maconha

#Consumo de #maconha na #gestação e o #risco de autismo em crianças

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Consumo de maconha na gestação aumenta risco de autismo

O consumo de maconha (Cannabis) na gestação tem aumentado nos últimos anos. Além disso, muitas mulheres que já a utilizam continuam a usá-la durante a gravidez. Entretanto, segundo um estudo publicado no jornal Nature Medicine, as crianças cujas mães usaram maconha durante a gestação estão em maior risco de autismo quando comparadas a crianças cujas mães não a consumiram.

Estudo sobre consumo de maconha na gestação

Os pesquisadores Corsi e colaboradores utilizaram bancos de dados administrativos de saúde da província de Ontário, Canadá, contendo informações sobre gestação e nascimento (BORN), para determinar os resultados do neurodesenvolvimento em crianças.

O estudo consistiu em uma análise retrospectiva de dados de todos os nascidos vivos em Ontário, entre 01 abril de 2007 a 31 março de 2012. Um total de 689.071 nascimentos em Ontário foram registrados nesse período. Após exclusões, a coorte final foi baseada em 508.025 nascimentos. Crianças que perderam o seguro saúde ou faleceram antes dos 18 meses (n = 4.960) ou 4 anos (n = 10.204) de idade foram excluídas das análises primárias de transtorno do espectro do autismo (TEA) e análises secundárias de resultados de neurodesenvolvimento, produzindo coortes analíticas de 503.065 e 497.821, respectivamente.

A idade média das mães foi de 30,1 anos [desvio padrão (dp) = 5,6]. A idade gestacional média no parto era 38,9 semanas (dp = 1,7) e 51,4% das crianças eram do sexo masculino. A taxa de uso de maconha relatada na gestação foi de 0,6%. Na coorte de pacientes com 18 meses de idade, 7.125 crianças (1,4%) foram diagnosticadas com TEA ao final do período de acompanhamento (mediana de 7,4 anos entre os participantes).

 

Resultados

Dentre as crianças expostas à maconha intraútero, 2,2% tiveram diagnóstico de TEA. Além disso, a incidência de diagnóstico de TEA em crianças expostas à maconha intraútero foi de 4/1.000 pessoas-ano. Já as crianças que não foram expostas tiveram uma incidência de TEA de 2,42/1.000 pessoas-ano. Em comparação às crianças não expostas à maconha durante a gestação, crianças que foram expostas tiveram razão de risco ajustada para TEA de 1,51 [intervalo de confiança de 95% (IC 95%) 1,17-1,96).

Por fim, ao se avaliar gestantes que relataram usar maconha, mas nenhuma outra substância (como álcool, tabaco, cocaína, alucinógenos, opioides ou medicamentos prescritos durante a gravidez), os pesquisadores observaram que os filhos dessas mulheres ainda tinham um risco maior de TEA em comparação às crianças cujas mães não usaram maconha na gestação. Após ajuste adicional, as estimativas para deficiência intelectual e distúrbios de aprendizagem [hazard ratio (HR) = 1,22 (IC 95%: 0,97-1,54)] e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) (HR = 1,11 (IC 95%: 0,98-1,25) não tiveram significância estatística.

O estudo possui diversas limitações:

  1. A prevalência do uso de maconha foi menor do que relatada em outros lugares, embora os dados fossem coletados antes dos recentes aumentos de uso.
  2. Os dados sobre frequência, trimestre e duração do uso não estão disponíveis.
  3. Embora o autorrelato do uso de maconha seja moderadamente confiável para uso em estudos epidemiológicos em comparação com biomarcadores, erros de classificação podem ocorrer. Mulheres grávidas podem subnotificar o uso de Cannabis.
  4. Os estudos observacionais são frequentemente afetados por um viés residual de confusão, portanto, a interpretação das associações deve ser cautelosa.
  5. TEA e outros resultados, incluindo TDAH, podem ter sido diagnosticados incorretamente.

 

Conclusão

Apesar de um número grande de amostra, o estudo é observacional, portanto, essas limitações devem ser consideradas. Além disso, mais estudos são necessários para avaliar a quantidade e em que momento o uso de maconha na gravidez leva a esses resultados na saúde de crianças, principalmente após a legalização da Cannabis em muitas jurisdições.

O uso recreativo de Cannabis está legalizado no Canadá. No entanto, isso não significa que a droga seja segura para gestantes ou lactantes. De qualquer forma, esses resultados enfatizam que as mulheres devem estar cientes dos riscos potenciais da maconha durante a gestação e seu uso deve ser desencorajado.

Autora:

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB. Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referências bibliográficas:

#Uso de #maconha entre #adolescentes na era do #vape, nos EUA

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mulher fumando cigarro eletrônico, vape

vape de maconha expandiu entre os adolescentes nos Estados Unidos, de acordo com o 2019 Monitoring the Future (MTF) survey. Desde 1975, o MTF mede o uso de drogas e de álcool e as atitudes relacionadas ao uso dessas substâncias entre estudantes adolescentes americanos. A pesquisa é financiada pelo NIDA, um componente do National Institutes of Health (NIH), e realizada pela Universidade de Michigan.

Vaping é o ato de inspirar e expirar o aerossol (vapor), produzido por um cigarro eletrônico ou dispositivo similar. O termo é usado porque os cigarros eletrônicos não produzem fumaça, mas sim um aerossol, frequentemente confundido com vapor de água que, na verdade, consiste em partículas finas. Muitas dessas partículas contêm quantidades variadas de produtos químicos tóxicos que têm sido associados ao câncer, além de doenças respiratórias e cardíacas.

Maconha no vape

O tetra-hidrocanabinol (o principal constituinte psicoativo da maconha) pode ser vaporizado. No entanto, o vape de maconha produz efeitos fisiológicos e psicológicos significativamente maiores em comparação aos métodos tradicionais de fumar o tetra-hidrocanabinol, levantando preocupações sobre os possíveis efeitos à saúde.

Em carta recente publicada online na revista JAMA, Miech e colaboradores (2019) relataram a prevalência do uso de vape de maconha para 2019 entre adolescentes americanos e o aumento dessa prevalência entre 2017, 2018 e 2019.

No total, 42.531 estudantes de 396 escolas públicas e privadas dos Estados Unidos participaram da pesquisa MTF de 2019. As análises foram baseadas na pergunta “Em quantos dias (se houver) você consumiu maconha” com os períodos de “nos últimos 30 dias”, “nos últimos 12 meses” e “na sua vida”. A palavra “dias” na questão principal substituiu a palavra “ocasiões”, usada em 2017 e 2018.

 

Em 2019, o vape de maconha “quase diariamente” foi medido pela primeira vez e indicado o uso em “mais de 20 dias” nos últimos 30 dias. Uma amostra de dois terços selecionada aleatoriamente recebeu as perguntas sobre o cigarro eletrônico de maconha em 2019 e uma amostra de um terço selecionada aleatoriamente recebeu as perguntas em 2017 e 2018.

O número de estudantes selecionados aleatoriamente para receber as perguntas foi 14.560 de 43.703 em 2017, 14 857 de 44 482 em 2018 e 28 346 de 42 531 em 2019. Em 2019, a prevalência de vape de maconha nos últimos 30 dias foi de 3,9% (IC95%, 3,3%-4,7%) da 8ª série, 12,6% (IC95%, 11,1%-14,3%) da 10ª série e 14,0% (IC95%, 12,6%-15,5%) da 12ª série. Os níveis de prevalência relatados nos últimos 30 dias aumentaram significativamente de 2018 a 2019. Os aumentos absolutos foram de 1,3% (IC95%, 0,4%-2,2%; P = 0,006) nos alunos da 8ª série, 5,6% (IC95%, 3,7%-7,5%; P <0,001) na 10ª série e 6,5% (IC 95%, 4,7%-8,4%; P <0,001) na 12ª série.

Entre os alunos da 12ª série, esse aumento foi significativamente maior que o aumento de 2017 para 2018 por uma diferença absoluta de 4,0% (ou seja, 6,5%-2,5% [IC 95%, 1,3% -6,8%]; P = 0,004). Entre os alunos da 10ª série, o aumento foi de 2,9% (ou seja, 5,6%-2,7% [IC 95%, 0,1% -5,7%]; P = 0,04). Os resultados foram semelhantes nos últimos 12 meses e no tempo de vida. Os aumentos de prevalência a cada ano foram estatisticamente significantes para todas as séries. Para todos os intervalos, o aumento da prevalência entre os alunos do 12º ano foi maior entre 2018 e 2019 do que entre 2017 e 2018. Em 2019, o consumo quase diário de maconha foi relatado por 0,8% (IC95%, 0,6%-1,2%) da 8ª série, 3,0% (IC95%, 2,3%-4,0%) da 10ª série e 3,5% (IC95%, 2,9%-4,3%) da 12ª série.

 

As limitações do estudo incluem o potencial de relatar erros e a ausência de evasão do ensino médio. Entretanto, os autores destacam que, à medida que aumenta o número de adolescentes que usam maconha, também aumenta o escopo e o efeito de quaisquer consequências associadas à saúde, que podem incluir lesões pulmonares. Esse estudo mostra que o rápido aumento do consumo de maconha indica a necessidade de novos esforços de prevenção e intervenção direcionados especificamente aos adolescentes.

 

Autor:

Roberta Esteves Vieira de Castro
Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-graduanda em neurointensivismo pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ e do Hospital Caxias D’Or. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).

Referências bibliográficas:

#Coca-Cola quer lançar uma bebida com infusão de #maconha

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Por , em 18.09.2018

De olho no crescente mercado de bebidas de cannabis, a Coca-Cola está planejando uma possível entrada que expandiria as ambições da maior fabricante mundial de refrigerantes.

A empresa anunciou seu interesse na segunda-feira (17), afirmando estar em conversação com a empresa canadense Aurora Cannabis Inc. para desenvolver bebidas infundidas com canabidiol (CBD), a substância química não psicoativa encontrada na maconha.

A maconha recreativa se tornará legal no Canadá em 17 de outubro. A Coca-Cola está correndo para se juntar a outras empresas de cervejas e cigarros para testar esse comércio no país.

Para todos os gostos

Coca-Cola e Aurora, em declarações separadas, disseram que estavam interessadas em bebidas infundidas com canabidiol, mas não comentaram detalhes. As ações da Aurora subiram 17%, enquanto as da Coca-Cola subiram ligeiramente.

Bebidas com CBD não “dão barato”, mas provavelmente visam aliviar a inflamação, dor e cólicas.

Os produtos de CBD seriam diferentes daqueles produzidos pelos fabricantes de álcool, destinados a gerar uma sensação através do uso do tetrahidrocanabinol (THC), o principal produto químico psicoativo da maconha.

As fabricantes de cerveja Constellation Brands, Molson Coors e Heineken já atuam nesse mercado. Por exemplo, a cerveja artesanal da Heineken, Lagunitas, lançou recentemente o Hi-Fi Hops, uma espécie de água tônica com sabor de cerveja infundida com THC e CBD.

Produtos mais saudáveis

A Coca-Cola busca um segmento de rápido crescimento que se encaixa bem na sua área de produtos funcionais de bem-estar. Recentemente, a empresa lançou um sabor novo no Brasil, a Coca-Cola Plus Café Espresso, com 40% mais cafeína e 50% menos açúcar em relação à Coca-Cola original.

“As bebidas THC provavelmente ficam melhores com os fabricantes de cerveja, e talvez a CBD se encaixe melhor com a Coca-Cola, em termos de manter a tendência de saúde”, disse o analista da Liberum, Nico von Stackelberg.

Há um crescente interesse do consumidor no CBD, uma vez que suas propriedades servem bem como ingredientes de uma bebida de recuperação esportiva. Aliás, produtos como Gatorade podem se interessar pelo novo mercado canadense também.

Além de Aurora, as empresas de cannabis Tilray e Aphria também são alvos de parcerias com grandes companhias que querem explorar esse negócio na América do Norte.

Economia

O Canadá é a primeira grande economia a legalizar a maconha recreativa. Vários estados dos EUA já legalizaram a cannabis, mas a substância continua proibida pela lei federal.

As vendas nos mercados legais dos EUA devem quase triplicar em 2020, de US$ 5,4 bilhões em 2015 para US$ 16 bilhões, segundo a Euromonitor International. Além disso, a Constellation indicou que a maconha pode valer US$ 200 bilhões em 15 anos.

O canabidiol é uma das centenas de moléculas encontradas na maconha e contém menos de 0,1% do THC. Não causa intoxicação. Já existem bebidas com CBD disponíveis em alguns mercados, feitas por marcas como Dirty Lemon, Sprig e Kickback. Explorar esta substância traz pouco risco de reputação para a Coca-Cola. [Reuters, G1]

#Um banho quente ajuda? Diagnosticando a #hiperêmese dos #canabinoides

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Dr. David A. Johnson

Olá. Eu sou o Dr. David Johnson, professor de medicina e chefe da Gastroenterologia da Eastern Virginia Medical School, em Norfolk, Virgínia. Hoje eu quero discutir uma caso que tive esta semana no pronto-socorro (PS). Fui chamado para avaliar um homem de 28 anos de idade com episódios de vômitos de repetição. Ele havia passado pelo PS já duas vezes nas semanas anteriores, e tinha os exames laboratoriais normais. Este era um problema de recidiva, mas sem sequelas. Ele relatou ao médico do PS queixa de dor abdominal em cólica. Como já havia estado no PS algumas vezes, o paciente já tinha uma TC. Lipase e amilase foram normais. Ele não tinha outros fatores de risco, e não estava em uso de medicamentos.
Então, eu disse ao médico do PS: “Volte e pergunte ao paciente sobre o uso de maconha. Pergunte se ele toma um banho quente quando ele percebe esses sintomas, e se isso o faz sentir-se melhor”.  O médico voltou e disse: “Você sabe que ele disse ‘sim’ para isso. Menino, o banho quente é realmente estranho. ” E eu disse: “O que ele tem é hiperêmese dos canabinoides. ”

Hiperêmese dos canabinoides

Eu queria discutir isso de forma breve, particularmente à luz do crescente uso de canabinoides por razões médicas e recreativas. Estima-se que a maconha é a droga (ilícita)  mais usada, e número 1 do mundo, com mais de 160 milhões de usuários. Nos Estados Unidos, há cerca de 22.4 milhões de usuários, e aproximadamente 2.4 milhões de novos usuários anualmente.[1,2] Nos Estados Unidos, a maconha é aprovada para uso médico em 26 estados e no distrito de Columbia, e para uso recreativo em oito estados e no distrito de Columbia.[2]

O uso crescente de canabinoides traz consequências crescentes, tais como as que ocorreram com esse paciente. O vômito recorrente, que descreve uma síndrome muito diferente, mas com uma apresentação similar, é muito consistente com a hiperêmese dos canabinoides.

Um estudo recente no periódico Gastroenterologia Clínica e Hepatologia[2] destaca o uso crescente de canabinoides e o aumento da internação por vômitos recorrentes e persistentes. De fato, as taxas dobraram nos últimos sete anos, com a taxa de diagnóstico de vômitos persistentes associados ao uso de canabinoides aumentando cerca de 7% ao ano.
Previamente considerado um tipo de quadro raro e incomum, agora podemos ver isso com mais frequência. Em nossos pacientes com vômitos persistentes, precisamos começar a perguntar sobre o uso de canabinoides. Normalmente é visto em pacientes com menos de 50 anos. Esses pacientes são usuários regulares da maconha e geralmente têm dor abdominal tipo cólica.
É muito interessante que banhos com água quente ou morna realmente os façam sentir melhor. Isto já está bem relatado e bem documentado. Assim, não temos motivos para explicar isto fisiologicamente, ou mesmo fisiopatologicamente.
Realmente não temos uma boa explicação para a ocorrência da hiperêmese dos canabinoides. Na verdade, os canabinoides são utilizados para o tratamento de êmese e náusea em pacientes com câncer[3] e em pacientes com caquexia.[4]

Existe um efeito dos canabinoides no cérebro que leva de dois a quatro meses para resolver. Os pacientes sentem-se melhor quando param o canabinoide, mas não imediatamente. Eles certamente precisarão ficar sem o uso da maconha por longos períodos de tempo.

O aumento do uso recreativo de canabinoides e uso relacionado com medicação nos Estados Unidos é meteórico e as taxas de hospitalização por hiperêmese de canabinoides duplicaram nos últimos sete anos. Os riscos crescentes são decorrentes das taxas crescentes de uso.

Portanto, coloque vômitos persistentes na sua lista de coisas para perguntar. Pergunte aos pacientes se eles são usuários regulares de canabinoides, e se eles têm a reação idiossincrática em que se sentem melhor no chuveiro. Retire isso do seu livro de conhecimento fundamental e lembre-se que isso é muito clássico para hiperêmese relacionada com canabinoides.

Eu sou o Dr. David Johnson. Espero que você tenha achado isso útil. Obrigado por ouvir novamente.

#Uso de #maconha pode aumentar risco de morte por #hipertensão

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Megan Brooks

ATLANTA, GA — Usuários de maconha têm um risco quase três vezes maior de morrer de hipertensão, e o risco aumenta com cada ano adicional de uso, de acordo com uma análise da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES) [1].

O risco cardiovascular associado ao uso de maconha “pode ​​ser maior que o risco cardiovascular já estabelecido para o tabagismo”, informam os autores, liderados por Barbara Yankey (Georgia State University, Atlanta).

“Não estamos contestando os possíveis benefícios medicinais das formulações padronizadas de cannabis. No entanto, o uso recreativo de maconha deve ser abordado com cautela”.

O estudo foi publicado on-line em 8 de agosto de 2017 no European Journal of Preventive Cardiology.

Os pesquisadores associaram dados de adultos com 20 anos de idade ou mais que responderam a perguntas sobre o uso de maconha na NHANES de 2005, a dados de mortalidade de 2011 do National Center for Health Statistics. Os 1213 indivíduos (média de idade de 37,7 anos no início) na coorte foram acompanhados por um total de 19.569 pessoas-anos.

Entre todos os participantes, 34% ou não usavam maconha nem cigarro, 21% usavam apenas maconha, 20% usaram maconha e fumavam cigarros, 16% usavam maconha e eram ex-tabagistas, 5% eram ex-tabagistas, ​​e 4% fumavam apenas cigarros. A duração média do consumo de maconha foi de 11,5 anos, e para o tabagismo, de 10,1 anos .

Em comparação com os não usuários de maconha, os usuários tinham uma hazard ratio (HR) ajustada para morte por hipertensão de 3,42 (IC de 95%, 1,20-9,79).

O risco ajustado foi ainda maior do que o dos tabagistas ativos (HR 1,06; IC de 95%, 0,40-2,77), dos ex-tabagistas (HR 1,33; IC de 95%, 0,57-3,10), dos usuários de álcool (HR 0,95; IC de 95%, 0,37-2,45); e daqueles com diagnóstico prévio de hipertensão (HR 0,81; IC de 95%, 0,32-2,06) ou doença cardiovascular (HR 1,94; IC de 95%, 0,42-8,97).

Para cada ano de uso de maconha, a hazard ratio foi de 1,04 (IC de 95%, 1,00-1,07). Morte por hipertensão incluiu múltiplas causas, como hipertensão primária e doença renal hipertensiva.

Não houve associação entre o uso de maconha e morte por doença cardíaca ou cerebrovascular, e nenhuma associação significativa entre o tabagismo e morte por hipertensão, doença cardíaca ou doença cerebrovascular, provavelmente devido ao pequeno tamanho da amostra, dizem os pesquisadores.

“Encontramos maiores riscos cardiovasculares estimados associados ao uso de maconha do que com o tabagismo”, disse Barbara em um comunicado à imprensa. “Isso indica que o uso de maconha pode ter consequências ainda mais pesadas no sistema cardiovascular do que o já estabelecido para o tabagismo. No entanto, o número de tabagistas em nosso estudo foi pequeno, e isso precisa ser avaliado em um estudo maior”.

Outra limitação do estudo é como o consumo de maconha foi estimado. Por exemplo, não é certo se os participantes continuaram a fumar maconha ao longo do período de estudo, observam os pesquisadores.

No entanto, os resultados apontam para um “possível risco de mortalidade por hipertensão por uso de maconha. Isso não é surpreendente, uma vez que sabidamente a maconha tem uma série de efeitos no sistema cardiovascular”, disse Barbara.

Relatos de casos também já detalharam infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral após o uso de maconha entre pacientes com pressão normal e pessoas sem história de doença cardiovascular.

“A relação entre uso de maconha e mortalidade cardiovascular não é bem estudada”, disse Barbara ao Medscape. “O avanço atual para a legalização da maconha requer o estudo da relação entre a maconha e a saúde cardiovascular. Se o uso de maconha realmente causa maior mortalidade cardiovascular, é importante tomar medidas para proteger a saúde daqueles suscetíveis a iniciar ou aumentar o consumo de maconha devido à legalização dela”, disse Barbara.

Convidado a comentar para o Medscape, o psiquiatra especialista em dependência, Dr. Kevin P. Hill (McLean Hospital, Belmont, MA, e Harvard Medical School, Boston) disse: “A conclusão é que esses estudos de associação levantam questões que devem ser melhor estudadas em estudos prospectivos.

“Agora que temos 29 estados e a capital federal com cannabis médica, e oito estados e a capital federal com cannabis recreativa legalizada, temos a oportunidade de organizar estudos prospectivos rigorosos para responder a essas questões sobre os efeitos da cannabis sobre a saúde de forma mais efetiva do que antes”, acrescentou.

Os autores e o Dr. Hill declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

#Uso de #maconha diretamente associado a recorrência de #psicose

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Batya Swift Yasgur

O uso de maconha por pacientes com psicose está associado a um aumento significativo de risco de recidiva. Esse aumento pode estar diretamente associado à não adesão aos medicamentos antipsicóticos, mostra uma nova pesquisa.

Uma equipe de pesquisadores liderada pelo Dr. Sagnik Bhattacharyya, do Departamento de Estudos de Psicose, Institute of Psychiatry, Kings College London (Reino Unido), descobriu que o uso contínuo de maconha foi preditivo de desfechos ruins, incluindo risco aumentado de recidiva, número de recidivas, duração da recidiva e intensidade do tratamento no seguimento. Mais análises estatísticas descobriram que a adesão aos medicamentos mediou parcialmente o efeito do uso continuado de maconha nesses desfechos.

“Nosso estudo atual apresenta evidências claras de que, dependendo do tipo de desfecho analisado por uma medida, parece haver um efeito bastante consistente do uso de maconha nessas medidas de desfecho, e ele parece ser mediado pela não aderência. Os usuários de maconha parecem ser menos aderentes à própria medicação e, portanto, têm os piores resultados”, disse o Dr. Bhattacharyya ao Medscape.

O estudo foi publicado on-line em 10 de julho no Lancet Psychiatry.

Não responsivo ou não aderente?

Pesquisas prévias mostraram que o uso de maconha pode afetar os desfechos da psicose. O efeito da droga no risco de recidiva foi reduzido quando os pesquisadores controlaram para aderência, o que sugere que “o uso de maconha pode afetar de forma adversa os resultados da psicose, parcialmente por influenciar a aderência aos medicamentos antipsicóticos”, escrevem os autores.

No entanto, estudos prévios não avaliaram sistematicamente até que ponto a associação entre o uso de maconha e a recidiva de psicose está mediada pela não adesão aos medicamentos psicotrópicos.

“Em nosso trabalho prévio, demonstramos que o uso de maconha foi associado com falha do tratamento antipsicótico, mas não sabíamos se o mecanismo era o aumento do risco de falha de resposta à medicação ou o aumento da não adesão aos medicamentos. Esse estudo foi realizado para investigar essa questão”, disse o Dr. Bhattacharyya.

Os pesquisadores estudaram pacientes com idades de 18 a 65 anos que foram clinicamente diagnosticados como tendo um primeiro episódio de psicose não orgânica (não afetiva ou afetiva).

A principal variável de desfecho foi risco de recidiva, definida como “readmissão a uma unidade de internação psiquiátrica devido a uma exacerbação de sintomas psicóticos dentro de dois anos após a primeira apresentação no serviço psiquiátrico”.

Outras medidas de desfecho relacionadas incluíram o número de recidivas, a duração da recidiva, o tempo para a primeira recidiva, e a intensidade do tratamento no seguimento.

O uso de maconha foi avaliado usando uma versão modificada do Cannabis Experience Questionnaire. Os pesquisadores categorizaram os usuários de maconha com base no padrão de continuidade do uso após a apresentação. Os participantes foram categorizados como não sendo usuários de maconha (não utilizam ou usaram apenas uma ou duas vezes após a apresentação), usuários intermitentes (o participante usou maconha mais de duas vezes, mas não todos os meses), ou usuários contínuos de maconha (o participante utilizou maconha todos os meses) durante o período de seguimento de 24 meses.

A adesão à medicação foi avaliada como uma variável mediadora, usando o Life Chart Schedule. A classificação foi determinada com base na informação sobre prescrição e taxas de aderência: não aderência (não aderente por 67% a 100% do tempo); aderência irregular (não aderente por 34% a 66% do tempo); boa aderência (não aderente por 0% a 33% do tempo); ou medicamento não prescrito dentro dos dois anos após a apresentação da doença.

Os pesquisadores usaram análises de modelamento de equação estrutural para medir o efeito mediado pela aderência à medicação na associação entre o uso de maconha e a recidiva.

Dos 397 pacientes que apresentaram um primeiro episódio de psicose, 245 foram acompanhados por dois anos da apresentação. Desses, 91 (37%) apresentaram recidiva durante os dois anos após a apresentação da psicose. A maioria dos pacientes relatou aderência regular ou irregular à própria medicação (45% e 42%, respectivamente); um pequeno subconjunto de pacientes (14%) relatou não adesão.

Seguindo a apresentação de psicose, 146 pacientes (60%) foram classificados como não usuários de maconha. Esses incluíam 98 pacientes (40%) que nunca foram usuários regulares, e 48 (20%) que já haviam sido usuários regulares.

Os pacientes remanescentes foram classificados como usuários intermitentes de maconha (36 pacientes, 15%) ou usuários contínuos de maconha (63 pacientes, 26%).

Mecanismos potenciais

Quando os pesquisadores compararam pacientes que tiveram recidivas com aqueles que não tiveram, eles descobriram que os pacientes do grupo da recorrência tinham maior probabilidade de serem usuários contínuos de maconha (P = 0,0018; intervalo de confiança, IC, de 95%, 0,09 – 0,43) assim como não aderentes (P < 0,0001; IC de 95%, 0,18 – 0,58) ou de adesão irregular (P = 0,0001; IC de 95%, 0,13 – 0,39) à medicação prescrita.

Após ajustar para origem étnica, outros usos de drogas ilícitas, e intensidade inicial do tratamento, análises de modelamento de equação estrutural revelaram que a associação entre uso contínuo de maconha e risco de recidiva foi mediada (26,4% de proporção de efeito total mediado) pela adesão à medicação (efeito direto, β = 0,22; IC de 95%, 0,03-0,42; P = 0,027; efeito indireto: β = 0,08, IC de 95%, 0,004-0,16; P = 0,040), “sugerindo uma mediação parcial mas não total pela adesão à medicação no efeito do uso de maconha no risco de recidiva”, escrevem os autores.

Eles encontraram um efeito semelhante a respeito da intensidade de tratamento no seguimento. A adesão aos medicamentos mediou 19,7% do efeito do uso contínuo de maconha, “novamente implicando uma mediação parcial com base em efeitos indiretos e diretos significantes”.

O efeito do uso continuado de maconha no número de recidivas da psicose, e no tempo até a recidiva foi, de forma semelhante, mediado pela adesão aos medicamentos. No entanto, nenhum efeito de mediação significativo foi encontrado para duração da recidiva.

Os pesquisadores testaram um modelo alternativo no qual o uso de maconha, e não a aderência à medicação, foi proposto como mediador. Eles descobriram que o uso contínuo de maconha não mediou a associação entre não adesão à medicação e os vários desfechos de recidiva, após controlar para covariáveis.

Além disso, eles testaram um modelo de mediação que avaliou se a adesão à medicação mediava o efeito do uso de maconha no desfecho, e um modelo de direção reversa, que testou se o uso de maconha mediava o efeito da adesão às medicações no desfecho.

Nesses modelos, a adesão aos medicamentos teve um efeito direto significativo no risco de recidiva (β = 0,45; IC de 95%, 0,20 – 0,70; P = 0,0004), no número de recidivas (β = 0,42; IC de 95%, 0,18 – 0,65; P = 0,0005), na intensidade do tratamento no seguimento (β = 0,42, IC de 95%, 0,19 – 0,65; P = 0,0003), e no tempo até a recidiva (β = -2,00, IC de 95%, -3,18 a -0,81; P = 0,0010), “indicando que o uso de maconha não confundiu completamente os efeitos da adesão à medicação nos desfechos.”

A não adesão aos medicamentos “mediou o efeito do uso continuado de maconha no risco de recidiva (26%), no número de recidivas (36%), no tempo para ocorrência da recidiva (28%), e no índice de intensidade do tratamento no seguimento (20%)”, escrevem os autores.

“Em nossa pesquisa prévia, descobrimos que as pessoas que respondem a um antipsicótico permanecerão com ele, mas uma pessoa que não mostra resposta, por qualquer motivo, será tratada pelo médico com um segundo ou terceiro antipsicótico. Nós descobrimos que as pessoas que utilizam maconha têm uma história de mais tratamentos com antipsicóticos e tiveram mais falhas de tratamento”, disse o Dr. Bhattacharyya.

“A questão é se os pacientes com um ‘antipsicótico que falhou’ são realmente não respondedoras, ou se podem ser não aderentes, e é por isso que não mostraram resposta”, disse ele. “No caso de usuários de maconha, nós mostramos que a maconha estava associada a falha no tratamento, mas não sabíamos se isso era um resultado de um aumento da não adesão ou um aumento real da não responsividade”.

Ele concordou que o mecanismo pelo qual a maconha leva à não adesão ainda precisa ser elucidado.

“Existem alguns mecanismos potenciais. O uso de maconha pode levar as pessoas a se sentirem mal e mais psicóticas, e um dos marcadores da psicose é que os pacientes não percebem que não estão bem. Eles não percebem a própria doença, então podem parar de tomar a medicação porque não percebem que precisam dela”.

Ele acrescentou que seu grupo de pesquisa está realizando estudos para testar essa hipótese.

“Outro mecanismo potencial é que aqueles que utilizam maconha regularmente podem experimentar mais efeitos colaterais de medicamentos, e por isso serem menos aderentes ao tratamento. Ou pode haver um mecanismo biológico pelo qual a maconha reduz a resposta aos antipsicóticos, mas, novamente, essas hipóteses precisam ser testadas”, acrescentou.

Achado definitivo

Comentando o estudo para o Medscape, o Dr. Deepak D’Sousa, professor de psiquiatria, Yale University School of Medicine, em New Haven, Connecticut, disse que os achados do estudo não são surpreendentes.

“A maioria dos médicos que tratam essa população está de certa forma ciente de que a maconha traz um maior risco de recidiva, e que isso pode ser mediado pela não adesão aos medicamentos, mas é bom ver isso estudado de forma sistemática, e os achados parecem ser definitivos”.

Ele observou que os pesquisadores confiaram no autorrelato para avaliar o uso de maconha e a adesão aos medicamentos, uma limitação com a qual os pesquisadores concordam.

“Ainda assim, um dos problemas do autorrelato é que as pessoas podem não relatar a não adesão e o uso de maconha e, apesar da possibilidade de que os pacientes estejam relatando a menos, os pesquisadores ainda encontraram uma relação significativa e uma associação entre o uso de maconha, adesão aos medicamentos e recidiva”.

O estudo tem “implicações clínicas óbvias”, disse ele.

“A mensagem para os médicos é que eles devem realmente considerar, de forma regular, medidas de avaliação da não adesão em pacientes que são sabidamente usuários de maconha”.

“A boa notícia é que temos várias abordagens para contornar a não adesão. Obviamente, a mais simples delas seria educar os pacientes, ter uma conversa com eles, e questioná-los regularmente se eles estão aderentes ao regime de medicações”, acrescentou o Dr. D’Sousa.

Ele também observou que existem novas formulações injetáveis de medicamentos antipsicóticos que os pacientes podem receber a cada duas semanas, uma vez por mês, ou uma vez a cada três meses. “Isso fornece uma garantia de administração do medicamento”, disse ele.

O Dr. Bhattacharyya concordou.

“Em um mundo ideal, gostaríamos de fazer com que os pacientes deixassem de usar maconha, mas os tratamentos atuais, que são tipicamente psicológicos, não parecem funcionar bem nesse sentido. Na ausência de meios efetivos de se parar o uso de maconha, os médicos deveriam focar em formas de melhorar a adesão aos antipsicóticos”.

E isso inclui a terapia cognitivo-comportamental para “ajudar as pessoas a reconhecerem que não estão bem, para que sejam aderentes ao tratamento”. Medicamentos injetáveis de ação prolongada “podem ser outra abordagem útil”.

O estudo foi financiado pelo National Institute of Health Research Clinician Scientist Award. O Dr. Bhattacharyya e Dr. D’Sousa declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Lancet Psychiatry. Publicado on-line em 10 de julho de 2017. Artigo

Potenciais interações farmacológicas com a maconha

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Sarah T. Melton

Pergunta

Quais são os medicamentos que poderiam interagir com a maconha?

 

Resposta de Sarah T. Melton, farmacêutica e professora de Pharmacy Practice, no Gatton College of Pharmacy da East Tennessee State University; farmacêutica clínica do Johnson City Community Health Center, em Johnson City, Tennessee

Nos Estados Unidos, 26 estados e o Distrito de Colúmbia têm atualmente leis que, de algum modo, legalizam a maconha[1]. Mas, independentemente do status legal, o uso recreativo e medicinal da maconha é comum em todo os Estados Unidos. Com o aumento da disponibilidade, e também com a crescente potência da maconha[2], é importante que usuários e profissionais de saúde estejam cientes das potenciais interações farmacológicas associadas à utilização deste produto.

O tetraidrocanabinol (THC) é o principal canabinoide psicoativo encontrado na maconha.[2] O canabidiol (CBD) também é encontrado em altas concentrações na maconha, mas não é psicoativo; tem efeito antagonista nos receptores canabinoides e parece bloquear alguns dos efeitos do tetraidrocanabinol.[3] O canabinol (CBN) é um canabinoide psicoativo relativamente fraco existente em quantidades muito pequenas na planta da maconha, mas é um dos principais metabólitos do tetraidrocanabinol.[4] A  planta de maconha contém mais de 50 outros canabinoides, porém os medicamentos sintéticos aprovados pela US Food and Drug Administration (por exemplo, o dronabinol e a nabilona) contêm apenas tetraidrocanabinol sem canabidiol. O efeito farmacológico desses produtos pode ser diferente do efeito natural da Cannabis.[5]

Os dados sobre as potenciais interações farmacológicas associadas ao uso da maconha são limitados. No entanto, interações não estudadas podem ser teorizadas com base no metabolismo dos canabinoides primários da maconha.

Enzimas do citocromo P450

As enzimas do citocromo P450 (CYP450, do inglês CY tochrome P ) são responsáveis ​​pelo metabolismo da maioria dos produtos químicos e dos medicamentos que entram no corpo humano. Os humanos têm aproximadamente 60 genes codificando o citocromo P. As enzimas do CYP450 encontram-se principalmente nos hepatócitos, onde ocorre o metabolismo dos medicamentos.

As substâncias químicas ou os medicamentos podem ser substratos, inibidores ou indutores das enzimas do citocromo P450. Os substratos são as substâncias metabolizadas pela enzima. Os inibidores diminuem a atividade enzimática, impedindo o metabolismo de seus substratos, e aumentando assim a concentração e o efeito do substrato. Os indutores, por outro lado, aumentam a atividade enzimática, acelerando o metabolismo de seus substratos e diminuindo assim a concentração e o efeito do substrato.[6]

As enzimas CYP1A2, CYP3A4, CYP2C9 e CYP2C19 são conhecidas por sofrerem alterações com o uso da maconha.[7,8]

CYP1A2

Acredita-se que fumar maconha regularmente promova indução da enzima CYP1A2, o que pode diminuir as concentrações séricas dos substratos desta enzima.[9] Um estudo informou que a depuração da teofilina foi 48% maior nas pessoas que fumaram mais de dois baseados por semana.[10] Acredita-se que a maconha tenha um efeito semelhante em outros substratos da enzima 1A2.

Outros substratos de 1A2: aminofilina, cafeína, clozapina, duloxetina, estradiol, estrogênios, flutamida, fluvoxamina, frovatriptano, lidocaína, melatonina, mexiletina, mirtazapina, olanzapina, propranolol, ramelteon, rasagilina, ropinirol, tizanidina, triamtereno, zolmitriptano.

CYP3A4

A enzima CYP3A4 participa do metabolismo do tetraidrocanabinol e do canabidiol.[7] Portanto, os inibidores da 3A4 podem aumentar as concentrações séricas desses canabinoides, enquanto que os indutores da 3A4 podem diminuir as concentrações séricas deles. Em um estudo realizado no Reino Unido, a rifampicina (indutora da 3A4) diminuiu em 40% a concentração do tetraidrocanabinol em e em 20% a do canabidiol. No mesmo estudo, o cetoconazol (inibidor da 3A4) aumentou em 20% a concentração do tetraidrocanabinol.[11] Espera-se que outros inibidores e indutores da 3A4 produzam um efeito semelhante.

Fortes indutores da enzima 3A4: carbamazepina, enzalutamida, fosfenitoína, fenobarbital, fenitoína, primidona, rifabutina, rifampina, rifapentina e erva-de-são-joão.

Fortes inibidores da enzima 3A4: claritromicina, darunavir, suco de toranja (grapefruit), itraconazol, cetoconazol, lopinavir, mifepristona, nefazodona, nelfinavir, ombitasvir, paritaprevir, ritonavir, posaconazol, saquinavir, telaprevir, telitromicina, verapamil e voriconazol.

CYP2C9

Além da CYP3A4, a CYP2C9 é a outra enzima conhecida responsável pelo metabolismo do tetraidrocanabinol.[7] Em um estudo realizado com pacientes que apresentavam baixo metabolismo da enzima 2C9, as concentrações de tetraidrocanabinol foram três vezes mais altas do que as dos pacientes com função normal da enzima 2C9.[12] Embora nenhum estudo conhecido tenha analisado especificamente os efeitos dos inibidores e indutores da enzima 2C9 nas concentrações de tetraidrocanabinol, espera-se que tenham efeitos semelhantes aos dos inibidores e indutores da enzima 3A4.

Fortes indutores da enzima 2C9: barbitúricos, carbamazepina, fenitoína, rifabutina, rifampicina, rifapentina e erva-de-são-joão.

Fortes inibidores da enzima 2C9: amiodarona, cimetidina, clopidogrel, delavirdina, disulfiram, fluconazol, fluorouracil, genfibrozila, metronidazol, fenitoína, sulfadiazina, sulfametoxazol, tolbutamida, ácido valproico e voriconazol.

CYP2C19

Além da enzima 3A4, a enzima 2C19 do citocromo P450 é a outra enzima sabidamente responsável pelo metabolismo do canabidiol.[7] Em um estudo, o omeprazol (inibidor da enzima 2C19) não aumentou as concentrações séricas do canabidiol.[13] Mesmo com esses resultados inesperados, presume-se que os inibidores e indutores da enzima 2C19 promovam efeitos semelhantes nas concentrações de canabidiol aos dos inibidores e indutores da enzima 3A4, até que novos estudos propiciem uma melhor compreensão.

Fortes indutores da enzima 2C19: barbitúricos, carbamazepina, fenitoína, primidona, rifampicina, rifapentina e erva-de-são-joão.

 

 

Maconha e álcool associados a notas mais baixas entre universitários

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Lisa Rapaport

 

(Reuters Health) – Um estudo novo associa o uso intenso de álcool e maconha a notas mais baixas entre estudantes universitários.

O uso de drogas foi há tempos vinculado a baixo desempenho, piores taxas de sucesso na graduação e dificuldades em encontrar e manter bons empregos. Este novo trabalho avalia em especial as médias de notas para estudantes norte-americanos que iniciam a faculdade com o mesmo potencial acadêmico, mas usam quantidades diferentes de maconha e álcool.

Em comparação com os jovens abstêmios, estudantes que bebem muito mas não fumam muita maconha tendem a ter notas mais baixas durante o primeiro semestre da faculdade, mas depois conseguem médias de notas semelhantes, segundo a pesquisa. Essa comparação é muito pior para os usuários pesados ​​de maconha e álcool – estes alunos começaram com médias de notas mais baixas do que seus pares sóbrios e continuaram a obter notas piores.

“Ficamos surpresos com o fato de que estudantes que beberam quantidades razoavelmente grandes de álcool isoladamente e fumam só um pouco de Cannabis não tiveram uma diminuição consistente em suas médias”, disse o autor principal do estudo Shashwath Meda, do Olin Neuropsychiary Research Center e do Hartford Hospital em Connecticut.

“Aqueles que usaram drogas moderadamente durante o período da pesquisa foram capazes de se recuperar e apresentar melhor desempenho acadêmico”, acrescentou Meda por e-mail.

Tanto o álcool quanto a maconha podem prejudicar memória, atenção, função executiva e  a capacidade de identificar diferenças visuais e espaciais entre objetos. Isso prejudicar a eficiência ao estudar e reter informações em sala de aula, afirmaram os pesquisadores, no artigo publicado on-line em 8 de março no periódico PLoS ONE.

Eles avaliaram dados de pesquisas mensais sobre uso de álcool e drogas realizadas por 1.142 estudantes ao longo de quatro semestres a partir do primeiro ano de seus cursos universitários. Eles declararam em quantos dias no último mês tinham fumado ou bebido, bem como o número de doses que consumiram em cada ocasião na qual beberam.

Eles classificaram os estudantes em três grupos: jovens abstêmios ou que bebiam e fumavam maconha em quantidades pequenas; jovens que bebiam muito, mas não fumavam muita maconha; e usuários pesados ​​de ambas as substâncias.

Os pesquisadores também obtiveram das faculdades e universidades as médias de notas de cada participante e os resultados dos exames do Scholastic Aptitude Test (SAT), um exame aplicado durante o Ensino Médio nos Estados Unidos, cujos resultados são usados ​​para admissão na faculdade.

Para o primeiro semestre, o grupo de estudantes abstêmio/baixo uso de álcool e maconha teve uma média de notas de 3,1 e os bebedores contumazes ​​tiveram uma média de 3,03, uma diferença estatisticamente significativa, embora ambos sejam aproximadamente equivalentes a uma nota B. Nem todas as faculdades e universidades usam o mesmo processo de classificação.

Os consumidores pesados de álcool e maconha ficaram ainda mais para trás, com uma média de notas de 2,66, equivalente a um B- ou um C+. Os estudantes que reduziram a maconha se saíram melhor ao longo do tempo do que os jovens que permaneceram consumidores pesados de álcool e maconha durante todo o período da pesquisa.

As limitações do estudo incluem a ausência de dados sobre média de notas final e taxas de sucesso na graduação, observam os autores. O estudo também não analisou a dificuldade dos cursos escolhidos pelos alunos, o que poderia ter um impacto na média das notas.

Ainda assim, os resultados sugerem que esforços para limitar o uso de drogas durante o crucial primeiro semestre da faculdade podem ajudar mais estudantes a ter sucesso, concluem os pesquisadores.

“Para muitos estudantes, ter um alto rendimento durante os dois primeiros anos da faculdade lhes confere habilidades e confiança que ajudam a impulsionar seu desempenho durante os últimos anos da graduação”, disse o Dr. Mark Olfson, pesquisador de psiquiatria na Columbia University em Nova York que não estava envolvido no estudo.

“Os novos resultados deixam claro os verdadeiros riscos acadêmicos para os estudantes universitários representados pelo uso combinado de álcool e maconha”, acrescentou o Dr. Olfson por e-mail. “Os pais devem ser encorajados a conversar abertamente sobre álcool e maconha com seus filhos antes destes iniciaremos estudos universitários”.

FONTE: http://bit.ly/2mCtdEc

PLoS ONE 2017.

Cannabis diretamente associada a recorrência de psicose

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Megan Brooks

Nova pesquisa mostra que continuar a fumar cannabis após um primeiro episódio de psicose está associado causalmente a um risco aumentado de recorrência da psicose.

Pesquisadores do Kings College London, no Reino Unido, observam: os resultados do estudo indicam que o consumo de cannabis é um “fator de modificação de risco para recorrência, sugerindo que a interrupção do consumo de cannabis após o início da psicose pode ajudar na redução do risco de recaída”.

“Embora tenha sido proposto que um risco genético comum ou causalidade reversa podem estar subjacentes à associação entre o consumo de cannabis continuado e a recorrência, nossos resultados indicam que a mudança do consumo de cannabis representa um fator de risco robusto para a recorrência em pacientes”, escrevem os pesquisadores, liderados pelo Dr. Sagnik Bhattacharyya,.

Os resultados foram publicados online em 28 de setembro no JAMA Psychiatry.

Fatores de risco modificáveis

O consumo de cannabis está associado a desfechos ruins para pacientes com primeiro episódio de psicose, mas a natureza causal dessa associação é incerta, observam os pesquisadores.

Para este novo estudo, eles usaram um projeto quasi-experimental para investigar a natureza causal da associação entre o uso continuado de cannabis e o risco de recorrência da psicose. Eles empregaram modelos longitudinais (análise de efeitos fixos, análise cross-lagged) para determinar se a associação entre as alterações do consumo de cannabis e risco de recorrência ao longo do tempo deriva de vulnerabilidade compartilhada entre a psicose e uso de cannabis, psicose aumentando o risco de uso de cannabis (causalidade reversa) ou um efeito causal do consumo decannabis na recorrência de psicose.

Os participantes incluíram 90 mulheres e 130 homens (média de idade de 29 anos), que foram acompanhados por pelo menos dois anos após o primeiro episódio de psicose.

De acordo com os pesquisadores, a taxa de recorrência foi maior para os indivíduos que consumiram cannabis continuamente após o primeiro episódio de psicose (59,1%), e foi menor para aqueles que não continuaram o uso (28,5%). Entre os usuários ocasionais, a taxa de recaída foi de 36,0%.

Em modelos de efeitos fixos que controlaram para fatores tempo-variantes, como uso de outras drogas ilícitas e uso de antipsicóticos, bem como genética e ambiente, o risco de recorrência de psicose foi 13% maior durante os períodos de consumo de cannabis em relação aos períodos em que não havia consumo (odds ratio, 1,13; IC de 95%, 1,03-1,24).

Também houve uma relação dose-resposta: uma mudança de 1 unidade no padrão de consumo de cannabis, o que significa maior regularidade de uso ao longo do tempo (de uso intermitente para uso continuado), foi correlacionada com uma probabilidade de risco de recorrência aumentada (odds ratio, 1,10; IC de 95%, 1,05-1,15).

A análise cross-lagged confirmou que esta associação refletiu um efeito do consumo de cannabis no risco subsequente de recorrência ao invés de um efeito da própria recaída no consumo subsequente de cannabis.

“Embora tenha sido proposto que um risco genético comum ou causalidade reversa podem estar subjacentes à associação entre o consumo de cannabis continuado e recorrência, nossos resultados indicam que a mudança do consumo de cannabis representa um fator de risco robusto para recorrência em pacientes”, escrevem os pesquisadores.

“Uma vez que o consumo de cannabis é um fator de risco potencialmente modificável, que tem uma influência adversa no risco de recaída de psicose e de hospitalização em um determinado indivíduo, com limitada eficácia das intervenções existentes, estes resultados sublinham a importância do desenvolvimento de novas estratégias de intervenção e exigem atenção urgente de clínicos e dos responsáveis pelas políticas de saúde”, concluem.

Uma limitação do estudo foi que o consumo de cannabis foi autorelatado e não medido objetivamente.

Ressalvas e notas de cautela

Comentando o estudo para o Medscape, o Dr. Rashmi Patel, do King’s College London, observou que estudos anteriores mostraram que uma história de uso de cannabis está associada a maior risco de desenvolver um transtorno psicótico e piores resultados clínicos.

“No entanto, até o momento, pouco se sabia sobre os efeitos do uso continuado de cannabis após o início de um transtorno psicótico”, disse Patel, que não esteve envolvido no estudo.

Este novo estudo, disse ele, “lança luz sobre esta questão ao demonstrar que pessoas que continuam a usar cannabis regularmente após o primeiro episódio de psicose têm um maior risco de recorrência em comparação com aquelas que reduzem ou interrompem o uso. Estes resultados têm implicações importantes para a prática clínica e destacam a necessidade de se desenvolver estratégias para reduzir os riscos do consumo contínuo de cannabis em pessoas com transtornos psicóticos”.

Mas Marcel Bonn-Miller, professor adjunto assistente de psicologia em psiquiatria na Perelman School of Medicine, da University of Pennsylvania, Filadélfia, disse que seria errado concluir que “toda a maconha é ruim e que toda maconha causa psicose”.

“Houve uma série de estudos ao longo de vários anos que mostraram uma associação entrecannabis e psicose, e este estudo acrescenta evidências e é importante”, disse ele. “Mas também é importante considerar que a cannabis é uma droga heterogênea. Ela tem vários componentes diferentes e acho que neste momento, a maior parte das evidências sugere que é THC (delta-9-tetra-hidrocanabinol) o responsável por esta associação”, disse ao Medscape Bonn-Miller, que não esteve envolvido no estudo.

Ele também comentou que “a maior parte da cannabis usada nas ruas ou que vem de dispensários têm níveis muito altos de THC e quase nada dos outros canabinoides e de praticamente qualquer outra coisa. Por isso acho que está sendo observada uma associação com a psicose. Mas há outros canabinoides, como o canabidiol, ou CBD, que mostrou algumas propriedades antipsicóticas. Mas estes são apenas estudos muito iniciais, definitivamente nada comparado ao que foi feito mostrando consequências negativas”.

O estudo não teve financiamento comercial. Um autor do estudo declarou relações com Janssen, Sunovian, Otsuka e Lundbeck.

JAMA Psychiatry. Publicado online em 28 de setembro de 2016. Artigo