gestação

#Consumo de #maconha na #gestação e o #risco de autismo em crianças

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Consumo de maconha na gestação aumenta risco de autismo

O consumo de maconha (Cannabis) na gestação tem aumentado nos últimos anos. Além disso, muitas mulheres que já a utilizam continuam a usá-la durante a gravidez. Entretanto, segundo um estudo publicado no jornal Nature Medicine, as crianças cujas mães usaram maconha durante a gestação estão em maior risco de autismo quando comparadas a crianças cujas mães não a consumiram.

Estudo sobre consumo de maconha na gestação

Os pesquisadores Corsi e colaboradores utilizaram bancos de dados administrativos de saúde da província de Ontário, Canadá, contendo informações sobre gestação e nascimento (BORN), para determinar os resultados do neurodesenvolvimento em crianças.

O estudo consistiu em uma análise retrospectiva de dados de todos os nascidos vivos em Ontário, entre 01 abril de 2007 a 31 março de 2012. Um total de 689.071 nascimentos em Ontário foram registrados nesse período. Após exclusões, a coorte final foi baseada em 508.025 nascimentos. Crianças que perderam o seguro saúde ou faleceram antes dos 18 meses (n = 4.960) ou 4 anos (n = 10.204) de idade foram excluídas das análises primárias de transtorno do espectro do autismo (TEA) e análises secundárias de resultados de neurodesenvolvimento, produzindo coortes analíticas de 503.065 e 497.821, respectivamente.

A idade média das mães foi de 30,1 anos [desvio padrão (dp) = 5,6]. A idade gestacional média no parto era 38,9 semanas (dp = 1,7) e 51,4% das crianças eram do sexo masculino. A taxa de uso de maconha relatada na gestação foi de 0,6%. Na coorte de pacientes com 18 meses de idade, 7.125 crianças (1,4%) foram diagnosticadas com TEA ao final do período de acompanhamento (mediana de 7,4 anos entre os participantes).

 

Resultados

Dentre as crianças expostas à maconha intraútero, 2,2% tiveram diagnóstico de TEA. Além disso, a incidência de diagnóstico de TEA em crianças expostas à maconha intraútero foi de 4/1.000 pessoas-ano. Já as crianças que não foram expostas tiveram uma incidência de TEA de 2,42/1.000 pessoas-ano. Em comparação às crianças não expostas à maconha durante a gestação, crianças que foram expostas tiveram razão de risco ajustada para TEA de 1,51 [intervalo de confiança de 95% (IC 95%) 1,17-1,96).

Por fim, ao se avaliar gestantes que relataram usar maconha, mas nenhuma outra substância (como álcool, tabaco, cocaína, alucinógenos, opioides ou medicamentos prescritos durante a gravidez), os pesquisadores observaram que os filhos dessas mulheres ainda tinham um risco maior de TEA em comparação às crianças cujas mães não usaram maconha na gestação. Após ajuste adicional, as estimativas para deficiência intelectual e distúrbios de aprendizagem [hazard ratio (HR) = 1,22 (IC 95%: 0,97-1,54)] e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) (HR = 1,11 (IC 95%: 0,98-1,25) não tiveram significância estatística.

O estudo possui diversas limitações:

  1. A prevalência do uso de maconha foi menor do que relatada em outros lugares, embora os dados fossem coletados antes dos recentes aumentos de uso.
  2. Os dados sobre frequência, trimestre e duração do uso não estão disponíveis.
  3. Embora o autorrelato do uso de maconha seja moderadamente confiável para uso em estudos epidemiológicos em comparação com biomarcadores, erros de classificação podem ocorrer. Mulheres grávidas podem subnotificar o uso de Cannabis.
  4. Os estudos observacionais são frequentemente afetados por um viés residual de confusão, portanto, a interpretação das associações deve ser cautelosa.
  5. TEA e outros resultados, incluindo TDAH, podem ter sido diagnosticados incorretamente.

 

Conclusão

Apesar de um número grande de amostra, o estudo é observacional, portanto, essas limitações devem ser consideradas. Além disso, mais estudos são necessários para avaliar a quantidade e em que momento o uso de maconha na gravidez leva a esses resultados na saúde de crianças, principalmente após a legalização da Cannabis em muitas jurisdições.

O uso recreativo de Cannabis está legalizado no Canadá. No entanto, isso não significa que a droga seja segura para gestantes ou lactantes. De qualquer forma, esses resultados enfatizam que as mulheres devem estar cientes dos riscos potenciais da maconha durante a gestação e seu uso deve ser desencorajado.

Autora:

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB. Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referências bibliográficas:

#Comer frutas durante a #gestação estimula o #desenvolvimento cerebral dos bebês

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frutas e sucos variados que são benéficos na gestação

A exposição pré-natal a sucos de frutas pode ser benéfica para consolidação da memória e desenvolvimento cognitivo de bebês, de acordo com o artigo Prenatal fruit juice exposure enhances memory consolidation in male post-weanling Sprague-Dawley rats, publicado no jornal PLOS ONE.

Dieta e gravidez

Uma dieta saudável durante a gestação é um fator imprescindível para a formação neural adequada e subsequente desenvolvimento cerebral. A suplementação pré-natal de ácido fólico, por exemplo, reduz significativamente a incidência de defeitos do tubo neural em humanos.

Por outro lado, a desregulação no metabolismo de carboidratos pode levar a defeitos funcionais e até estruturais na prole. Isso foi ilustrado por estudos que mostram que o aumento da ingestão materna de bebidas açucaradas durante a gravidez subsequentemente levou a reduções na inteligência verbal de bebês e que a holoprosencefalia está associada ao diabetes gestacional.

O estudo, conduzido pelos pesquisadores Ward-Flanagan e colaboradores, da Universidade de Alberta, Canadá, foi baseado nos resultados do Canadian Healthy Infant Longitudinal Development (CHILD) Cohort Study, que descreveu que o consumo de frutas em gestantes influencia a cognição do bebê em até um ano após o nascimento.

 

Além disso, os pesquisadores também se fundamentaram em um estudo que mostrou que uma combinação de suco de laranja e de tomate mostrou melhorias robustas no desempenho de uma tarefa de memória associativa olfativa em Drosophila do tipo selvagem. Embasados nessas informações, Ward-Flanagan e equipe objetivaram testar os efeitos cognitivos da suplementação pré-natal de suco de frutas em um modelo de mamífero não humano.

Para o estudo, foram utilizados ratos Sprague Dawley. Em três coortes de nascimentos separadas, ratas prenhes tiveram acesso ao suco de laranja e de tomate diluído (N = 2 por coorte), e as ratas prenhes controle (N = 2 por coorte) receberam apenas água, além da ração padrão para roedores, durante todo o período de gestação. Estas suplementações foram retiradas após o parto. Após o desmame, os filhos do sexo masculino foram desmamados no dia 18 pós-natal e avaliados em tarefas de aprendizado e memória espacial e emocional.

Resultados

Os pesquisadores descreveram que todas as ratas prenhes aumentaram a ingestão de líquidos e alimentos durante o período gestacional. Ratas prenhes alimentadas com suco de frutas aumentaram a ingestão de líquidos em comparação às ratas prenhes controle. Ao testar a progênie, não houve efeitos do suco de frutas pré-natal na aprendizagem espacial, parecendo, inclusive, prejudicar a aprendizagem no condicionamento do medo em relação aos controles. No entanto, os pesquisadores observaram melhorias significativas na memória espacial e na memória de medo condicionada no grupo pré-natal submetido ao uso de suco de frutas em comparação aos controles.

Medidas de vigilância, em resposta às condições, aumentaram nos ratinhos expostos a sucos de frutas no período pré-natal, em comparação aos controles, sugerindo comportamentos de ansiedade menos generalizados e mais adaptativos.

Esses resultados corroboram os achados em humanos e em Drosophila dos efeitos pré-natais das frutas no comportamento, especificamente que a exposição pré-natal ao suco de frutas pode ser benéfica para a consolidação da memória no início da vida em ratos. Portanto, ao traduzir esses achados para seres humanos, os pesquisadores sugerem que os efeitos mediados por frutas aqui relatados estejam relacionados ao consumo gestacional de frutas durante o primeiro e o segundo trimestre da gestação humana.

 

Segundo os autores, experiências futuras devem ter como objetivo determinar qual estágio específico do desenvolvimento cerebral é importante para os benefícios do suco de frutas pré-natal observados nesse estudo. Além disso, o modelo de roedor descrito seria ideal para testar os efeitos do suco de frutas pré-natal em outros modelos de distúrbios do desenvolvimento neurológico, como autismo, deficiência intelectual e encefalopatias epilépticas, que afetam o desenvolvimento cognitivo, na esperança de encontrar uma janela de desenvolvimento na qual intervenções alimentares pré-natais possam melhorar a saúde e o desenvolvimento do cérebro infantil e, portanto, futuros resultados cognitivos ou comportamentais.

Autora:

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ e do Hospital Caxias D’Or. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referência bibliográfica:

  • Rachel Ward-Flanagan et al. Prenatal fruit juice exposure enhances memory consolidation in male post-weanling Sprague-Dawley rats, PLOS ONE (2020). DOI: 10.1371/journal.pone.0227938

# Vitamina D e #gestação: o que precisamos saber?

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gestante na sala de médico

Vitamina D e gestação: o que precisamos saber?

Recentemente vem havendo muitas discussões sobre os valores normais de vitamina D:

– O Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral da SBEM usava valor de referência de 30 ng/mL como havia sido proposto pela Endocrine Society.

A SBEM agora preconiza:

– Desejável para população geral saudável = maior do que 20 ng/mL.
– Idosos, gestantes, pacientes com osteomalácia, raquitismos, osteoporose, hiperparatireoidismo secundário, doenças inflamatórias, doenças autoimunes e renal crônica e pré-bariátricos = entre 30 e 60 ng/mL.

Portanto, na gestação os valores de vitamina D permanecem na mesma faixa já proposta, mas devemos dar importância fundamental no tratamento e reposição de vitamina D nesse grupo especial de pacientes. Enquanto na população geral podemos fazer doses concentradas e até semanais, na gestação devemos sempre realizar doses diárias da medicação.

– Na gestação a ingestão mínima são 2000UI/dia.

A explicação se dá pois a placenta e o futuro bebê com metabolismo acelerado necessitam deste nutriente em todas as fases do crescimento.

Lembrando que, além de produzido na pele a partir dos raios solares, a vitamina D também é encontrada em peixes gordurosos, leite e derivados.

A dosagem de vitamina D deve então fazer parte do pré-natal, cuidados especiais para não utilizar doses muito elevadas pois a superdosagem e níveis acima de 100 ng/ml de vitamina D podem culminar com hipercalcemia.

 

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#Transtornos do sono durante a #gestação ligados a #nascimento pré-termo

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Nicola M. Parry, DVM

Gestantes com diagnóstico de transtornos do sono são mais propensas a terem partos prematuros do que as gestantes sem distúrbios do sono, informam os pesquisadores em um estudo publicado on-line em 08 de agosto de 2017 no periódico Obstetrics & Gynecology.

“As mulheres com diagnóstico de insônia tiveram quase o dobro do risco de parto prematuro precoce (menos de 34 semanas de gestação) em comparação com as mulheres sem diagnóstico registrado de transtorno do sono, escreve Jennifer N. Felder, PhD, da University of California,em San Francisco, e colaboradores. A importância desses achados pode ser considerável, dado que estudos mostram que mais de 50% das gestantes apresentam insônia com repercussão clínica”.

Além disso, as mulheres com apneia do sono apresentaram maior risco de parto prematuro em comparação às sem apneia do sono.

De acordo com os autores, dados recentes destacam uma tendência crescente da incidência de natalidade pré-termo nos Estados Unidos; o parto prematuro é o assassino número um de crianças pequenas em todo o mundo.

Embora vários fatores desempenhem algum papel na etiologia do parto prematuro, estudos anteriores sugeriram que a perturbação do sono possa ser um novo fator de risco de parto prematuro.

Jennifer e colaboradores, portanto, fizeram um estudo retrospectivo de mulheres com nascimentos vivos de feto único entre 20 e 44 semanas de gestação sem anomalias cromossômicas ou grandes defeitos congênitos estruturais.

Os pesquisadores usaram um estudo de caso-controle no qual 2.172 mulheres com diagnóstico de distúrbio do sono durante a gestação foram pareadas a 2.172 mulheres sem diagnóstico de transtorno do sono, mas com fatores de risco materno semelhantes de parto prematuro, como história de parto pré-termo, diabetes ou hipertensão arterial.

Entre as mulheres com diagnóstico de transtorno do sono, mais de 30% tinham insônia e 56,9% tinham apneia do sono. Os distúrbios do movimento relacionados com o sono (7,5%) e outros transtornos do sono (5,4%) foram menos comuns.

Em geral, 14,6% das mulheres com diagnóstico de distúrbios do sono tiveram parto antes da 37ª semana de gestação, em comparação a 10,9% das pares sem esse diagnóstico (odds ratio, OR = 1,4; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 1,2 a 1,7).

Isso parece estar associado à ruptura das membranas pré-termo, antes do trabalho de parto, e ao parto prematuro espontâneo, observam os autores.

Em comparação às mulheres sem transtorno do sono, aquelas com diagnóstico de distúrbios do sono apresentaram maior incidência de ruptura prematura das membranas antes do trabalho de parto (com menos de 34 semanas de gestação, 0,6% vs. 1,7%, 34 a 36 semanas de gestação, 1,4% vs. 2%), parto pré-termo espontâneo (com menos de 34 semanas de gestação, 1,6% vs. 2,7%, 34 a 36 semanas de gestação, 4,4% vs. 4,7%) e parto prematuro indicado (com menos de 34 semanas de gestação, 0,6% vs 0,9%; às 34 a 36 semanas de gestação, 1,8% vs. 2,4%).

Ao analisar o diagnóstico de cada gestante, as probabilidades de parto prematuro antes da 37ª semana de gestação foram de 1,3 para as mulheres com insônia (IC de 95%, de 1,0 a 1,7; 14,1%; P = 0,23), e de 1,5 para aquelas com apneia do sono (IC de 95% de 1,2 a 1,8; 15,5%; P < 0,001). A incidência de parto prematuro antes da 37ª semana foi de 10,9% entre as gestantes sem diagnóstico de transtorno do sono.

A probabilidade de parto prematuro precoce antes da 34ª semana também foi mais do dobro para as gestantes com apneia do sono (OR = 2,2; IC de 95%, de 1,5 a – 3,1) e quase o dobro para as gestantes com insônia (OR = 1,7; IC de 95%, de 1,1 a 2,6).

No entanto, as chances de parto prematuro não foram significativamente maiores para as gestantes com distúrbios do movimento relacionados com o sono ou outros transtornos do sono.

Em contraste, os distúrbios do movimento relacionados com o sono (OR = 3,9; IC de 95%, de 1,3 a 11,9) e outros distúrbios do sono (OR = 4,0; IC de 95%, de 1,1 a 14,2) foram associados a aumento do risco de ruptura das membranas antes do trabalho de parto com menos de 34 semanas de gestação.

Em geral, os resultados deste estudo reforçam os estudos anteriores que sugeriram uma relação entre a apneia do sono e o parto prematuro, dizem os autores.

Embora os resultados deste estudo revelem uma associação entre os distúrbios do sono durante a gestação e o parto prematuro, os autores ressaltam que “é necessário realizar trabalhos para testar se esta é uma relação causal, identificar os mecanismos biológicos e testar a eficácia das intervenções para os transtornos do sono durante a gestação, assim como seus efeitos sobre o parto prematuro”.

O estudo foi subsidiado pela California Preterm Birth Initiative at the University of California em São Francisco, financiada por Marc e Lynne Benioff. Um autor informou prestar consultoria remunerada para a empresa Posit Science em um projeto não relacionado. Os demais autores informaram não possuir conflitos de interesses.

Obstet Gynecol. Publicado em 8 de agosto de 2017. Resumo

Probabilidade de # gestação é um terço menor entre as mulheres que sobreviveram ao # câncer

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Kristin Jenkins

O tratamento da maioria dos tipos de câncer entre meninas e mulheres com menos de 39 anos reduz significativamente a probabilidade de gestação subsequente, revela agora um grande estudo populacional.

As pacientes que sobreviveram ao câncer foram 38% menos propensas a engravidar em comparação às mulheres na população geral; um impacto do tratamento do câncer observado em quase todos os grupos de diagnóstico e em todas as idades, segundo um grupo de pesquisa liderado pelo Dr. Richard Anderson, PhD, do MRC Center for Reproductive Health, Queen’s Medical Research Institute da University of Edinburgh (Reino Unido).

O estudo mostrou que 20,6% das pacientes que sobreviveram a um câncer tiveram a primeira gestação após o diagnóstico (2.114 primeiras gestações entre 10.271 mulheres), em comparação a 38,7% entre as mulheres do grupo de controle.

   As mulheres com câncer tiveram cerca de metade da probabilidade de engravidar pela primeira vez após o diagnóstico em comparação às mulheres do grupo de controle. Dr. Richard Anderson

Por isso, as mulheres com câncer tiveram cerca de metade da probabilidade de engravidar pela primeira vez após o diagnóstico em comparação às mulheres do grupo de controle, disse o Dr. Anderson. O pesquisador apresentou o estudo em 3 de julho na reunião anual da European Society of Human Reproduction and Embryology, em Genebra (Suíça).

“Esta análise fornece evidências robustas, populacionais, sobre a extensão do efeito do câncer e do tratamento dele na gestação subsequente em toda a idade reprodutiva”, dizem os autores do estudo. “O maior impacto na gestação subsequente de alguns tipos de câncer comuns destaca a necessidade do aprimoramento de estratégias para preservar a fertilidade de meninas e mulheres jovens”.

Dr. Anderson e colaboradores observam que os achados do estudo são limitados pelo fato de não ter sido possível avaliar o impacto do tratamento na fertilidade porque os detalhes sobre o tratamento das participantes não estavam disponíveis. Além disso, o acompanhamento foi limitado para as mulheres diagnosticadas mais recentemente.

O impacto do tratamento do câncer na gestação subsequente continua a ser um problema importante, disse o Dr. Anderson ao Medscape. Com o aumento do número de jovens mulheres que sobrevivem ao câncer, e com o aprimoramento das técnicas de restabelecimento da fertilidade, como a criopreservação de óvulos e de tecido ovariano, “existe uma necessidade importante de melhorar o acesso à preservação da fertilidade e identificar as mulheres e meninas em risco”, disse o pesquisador.

Convidado a comentar o estudo, o Dr. Daniel M. Green, médico do Departamento de Epidemiologia e Controle do Câncer do St. Jude Children’s Research Hospital, em Memphis, Tennessee, disse ao Medscape que o estudo “é a confirmação de vários outros estudos populacionais, principalmente dos países nórdicos, e de um estudo publicado recentemente na Carolina do Norte”. No entanto, ele observou que “a ausência de informações sobre a exposição é um importante ponto fraco. Este resumo não acrescenta novas informações ao nosso conhecimento acerca da fertilidade após o tratamento entre as pacientes que sobrevivem ao câncer na infância, na adolescência ou no início da idade adulta”.

Dr. Green é coautor do Childhood Cancer Survivor Study , uma iniciativa de pesquisa multicêntrica que investigou os resultados clínicos em longo prazo de 14.000 pacientes que sobreviveram cinco anos ao câncer na infância e na adolescência, diagnosticados entre 1970 e 1986.

Detalhes do estudo

No seu estudo de coorte, Dr. Anderson e colaboradores identificaram 23.201 pacientes do sexo feminino do Scottish Cancer Registry que foram diagnosticadas pela primeira vez entre 1981 e 2012, e que engravidaram depois do diagnóstico. Todas tinham 39 anos de idade ou menos no momento do diagnóstico. As gestações foram incluídas até o final de 2014.

Os documentos do registro de câncer foram cruzados com os dos registros de alta hospitalar para calcular os índices de incidência padronizados (SIRs, do inglês Standardized Incidence Ratios ) de gestação. Os cálculos foram padronizados para a idade e para o ano do diagnóstico. Um subgrupo de mulheres que sobreviveram ao câncer e não tiveram gestações anteriores ao diagnóstico de câncer foi criado para comparação com o grupo de controle pareado de mulheres da população geral. Foram realizadas análises adicionais para as pacientes com diagnóstico de câncer de mama, linfoma de Hodgkin e leucemia.

As mulheres que sobreviveram ao câncer engravidaram menos – 6.627 gestações observadas em comparação às 10.736 gestações esperadas. Uma redução dos índices de incidência padronizados foi observada entre as mulheres para quase todos os tipos de câncer. O índice de incidência padronizado variou de 0,34 nos casos de câncer cervical a 0,87 entre as mulheres diagnosticadas com câncer de pele. Foi menor entre as mulheres no quintil mais desfavorecido.

A diminuição do índice de incidência padronizado entre as mulheres que sobreviveram ao câncer foi observada em todas as faixas etárias, e caiu progressivamente com a idade no momento do diagnóstico.

O período no qual o diagnóstico ocorreu também teve uma forte repercussão no índice de incidência padronizado. As mulheres que tiveram o diagnóstico de câncer no período entre 1981 e 1998 tiveram índice de incidência padronizado de 0,47 em comparação às mulheres diagnosticadas entre 2005 e 2012, que tinham índice de incidência padronizado de 0,64 e maiores taxas de gestação. Isso sugere que o impacto de alguns tratamentos contra o câncer na fertilidade não seja tão grave quanto anteriormente, dizem os autores do estudo.

As reduções mais significativas da incidência de gestação foram observadas entre as mulheres que sobreviveram ao câncer de mama (índice de incidência padronizado = 0,44), à leucemia (índice de incidência padronizado = 0,30) e ao linfoma de Hodgkin (índice de incidência padronizado = 0,65). A incidência de gestação foi favoravelmente modificada pelo tratamento mais recente das mulheres com linfoma de Hodgkin, mas não das mulheres com leucemia ou câncer de mama.

A proporção de primeiras gestações interrompidas foi menor entre as mulheres com história de câncer do que entre as mulheres do grupo controle (11,2% vs. 14,7% das gestações), mas não foram observadas diferenças no risco de abortamento espontâneo ou no número de natimortos.

“Este estudo fornece evidências adicionais de que o câncer e o tratamento do câncer estão associados à diminuição da incidência de gestação”, disse Jessica R. Gorman, PhD, socióloga da School of Social and Behavioral Health Sciences do Oregon State University College of Public Health and Human Sciences, em Corvallis. “É interessante notar que isto aconteceu em todas as faixas etárias e na maioria dos tipos de câncer”. No entanto, acrescentou Jessica por e-mail, “é necessário fazer mais pesquisas para explorar os motivos deste resultado”.

A socióloga é coautora de um estudo feito em 2016 com jovens mulheres que sobreviveram ao câncer e o uso delas de atendimento para fertilidade após o término do tratamento contra o câncer. Os resultados mostraram que muitas achavam que não haviam recebido informações suficientes sobre as possibilidades de tratamentos para preservar a fertilidade, apesar do fato de quererem ter filhos.

Para melhorar os desfechos de fertilidade entre as mulheres que sobreviveram ao câncer é importante oferecer uma consulta de fertilidade no momento do diagnóstico de câncer e após o término do tratamento, quando as sobreviventes podem estar mais preparadas para discutir as opções de construção da família”, disse Jessica ao Medscape. Além das informações sobre as opções de fertilidade e a maternidade, as mulheres tratadas com antineoplásicos precisam de orientação e apoio de profissionais de saúde para lidar com “as questões emocionais e práticas que surgem ao considerar suas opções de construção familiar”, disse Jessica.

Essas conversas podem ser difíceis, reconheceu a Dra. Nancy Baxter, PhD, médica e chefe do Departamento de Cirurgia Geral no St. Michael’s Hospital, e professora de cirurgia na University of Toronto (Canadá). Ela é a primeira autora de um estudo populacional canadense mostrando que as mulheres que sobreviveram ao câncer sem recorrência de neoplasias malignas não-ginecológicas entre os 20 e os 34 anos de idade foram menos propensas do que as mulheres do grupo controle a ter filhos após o diagnóstico. Embora o efeito geral tenha sido pequeno, foi influenciado pela história de parto anterior ao diagnóstico e pelo tipo de câncer.

Essas conversas podem ocorrer quando as pacientes já se sentem sobrecarregadas pelo próprio diagnóstico e tratamento iminente, disse a Dra. Nancy ao Medscape. “Embora a preservação da fertilidade não seja uma garantia, as opções podem aumentar as chances de fertilidade futura, e não precisam resultar em atrasos importantes do tratamento, por isso são possíveis para a maioria das mulheres em risco”.

Para facilitar as coisas, disse Dra. Nancy, um auxílio à decisão batizado de BEFORE está sendo desenvolvido para ajudar as mulheres a compreender os próprios riscos e opções. O instrumento irá indicar recursos e ajudar a orientar as conversas entre os médicos e as pacientes. Uma versão para mulheres com câncer de mama já está quase pronta para uso.

Os médicos também precisam descobrir se a paciente quer preservar a própria fertilidade, disse a Dra. Nancy, acrescentando: “nem todas as mulheres querem ter filhos”.

“Como médicos, precisamos olhar adiante e concentrar-nos não apenas na cura de nossos pacientes, mas também em como podemos ajudar para que as vidas deles depois do câncer sejam o mais normais possível”, disse a Dra. Nancy ao Medscape. “Demos grandes passos, mas definitivamente há mais trabalho a fazer”.

Nenhum financiamento foi informado. Os autores do estudo, o Dr. Daniel Green e Jessica Gorman informaram não possuir conflitos de interesses relevantes. A Dra. Nancy Baxter tem relações financeiras com a Servier Canada Inc.

Autismo ligado a infecção por herpes na gestação

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Megan Brooks

 

Altos títulos de anticorpos maternos contra o vírus herpes simples 2 (Herpes Simplex Virus, HSV-2) na metade da gestação foram associados a um maior risco de transtorno do espectro do autismo, sugere um novo estudo.

“Este é o primeiro estudo a informar uma associação entre os títulos de anticorpos maternos contra o vírus herpes simples e o risco de transtorno do espectro do autismo para o feto”, escrevem os pesquisadores, tendo como primeira autora Milada Mahic, pós-doutoranda em pesquisa no Center for Infection and Immunity da Columbia University Mailman School of Public Health, em Nova York.

“Acreditamos que a resposta imunológica da mãe ao vírus herpes simples 2 pode comprometer o desenvolvimento do sistema nervoso central do feto, aumentando o risco de autismo”, disse a Dra. Milada em um comunicado à imprensa.

O estudo foi publicado on-line em 22 de fevereiro no periódico mSphere, revista da American Society for Microbiology.

Risco com especificidade de sexo?

As infecções maternas durante a gestação têm sido implicadas em vários transtornos do desenvolvimento neurológico, incluindo o transtorno do espectro do autismo.

A equipe de Columbia avaliou os possíveis vínculos entre a exposição materna a cinco patógenos: ( To xoplasma gondii, vírus da Rubéola, Citomegalovírus, HSV-1 e HSV-2 – ToRCH) durante a gestação e o risco de transtorno do espectro do autismo para o feto. A exposição aos assim chamados patógenos “ToRCH” durante a gestação pode levar ao abortamento e a defeitos congênitos.

Os pesquisadores examinaram amostras de sangue de 442 mães de crianças diagnosticadas com transtorno do espectro do autismo e de 463 mães de crianças sem o transtorno, que foram incluídas no estudo Autism Birth Cohort (ABC), realizado pelo Norwegian Institute of Public Health. As amostras de sangue materno foram obtidas por volta da 18ª semana de gestação e no momento do parto.

Altos títulos de anticorpos IgG contra o vírus herpes simples 2 no plasma materno na metade da gestação (mas não no momento do parto) foram associados a maior risco de transtorno do espectro do autismo nos bebês do sexo masculino.

Após o ajuste pela paridade e pelo ano de nascimento da criança, o aumento do título de anticorpos contra o HSV-2 de 240 para 640 unidades arbitrárias por mililitros esteve associado a uma probabilidade cerca de duas vezes maior de transtorno do espectro do autismo nos bebês do sexo masculino (odds ratio, OR = 2,07; intervalo de confiança, IC, de 95% de 1,06 a 4,06; P = 0,03), relatam os pesquisadores.

O número de meninas com transtorno do espectro do autismo (n = 78) no estudo foi “pequeno demais para concluir que o efeito seja determinado pelo sexo; no entanto, o autismo tem um viés de gênero desviado para o sexo masculino”, observam os pesquisadores no artigo.

Não foi encontrada nenhuma associação entre o transtorno do espectro do autismo e a presença de anticorpos IgG para os outros quatro patógenos ToRCH.

“A causa ou as causas da maioria dos casos de autismo são desconhecidas”, declarou o autor sênior Dr. W. Ian Lipkin, médico e diretor do Center for Infection and Immunity na Columbia University. “Mas as evidências indicam algum papel tanto para os fatores genéticos quanto para os fatores ambientais. Nosso trabalho sugere que a inflamação e a ativação imunitária podem contribuir para esse risco. O vírus herpes simples 2 pode ser um entre vários agentes infecciosos envolvidos”.

Os pesquisadores observam que os altos títulos de anticorpos contra o HSV-2 podem indicar infecção primária recente ou reativação de infecção latente. Apenas 12% das mães soropositivas para o vírus herpes simples 2 referiram lesões herpéticas antes ou durante o primeiro trimestre de gestação, indicando que a maioria das infecções pelo HSV-2 foram assintomáticas.

Os pesquisadores conjecturam que o risco de transtorno do espectro do autismo associado aos altos títulos de anticorpos contra o vírus herpes simples 2 não seja específico ao HSV-2, mas em vez disso reflita o impacto da ativação imunológica e da inflamação em um sistema nervoso vulnerável em desenvolvimento. Os autores dizem que são necessários mais estudos para determinar a necessidade de rastreamento e supressão da infecção pelo vírus herpes simples 2 durante a gestação.

Este estudo foi financiado por subsídios do National Institutes of Health, da Jane Botsford Johnson Foundation, da Simons Foundation Autism Research Initiative, do Norwegian Ministry of Health and Care Services, do Norwegian Ministry of Education and Research e pelo Research Council of Norway. Os autores informaram não possuir nenhum conflito de interesse relevante ao tema.

MSphere. Publicado on-line em 22 de fevereiro de 2017. Artigo

Ainda não há consenso sobre tratamento do hipotireoidismo subclínico na gestação

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gravida

Kristin Jenkins

 

O primeiro estudo nacional nos Estados Unidos a avaliar a efetividade e a segurança da terapia com hormônio tireoidiano para gestantes com hipotireoidismo subclínico mostra que o tratamento pode reduzir significativamente o risco de perda gestacional, mas apenas em pacientes com níveis elevados do hormônio tireoestimulante (TSH) antes do tratamento.

Isso sugere que algumas gestantes com hipotireoidismo subclínico podem estar sendo excessivamente tratadas, disse uma equipe de pesquisa liderada pela Dra. Spyridoula Maraka, pesquisadora colaboradora na Mayo Clinic e professora assistente na University of Arkansas for Medical Sciences,em Little Rock.

Resultados de um estudo retrospectivo de coorte dos EUA com 5405 gestantes com hipotireoidismo subclínico – 16% das quais receberam tratamento com hormônio tireoidiano – mostraram que o tratamento foi associado a uma redução de 38% de perda gestacional entre mulheres com hipotireoidismo subclínico, mas essa redução de risco foi primariamente restrita àquelas com níveis de TSH antes do tratamento de 4,1 a 10 mIU/L.

O risco de perda gestacional não foi menor entre as gestantes tratadas ou não com hormônio tireoidiano naquelas cujos níveis de TSH pré-tratamento eram de 2,5 a 4,0 mIU/L, dizem os pesquisadores no trabalho publicado on-line em 25 de janeiro no British Medical Journal.

O estudo também revelou uma associação entre o tratamento com hormônio tireoidiano e um aumento do risco de diabetes gestacional (odds ratio, OR, 1,37, comparado com pacientes não tratadas), pré-eclâmpsia (OR, 1,61) e parto pré-termo (OR, 1,60).

“Dada a menor magnitude de efeito no grupo com concentrações de TSH de 2,5 a 4,0 mIU/L, e à luz do possível aumento de risco de outros eventos adversos, o tratamento pode precisar ser reconsiderado nesse grupo”, dizem a Dra. Spyridoula e colaboradores.

Em uma declaração à imprensa feita pela Mayo Clinic, o coautor Dr. Juan Brito Campana, endocrinologista, disse que a associação do tratamento com levotiroxina ao risco aumentado de resultados adversos relacionados à gestação deveria ser visto como preliminar e pede “estudos adicionais avaliando a segurança do tratamento com levotiroxina em gestantes com hipotireoidismo subclínico”.

Mais pesquisas necessárias para refinar a informação

Novas diretrizes do tratamento do hipotireoidismo durante a gestação foram recentemente publicadas pela American Thyroid Association e foram motivadas pela “quantidade substancial de novos dados na literatura” desde as diretrizes prévias de 2011, disse ao Medscape a Dra. Elizabeth N. Pearce, da Boston University School of Medicine, Massachusetts, quando da publicação das diretrizes.

No entanto, ela também concordou que o tratamento do hipotireoidismo subclínico na gestação permanece controverso e “pouco baseado em dados. Nós fornecemos novas recomendações baseadas em processos, mas eu diria que os dados ainda não são definitivos na área.”

As novas diretrizes da ATA elevam o nível de TSH para diagnóstico e tratamento do hipotireoidismo subclínico em relação às diretrizes de 2011, disse ao Medscape, por email, a Dra. Spyridoula.

Isso direciona “nossas preocupações prévias sobre excesso de diagnóstico e tratamento nessa população de pacientes, o que levou à decisão de conduzir esse estudo”, disse ela.

Apesar disso, incertezas permanecem, alertou a pesquisadora.

Embora as novas diretrizes da ATA “possam ajudar as gestantes e seus médicos a chegarem a uma decisão sobre qual tratamento é melhor”, mais pesquisas são necessárias para “refinar as informações disponíveis”, disse ela.

Apenas 15% das gestações com hipotireoidismo subclínico são tratadas

Para a análise, Dra. Spyridoula e colaboradores avaliaram a OptumLabs Data Warehouse, uma grande base de dados administrativos dos EUA que inclui pacientes com plano de saúde, assim como aqueles cobertos pelo Medicare – seguro de saúde pago pelo governo dos Estados Unidos a pacientes idosos.

Todas as mulheres com idade de 18 a 55 anos com hipotireoidismo subclínico, definido como concentração de TSH de 2,5 a 10 mIU/L, que consultaram durante a gestação entre 1º de janeiro de 2010 e 31 de dezembro de 2014 foram incluídas.

Um total de 5405 gestantes com hipotireoidismo subclínico foi dividido em dois grupos: tratadas e não tratadas.

Dentre as 843 (15,6%) mulheres que iniciaram tratamento com hormônio tireoidiano, 832 (98,7%) receberam levotiroxina com uma dose mediana de 50 μg.

Sete pacientes (0,8%) receberam formulação de extrato tireoidiano e quatro pacientes (0,5%) foram tratadas com uma combinação de levotiroxina e liotironina. As 4562 (84,4%) mulheres restantes não receberam hormônio tireoidiano.

A cada ano do estudo, o percentual de mulheres tratadas aumentou, subindo de 12% em 2010 para 19% em 2014, observam os pesquisadores.

E houve variação geográfica na prescrição de hormônio tireoidiano – os dados revelaram que significativamente mais mulheres estavam recebendo tratamento nas regiões Nordeste e Oeste dos Estados Unidos do que nas regiões do Centro-Oeste e Sul (P < 0,01).

Não se sabe o quão amplamente as recomendações para o tratamento de gestantes com hipotireoidismo subclínico têm sido implementadas nos Estados Unidos.

No entanto, os pesquisadores sugerem que a implementação total poderia resultar em até 600.000 gestantes usando tratamento com levotiroxina a cada ano, mesmo que não existam evidências suficientes mostrando que ela melhora os desfechos.

Ainda, o fato de que menos de 16% dessa coorte recebeu hormônio tireoidiano em 2014 sugere que os médicos não estão seguindo as recomendações, observam a Dra. Spyridoula e equipe, acrescentando que 1,2% das mulheres tratadas na coorte receberam preparações para tireoide que não eram recomendadas.

“A causa dessa discrepância é provavelmente multifatorial, incluindo uma falta de familiaridade com as diretrizes entre os clínicos, escassez de evidências confiáveis que apoiem essas recomendações, inconsistências na prática entre endocrinologistas, médicos de família e obstetras, e não aderência à levotiroxina pelas pacientes”, concluem.

Limite superior de referência do TSH aumentado para 4,0 mIU/L

As novas recomendações de 2017 da ATA determinam que, quando possível, variações na referência específica para cada trimestre para o TSH sérico deveriam ser definidas por meio da avaliação de dados da população, incluindo apenas gestantes sem doença tireoidiana conhecida, consumo adequado de iodo e exame negativo para anticorpo antiperoxidase (anti-TPO).

Quando a avaliação local representativa da prática de um médico não for possível, é recomendado que o limite inferior de referência para o TSH seja reduzido no primeiro trimestre em aproximadamente 0,4 mIU/L e o limite superior da referência seja reduzido em aproximadamente 0,5 mIU/L.

Isso corresponde a um limite superior de referência para o TSH de 4,0 mIU/L para a paciente típica no início da gestação.

“Esse limite de referência deve ser aplicado geralmente a partir do fim do primeiro trimestre, nas semanas 7 a 12, com um retorno gradual ao valor de referência de não-gestante nos segundo e terceiro trimestres”, disse a força tarefa da ATA no relatório.

As diretrizes de 2017 diferem significativamente em dois pontos quando comparadas com as de 2011, explicou a Dra. Spyridoula.

A primeira mudança, para o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico, aumenta o limite superior de referência do TSH no primeiro trimestre para 4,0 mIU/L, em vez dos 2,5mIU/L das diretrizes prévias.

A segunda mudança, quanto ao tratamento do hipotireoidismo subclínico, recomenda o tratamento em mulheres com anticorpo anti-TPO positivo com um TSH > 4mIU/L (ou maior que o valor de referência específico para gestação, se disponível), e consideração de tratamento se o TSH estiver entre 2,5 mIU/L e 4 mIU/L.

Para gestantes com anticorpo anti-TPO negativo a recomendação de tratamento é para TSH acima de 10 mIU/L, e o tratamento pode ser considerado se o TSH estiver entre 4,0 e 10 mIU/L.

Em 2011, apontou a Dra. Spyridoula, o tratamento era recomendado para gestantes com hipotireoidismo subclínico definido como TSH > 2,5 mIU/L com anticorpo anti-TPO positivo.

Devido a evidências insuficientes, naquele momento não havia recomendação a favor ou contra o tratamento universal em gestantes com anticorpo anti-TPO negativo com hipotireoidismo subclínico, observou ela.

Os médicos são encorajados a utilizar uma abordagem de tomada de decisões compartilhada com as pacientes, disse a Dra. Spyridoula, acrescentando que, se o tratamento é iniciado, monitorar a função tireoidiana e ajustes na terapia “é essencial”.

Tratamento pode ser necessário apenas no primeiro trimestre

A Dra. Spyridoula também disse que o momento do tratamento com hormônio tireoidiano é uma área importante de pesquisa, e que ele pode ser necessário apenas no primeiro trimestre de gestação.

E ela destacou que é preciso mais pesquisas para entender se existe um mecanismo causal por trás da associação do tratamento com hormônio tireoidiano e a redução do risco de perda gestacional.

Os benefícios do tratamento com hormônio tireoidiano, especificamente em gestantes com hipotireoidismo subclínico que são negativas para anticorpo anti-TPO, também precisam ser avaliados, disse ela, observando que se pensava que esse grupo teria menor risco de complicações gestacionais.

Enquanto isso, resultados de grandes estudos randomizados e dados de complicações gestacionais do estudo Controlled Antenatal Thyroid Screening poderão fornecer “um maior racional científico” para a abordagem do hipotireoidismo subclínico na gestação, concluiu.

Esse estudo foi financiado pelo Mayo Clinic Robert D and Patricia E Kern Center for the Science of Health Care Delivery. Os autores do estudo reconhecem o apoio da Agency for Healthcare Research and Quality e AcademyHealth, mas não declararam conflitos de interesse relevantes.

BMJ. Publicado on-line em 25 de janeiro de 2017. Artigo

Qual a importância da Fisioterapia Pélvica na gestação?

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A gravidez é um período de intensas alterações musculoesqueléticas, físicas e emocionais.gestante

O fisioterapeuta é capaz de avaliar e monitorar as alterações físicas enfocando em primeiro lugar a manutenção do bem-estar. O fisioterapeuta também é capaz de examinar e tratar a paciente com comprometimentos musculoesqueléticos específicos incorporando o conhecimento de lesão e regeneração dos tecidos ao das alterações que ocorrem durante a gravidez.

Apesar de natural, a gravidez exige alguns novos cuidados para com a saúde. Hoje já é sabido que, dentre estes cuidados, os exercícios para a musculatura do assoalho pélvico (MAP) são indispensáveis.

O assoalho pélvico consiste em múltiplas camadas de músculos que se estendem entre o púbis e o cóccix, formando o suporte inferior da cavidade abdômino-pélvica. O assoalho pélvico feminino dá passagem para a uretra, vagina e o reto. Ilustração-períneo

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Durante a gestação, como se pode imaginar, a sobrecarga na musculatura pélvica é radicalmente aumentada. Afinal, além de sustentar o peso constante dos órgãos pélvicos agora ela precisa sustentar todo o peso do bebê e dos anexos embrionários (placenta, líquido amniótico, etc), durante todo o dia – especialmente quando a mulher está em pé ou sentada. Não só pelo aumento corporal, mas a própria alteração de postura com o aumento do abdômen gera um comportamento de compensação que vai enfraquecer o assoalho pélvico pelo aumento da sobrecarga.

Os músculos do assoalho pélvico têm que possuir uma força funcional. Numa guerra diária contra a gravidade, são eles que sustentam os órgãos pélvicos, o bebê durante a gestação e, por sustentarem a bexiga e vias urinárias e sistema anorretal, são responsáveis pela continência voluntária de urina, gases e fezes. Caso estes músculos estejam enfraquecidos, podem iniciar as disfunções pélvicas, como: os prolapsos pélvicos (os órgãos pélvicos podem acabar descendo, saindo de suas posições normais), incontinências de urina, gases ou fezes de diversos graus, momentâneas ou não.

Apesar dos traumas que podem ocorrer com a musculatura do assoalho pélvico no momento de expulsão do parto poderem predispor às disfunções do assoalho pélvico, evidências crescentes têm mostrado que eles não são os únicos fatores de risco determinantes para sua ocorrência. Existem vários outros fatores de risco obstétricos e neonatais, como: Recém nascido com peso superior à 4kg, segundo estágio de trabalho de parto prolongado, uso de ocitocina e parto vaginal assistido com uso de fórceps ou vácuo-extrator.

A incontinência urinária durante a gestação tem sido apontada como fator que pode predispor à ocorrência de incontinência em algum outro momento da vida da mulher.

Existem algumas evidências de que a prática de exercícios do assoalho pélvico durante a gravidez pode prevenir a incontinência pós-natal, particularmente em mulheres com risco identificado incontinência.

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Visando à prevenção de disfunções pélvicas, tanto na gravidez quanto no pós parto, a Sociedade Internacional de Continência recomenda (Com base em evidências científicas provenientes de estudos de alta qualidade metodológica) que seja realizado um treinamento dos músculos do assoalho pélvico intenso e supervisionado. Quando a disfunção já está instalada, o treinamento muscular é considerado um recurso de tratamento conservador de primeira linha.

Intervenção fisioterapêutica na gravidez

Normalmente  as gestantes buscam o profissional Fisioterapeuta ou são encaminhadas para o acompanhamento fisioterepêutico  para: Preparação para o parto, alívio de dores e desconfortos, prevenção de disfunções, como as musculoesqueléticas e uroginecológicas, ou com o objetivo de realizarem exercícios físicos orientados.

Papel da Fisioterapia Pélvica na preparação para o Parto

Estima-se que a cabeça fetal seja quatro vezes maior que o diâmetro do hiato urogenital, causando expressivo alongamento da musculatura do assoalho pélvico partodurante o período expulsivo. Estes músculos são naturalmente preparados para isso durante a gravidez, pois os hormônios liberados relaxam a musculatura e permitem um maior alongamento muscular. Apesar disso, em determinadas condições, os músculos do assoalho pélvico podem sofrer traumas durante o parto, resultantes de lacerações perineais espontâneas ou de episiotomia.

Para a prevenção dos traumas perineais, podemos utilizar:

  • Massagem perineal
  • EPI-NO –  balão que deve ser posicionado na vagina da gestante e insuflado até o limite individual, mantido por alguns minutos (5 minutinhos são suficientes) e retirado bem lentamente. Pode ser utilizado a partir da 34ª semana.

Músculo preparado corre menos risco de lesão. Assim, a mensagem que fica é que, tanto para o parto normal quanto para a cesariana, a musculatura do assoalho pélvico deve ser preparada e treinada!

Referências:

Baracho, Elza. Fisioterapia Aplicada À Saúde da Mulher – 5ª Ed.

DINIZ, AMARAL. Intervenção Fisioterapêutica para Prevenção e Tratamento da Incontinência Urinária Durante a Gestação: Revisão Da Literatura. 2008.

Hay-Smith J,Mørkved S, Fairbrother KA,Herbison GP. Pelvic floor muscle training for prevention and treatment of urinary and faecal incontinence in antenatal and postnatal women. Cochrane Database of Systematic Reviews 2008, Issue 4. Art.No.: CD007471.

Withford. et al. Pelvic floor exercises and symptoms of urinary incontinence during pregnancy. Midwifery (2007) 23, 204–217

Site:www.perineo.net