Experimental Psychology de Bristol arroja nuevos datos sobre el tema, ya que encontró evidencias que respalda las hipótesis de que el consumo de cannabis es un factor que contribuye al aumento del riesgo de esquizofrenia, los investigadores se sorprendieron al encontrar evidencias también de los contrario, es decir que padecer esquizofrenia aumenta el consumo de cannabis.

“La evidencia sugiere que el riesgo de esquizofrenia predice la probabilidad de probar cannabis”, ha señalado la Dra. Suzi Gage, Investigadora Asociada de la Unidad de Epidemiología Integrativa del MRC, quien recuerda que, “sin embargo, la relación podría operar en ambas direcciones”.

“Nuestros resultados realmente no nos permiten predecir con precisión el tamaño del efecto, está más acerca de proporcionar pruebas de que la relación es realmente causal”, añade.

El estudio utilizó técnicas de Mendelian Randomization (MR) para examinar públicamente los estudios que muestran datos sobre dicha asociación y su relación con los genes. MR es una forma de análisis de variables instrumentales, utilizando variantes genéticas que predicen el riesgo del uso de cannabis, o el riesgo de desarrollar esquizofrenia.

Esta técnica se utilizó como una alternativa a la epidemiología observacional tradicional en un intento de explicar otras variantes que pueden afectar a la asociación, dado que las personas que optan por el uso de cannabis es probable que sean diferentes de los que no en muchas otras maneras.

“Nuestros resultados utilizan un método novedoso para intentar desentrañar la asociación entre el cannabis y la esquizofrenia. Aunque nos encontramos con pruebas más fuertes de que el riesgo de esquizofrenia predice el consumo de cannabis, y no al revés, no descarta un riesgo causal del consumo de cannabis en la esquizofrenia. Lo que será interesante es profundizar en las subpoblaciones potenciales de los usuarios de cannabis que pueden estar en mayor riesgo y conseguir un mejor manejo del impacto del uso intensivo de cannabis”, afirma el investigador.

“En este estudio sólo podríamos considerar la iniciación del cannabis, lo que realmente ayudaría a avanzar en esta investigación es utilizar variantes genéticas que predicen el consumo de cannabis, ya que parece que el uso intensivo de cannabis está más fuertemente asociado con el riesgo de esquizofrenia”, concluye.

Identifican un ARN pequeño que ofrece pistas para calmar las ‘voces’ que oyen los pacientes con esquizofrenia (Nat Med)

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Los hallazgos proporcionan una visión de la demora relacionada con la edad en el inicio de los síntomas de la esquizofrenia.

Los hallazgos proporcionan una visión de la demora relacionada con la edad en el inicio de los síntomas de la esquizofrenia.

Científicos del St. Jude Children’s Research Hospital, en Memphis, Tennessee, Estados Unidos, han identificado un pequeño ARN (microARN) que puede ser esencial para restaurar la función normal en un circuito cerebral asociado con las “voces” y otras alucinaciones características de la esquizofrenia. El microARN, que se detalla en un artículo publicado en “Nature Medicine”, proporciona un posible enfoque para el desarrollo de fármacos antipsicóticos.

El trabajo se realizó en un modelo de ratón de un trastorno humano que es una de las causas genéticas de la esquizofrenia. Basándose en la investigación anterior de St. Jude, los resultados ofrecen nuevos detalles importantes sobre el mecanismo molecular que interrumpe el flujo de información a lo largo de un circuito neural que conecta dos regiones cerebrales involucradas en el procesamiento de la información auditiva. También aportan pistas sobre por qué los síntomas psicóticos de la esquizofrenia a menudo se retrasan hasta la adolescencia tardía o edad adulta temprana.

“En 2014, identificamos el circuito específico en el cerebro al que se dirigen los fármacos antipsicóticos. Sin embargo, los antipsicóticos existentes también provocan efectos secundarios devastadores”, señala el autor Stanislav Zakharenko, miembro del Departamento de Neurobiología del Desarrollo de St. Jude. “En este estudio, identificamos que el microARN es un jugador clave en la interrupción de ese circuito y demostramos que era necesaria la disminución del microARN y resultaba suficiente para inhibir el funcionamiento normal del circuito en los modelos de ratón”, explica.

“También encontramos pruebas que sugieren que el microARN, llamado miR-338-3p, podría ser el objetivo para desarrollar una nueva clase de fármacos antipsicóticos con menos efectos secundarios”, añade. Hay más de 2.000 microARNs cuya función es silenciar la expresión de genes particulares y regular el suministro de las proteínas correspondientes. En un modelo de ratón del síndrome de deleción 22q11, los investigadores identificaron miR-338-3p como el microARN que regula la producción de la proteína D2 del receptor de dopamina (Drd2), la diana principal de los antipsicóticos.

Las personas con el síndrome de deleción corren el riesgo de tener problemas de conducta cuando son niños y entre el 23 y el 43% desarrolla esquizofrenia, un trastorno crónico severo que afecta al pensamiento, a la memoria y al comportamiento. Los científicos de St. Jude están estudiando la esquizofrenia y otros trastornos cerebrales para entender mejor cómo se desarrollan los cerebros normales, lo que proporciona información sobre el origen de enfermedades como el cáncer.

Estos expertos informan que Drd2 aumentó en el tálamo auditivo del cerebro cuando los niveles del microARN disminuyeron. La investigación anterior del laboratorio de Zakharenko relacionó niveles elevados de Drd2 en el tálamo auditivo con interrupciones en el circuito cerebral en ratones mutantes y reveló que la proteína estaba elevada en la misma región cerebral de pacientes con esquizofrenia, pero no en adultos sanos.

Las personas con el síndrome de deleción carecen de parte del cromosoma 22, lo que les deja con una en lugar de las dos copias normales de más de 25 genes. Entre los genes que faltaban está Dgcr8, que facilita la producción de microARNs. Trabajando en ratones, los investigadores han vinculado el síndrome de deleción 22q11 y la supresión de un solo gen Dgcr8 con la disminución relacionada con la edad en miR-338-3p en el tálamo auditivo. El descenso se vinculó con aumento en Drd2 y reducción de la señalización en el circuito que vincula el tálamo y la corteza auditiva, una región del cerebro implicada en la alucinación auditiva.

Los niveles de miR-338-3p fueron menores en el tálamo de individuos con esquizofrenia en comparación con individuos de la misma edad y el mismo sexo sin el diagnóstico. La disminución de miR-338-3p no alteró otros circuitos cerebrales en los ratones mutantes y los hallazgos ofrecen una posible explicación: los niveles de miR-338-3p eran más altos en el tálamo que en otras regiones del cerebro y miR-338-3p fue uno de los microARN más abundantes presentes en el tálamo.

La reposición de los niveles del microARN en el tálamo auditivo de ratones con mutaciones redujo la proteína Drd2 y restauró el funcionamiento normal del circuito, lo que sugiere que el microARN podría ser la base para una nueva clase de fármacos antipsicóticos que actúen de una manera más específica con menos efectos secundarios. Los fármacos antipsicóticos, que se dirigen a Drd2, también restauraron la función del circuito.

Los hallazgos proporcionan una visión de la demora relacionada con la edad en el inicio de los síntomas de la esquizofrenia. Los investigadores del Hospital de Investigación St. Jude observaron que los niveles de microARN cayeron con la edad en todos los roedores, pero que los animales con mutaciones comenzaron con niveles más bajos de miR-338-3p.

“Puede ser necesario un nivel mínimo del microARN para evitar la producción excesiva de Drd2 que interrumpa el circuito –argumenta Zakharenko–. Aunque los niveles de miR-338-3p disminuyen a medida que los ratones normales envejecen, los niveles pueden permanecer por encima del umbral necesario para prevenir la sobreexpresión de la proteína, mientras que el síndrome de deleción puede dejar a los ratones en riesgo de caer por debajo de ese umbral”.

A esquizofrenia na infância: Como detectar a esquizofrenia nas crianças

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ESQUIZOFRENIA-INFANTIL

Como detectar a esquizofrenia em crianças.

A esquizofrenia é uma enfermidade médica que causa pensamentos e sentimentos estranhos e um comportamento pouco usual. É uma enfermidade psiquiátrica pouco comum em crianças, e é muito difícil ser reconhecida em suas primeiras etapas. O comportamento de crianças e adolescentes com esquizofrenia pode diferir dos adultos com a mesma enfermidade.

É uma desordem cerebral que deteriora a capacidade das pessoas para pensar, dominar suas emoções, tomar decisões e relacionar-se com os demais. É uma enfermidade crônica e complexa que não afeta por igual a quem sofre dela.

Estimativas da esquizofrenia

A esquizofrenia é uma enfermidade mental que afeta menos de 1% da população mundial, com independência de raças, civilizações e culturas. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), afeta uns 52 milhões de pessoas em todo o mundo.

No Brasil, estima-se que 1,8 milhão de pessoas são afetadas por esta doença.

Como detectar a esquizofrenia nas crianças?

As esquizofrenias que aparecem antes dos 5 anos, têm traços extremamente comuns ao autismo, e somente com uma evolução posterior, com o aparecimento de sintomas psicóticos, propriamente ditos, permitirá um diagnóstico certo. Antes dos 3 anos, o diagnóstico diferencial é muito improvável.

É praticamente impossível distinguir uma esquizofrenia de um autismo. Somente ficará esclarecido com o passar do tempo. A partir dos 5 anos o diagnóstico diferencial vai-se esclarecendo com a presença de sintomas psicóticos (alucinações, delírios) na esquizofrenia.

Mas pode-se notar alguns sinais de alerta nas crianças com esquizofrenia. O comportamento de uma criança pode mudar lentamente com o passar do tempo. Por exemplo, as crianças que desfrutavam, relacionando-se com outros, podem começar a ficar tímidas e retraídas, com se vivessem em seu próprio mundo. Às vezes começam a falar de medos e ideias estranhas. Podem começar a ficar obstinados pelos pais e a dizer coisas que não fazem muito sentido. Os professores podem ser os primeiros a perceberem esses problemas.

A esquizofrenia é hereditária?

Se na família houve outros antecedentes familiares de esquizofrenia, pode ser hereditária, mas numa porcentagem relativamente baixa (não supera os 25% de possibilidades), mas se a esquizofrenia desencadeou por fatores de estresse ambiental, ou por outras causas que não são genéticas, não há razão para herdá-la.

O que se deve fazer?

As crianças com esses problemas e sintomas devem passar por uma avaliação integral. Geralmente, essas crianças necessitam de um plano de tratamento que envolva outros profissionais. Uma combinação de medicamentos e terapia individual, terapia familiar e programas especializados (escolas, atividades, etc.) são frequentemente necessários. Os medicamentos psiquiátricos podem ser úteis para tratar de muitos dos sintomas e problemas identificados. Estes medicamentos requerem a supervisão cuidadosa de um psiquiatra de crianças e adolescentes.

Formas de esquizofrenia

Nem todas as esquizofrenias são iguais, nem evoluem da mesma maneira. Uma vez realizado o diagnóstico, os profissionais as dividem em quatro:

– PARANÓIDE: É a mais frequente. Caracteriza-se por um predomínio dos delírios sobre o resto dos sintomas, em particular, delírios relativos a perseguição ou suposto dano de outras pessoas ou instituições para o paciente. O doente está desconfiado, inclusive irritado, evita a companhia, olha de relance e com frequência não come. Quando é questionado, dá respostas evasivas. Podem acontecer alucinações, o que gera muita angústia e temor.

– CATATÔNICA: É muito mais rara que a forma anterior, e se caracteriza por alterações motoras, seja por uma imobilidade persistente e sem motivo aparente ou agitação. Um sintoma tipico é a chamada obediência automática, segundo a qual o paciente obedece cegamente todas as ordens simples que recebe.

– HEBEFRÊNICA: É menos frequente, e ainda que também podem dar-se a idéias falsas ou delirantes, o fundamental pode aparecer ants que a paranóide e é muito mais grave, com pior resposta à medicação e evolução mais lenta e negativa.

– INDIFERENCIADA: Este diagnóstico se aplica àqueles casos que sendo verdadeiras esquizofrenias não reúnem as condições de nenhuma das formas anteriores. Pode-se utilizar como uma “gaveta de alfaiate” em que se inclui aqueles pacientes impossíveis de serem definidos.

Tratamento da esquizofrenia

O tratamento dos processos esquizofrênicos podem ficar reservados para o psiquiatra. Requer o emprego de medicamentos difíceis de empregar, tanto pela limitação dos seus efeitos como pela quantidade de reações adversas que podem provocar. Em geral, os sintomas psicóticos antes citados, correspondem a dois grandes grupos:

– Sintomas “positivos”, ou produtivos. Refere-se a condutas ou modos de pensamento que aparecem na crise psicótica, em forma auditiva (novas condutas se somam às existentes). São os delírios e as alucinações, fundamentalmente. Neste caso, a palavra “positivo” não tem conotações favoráveis; significa simplesmente que “algo se soma ou se acrescenta”, e esse “algo” (delírios, alucinações) não é, em absoluto, nada bom.

– Sintomas “negativos”, ou próprios da deterioração: diminuição das capacidades com o aparecimento de sinais de fraqueza e debilidade. Distúrbios psíquicos, perda de ânimo afetivo, dificuldade nas relações interpessoais, incapacidade para trabalhar, etc. São ao principais sintomas negativos.
Pois bem, os tratamentos básicos antipsicóticos (neurolépticos, eletrochoque) podem atuar mais ou menos sobre os “sintomas positivos”. Mas não temos nada que atue de forma brilhante sobre os “negativos”. Somente o emprego de alguns neurolépticos concretos ou de antidepressivos, a doses baixas, pode ser de alguma ajuda. Seu manejo exige muitíssimo cuidado, pois podem reativar uma fase aguda da esquizofrenia. O eletrochoque se reserva para os casos de baixa resposta aos neurolépticos, ou para quadros muito desorganizados com riscos físicos para o paciente (condutas auto-agressivas, por exemplo). Sua utilidade é na fase ativa, e somente para os sintomas “positivos”.

Fontes:

– American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (AACAP)

 

“A psiquiatria está em crise”

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ROBERT WHITAKER | JORNALISTA INVESTIGATIVO

Jornalista quer provar que doenças mentais não se devem a alterações químicas do cérebro

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Tudo começou com duas perguntas. Como é possível que os pacientes de esquizofrenia evoluam melhor em países onde são menos medicados, como a Índia e a Nigéria, do que em nações como os Estados Unidos? E como se explica, tal como proclamou em 1994 a Escola de Medicina de Harvard, que a evolução dos pacientes de esquizofrenia tenha piorado com a implantação de medicamentos, em relação aos anos setenta? Essas duas perguntas inspiraram Robert Whitaker a escrever uma série de reportagens para o jornal Boston Globe – finalista do prêmio Pulitzer de Serviço Público – e dois polêmicos livros. O segundo, Anatomy of an Epidemic (“Anatomia de uma epidemia”, em tradução literal), foi premiado como o melhor livro investigativo de 2010 por editores e jornalistas norte-americanos.

No decorrer dessa pesquisa, surgiu uma corrente de dados avassaladores: em 1955, havia 355.000 pessoas em hospitais com um diagnóstico psiquiátrico nos Estados Unidos; em 1987, 1,25 milhão de pessoas no país recebia aposentadoria por invalidez por causa de alguma doença mental; em 2007, eram 4 milhões. No ano passado, 5 milhões. O que estamos fazendo de errado?

Whitaker (Denver, Colorado, 1952) se apresenta, humildemente, com as mãos nos bolsos, em um hotel de Alcalá de Henares, na periferia de Madri. Sua cruzada contra os comprimidos como solução contra os distúrbios mentais não vai mal. Prestigiadas escolas de medicina o convidam a explicar seus trabalhos. “O debate está aberto nos Estados Unidos. A psiquiatria está entrando em um novo período de crise no país, porque a história que nos contaram desde os anos oitenta caiu por terra”.

Pergunta. No que consiste essa história falsa que, segundo o senhor, nos foi contada?

Resposta. A história falsa nos Estados Unidos e em parte do mundo desenvolvido é que a causa da esquizofrenia e da depressão seria biológica. Foi dito que esses distúrbios se deviam a desequilíbrios químicos no cérebro: na esquizofrenia, por excesso de dopamina; na depressão, por falta de serotonina. E nos disseram que havia medicamentos que resolviam o problema, assim como a insulina faz pelos diabéticos.

P. Em Anatomy of an Epidemic, o senhor afirma que os psiquiatras aceitaram a teoria do desequilíbrio químico porque prescrever comprimidos os fazia parecer mais médicos, os igualava aos colegas de profissão.

“Estão criando mercado para seus medicamentos e estão criando pacientes. É um êxito comercial”

R. Nos Estados Unidos e em muitos outros lugares, os psiquiatras sempre tiveram um complexo de inferioridade. O restante dos médicos costumava enxergá-los como se não fossem médicos autênticos. Nos anos setenta, quando faziam seus diagnósticos baseando-se em ideias freudianas, eram muito criticados. E como poderiam reconstruir sua imagem diante do público? Vestiram suas roupas brancas, o que lhes dava autoridade. E começaram a se chamar a si mesmos de psicofarmacólogos quando passaram a prescrever medicamentos. A imagem deles melhorou. O poder deles aumentou. Nos anos oitenta, começaram a fazer propaganda desse modelo, e nos noventa, a profissão já não prestava atenção a seus próprios estudos científicos. Eles acreditavam em sua própria propaganda.

P. Mas isso parece um exagero, não? É afirmar que os profissionais não levaram em conta o efeito que esses remédios poderiam ter na população.

R. É uma traição. Foi uma história que melhorou a imagem pública da psiquiatria e ajudou a vender medicamentos. No final dos anos oitenta, o comércio desses fármacos movimentava 800 milhões de dólares por ano. Vinte anos mais tarde, já eram 40 bilhões de dólares.

P. E agora o senhor afirma que há uma epidemia de doenças mentais criadas pelos próprios medicamentos.

R. Se estudarmos a literatura científica, observamos que já estamos utilizando esses remédios há 50 anos. Em geral, o que eles fazem é aumentar a cronicidade desses transtornos.

P. O que o senhor diz para as pessoas que tomam remédios? Alguns talvez não precisem, mas outros talvez sim. Essa mensagem, se for mal interpretada, pode ser perigosa.

R. Sim, é verdade. Pode ser perigosa. Bom, se a medicação funciona, fantástico. Há pessoas para quem isso funciona. Além disso, o cérebro se adapta aos comprimidos, o que significa que retirá-los pode ter efeitos graves. O que falamos no livro é sobre o resultado de maneira geral. Não sou médico. Sou jornalista. O livro não traz conselhos médicos, não é para uso individual. É para que a sociedade se pergunte: nós organizamos o atendimento psiquiátrico em torno de uma história cientificamente correta ou não?

A trajetória de Whitaker não foi fácil. Apesar de seu livro contar com muitas evidências e ter recebido muitos prêmios, a obra desafiou os critérios da Associação Norte-Americana de Psiquiatria (APA) e os interesses da indústria farmacêutica.

Mas, a essa altura, ele se sente recompensado. Em 2010, seus postulados eram vistos como uma “heresia”, segundo ele mesmo define. Desde então, novos estudos foram na direção para a qual ele apontava. Entre eles, os trabalhos do psiquiatras Martin Harrow e Lex Wunderink e o fato de a prestigiada revista científica British Journal of Psychiatry já assumir que é preciso repensar o uso de medicamentos. “Os comprimidos podem servir para esconder o mal-estar, para esconder a angústia. Mas não são curativos, não produzem um estado de felicidade”.

P. Vivemos em uma sociedade na qual precisamos pensar que os remédios podem resolver tudo?

R. Foi o que nos incentivaram a acreditar. Nos anos cinquenta, foram produzidos avanços médicos incríveis, como os antibióticos. Nos anos sessenta, a sociedade norte-americana começou a achar que havia uma fórmula mágica para curar muitos problemas. Na década de oitenta, foi promovida a ideia de que se uma pessoa estava deprimida, não era pelo contexto de sua vida, mas sim porque ela tinha um distúrbio mental – era uma questão química e havia um remédio que a faria se sentir melhor. O que se promoveu nos Estados Unidos, na realidade, foi uma nova forma de viver, que foi exportada para o resto do mundo. A nova filosofia era: você precisa ser feliz o tempo todo e, se não for, temos uma pílula. Mas o que sabemos é que crescer é difícil, surge todo tipo de emoções e é preciso aprender a organizar o comportamento.

P. Buscamos o conforto e o mundo vai se parecendo com aquele descrito por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo

R. Desde agora. Perdemos a noção de que o sofrimento faz parte da vida, de que às vezes é muito difícil controlar a própria mente. As emoções que sentimos hoje podem ser muito diferentes daquelas da semana ou do ano seguintes. E nos fizeram ficar alertas o tempo todo em relação a nossas emoções.

P. Centrados demais em nós mesmos…

R. Exatamente. Se nos sentimos infelizes, pensamos que há algo errado conosco. Antes, as pessoas sabiam que era preciso lutar na vida; e não se incentivava tanto que pensassem em seu estado emocional. Com as crianças, se elas não comportam bem na escola ou não vão bem, logo alguém as diagnostica com déficit de atenção e diz que é preciso tratá-las.

P. A indústria ou a APA estão criando novas doenças que, na realidade, não existem?

R. Estão criando mercado para seus remédios e estão criando pacientes. Ou seja, se olharmos do ponto de vista comercial, o êxito desse setor é extraordinário. Temos pílulas para a felicidade, para a ansiedade, para que seu filho vá melhor na escola. O transtorno por déficit de atenção e hiperatividade é uma fantasia. É algo que não existia antes dos anos noventa.

P. A ansiedade pode se transformar em distúrbio?

R. A ansiedade e a depressão não estão muito longe uma da outra. Há pessoas que experimentam estados avançados de ansiedade, mas estar vivo é, muitas vezes, estar ansioso. Isso começou a mudar com a introdução dos benzodiazepínicos, com o Valium. A ansiedade deixou de ser um estado normal da vida para ser apresentada como um problema biológico. Nos anos oitenta, a APA pega esse amplo conceito de ansiedade e neurose, que é um conceito freudiano, e começa a associar a ele doenças como o transtorno do estresse pós-traumático. Mas não há ciência por trás dessas mudanças.

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