medo

Timidez e Fobia Social: uma máscara de todos os dias

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Em muitas situações na vida, sentimo-nos humilhados, desvalorizados e sem importância no meio social. Nestes momentos, podemos acreditar que somos inferiores e que somos alvo fácil de chacota e risos. E, para evitar isso, fugimos. Mas começamos a fugir a um contacto social imprescindível para a nossa segurança e bem-estar.

Quem cora de forma evidente ou apresenta outro sintoma físico desagradável, tem medo de se expor, na tentativa de não ser observado de uma forma negativa, de não ser criticado nem gozado pelo seu sintoma. Outros sintomas físicos limitadores do contacto social são as tremuras, a flatulência, a gaguez ou outros comportamentos impulsivos e atípicos, bem como marcas e características físicas anormais.

A timidez é um estado de medo que nos limita o contacto social.

máscara dourada de metal com ar desgatadoO medo, por sua vez, é uma emoção que sentimos sempre que acreditamos que vamos ter experiências que nos trarão dor, e acreditamos nisso por análise e comparação das experiências semelhantes do passado. Se, no passado, o contacto social nos trouxe dor, reagimos agora instintivamente a essa dor, fugindo, evitando esse contacto.

Algumas pessoas vivem experiências traumatizantes, como o Bullying na escola, as agressões físicas, humilhações sofridas na infância e na adolescência, críticas e pressões por parte de pais e educadores, e, ao sofrer muito com isso, acreditam que as pessoas as magoam e que devem fugir do contacto social para não se sentirem ameaçadas.

Estas experiências podem condicionar seriamente a vida das pessoas e impedir uma vida completa e realizada. Serão limitantes enquanto valorizamos as experiências que, no passado, nos deram dor, ou as que hoje nos embaraçam.

Para solucionar este problema, é essencial um acompanhamento profissional que encontre as causas inconscientes deste comportamento, mesmo as oriundas da infância, e assim permita libertarem-se dos medos da exposição social e encontrarem tranquilidade e harmonia neste contacto.

Fonte: Clinica da Mente. Porto

«A depressão ou os ataques de pânico não são doenças, mas sim estados que podemos alterar.»

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Entrevista de Pedro Brás à Zen Energy

A revista ZEN Energy esteve à conversa com Pedro Brás, psicoterapeuta e fundador da Clínica da Mente, que explicou como ultrapassar as fases mais perturbadoras da nossa vida.

imagem do artigo publicado, mostrando Pedro Brás.ZEN: Todos nós temos momentos na vida em que podemos sentir-nos em baixo, andar angustiados, stressados, tristes e deprimidos pelas mais diversas razões. Como é que se pode distinguir entre uma perturbação ligeira, que passa ao fim de algum tempo, e uma patologia mais pesada e duradoura, que está a transformar-se num problema de saúde mais grave?
PEDRO BRÁS: A vida traz-nos diversas experiências, algumas más. Às experiências más reagimos de diversas formas; por vezes com medo, por vezes com tristeza, repulsa, e até raiva. Estas emoções são normais e fazem parte da forma como entendemos e vivemos a vida, tentando fugir a tudo que nos traga dor, aproximando-nos do prazer. Quando reagimos a experiências más com estas emoções, sentimo-nos mal… sentimos pressões no corpo que nos trazem dor e desconforto. Enquanto entendermos estas experiências como negativas, como agressoras, sentimo-nos assim…. Mas com o passar do tempo, vamos desvalorizando os acontecimentos, vamos dando-lhes outros significados e deixamos de entender essas experiências como agressoras e, desta forma, deixamos de sentir essas emoções tão fortes e limitadoras. Dizemos assim que estes estados de tristeza ou medo são passageiros quando passam dentro do tempo que nós mesmos temos como aceitável. Por exemplo, um processo de luto vai implicar naturalmente um tempo de tristeza mais angustiante. Mas o esperado é que a pessoa, mais tarde ou mais cedo, comece a lidar um pouco melhor com a situação, quando começam a ressignificar a morte e a valorizar mais a vida do ente querido, e embora a saudade permaneça sempre, torna-se tolerável e permite uma vida normal.
No entanto, algumas vezes, não nos conseguimos libertar de tais emoções e definhamos de uma forma involuntária em estados de tristeza e medo que não acabam. Sentimos que o corpo que se afunda e toma vida própria, arrastando-nos para becos sem saída, onde muitas vezes não percebemos o que se passa. Mas o que se passa? Porque não saímos dos estados negativos de Depressão e Ansiedade?
Quando não conseguimos sair dos estados normais de tristeza ou de medo, dizemos que estamos com Perturbações de Ansiedade e em Depressão, e não conseguimos sair desses estados porque não conseguimos esquecer… não conseguimos desvalorizar, por que não conseguimos compreender determinadas experiências que nos agrediram tanto o nosso bem-estar.
Nestas situações, estamos com um problema grave de saúde, porque, ao não conseguirmos sair sozinhos desses estados, toda a nossa saúde física e bem-estar psíquico estão comprometidos. As pessoas precisam, então, de ajuda especializada de um psicólogo devidamente equipado com ferramentas modernas e assertivas que entenda o problema e ajude a pessoa que sofre a sair desse estado.

A Clínica da Mente é um espaço de tratamentos que utiliza o modelo psicoterapêutico HBM (estudo e compreensão do mapa da mente) no tratamento das perturbações mentais e emocionais. Pode esclarecer os nossos leitores sobre esta terapia inovadora?

Pedro Brás na Clínica da MenteNa Clínica da Mente estudamos e criamos um Mapa da Mente, um mapa que nos ajuda a perceber o pensamento e o comportamento da pessoa que nos procura. Podemos, assim, ir à origem emocional da causa que provoca a perturbação e levar o paciente a vencer e ultrapassar esse momento que condiciona todo o seu estado de espírito e mental. O Mapa da Mente permite-nos socorrer de uma espécie de GPS para ir à origem e tratar o problema. O que o novo Modelo Psicoterapêutico HBM propõe é treinar a mente humana para desvalorizar emocionalmente as experiências traumáticas do passado, através de técnicas cuidadosamente desenvolvidas e exclusivas da Clínica da Mente. Este modelo de intervenção psicoterapêutica apenas está a ser utilizado pelos profissionais da Clínica da Mente, mas esperamos que dentro de 5 anos todos os psicólogos tenham a oportunidade de o conhecer e de o usar nas suas práticas clínicas. A nossa terapia será sempre parte da solução e nunca, como tantas vezes acontece com alguns tratamentos e desnecessária utilização de fármacos, se poderá transformar num novo problema. Fazemos parte da solução e não do problema.

As principais técnicas que utilizam na clínica é a Morfese e a Athenese. Pode falar-nos destas técnicas e da maneira como são utilizadas para tratar os vossos pacientes?

Partimos do princípio que as causas das perturbações emocionais têm origem nas experiências que vivemos no passado, e que, na verdade, o que nos afeta não é a própria experiência, mas a perceção que temos dela, ou seja a forma como a vivemos, como a entendemos, como a sentimos, no fundo como a imaginamos. As experiências dolorosas muitas vezes são difíceis de compreender, criando distúrbios da perceção. Para corrigir esses distúrbios, também se deve utilizar a imaginação, alterando as nossas crenças e emoções. A Técnica de Athenese é uma técnica que permite, através do uso da imaginação, produzir a alteração de crenças e emoções. No entanto, como a maior parte dos distúrbios emocionais são inconscientes, deve utilizar-se a técnica de Morfese, que trabalha com a imaginação inconsciente, ou seja, com os sonhos. Assim, induzimos sonhos para que as pessoas recuperem o equilíbrio emocional. Estas duas técnicas trabalham em dois níveis diferentes da nossa mente com um único objetivo: a mudança de perceção de experiências vividas.
Quais é que são as patologias mais frequentes com as quais os vossos especialistas se deparam na clínica?

A Clínica da Mente foi criada há 7 anos e já atendemos mais de 5000 pessoas. Temos atualmente 17 Psicoterapeutas que diariamente dão o seu melhor com muito sucesso para ajudar quem nos procura. As perturbações mais frequentes são as Depressões, a Ansiedade, os Ataques de Pânico, o Transtorno Obsessivo e as Fobias Sociais/Timidez. A maioria das pessoas que nos procuram já sofrem há mais de 10 anos e chegam a nós após todas as outras alternativas terapêuticas, nomeadamente as farmacológicas, não terem sucesso. É frequente atendermos casos crónicos de internamento psiquiátrico.
Dos vários testemunhos percebemos que há algumas perturbações, como a fobia social ou a timidez, que podem ser tratadas em poucas sessões. Todas as patologias têm o mesmo sucesso na vossa clínica ou depende de uma pessoa para outra e de uma patologia para outra?

Cada caso é necessariamente diferente e precisa de especial atenção. Com o nosso modelo de intervenção, os tratamentos têm por norma resultados muito rápidos, pois espera-se sucesso clínico em 6 a 10 semanas após o início do tratamento. Apesar desta rápida melhoria, acompanhamos cada caso durante um ano com vigilância regular, para garantirmos que as pessoas estão totalmente recuperadas na sua saúde mental. Os resultados clínicos da Clínica da Mente são comprovados por estudos científicos que acompanham a evolução terapêutica e que comprovam os seus resultados. Temos, no nosso site, a publicação desses estudos. Dentro de 3 meses publicaremos 6 novos estudos, com os resultados clínicos de 400 pessoas que se propuseram a frequentar os nossos ensaios. Estamos muito felizes por termos a oportunidade de ajudar tantas pessoas a encontrar a sua felicidade. Recordo que os tratamentos efetuados com este modelo de intervenção Psicoterapêutica não precisam de internamento nem de recorrer a qualquer tipo de medicação.
Qual é o maior desafio no tratamento das perturbações mentais e emocionais?

Pessoalmente, considero que existe um grande desafio e no qual eu tenho uma missão a cumprir. Pretendo contribuir para mudança de paradigma da saúde mental. Quase todas as pessoas acreditam que a depressão e a ansiedade são doenças e por isso recorrem à medicação como solução, e o que pretendo é explicar a todos o contrário: as perturbações mentais, como a Depressão ou os Ataques de Pânico, não são doenças, mas sim estados que podemos alterar. Acredito que, dentro de 10 anos, não haja o estigma da doença mental, e todos entenderão que as perturbações da mente humana não são doenças e não fazem das pessoas menos válidas nem “malucos”. Quero acreditar que, dentro de 10 anos, estarão amplamente disseminadas as novas psicoterapias já existentes que, sendo muito rápidas no alcance dos seus resultados, farão os Ataques de Pânico parecer uma dor de dentes que dura até á próxima visita ao psicólogo.
Vai abrir outras clínicas em Portugal?

Sim. Já temos duas, uma no Porto e em Lisboa, mas, para estarmos mais perto das pessoas que nos procuram, vamos abrir este ano mais 3. Abriremos novas instalações da Clínica da Mente em Braga, em Coimbra e em Oeiras. Temos como objetivo expandir este conceito clínico a todo o país, tanto através da abertura de mais clínicas como formando psicólogos que utilizem o modelo HBM nas suas práticas clínicas.

Tem medo de andar de avião?

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Deixa de ir de férias com a sua família àquele destino que todos querem ir?

Recusa propostas de trabalho no estrangeiro?

Inventa desculpas para não ir àquele fim de semana prolongado com os seus amigos?

Abdica do seu sonho de conhecer aquele país?

Limita a sua vida e a de todos que o rodeiam por causa deste medo?

Fobia a aviões

O avião é o meio de transporte mais seguro, e pouco tem de agressor, por isso não oferece um perigo provável que perturbe alguém. No entanto, milhões de pessoas em todo o mundo não andam em aviões por fobia.

O que é uma fobia?

Fobias são distúrbios no processo normal da ansiedade. Às vezes, acontece entrarmos em pânico por experiências que não representam perigo nenhum ou, pelo menos, perigo com probabilidade muito baixa de ocorrer como, por exemplo, andar de avião, de elevador, de animais, entre milhares de outros estímulos que podem provocar este medo extremo: o Pânico.

As fobias a aviões podem ser despoletadas por várias razões e medos como, por exemplo:

  • Medo das Alturas
  • Medo de estar preso num espaço apertado
  • Medo de não poder sair quando quiser
  • Medo de acidentes aéreos
  • Medo de se sentir mal junto a outras pessoas

Mas, de facto, o medo verdadeiro que perturba as pessoas com fobias é o medo de sentir o próprio medo, medo de sentir a ansiedade que esses locais, de uma forma involuntária, despertam.

E tem Cura?

Sim. Existe, nesta perturbação, um erro de percepção sobre um evento passado, pelo que a psicoterapia eficaz é aquela nos ajuda a mudar essa percepção. Isto faz-se utilizando a imaginação, ressignificando experiências e treinando a nossa mente a reagir de forma diferente a essas experiências.

O modelo psicoterapêutico HBM, desenvolvido pela Clinica da Mente (Porto), é eficaz na eliminação destes medos que tanto limitam a liberdade de muitos milhões de pessoas.

Você tem medo de que?

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Uma das características fundamentais á sobrevivência da espécie humana, é o medo. O medo muito provavelmente tenha sido desenvolvido como forma de nos protegermos dos perigos que viemos enfrentando desde os primeiros estágios do que hoje é o HOMO SAPIENS, ou seja, como somos hoje: “homens sábios”.

Gostaria de fazer um exercício de reflexão e para isso vamos buscar na biologia básica um conceito fundamental das células, que é a irritabilidade ou excitabilidade, que é a capacidade de uma célula responder a estímulos intra ou extra celular. A irritabilidade passa a ser então uma propriedade da célula que á torna apta a responder aos estímulos. É uma propriedade que podemos verificar em diversos tipos de células no organismo. E aqui começa nossa reflexão! O medo é uma resposta do organismo a um estimulo que é percebido como perigoso e pede uma resposta de proteção. Assim como a célula que se contrai ao ser perfurada por uma haste, sim a célula tenta se afastar do estimulo no caso a haste que tenta perfura-la.

 Então o medo seria uma resposta a este estimulo que é ameaçador, porem temos um componente vital a incluir em nossa reflexão, a consciência. Esta capacidade que como organismo complexo o homo sapiens tem desenvolvido e que em alguma medida nos diferencia dos demais organismos complexos, pelo menos até o momento (à quem discorde de que somos diferentes dos demais organismos complexos).

 O medo é então, o resultado de um complexo sistema de respostas a situações e normalmente desencadeia duas repostas principais do organismo, uma é de fuga já que a pessoa não percebe em si a capacidade de interagir com a situação ameaçadora sem ameaçar sua integridade psicológica, a outra é de ataque/enfrentamento onde a pessoa ataca a situação problema visando destruí-la e com isso eliminar a ameaça a sua integridade psicológica. Ambas tem a função de proteger a integridade da pessoa e estão diretamente ligadas a sobrevivência da espécie, podemos encontrar este comportamento em diversas espécies de organismos complexos.

Por ser um comportamento ligado a sobrevivência naturalmente é levado a um nível de automatização de respostas básicas e rápidas do organismo, onde tende a receber pouca influencia das funções “superiores do organismo” e tendo assim, pouca oposição em sua execução/resposta a situação perigosa a integridade do organismo. Ou seja, o organismo entende que pensar pode coloca-lo em perigo já que a situação perigosa exige uma resposta rápida de ataque ou fuga.

 O medo desencadeia um impulso que fica em um nível de baixa consciência, pelo menos para a maioria de nós, e isso é uma das principais dificuldades em lidar com medos. Ele fica em um nível de consciência conhecido como inconsciente  e com isso não queremos dizer que ele não pode ser acessado, somente que esta pouco iluminado pela consciência.  De forma geral refletimos muito pouco sobre como funcionamos diante das situações e normalmente pensamos não conseguirmos agir diferente.

 Então como tornar consciente algo que esta no “inconsciente” e que tem uma função de proteger o organismo dos perigos do ambiente, e que por isso, tem uma complexa cadeia de interações neurais e que deve ser automática por natureza, pois o tempo de reação é vital para a sobrevivência do organismo.

 A questão é que muitos dos perigos que desencadearam a necessidade de desenvolvimento desses impulsos de proteção, cujo o sintoma é o medo, não se fazem mais presentes nos dias de hoje. Por exemplo, dificilmente ao passar por uma área qualquer você será atacado por um dinossauro, um tigre ou algum animal selvagem, então o medo que nos impede muitas vezes de explorar novas situações, lugares e formas de fazer algo pode estar ligado á um impulso de autopreservação que pode não ter mais sentido nos dias de hoje, e que na verdade hoje podem ser limitadores, nos impedindo de conquistar novos níveis de autonomia e realizações.

Insónias

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Dormir é um ato em que a mente se desliga do que a rodeia, permitindo que o corpo descanse e dando lugar ao sonho e à consequente reorganização da estrutura emocional.

O sono, como mecanismo que desliga a consciência, torna o indivíduo vulnerável aos perigos. Como tal, a qualidade do sono depende intrinsecamente da noção de perigo sentida. Quando existe perigo, os animais, incluindo os humanos, ficam sempre em alerta com medo que o perigo traga dor ou desconforto. E, como se sabe, a sensação de Medo provoca um estado de Ansiedade, focado nos riscos e ameaças possíveis, preparado para reagir à agressão.

Sempre que vivemos situações quotidianas que nos fazem sentir sensações de insegurança, entramos em estados de Ansiedade. Muitas vezes, sentimos que não estamos preparados para o dia seguinte, temos medo de falhar tarefas que devemos realizar, problemas que não sabemos como resolver, assuntos que nos magoaram e que devemos repensá-los, até excesso de motivação para viver experiências futuras, podem criar em nós um estado de vigilância que nos perturba a nossa capacidade de nos desligarmos do presente e de adormecer.

Dormir é uma necessidade básica e sempre acabamos por dormir, mas o excesso de Ansiedade provoca um sono quase consciente, onde nos recordamos dos sonhos que temos, parecendo estar sempre alerta para os barulhos e sensações que nos rodeiam. Este tipo de sono não nos ajuda a recuperar totalmente a nossa energia. Trata-se de Insónias relativas, pois são dificuldades em dormir, embora durmamos, provocadas pela experiências do quotidiano que nos preocupam e que provocam um estado permanente de pensamento e vigilância.

Causas mais frequentes que causam Insónias ligeiras a moderadas:

  • Problemas ligeiros do dia a dia ainda por resolver que provocam preocupação.
  • Problemas graves do dia a dia para os quais não se tem solução e cujos riscos sejam elevados.
  • Medos causadores da Ansiedade generalizada, como medo de falhar.

Outro tipo de Insónias também nos podem perturbar: as Insónias Absolutas, em que de facto não dormimos, nem descansamos. Quando alguém, ao adormecer ou enquanto dorme, tem um Ataque de Pânico, uma dor extrema ou outro problema tão difícil de suportar, e que sente estar em perigo de vida, a mente regista essa experiência como sendo uma experiência traumática a evitar e, como consequência, vai evitar dormir, criando uma Ansiedade extrema e resistência ao sono, provocando as Insónias absolutas.

Fonte: Clinica da Mente. Porto. Portugal

Quando o medo vira doença

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Sensação de choque, tontura, palpitação, dor no peito e medo de morrer: esses são alguns sintomas que, segundo a psicóloga Carolina Marson, podem caracterizar a “síndrome do pânico”, também conhecida na linguagem psiquiátrica como transtorno do pânico.

A síndrome do pânico

A “síndrome do pânico” é um transtorno de ansiedade no qual ocorrem crises inesperadas de desespero e medo intenso de que algo ruim aconteça, mesmo que não haja motivo.

Para ser diagnosticado com a síndrome, as crises precisam ser recorrentes e provocar modificações no comportamento que interfiram negativamente no estilo de vida da pessoa. “É muito importante estabelecer o diagnóstico diferencial com outras doenças que apresentam sintomas semelhantes, como os ataques cardíacos, o hipertireoidismo, a hipoglicemia e a epilepsia, por exemplo, para orientar corretamente o tratamento”, explica a psicóloga.

Um dos tratamentos para o transtorno do pânico é a psicoterapia, que ajuda a tranquilizar a pessoa durante o distúrbio por meio do diálogo, afim de fazê-la compreender a realidade. “Deve-se reforçar que a crise é passageira e comentar com o paciente que aquilo pode ser realmente intenso, desagradável e causar mal-estar, mas não risco à vida. A psicoterapia é fundamental para que as causas orgânicas sejam encontradas e trabalhadas dentro do contexto de vida do paciente” afirma Carolina.

Na ausência de tratamento, a síndrome pode causar insegurança por dois principais motivos: a expectativa da próxima e inesperada crise e, paradoxalmente, porque a tensão a protege contra o pânico.“Se antes possuía uma personalidade relaxada e autoconfiante, fica insegura e leva uma vida mais restrita”, aponta a psicóloga.

 

 

Como conversar com as crianças sobre grandes tragédias

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Por: Ane Caroline Janiro. Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

É comum que os casos de desastres naturais, terrorismo e outros tipos de tragédias causem muito medo nas crianças, mesmo que o acontecimento não tenha sido próximo a elas. Hoje as crianças tem acesso aos mais diversos meios de informação e, assim como os adultos, estão expostas ao barulho da mídia, especialmente quando ocorre um caso de comoção nacional ou mundial.

Podem surgir muitas dúvidas por parte das crianças em relação a esses acontecimentos e algumas delas, por serem muito pequenas, não levam em consideração a distância, por exemplo, de um atentado terrorista na França (justamente por não saberem que a França é um país distante do Brasil), ou de um desastre em Minas Gerais, mesmo que ela resida no mesmo Estado (pelos mesmos motivos).

O primeiro ponto a levarmos em consideração é que evitar falar sobre o assunto com as crianças não é o melhor caminho. Isso só irá fazer com que as dúvidas delas aumentem e, consequentemente, o medo também. Mas a ideia é não complicar muito a explicação (principalmente se a criança for muito nova). Para falar, por exemplo, sobre atentados terroristas, pode-se optar por uma explicação mais ou menos neste sentido: “Alguns grupos de pessoas estão brigando em outro país, e algumas pessoas morreram.” No caso de tragédias ou desastres naturais, a ideia é a mesma, tente simplificar a explicação: “Choveu muito forte no local e, por isso, a casa de algumas pessoas foi destruída, agora elas precisam de ajuda”. A ideia é: explicar o que aconteceu, explicar a consequência do ocorrido e explicar o que está sendo feito ou o que está acontecendo no momento. Sem mentir para a criança, é válido lembrar!

Importante: mantenha a calma e evite causar mais pânico ainda nas crianças. O comportamento da criança está muito ligado àquilo que elas observam nos adultos, sendo assim, se ela presenciar desespero e angústia em casa, provavelmente também apresentará essas reações. Procure conversar com tranquilidade sobre os fatos.

Evite o excesso de informações e as imagens fortes! Quando tais eventos ocorrem, é comum que a mídia passe o dia abordando o assunto, então a dica é não ficar com a TV ligada o dia todo e, também, ter o cuidado de não expor a criança a imagens fortes, o que é totalmente desnecessário. Manter a rotina e mostrar para a criança que, apesar da necessidade de se solidarizar com quem precisa, a vida continua e que ela não precisa ter medo.

Procure se informar e não transmitir preconceitos ou ideias erradas às crianças. É preciso que estejamos cientes de que muitas informações que damos aos pequenos, eles irão disseminar por aí (na escola, na casa dos amiguinhos…), então evite falas preconceituosas, como: “a religião X é formada por terroristas e eles estão atacando outras pessoas”. É melhor explicar que “um grupo pequeno de pessoas” foi responsável pelo fato e que a maioria das pessoas não faz esse tipo de coisa.

Referência:Entrevista do Psicologo Genevieve Djenati ao jornal Le Fígaro, intitulada ” Imagens de guerra no coração de Paris: como falar com as criaças”


 

Violência Doméstica – Sem Medo, temos Força!

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O que é a violência doméstica?

violência domésticaConsidera-se violência doméstica todas as agressões físicas e psicológicas existentes no seio de uma família. As agressões psicológicas incluem a manipulação da vontade, humilhação ou violência verbal, diminuindo a autoestima da vítima e assim eliminando a capacidade de reação. Por defeito, iremos aqui considerar a violência do homem sobre a mulher, mas a violência doméstica é multidirecional, podendo o agressor e o agredido ser o homem, a mulher, os filhos ou outros elementos do seio familiar.

O QUE PODE LEVAR UM HOMEM A AGREDIR UMA MULHER?

Por norma, a mulher tem menos capacidade física que o seu parceiro e isso coloca-a em desvantagem física. Por outro lado, ainda é normal a mulher depender economicamente do seu marido, facto que faz da mulher o elo mais fraco da relação a dois.

Todas as pessoas buscam significância, isto é, serem considerados fortes, com significado, serem importantes. No entanto, muitos homens fracos, na busca de significância, impõem a sua força sobre quem acham ainda mais fracos, para que desse modo possam ser “fortes”. Este é também o processo do bullying juvenil, onde os fracos buscam a sua força agredindo e rebaixando os outros.

Muitos homens, agredidos diariamente pelo peso do seu passado de humilhação e resignação, ou agredidos e humilhados no dia a dia por outros agressores, como no trabalho ou no seu grupo social, encontram na sua mulher um ser mais frágil, pelas circunstâncias definidas em cima, e na primeira vez que agridem a esposa, ao não encontrar resistência, mas sim medo e resignação, apercebem-se de que afinal são fortes, que alguém tem medos deles. Aumentam a sua autoestima por essa via e mantêm-na elevada continuando com as agressões físicas e psicológicas.

O QUE LEVA A MULHER A RESIGNAR-SE PERANTE A AGRESSÃO?

A mulher agredida tem Medo: Medo de que, ao reagir, possa ser mais agredida; Medo de denunciar o agressor às autoridades por perceber que o Estado não a protege; Medo de que os filhos também sejam agredidos; Medo de não ter capacidade financeira para se manter e manter os filhos; Medo de ficar sozinha… e é esse Medo que alimenta o agressor.

O Medo, combinado com a manipulação emocional que o agressor provoca, pedindo desculpa pela agressão, afirmando que nunca mais o vai fazer, faz com que para a vitima seja difícil tomar uma decisão de afastamento acreditando que tudo vai mudar.

Até há 30 anos, em Portugal, a violência doméstica era tida como normal. Dizia-se: “entre marido e mulher ninguém ponha a colher”, as autoridades policiais não se intrometiam, as famílias das vítimas não se impunham e todos se resignavam. Felizmente, houve uma mudança deste paradigma, com associações como a APAV a ter atualmente um papel nessa mudança muito significativo.

COMO PARAR COM A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA?

Não há segredos mágicos que resolvam este problema, mas sim uma mudança de cultura, de crenças e valores da população. No entanto, a mulher vítima tem de parar com as agressões tendo como princípios que:

  • Nunca ninguém a pode agredir.
  • Quem a agride não a merece.
  • A razão da sua existência é unicamente para ser feliz, vivendo uma vida que lhe traga prazer.
  • Que os seus filhos, numa família disfuncional, não são felizes, e que serão mais felizes se os pais estiverem separados.
  • Que as dificuldades económicas serão ultrapassadas, se pedir ajuda será ajudada.

QUAIS AS ATITUDES A TOMAR?

Perante o agressor, a vítima tem que se mostrar forte, nunca se resignando, reagindo a cada agressão. Se o Medo é a força do Fraco, ao não termos Medo o Fraco fica sem força. A mulher tem que demonstrar ao agressor que não tem medo e que, apesar de no confronto físico ser mais frágil, esta também pode exercer força sobre o agressor, tanto fisicamente como legalmente. A mulher deve sempre denunciar a agressão ás autoridades, à família, aos vizinhos, fazendo diminuir a autoestima social que o agressor tem perante a sociedade. Se a família, os vizinhos e os colegas do agressor conhecerem a faceta de agressor, este vai ficar sem apoio social e sem força, percebendo assim que a agressão serve apenas como fator de discriminação e de desenquadramento.

Lembro-me sempre de uma paciente que tive há alguns anos que me disse que o marido parou de lhe bater quando ela lhe disse: ” Meu amor, bate-me como quiseres, mas nunca mais durmas comigo, porque durante a noite, quando adormeceres, eu estarei acordada. Nunca mais comas a comida que eu te fizer, pois esta poderá estar diferente, só para ti.”
Sem Medo, temos Força!

Há tratamento para os agressores e para as vítimas?

Sim. As vítimas das agressões, pelos anos de violência sobre elas exercida, encontram-se incapazes de reagir, sem rumo e resignadas. Para conseguirem enfrentar o Medo, devem libertar-se de todas as emoções de humilhação, mágoa e medo que viveram até ali. Só quando encontram o seu equilíbrio emocional é que conseguem reagir. Este estado é alcançável com o apoio de amigos e da família. Nos casos mais graves, só a psicoterapia pode ajudar.

Os agressores devem procurar também tratamento. O agressor tem um passado que potencia este comportamento, um passado muitas vezes traumático que lhe proporciona baixa autoestima, falta de confiança, agressividade e impulsividade. Só aceitando que está errado e querendo mudar, a psicoterapia pode ser eficaz. Os agressores não são felizes, estão em desequilíbrio emocional, e provocam muito sofrimento ao seu redor.