hábitos alimentares

#O #temperamento da criança influencia em seus #hábitos alimentares?

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menino comendo chocolate e se sujando de acordo com temperamento e hábitos alimentares

Segundo o estudo Temperament as a predictor of eating behavior in middle childhood – A fixed effects approach, publicado no jornal Appetite, o temperamento está envolvido na etiologia do comportamento alimentar das crianças.

Steinsbekk e colaboradores, pesquisadores responsáveis pelo estudo, basearam-se na hipótese de que diferenças individuais de temperamento influenciam o desenvolvimento do comportamento alimentar das crianças.

Essa teoria já havia sido testada predominantemente em desenhos transversais. No entanto, fatores de confusão importantes, como genética e fatores parentais estáveis, não foram considerados. Dessa forma, os pesquisadores planejaram estabelecer, de uma forma mais clara, se o temperamento está envolvido na etiologia do comportamento alimentar na primeira infância.

 

Temperamento e hábitos alimentares

Os pesquisadores citam o modelo psicobiológico de Rothbart, que engloba três dimensões temperamentais abrangentes: (1) afetividade negativa, caracterizada por instabilidade do humor, irritabilidade e emoções negativas desreguladas; (2) Esforço de controle, definido como a capacidade de inibir uma resposta dominante (por exemplo, comer um pouco de chocolate) para executar uma resposta menos saliente (como evitar comer o chocolate), isto é, um processo de autorregulação ou controle; (3) Extroversão, que diz respeito à abordagem e ao nível de atividade da criança. Cada uma dessas dimensões temperamentais tem sido associada a vários tipos de alimentação na infância.

Um total de 802 crianças habitantes de Trondheim, Noruega, com idades de 4, 6, 8 e 10 anos participaram do estudo. Os pesquisadores perguntaram aos pais sobre os hábitos alimentares e o temperamento dos filhos, avaliando se o temperamento poderia prever como os hábitos alimentares evoluíram. A afetividade temperamental negativa, o esforço de controle e a extroversão foram medidos pelo The Child Behavior Questionnaire (CBQ).

 

Children’s Eating Behavior Questionnaire (CEBQ) capturou quatro comportamentos de ‘abordagem alimentar’ (‘responsividade alimentar’, ‘prazer de comer’, ‘excessos emocionais’, ‘desejo de beber’) e quatro comportamentos ‘evitadores de alimentos’ (‘suborno emocional’ , ‘capacidade de resposta à saciedade’, ‘agitação alimentar’, ‘lentidão na alimentação’).

Resultados

Steinsbekk e equipe descobriram que uma maior afetividade negativa previa níveis mais altos de capacidade de resposta aos alimentos, excessos emocionais, subalimentação emocional, capacidade de resposta à saciedade, agitação alimentar, lentidão na comida e desejo de beber. Um esforço de controle menor previu mais agitação, capacidade de resposta alimentar, excessos emocionais e desejo de beber, enquanto um controle de esforço maior previu mais prazer com a comida e lentidão na alimentação, embora não de forma consistente em todos os momentos.

Níveis mais altos de extroversão foram prospectivamente associados a um maior aproveitamento da comida e capacidade de resposta aos alimentos, bem como menor capacidade de resposta à saciedade, agitação e lentidão na comida, mas, novamente, não de forma consistente em todos os momentos.

Os pesquisadores concluíram que o temperamento está envolvido na etiologia do comportamento alimentar, e dimensões temperamentais específicas provavelmente influenciam comportamentos alimentares específicos. Dessa forma, aumentar a conscientização entre os cuidadores de que alguns comportamentos alimentares estão associados a um risco maior de excesso de peso e problemas nutricionais pode ajudar os cuidadores de crianças altamente negativas afetivamente a estarem cientes de como as práticas de alimentação afetam o comportamento nutritivo das crianças em desenvolvimento e usar esse conhecimento para promover uma dieta saudável para seus filhos.

Autora:

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB. Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referências bibliográficas:

  • STEINSBEKK, Silje et al. Temperament as a predictor of eating behavior in middle childhood – A fixed effects approach. Appetite, v.150, 104640, 2020

ACOMPANHAMENTO EM NUTRIÇÃO ESPORTIVA

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Para a elaboração do plano alimentar de um esportista, é necessário realizar uma avaliação nutricional completa que consiste em:

  1. Avaliação da composição corporal (percentual de gordura e massa magra).
  2. Avaliação dos hábitos alimentares.
  3. Avaliação de sinais e sintomas clínicos.
  4. Avaliação de exames laboratoriais e do uso de medicamentos (se houver).
  5. Avaliação do estilo de vida.
  6. Avaliação do tipo de atividade física realizada, período de duração, intensidade, frequência, período do dia, objetivos (estéticos, melhoria na performance física, dentre outros).

O nutricionista é o profissional habilitado para a elaboração do plano alimentar personalizado, levando em consideração os fatores citados acima. As orientações nutricionais básicas válidas para qualquer modalidade esportiva são:

  • Ficar atento à hidratação.
    Fracionar as refeições ao longo do dia (em média 6 refeições ao dia em um intervalo de 3 em 3 horas e, em alguns casos, de 2 em 2 horas).
  • Realizar refeições pré e pós-treino (a refeição pré-treino tem como objetivo fornecer energia para o exercício e evitar a fadiga que consequentemente leva à queda no desempenho. A refeição pós-treino favorece a recuperação muscular e a reposição dos nutrientes perdidos durante o exercício).
  • Consumir frutas e hortaliças, pois são fontes de fibras, vitaminas, minerais e compostos funcionais, responsáveis por melhorar o funcionamento intestinal e a imunidade, além de participar da contração muscular e ter função antioxidante (que previne a lesão das células).
  • Em alguns casos, pode ser necessária a inclusão de suplementos alimentares como hipercalóricos, BCAA, whey protein, polivitamínicos, termogênicos, dentre outros. O uso de suplemento deve ser bem orientado, já que não substitui uma alimentação equilibrada e quando mau usado pode acarretar em consequências, como sobrecarga renal.

 

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por Dr. Vinícius Graton – Nutricionista Clínico e Esportivo