fotossensibilidade

#Visão geral dos #efeitos da luz solar

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Por Elizabeth H. Page, MD, Assistant Clinical Professor of Dermatology, Harvard Medical School; Staff Physician, Lahey Hospital and Medical Center

A pele pode responder à luz solar com alterações crônicas (p. ex., dermato-heliose [fotoenvelhecimento], queratose actínica) ou agudas (p. ex., fotossensibilidade, queimadura solar).

Radiação ultravioleta (UV)

O sol emite uma vasta gama de radiação eletromagnética. A maioria dos efeitos dermatológicos da luz solar é causada pela radiação UV, que é dividida em três bandas (UVA, 320 a 400 nm; UVB, 280 a 320 nm; e UVC, 100 a 280 nm). Como a atmosfera filtra a radiação, apenas a UVA e a UVB chegam à superfície da Terra. O caráter e a quantidade de raios que produzem queimaduras solares (principalmente os de comprimentos de onda < 320 nm) que alcançam a superfície da Terra variam significativamente de acordo com os seguintes fatores:

 

Condições atmosféricas e de superfície

 

Latitude

 

Estação

 

Hora do dia

 

Altitude

 

Camada de ozônio

A exposição a pele à luz solar também depende de vários fatores relacionados ao estilo de vida (p. ex. roupas, ocupação, atividades recreacionais).

Raios que produzem queimaduras solares são filtrados por um vidro e em grande parte por nuvens densas, fumaça e poluição atmosférica; mas eles ainda podem atravessar nuvens claras, neblina ou 30 cm de água limpa, potencialmente causando queimaduras graves. Neve, areia e água intensificam a exposição pelo reflexo dos raios. A exposição aumenta em baixas latitudes (mais perto do equador), no verão e durante o meio-dia (das 10:00 às 15:00) porque a luz solar atravessa a atmosfera mais diretamente (i. e., em um ângulo menor) nesses ambientes. A exposição também aumenta em altitudes elevadas, principalmente por causa da atmosfera mais fina. O ozônio estratosférico, que filtra a radiação ultravioleta, em especial os comprimentos de onda mais curtos, está sendo depletado pelo homem pela emissão de clorofluorocarbonos (p. ex., em refrigeradores e aerossóis). A diminuição na camada de ozônio aumenta a quantidade de raios UVA e UVB que alcançam a superfície da Terra.

As lâmpadas de bronzeamento usam luz artificial que contém mais UVA que UVB. Esse uso de UVA é geralmente divulgado como “seguro” para o bronzeamento da pele, contudo é esperado um efeito deletério a longo prazo, também com a exposição a UVB, incluindo fotoenvelhecimento e câncer de pele. A luz UV emitida por equipamentos de bronzeamento foi classificada como um carcinógeno humano, e foi demonstrado que o bronzeamento artificial aumenta o risco de melanoma. Na realidade, não há bronzeamento “seguro”.

Fisiopatologia

Efeitos adversos da exposição UV incluem queimadura solar grave e várias alterações crônicas. As alterações crônicas incluem espessamento da pele, rugas e certas lesões como queratose actínica e câncer. A exposição também leva à inativação e perda das células epidérmicas de Langerhans, que são uma parte importante do sistema imune da pele.

Como uma resposta protetora após exposição à luz do sol, a epiderme se espessa e os melanócitos produzem o pigmento de melanina em uma taxa mais alta, causando o que é conhecido como “bronzeado”. O bronzeamento fornece alguma proteção natural contra radiação UV, mas normalmente não tem nenhum benefício para a saúde.

Os indivíduos diferem muito quanto à sensibilidade e resposta à luz solar, principalmente com base na quantidade de melanina na pele. A pele foi classificada em seis tipos (I a VI) em ordem decrescente de suscetibilidade ao dano solar. A classificação baseia-se em variáveis interrelacionadas da cor da pele, sensibilidade à radiação UV e resposta à exposição solar. O tipo de pele I é claro a muito levemente pigmentado, muito sensível à luz UV, não apresenta pigmentação imediata, sempre se queima facilmente e nunca se bronzeia. A pele tipo VI tem coloração marrom escuro ou preto, é a mais protegida contra a radiação UV, e tem uma cor escura intensa (preto-marrom) com ou sem exposição ao sol. Mas pessoas de pele mais escura não são imunes aos efeitos do sol e pele pigmentada escura pode desenvolver dano solar com exposição forte e prolongada. Os efeitos a longo prazo da exposição ao UV em indivíduos de pele negra são os mesmos que nos de pele clara, porém surgem mais tarde e geralmente são menos graves porque a melanina em sua pele fornece proteção intrínseca contra essa radiação.

Pessoas com cabelo loiro ou ruivo são especialmente suscetíveis aos efeitos agudos ou crônicos da exposição aos raios UV. Depósitos irregulares de melanina ocorrem na maioria das pessoas claras e resultam em efélides.

Não há pigmentação em albinos devido a um defeito no metabolismo da melanina. Há áreas irregulares de despigmentação em pacientes com vitiligo devido à destruição imunológica dos melanócitos. Estes e qualquer outro grupo de pessoas que são incapazes de produzir melanina em uma taxa rápida e completa são especialmente suscetíveis a danos induzidos pela luz solar.

Prevenção

Evitar o sol, usar roupas protetoras e aplicar filtro solar ajudam a minimizar a exposição UV.

Evitar o sol

A simples precaução ajuda a prevenir a queimadura solar e os efeitos crônicos da luz solar. É recomendada para aqueles indivíduos com todos os tipos de pele, em particular aqueles com pele clara e que se queima com facilidade. A exposição ao sol do meio-dia e outros ambientes de alta radiação UV ( Visão geral dos efeitos da luz solar : Radiação ultravioleta (UV)) deve ser minimizada (30 min ou menos), mesmo para pessoas com pele escura. Em zonas temperadas, a intensidade dos raios UV é menor antes das 10 h da manhã e após as 15 h porque mais comprimentos de onda que produzem queimaduras solares são filtrados. Nevoeiros e nuvens não reduzem o risco significativamente; o risco aumenta em altas altitudes e baixas latitudes (p. ex., na linha do Equador).

Embora a exposição ao sol ajude a produzir vitamina D, a maioria dos especialistas recomenda a manutenção de níveis adequados de vitamina D consumindo suplementos, se necessário, em vez de praticando a exposição intencional ao sol.

Roupas protetoras

A exposição da pele à radiação UV pode ser minimizada por meio da utilização de revestimentos protetores como chapéus, camisas, calças e óculos escuros. Tecidos com tramas estreitas bloqueiam o sol melhor do que aqueles com configuração mais frouxa. Roupas especiais que produzem alta proteção ao sol são encontradas comercialmente. Esse tipo de vestuário é rotulado pelo termo fator de proteção ultravioleta (FPU) seguido por um número que indica o nível de proteção (semelhante a rotulagem dos filtros solares). Chapéus de abas largas ajudam a proteger o rosto, orelhas e pescoço, mas essas áreas ainda precisam de proteção suplementar com um filtro solar tópico. O uso regular de protetor UV ao redor dos óculos escuros ajuda a proteger os olhos e pálpebras.

Fotoprotetores

Filtros solares ajudam a proteger a pele contra queimaduras solares e danos crônicos provocados pelo sol absorvendo ou refletindo os raios solares UV. Protetores solares mais antigos tendem a filtrar apenas a luz UVB, mas a maioria dos protetores solares mais recentes também filtra a luz UVA e é identificada como de “amplo espectro”. Nos EUA, a FDA classifica os filtros solares pelo fator de proteção solar (FPS): quanto maior o número, melhor a proteção. O FPS só quantifica a proteção contra a exposição UVB; não há uma escala para a proteção UVA. As pessoas normalmente devem usar um protetor solar de amplo espectro com uma classificação FSP de 30 ou mais.

Os fotoprotetores estão disponíveis em uma grande variedade de formulações como: cremes, sprays, espumas, géis e bastões. Os produtos autobronzeantes não protegem à exposição ao UV.

A maioria dos fotoprotetores contém diversos agentes que funcionam como uma química protetora, absorvendo a luz ou provendo proteção física que reflete ou dispersa a luz. Os ingredientes dos protetores solares que absorvem a radiação UVB incluem cinamatos, salicilatos e derivados de PABA. Benzofenonas são comumente usadas para fornecer proteção contra UVB e UVA de ondas curtas. Avobenzona e ecamsule filtram no intervalo UVA e podem ser adicionados para fornecer proteção UVA extra.

Outros fotoprotetores, chamados de bloqueadores solares, contêm óxido de zinco e dióxido de titânio que, fisicamente, refletem tanto os raios UVB como os UVA (impedindo-os assim de atingir a pele). Embora anteriormente muito brancas e pastosas quando aplicadas, as formulações micronizadas desses produtos melhoram significativamente sua aceitabilidade cosmética.

A falha de um fotoprotetor é comum e, em geral, resultante da aplicação insuficiente ou tardia do produto (deve ser aplicado 30 min antes da exposição), da não reaplicação após exercícios ou natação ou da não aplicação a cada 2 ou 3 h de exposição ao sol.

Podem ocorrer reações alérgicas ou fotoalérgicas aos fotoprotetores e devem ser diferenciadas de outras erupções cutâneas fotossensitíveis. Testes de contato ou fototestes com componentes dos fotoprotetores podem ser necessários para confirmar o diagnóstico. Isso costuma ser realizado por dermatologistas com experiência em dermatite de contato alérgica.

#Reações de #fotossensibilidade

Postado em

Por

Elizabeth H. Page , MD, Harvard Medical School

A fotossensibilidade, por vezes conhecida como uma alergia ao sol, constitui uma reação do sistema imunológico desencadeada pelos efeitos da luz solar.
  • A luz do sol pode provocar reações do sistema imunológico.

  • Podem surgir erupções com coceira, ou áreas de vermelhidão e inflamação nas manchas da pele exposta ao sol.

  • Essas reações são, na maioria das vezes, resolvidas sem nenhum tratamento,

As reações da fotossensibilidade incluem urticária solar, fotossensibilização química e erupção polimorfa à luz, caracterizadas, geralmente, por uma erupção acompanhada de coceira e manchas na pele exposta ao sol. As pessoas podem herdar uma tendência para desenvolver estas reações. Determinadas doenças, como lúpus eritematoso sistêmico e algumas porfirias, também podem provocar reações cutâneas mais sérias à luz solar.

Urticária solar

A urticária (protuberâncias ou vergões grandes, vermelhos, acompanhados de coceira) que surge apenas alguns minutos depois da exposição ao sol é chamada de urticária solar. A urticária normalmente dura por minutos ou horas. Esse distúrbio pode ser difícil de tratar, mas os médicos podem prescrever bloqueadores de histamina (H1), corticosteroides, protetores solares ou terapia de luz ultravioleta (UV). Uma pessoa pode estar propensa ao desenvolvimento de urticária solar por um longo período, às vezes indefinido. As pessoas com grandes áreas afetadas às vezes manifestam dores de cabeça e respiração sibilante e sentem tontura, fraqueza e náuseas.

Fotossensibilidade química

São conhecidas mais de 100 substâncias, que se engolidas ou aplicadas na pele, provocam reações na pele induzidas pelo sol. Um número limitado provoca a maioria das reações ( Algumas substâncias que tornam a pele sensível à luz do sol). Para tratar as reações químicas da fotossensibilidade, são aplicados na pele corticosteroides, e a substância que está causando tal reação é evitada. Há dois tipos de fotossensibilidade química: a fototoxicidade e a fotoalergia.

Na fototoxicidade, as pessoas sentem dor e desenvolvem vermelhidão, inflamação e, às vezes, descoloração castanha ou cinza-azulada nas áreas da pele que estiveram expostas à luz solar durante um curto período de tempo. Esses sintomas assemelham-se àqueles da queimadura solar, porém a reação é diferente de queimadura solar na medida em que ocorre apenas após a pessoa ter ingerido alguns medicamentos (tais como tetraciclinas ou diuréticos) ou compostos químicos, ou os tenha aplicado na pele (como perfumes e alcatrão de carvão). Algumas plantas (que incluem limas, aipo e salsinha) contêm compostos chamados furanocumarinas, que deixa a pele de algumas pessoas mais sensível aos efeitos da luz UV. Essa reação é chamada de fitofotodermatite. Todas as reações fototóxicas aparecem apenas nas áreas da pele que foram expostas ao sol. Elas geralmente aparecem dentro de horas, após a exposição ao sol.

Na fotoalergia, uma reação alérgica causa vermelhidão na pele, escamação, coceira e, às vezes, bolhas e pontos que se assemelham a urticária. Esse tipo de reação pode ser causado por loções pós-barba, protetores solares e sulfonamidas. As substâncias que causam a fotoalergia são capazes de fazê-lo somente após a pessoa ter se exposto tanto à substância, quanto à luz solar, pois é a luz solar que torna a substância capaz de provocar a fotoalergia. As reações fotoalérgicas podem também afetar as áreas da pele que não foram expostas ao sol. Elas geralmente aparecem dentro de 24 a 72 horas após a exposição ao sol.

Algumas substâncias que tornam a pele sensível à luz do sol

 

Medicamentos ansiolíticos

 

Alprazolam

 

Clordiazepóxido

 

Antibióticos

 

Quinolona

 

Sulfonamidas

 

Tetraciclinas

 

Trimetoprima

 

Antidepressivos

 

Antidepressivos tricíclicos

 

Medicamentos antimicóticos (tomados por via oral)

 

Griseofulvina

 

Anti-hiperglicêmicos

 

Sulfonilureia

 

Medicamentos antimaláricos

 

Cloroquina

 

Quinino

 

Antipsicóticos

 

Fenotiazinas

 

Medicamentos quimioterápicos

 

Dacarbazina

 

Fluoruracila

 

Metotrexato

 

Vimblastina

 

Diuréticos

 

Furosemida

 

Tiazidas

 

Medicamentos usados para tratar a acne (tomados por via oral)

 

Isotretinoína

 

Medicamentos cardíacos

 

Amiodarona

 

Quinidina

Medicamentos para alívio da dor (analgésicos)

 

AINEs (principalmente piroxicam e cetoprofeno)

 

Preparações para a pele

 

Antibacterianos (como clorexidina e hexaclorofeno)

 

Alcatrão de carvão

 

Fragrâncias

 

Furocoumarina contida nas plantas, como limas, aipo e salsinha

 

Protetores solares

Erupção polimorfa à luz

Esta erupção é uma reação à luz do sol (principalmente à luz UVA) que não é completamente entendida. É um dos problemas mais comuns relacionados com a pele e ocorre com mais frequência entre as mulheres e as pessoas que vivem nos climas do norte, que não se expõem ao sol regularmente. A erupção aparece na forma de múltiplos nódulos vermelhos em áreas vermelhas e inchadas (chamadas de placas) e, raramente como bolhas na pele exposta ao sol. Essas placas, que vêm acompanhadas de coceira, normalmente aparecem de 30 minutos a várias horas após a exposição ao sol. Entretanto, novas placas podem se desenvolver muitas horas, ou vários dias depois. A erupção, geralmente desaparece num período de alguns dias ou semanas. É característico dessa doença que as pessoas que a apresentam e continuam a se expor ao sol se tornem, aos poucos, menos sensíveis aos efeitos da luz solar, um processo conhecido como endurecimento.

Diagnóstico

 

Avaliação de um médico

 

Às vezes fototestes (adesivo cutâneo e teste de reprodução da reação)

Não existem exames específicos para detectar reações de fotossensibilidade. O médico suspeita dessas doenças quando surge uma erupção cutânea apenas nas zonas expostas ao sol. Uma meticulosa análise do histórico médico da pessoa, dos sintomas cutâneos, de qualquer doença, dos medicamentos tomados por via oral ou de substâncias aplicadas sobre a pele (como medicamentos ou cosméticos) pode ajudar o médico a estabelecer a causa da reação de fotossensibilidade. Os médicos podem realizar exames para excluir doenças conhecidas por tornar determinadas pessoas propensas a essas reações (como o lúpus eritematoso sistêmico).

Quando ocorre uma erupção cutânea numa área da pele que foi exposta ao sol e o diagnóstico não estiver definido, os médicos podem realizar testes com adesivos colocados na pele e testes de reprodução da reação que envolvem a exposição à luz UV (fototeste), quando a pessoa não estiver fazendo uso de nenhum medicamento que provoque reações de fotossensibilidade. Esses testes podem ajudar a esclarecer que tipo de reação de fotossensibilidade pode ser a causa.

Prevenção e tratamento

 

Evitar exposição excessiva ao sol, usar roupas protetoras e protetor solar (prevenção)

 

Interromper medicamentos ou produtos químicos que causem fotossensibilidade

 

Para erupção polimorfa à luz, outros tratamentos específicos

Todas as pessoas devem evitar a exposição excessiva ao sol, mas pessoas sensíveis à luz solar, por qualquer razão, devem ser especialmente cuidadosas e usar roupas protetoras, evitar a luz do sol o máximo possível e usar protetor solar regularmente. Se possível, quaisquer medicamentos ou produtos químicos que possam causar fotossensibilidade devem ser descontinuados após consultar um médico.

Pessoas com erupção polimorfa à luz ou fotossensibilidade causada por lúpus eritematoso sistêmico devem ser examinadas por um médico e, às vezes, elas se beneficiam do tratamento com corticosteroides aplicados na pele, ou com hidroxicloroquina ou corticosteroides tomados por via oral. Ocasionalmente, as pessoas podem ser dessensibilizadas dos efeitos da luz do sol aumentando aos poucos sua exposição à luz UV.

Última revisão/alteração completa maio 2018 por Elizabeth H. Page, MD