suicidio

#Irritabilidade é associada a #suicídio na #depressão maior

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A ocorrência de irritabilidade em adultos com transtorno depressivo maior ou com transtorno por uso de estimulantes está fortemente associada a suicídio, e deve ser avaliada por médicos.

Três ensaios clínicos com pacientes adultos com transtorno depressivo maior e um estudo com adultos com transtorno por uso de estimulantes mostraram que a associação entre irritabilidade e suicídio é mais forte do que a associação entre gravidade da depressão e comportamento suicida.

“A irritabilidade é uma característica importante que não é estudada com frequência em adultos com transtorno depressivo maior”, disse ao Medscape o Dr. Manish K. Jha, médico da Icahn School of Medicine em Mount Sinai, Nova York.

“Se você observar a convenção diagnóstica atual, a irritabilidade não é considerada um sintoma de episódios depressivos graves em adultos, mas, abaixo dos 18 anos, é considerado um dos dois principais sintomas”, disse o Dr. Manish.

Os achados foram apresentados na edição on-line da reunião anual de 2020 da American Society of Clinical Psychopharmacology (ASCP).

Clinicamente útil

“A irritabilidade é avaliada por meio de normas de comportamento para a idade”, explicou o Dr. Manish.

“A melhor forma de conceituar a irritabilidade é a propensão a ficar bravo com facilidade ou com mais frequência quando comparado a colegas em resposta à frustração. Eu tenho um filho de dois anos e meio, e se ele fizer uma birra, será perfeitamente apropriado para a sua idade, mas se eu fizesse a mesma coisa, seria um ato de irritabilidade extrema. A literatura pediátrica utiliza o termo ‘rabugice’, mas é um pouco difícil de definir, em parte porque não foi estudado extensivamente”, disse o médico.

Para entender melhor a potencial associação entre irritabilidade e suicídio, os pesquisadores revisaram os resultados de três estudos com adultos com transtorno depressivo maior. Os estudos foram: Combining Medications to Enhance Depression Outcomes (CO-MED)”, que incluiu 665 pacientes; Establishing Moderators and Biosignatures of Antidepressant Response in Clinical Care (EMBARC)”, que incluiu 296 pacientes; e o Suicide Assessment Methodology Study (SAMS)”, que incluiu 266 pacientes.

Os pesquisadores também avaliaram o estudo Stimulant Reduction Intervention Using Dosed Exercise (STRIDE)”, que incluiu 302 adultos com transtorno por uso de estimulantes.

Todos os estudos avaliaram a irritabilidade utilizando a escala Concise Associated Symptom Tracking, uma escala de Likert de cinco pontos. Esses estudos também avaliaram o risco de suicídio com a escala Concise Health Risk Tracking Suicidal Thoughts.

Os pesquisadores descobriram que a irritabilidade e o risco de suicídio estavam correlacionados de forma positiva. A associação entre irritabilidade e suicídio foi de duas a onze vezes mais forte do que a relação com depressão em geral.

A identificação de irritabilidade mais acentuada ao início do estudo foi um preditor de maiores níveis de suicídio na nona semana dos estudos CO-MED (P = 0,011), EMBARC (P < 0,0001) e STRIDE (P = 0,007), mas não do estudo SAMS (P = 0,21).

Uma redução mais acentuada da irritabilidade desde o início do estudo até a quarta semana foi um preditor de menores níveis de risco de suicídio na oitava semana dos estudos CO-MED (P = 0,007), EMBARC (P < 0,0001) e STRIDE (P < 0,0001), mas não no estudo SAMS (P = 0,65).

De forma semelhante, irritabilidade mais discreta ao início do estudo e maiores reduções na irritabilidade foram associadas a menores níveis de suicídio na 28ª semana do estudo CO-MED, na 16ª semana do estudo EMBARC e na 36ª semana do estudo STRIDE.

O Dr. Manish especulou que, ao tratar a irritabilidade seria possível diminuir as taxas de ideação suicida subsequente, e ele acredita que medir a irritabilidade no transtorno depressivo maior “tem utilidade clínica”.

Sintoma comum e incapacitante

Comentando o estudo para o Medscape, o Dr. Sanjay J. Mathew, médico e professor de psiquiatria e ciências comportamentais do Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, disse que os achados oferecem mais embasamento de que a irritabilidade é um sintoma associado à depressão maior relativamente comum e incapacitante.

“A presença de irritabilidade importante foi associada a maiores níveis de ideação suicida e, portanto, é algo muito relevante a ser avaliado pelos médicos”, disse o Dr. Sanjay, que não participou do estudo.

“A melhora precoce na irritabilidade está associada a melhores desfechos em longo prazo com tratamentos antidepressivos, e isso destaca a necessidade de avaliação clínica minuciosa e precoce no curso do tratamento antidepressivo, idealmente nas primeiras duas semanas”, ele disse.

O Dr. Manish informou relações financeiras com a ACADIA Pharmaceuticals e Janssen Research & Development. O Dr. Sanjay informou relações financeiras com a Allergan, Vistagen, Janssen, Clexio e Biohaven.

Encontro anual de 2020 da American Society of Clinical Psychopharmacology (ASCP): Abstract 3002163. Apresentado em 30 de maio de 2020

#Qual a relação entre o #suicídio de #crianças e adolescentes e a #pobreza?

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criança negra com olhar triste, propensa ao suicídio

As taxas de suicídio entre jovens são mais altas em municípios americanos com índice elevado de pobreza. Além disso, essa associação foi particularmente proeminente para suicídios por armas de fogo. Essas foram as conclusões do estudo Association of Pediatric Suicide With County-Level Poverty in the United States, 2007–2016, publicado no JAMA Pediatrics.

Suicídio de crianças e adolescentes

O suicídio é a segunda principal causa de morte entre indivíduos de 10 a 19 anos nos Estados Unidos, e as taxas praticamente dobraram na última década. Os jovens em comunidades mais pobres correm maior risco de resultados negativos para a saúde. Todavia a associação entre suicídio pediátrico e pobreza não é bem conhecida. Portanto, para avaliar a associação entre as taxas de suicídio pediátrico e a concentração de pobreza em municípios americanos, Hoffman e colaboradores analisaram, em estudo retrospectivo e transversal, os suicídios entre jovens de 5 a 19 anos ocorridos de 1° de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2016 nos Estados Unidos.

Os suicídios foram identificados por meio dos códigos da Classificação Internacional de Doenças, Décima Revisão (CID-10) oriundos do Centers for Disease Control and Prevention’s Compressed Mortality File. O número de óbitos foi contado anualmente. O desfecho primário foi a morte por suicídio entre jovens de 5 a 19 anos. Os códigos incluíam auto-mutilação intencional. A análise dos dados foi realizada de 1° de fevereiro a 10 de setembro de 2019.

 

Metodologia

Os pesquisadores utilizaram um modelo de regressão binomial negativa multivariável para analisar a associação entre as taxas de suicídio pediátrico e a concentração de pobreza nos municípios, relatando taxas de incidência ajustadas (adjusted incidence rate ratios – aIRRs) com um intervalo de confiança de 95% (IC 95%). Foram controladas, por ano, as características demográficas das crianças que morreram (idade, sexo e raça/etnia), urbanidade do município e características demográficas do município (idade, sexo e composição racial).

De 2007 a 2016, um total de 20.982 jovens de 5 a 19 anos morreram por suicídio. Destes, 17.760 (84,6%) tinham entre 15 e 19 anos, 15. 982 (76,2%) eram do sexo masculino e 14.387 (68,6%) eram brancos de origem não-hispânica. A taxa anual de suicídios foi de 3,35 por 100.000 jovens de 5 a 19 anos.

No modelo multivariável, os municípios com concentrações de pobreza de 10% ou mais apresentaram taxas de suicídio mais altas de maneira gradual [10,0%-14,9%: aIRR, 1,25 (IC95%, 1,06-1,47); 15,0% -19,9%: aIRR, 1,30 (IC95%, 1,10-1,54); e 20,0% ou mais: aIRR, 1,37 (IC95%, 1,15-1,64)], comparados com os municípios com menor concentração de pobreza (0% -4,9%). Isto é, os municípios com taxas de pobreza de 20% ou mais tiveram 1,37 vezes mais suicídios por jovens a cada ano.

Os pesquisadores então analisaram as três formas mais comuns de suicídio durante o período do estudo (asfixia, armas de fogo e envenenamento). Não foi encontrada associação entre a taxa de suicídio por asfixia ou envenenamento e os níveis de pobreza. No entanto, os suicídios por armas de fogo tiveram a associação mais forte com a concentração de pobreza (aIRR, 1,87; IC 95%, 1,41-2,49), em municípios com concentração de pobreza de 20% ou mais em comparação com municípios com concentração de pobreza de 0% a 4,9%.

Resultados

Os resultados do estudo de Hoffman e colaboradores sugerem que uma maior concentração de pobreza nos municípios está associada ao aumento das taxas de suicídio entre jovens de 5 a 19 anos. De acordo com os pesquisadores, esses achados podem orientar a pesquisa sobre fatores de risco associados ao suicídio pediátrico, visando ao incremento de esforços para sua prevenção.

Autora:

Clara Barreto

Referência bibliográfica:

  • Hoffmann JA, Farrell CA, Monuteaux MC, Fleegler EW, Lee LK. Association of Pediatric Suicide With County-Level Poverty in the United States, 2007-2016 [published online ahead of print, 2020 Jan 27]. JAMA Pediatr. 2020;10.1001/jamapediatrics.2019.5678. doi:10.1001/jamapediatrics.2019.5678

#O estigma do #suicídio entre os #médicos

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Suicídio é um assunto que sempre foi envolto por um tabu muito grande, seja ele social ou religioso. A maioria das religiões condena o ato, tratando-o como um pecado, e não como decorrente de uma doença mental. A religião judaica, por exemplo, destinava lugares na periferia dos cemitérios para os suicidas – o que atualmente não acontece. As religiões não ocidentais, como hinduísmo, também sempre tiveram uma visão muito negativa do suicídio [1,2].

Muitas pessoas não entendem que o suicídio muitas vezes é o último recurso para o paciente que sofre de uma doença mental, e que acredita que a morte é o melhor caminho para aliviar o próprio sofrimento. Em muitos casos, o paciente é vítima do estigma que envolve a doença psiquiátrica e o doente mental na nossa sociedade.

Lamentavelmente, com a classe médica não é diferente. Profissionais de saúde que sofrem de doenças mentais relatam um enorme preconceito dos médicos em geral. Mesmo que os médicos tenham conhecimento sobre doenças mentais e entendam o que a falta de tratamento pode causar, eles acabam tendo as mesmas atitudes que o público em geral[3].

Sabe-se que entre 85% e 90% das pessoas que cometem suicídio sofre de alguma doença psiquiátrica[4]. Um estudo americano detectou que a mortalidade por suicídio entre médicos é 70% maior do que entre outras profissões[5].

Os transtornos do humor são o grande fator de risco para o suicídio entre os médicos. Apesar disso, estes profissionais tendem a não procurar tratamento especializado[6]. Em relação aos métodos de suicídio, um estudo que usou o banco de dados nacional da Grã-Bretanha concluiu que a maioria dos médicos utiliza o envenenamento com medicações para encerrar a própria vida, quando comparado à população em geral (OR = 3,65; IC de 95%, 2,85 – 4,68). Dos médicos que cometeram suicídio neste estudo, apenas 26,1 % estavam aposentados, a grande maioria estava na ativa e a especialidade sob mais risco era a anestesiologia[7].

Estudantes de medicina e residentes também têm um alto risco de apresentar transtornos do humor. Uma recente revisão sistemática estimou que a prevalência de sintomas depressivos entre médicos residentes era de 28,8% (20,9% – 43,2%)[8].

Sabe-se que os transtornos do humor são um fator de risco importante associado ao suicídio. Um estudo com 324 residentes americanos concluiu que o suicídio era a principal causa de morte entre os residentes do sexo masculino, e a segunda causa entre as mulheres, sendo o risco maior nos primeiros anos da residência[9].

Algumas hipóteses podem ser levantadas com relação a estes dados, como a dificuldade na transição da faculdade de medicina para a residência, a carga de trabalho, e a cobrança da família e da sociedade em relação aos resultados.

O suicídio é um assunto muito pouco discutido na sociedade. A própria imprensa normalmente não sabe lidar com este tipo de assunto, pois sempre esteve atrelada à ideia do “Efeito Werther”, decorrente do livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, escrito pelo alemão Johann Wolfgang von Goethe em 1774. Após a publicação do texto, aconteceu uma suposta onda de suicídios de jovens rapazes usando os métodos do protagonista do livro.

A imprensa deve sempre evitar a espetacularização do suicídio, mas tem a obrigação de discutir o tema e falar sobre a prevenção, como faz com doenças cardiovasculares e câncer, por exemplo. Além da prevenção por medidas comportamentais, existem diversos estudos que concluíram que o uso do lítio, com ação profilática, é efetivo na prevenção do suicídio[10,11].

O estigma do suicídio também está presente no dia a dia da classe médica. Inúmeras tentativas de suicídio são negligenciadas nos prontos-socorros do país. De quantos colegas não se ouve, de maneira pejorativa, que o paciente que sobreviveu à tentativa de suicídio está ocupando o leito de UTI de um paciente “de verdade”? A palavra estigma era denominação de uma marca nos escravos gregos, separando-os dos homens livres. Além disso, no cristianismo a palavra stigmata era usada para denominar desgraça ou defeito[3]. Nos últimos meses tentou-se discutir o assunto após alguns artigos sobre casos de tentativas de suicídio entre alunos de medicina, mas pouco se progrediu.

A própria psiquiatria ainda não se livrou de muitos estigmas, como por exemplo uma herança psicanalítica em que muitos consultórios ainda utilizam uma porta de entrada e outra de saída, com o intuito que os pacientes nãos se cruzem na sala de espera, e saibam que frequentam um consultório psiquiátrico (como se fosse algo vergonhoso ou contagioso). O que é contagioso é o preconceito de tratar o sofrimento psíquico de modo diferente do sofrimento físico.

É de extrema importância que o Conselho Federal de Medicina, assim como os conselhos regionais e as universidades comecem a repensar a relação da psiquiatria dentro dos currículos, tornando-a menos propensa a estigmatização. Devemos cada vez mais incluir a psiquiatria no cotidiano da medicina e tirá-la da periferia, trazendo-a para os hospitais gerais como norma, e não como exceção. Além disso, é extremamente importante que as organizações médicas e universidades tenham canais seguros para que médicos e estudantes possam obter ajuda, de maneira ética e sigilosa, a qualquer momento.

Outros médicos e colegas de trabalho também podem ficar atentos a sinais de alerta, como mudanças no comportamento no paciente, falar sobre a vontade de morrer, aumento no uso de álcool e drogas, e aumento na agitação e na ansiedade. E sempre lembrar que os médicos têm fácil acesso a drogas letais, e o conhecimento de como usá-las, seja para o bem ou para o mal.

Nota dos editores: O Conselho Federal de Medicina brasileiro anunciou no fim de dezembro a realização de uma pesquisa sobre a saúde mental e qualidade de vida do médico, avaliando aspectos importantes da saúde mental e existência de comportamentos suicidas entre os respondentes.

O que você acha que precisa mudar na relação entre a comunidade médica e a saúde mental?

#Depresión en residentes, #cortisol en el #síndrome de desgaste profesional, y #suicidio

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Dr. José J. Mendoza Velásquez

Dr. José J. Mendoza Velásquez

En esta sección estarán disponibles los resúmenes de artículos recientes, publicados en las principales revistas científicas de psiquiatría, analizados por el Dr. José J. Mendoza Velásquez. El Dr. Mendoza es egresado de la Universidad Regional del Sureste y realizó su residencia médica en el Hospital Psiquiátrico “Fray Bernardino Álvarez”, posteriormente cursó la alta especialidad en psiquiatría, y realizó sus estudios de maestría en administración pública en la Universidad del Valle de México y en investigación clínica en la Universidad Internacional de Dresden. Cuenta con certificación internacional por la Universidad de Maastricht y acreditado por el European Accreditation Council for Continiuing Medical Education (EACCME) en estimulación magnética transcraneal clínica. El Dr. Mendoza practica como psiquiatra en la Ciudad de México y es Coordinador de Investigación del Departamento de Psiquiatría y Salud Mental de la Facultad de Medicina de la UNAM.

 

Prevalencia de depresión y síntomas depresivos en médicos residentes

La práctica clínica ha olvidado, en gran medida, dar prioridad a la salud mental de los practicantes de la medicina, a pesar de la evidencia de que los trastornos del estado de ánimo sin tratamiento tienden a generar incremento en el riesgo de suicidio.

Muchas barreras que enfrentan los médicos con trastornos derivados de la alteración en la salud mental, incluyen estigma y discriminación en las organizaciones en las que se desempeñan, dificultad para obtener licencias por trastornos mentales, pérdida de privilegios, y limitaciones en el avance profesional.

Desde el año 1858 se ha observado que la tasa de suicidios en médicos es más alta que en la población general, y mayor en médicas. En el caso específico de los médicos en formación, el riesgo de depresión es aún más alto.

Este estudio tiene como objetivo obtener información de diversos estudios realizados sobre el tema, acerca de la presencia de síntomas depresivos, o depresión en residentes médicos, entre enero de 1963 y septiembre de 2015. Los criterios establecidos de la búsqueda se basaron en la validación de aquellos para depresión, y la información fue extraída por 2 investigadores entrenados.

Esta revisión sistemática y metanálisis incluyó un total de 9.447 individuos provenientes de 31 estudios transversales, y 8.113 de 23 estudios longitudinales que detectaron una prevalencia de síntomas depresivos de 28,8%. Los estudios realizados que utilizaron el PHQ (Patient health questionary) obtuvieron alrededor de 20,9%. La diferencia entre los estudios transversales y los longitudinales no fue estadísticamente significativa, así como entre internos y residentes, o residentes quirúrgicos y no quirúrgicos.

Lo más importante
Esta revisión sistemática proporciona datos importantes, principalmente, que entre los médicos residentes evaluados, 28,8% cursó con depresión, y en un rango entre 20,9% a 43,2%, dependiendo del instrumento utilizado. La evidencia obtenida con estos datos es muy superior a 4,4% de la población en general que cursa estos síntomas.
REFERENCIA

  • Mata DA, Ramos MA, Bansal N, Khan R, y cols. Prevalence of Depression and Depressive Symptoms Among Resident Physicians: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA. 8 Dic 2015;314(22):2373-83. doi: 10.1001/jama.2015.15845. PMID: 26647259. Resumen

Determinación de cortisol en cabello como marcador biológico en síndrome de desgaste profesional o burnout

El síndrome de desgaste profesional se caracteriza por la presencia de un impacto negativo en el desempeño cognitivo y el estado de ánimo. Generalmente es secundario al estrés laboral a largo plazo. Además, la presencia de este síndrome aumenta de manera relevante la posibilidad de desarrollar patologías tanto físicas como mentales.

En las sociedades actuales, el estrés relacionado al trabajo es cada vez más importante, inicialmente por las fallas en la productividad, y posteriormente por la humanización del modelo productivo, y como prueba de esto tenemos el síndrome de desgaste profesional. Más allá de la respuesta al estrés crónico, muchos sujetos que cursan con este síndrome a menudo presentan comorbilidad con diabetes de tipo 2, alteraciones del metabolismo de los lípidos, alergias, y enfermedades cardiovasculares, así como músculo-esqueléticas.

Una de las vías relacionadas a la causa de este síndrome consiste en que las alteraciones, ya sean a nivel de la salud o cognitivas, son consecuencia de las alteraciones en la secreción de glucocorticoides a largo plazo. Esta es la razón por la cual algunos marcadores asociados a los glucocorticoides se han vinculado a este síndrome.

El mecanismo relacionado con estos efectos, aparentemente está situado en la alteración en la actividad del eje hipotálamo-hipófisis-adrenal (HHA) y los cambios a nivel de la liberación de glucocorticoides como consecuencia directa del estrés crónico.

Los síntomas comúnmente asociados a este síndrome, como el desgaste emocional, la actitud cínica negativa relacionada al trabajo y la eficacia reducida, entre otros, han generado el desarrollo de escalas, como la escala de Maslach para el síndrome de desgaste profesional.

Sin embargo, es necesario descartar la presencia de síntomas depresivos para identificar si este síndrome puede ser evaluado a través de dicho marcador.

El cortisol y otros derivados del metabolismo producido a través del eje hipotálamo-hipófisis-adrenal pueden identificarse en forma transitoria, y la determinación en el cabello podría ser útil para la evaluación de exposición prolongada.

Lo más importante
Este estudio muestra información importante sobre la relación entre el hipercortisolismo, y el síndrome de desgaste profesional. El estrés debe superar un nivel de severidad para generar los síntomas asociados a este síndrome. Algunas subescalas estuvieron asociadas con incremento, y otras con disminución de la función del eje hipotálamo-hipófisis-adrenal. Sin embargo, el hipercortisolismo fue una respuesta constante observada en individuos con este síndrome.
REFERENCIA

  • Penz M, Stalder T, Miller R, Ludwig VM, y cols. Hair cortisol as a biological marker for burnout symptomatology. Psychoneuroendocrinology. 2017. doi: 10.1016/j.psyneuen.2017.07.485. Resumen

Acceso a medios de suicidio, ocupación, y riesgo suicida

En general, se ha cuestionado cuáles son las ocupaciones más relacionadas con riesgo de suicidio, sin embargo, pocos estudios han abarcado estas en forma estandarizada con fines comparativos.

Una de las situaciones que más se ha relacionado al incremento en el riesgo de suicidio, la constituye el acceso a medios letales en el trabajo. Este estudio se realizó investigando si existía relación entre esta exposición y el incremento del riesgo suicida. La población australiana fue estudiada entre los años 2001 y 2012, obteniendo datos de estadísticas nacionales con relación a la mortalidad.

Quienes dentro de sus ocupaciones tenían acceso a armas, medicamentos o monóxido de carbono, presentaron cifras más elevadas, en comparación con personas sin acceso continuo a estos medios. Dentro de este grupo, las mujeres tuvieron un riesgo 3,02 veces mayor, que aquellas no pertenecientes al grupo. Los hombres tuvieron un riesgo 1,24 veces mayor.

Esto reviste importancia cuando analizamos quién tiene acceso a estos medios, por ejemplo:

  1. Armas de fuego: Granjeros y trabajadores de granjas, personal del ejército, cuerpos de emergencia, personal de la policía, oficiales de prisión y otros guardias.
  2. Medicamentos: Veterinarios, farmacéuticos, odontólogos, médicos, enfermeras y químicos.
  3. Venenos: Trabajadores de industria, áreas de limpieza, granjeros, y trabajadores de granjas, trabajadores forestales o jardineros.
  4. Monóxido de carbono: Conductores, repartidores, trabajadores de la industria automotriz.
Lo más importante
Aun cuando se deben realizar estudios específicos para cada área, estas ocupaciones, ante la familiaridad con elementos potencialmente letales, podrían incrementar el riesgo de considerar el suicidio como opción, aunque no necesariamente estuvieron relacionadas con el método de suicidio, siendo el ahorcamiento el más frecuente en este caso. Una situación igualmente importante es el subreporte de suicidios.
REFERENCIA

  • Milner A, Witt K, Maheen H, LaMontagne AD. Access to means of suicide, occupation and the risk of suicide: a national study over 12 years of coronial data. BMC Psychiatry. 4 Abr 2017;17(1):125. doi: 10.1186/s12888-017-1288-0. PMID: 28376757. Artículo

#Um milhão a mais de #pesquisas na internet sobre #suicídio depois de 13 Reasons Why

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Lisa Rapaport

(Reuters Health) – Pesquisas on-line relacionadas ao suicídio aumentaram logo após o lançamento de 13 Reasons Why, série sobre uma adolescente que tirou a própria vida, sugere um estudo dos EUA.

Volumes de pesquisa no Google a respeito de suicídio foram 19% mais elevados do que o esperado nos 19 dias que se seguiram ao lançamento do programa, refletindo de 900.000 a 1,5 milhão a mais de pesquisas do que normalmente haveria, relataram os pesquisadores em 31 de julho no JAMA Internal Medicine.

“Quanto mais alguém contempla o suicídio, maior a probabilidade de agir”, disse o autor principal do estudo John Ayers, da San Diego State University,na Califórnia. “As pesquisas frequentemente são um prenúncio de comportamentos off-line”.

Muitas das pesquisas no estudo focavam em pensamentos suicidas.

Por exemplo, pesquisas de “como cometer suicídio” foram 26% mais frequentes do que o esperado depois da estreia de 13 Reasons Why, enquanto pesquisas por “cometer suicídio” foram 18% mais frequentes do que o previsto, e “como se matar” foram 9% mais frequentes.

Ao mesmo tempo, pesquisas em busca de ajuda também aumentaram.

Solicitações de “número de atendimento a suicidas” foram 21% mais altas que o esperado depois que a série surgiu, e pesquisas sobre “prevenção do suicídio” foram 23% mais frequentes do que o previsto.

Pesquisas por “suicídio na adolescência” foram 34% mais elevadas que o esperado, também mostrou o estudo.

Em 13 Reasons Why, a estudante do ensino médio Hannah Baker se mata e deixa para trás fitas cassete descrevendo os eventos que levaram à própria morte, que é mostrada com detalhes gráficos no último episódio. A série lida com estupro, direção sob efeito de álcool e bullying.

Depois da estreia, muitos especialistas em saúde mental manifestaram o temor de que assistir à série poderia desencadear suicídios por imitação, particularmente entre adolescentes vulneráveis que poderiam já estar lutando contra a depressão ou pensamentos suicidas.

A série traz uma orientação parental e a Netflix acrescentou alertas de conteúdo adicionais e informações sobre recursos de prevenção de suicídio em resposta às preocupações sobre o programa. A Netflix também encorajou os pais a assistirem o programa com os adolescentes e ofereceu pontos de discussão.

“Nós sempre acreditamos que esse programa aumentaria a discussão sobre o assunto”, disse a Netflix à Reuters Health em uma declaração por e-mail. “Esse é um interessante estudo quase experimental que confirma isso”.

Ainda assim, a série poderia ter ido mais longe na tentativa de evitar desencadear pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio, disse Kimberly McManama O’Brien, coautora de um editorial de acompanhamento e pesquisadora em psiquiatria na Harvard Medical School, em Boston.

“A escolha de exibir graficamente a morte por suicídio da estrela da série foi uma decisão controversa”, disse Kimberly por e-mail. “Pesquisas mostraram que imagens ou descrições detalhadas de como uma pessoa morreu por suicídio podem ser um fator em indivíduos vulneráveis”.

Para avaliar o quanto as pesquisas on-line sobre suicídio mudaram depois de 13 Reasons Why, os pesquisadores usaram um algoritmo baseado nas tendências de pesquisa diárias entre 15 de janeiro e 30 de março, o último dia antes do lançamento da série.

Então, eles observaram os volumes de pesquisa desde a data de lançamento de 31 de março até 18 de abril, um ponto de corte escolhido para excluir qualquer influência do suicídio do jogador de futebol americano Aaron Hernandez, em 19 de abril.

Por 12 dos 19 dias que seguiram 31 de março, todas as pesquisas sobre suicídio subiram acima do esperado, variando de 15% a 44% a mais do que o antecipado.

Dentre as 20 questões comuns sobre suicídio que os pesquisadores examinaram, 17 tinham um volume de pesquisa maior que o esperado durante o período do estudo.

Não está claro se qualquer pesquisa precedeu uma real tentativa de suicídio, observam os autores.

Como o estudo sugere que a série aumentou tanto a conscientização a respeito do suicídio quanto os pensamentos suicidas, mais alertas poderiam ser acrescentados na temporada atual e nas futuras, concluem os pesquisadores.

Representações do suicídio pela mídia deveriam seguir as diretrizes da Organização Mundial de Saúde para evitar desencadear tentativas de suicídio, recomendou Ayers.

“Mostrar o ato do suicídio, tornar a vítima do suicídio o foco central, ou culpar outros pelo suicídio da vítima são todas atitudes desencorajadas”, disse Ayers.

Programas que abordam o suicídio deveriam direcionar seu público a recursos de ajuda, como a Linha Nacional de Prevenção do Suicídio (1-800-273-TALK), acrescentou ele.

FONTE: http://bit.ly/2tQQymh and http://bit.ly/2vfpUY2

JAMA Intern Med 2017.

Estudo relaciona abuso emocional sofrido na infância a suicídio

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Dra. llana Polistchuck

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da PUC do Rio Grande do Sul identificaram um forte nexo causal entre prévio abuso emocional na infância e suicídio de adultos jovens. Os psiquiatras Diogo Lara e Rafael de Araújo chegaram a esta conclusão após pesquisa desenvolvida com o B razilian Internet Study on Temperament and Psychopathology (Brainstep), um grande ensaio feito via web, que correlaciona mensurações psicopatológicas, comportamentais e psicológicas.

De acordo com artigo disponível online em 18 de julho de 2016 na European Psychiatry, os dados foram coletados de voluntários autosselecionados por intermédio de uma plataforma de pesquisa via internet, entre janeiro de 2011 e dezembro de 2014. Eles responderam anonimamente a questionários e escalas padronizadas sobre dados demográficos, negligência e abuso na infância e comportamento suicida, por meio do Childhood Trauma Questionnaire (CTQ ) e do .

“Nós optamos por esta abordagem, pois tal tecnologia facilita o relato de comportamentos sensíveis e estigmatizados, como é o caso do comportamento suicida”, dizem os autores no texto. Eles também esclarecem que a opção pelo tema teve como foco quantificar graus e tipos de trauma da infância vinculados ao suicídio prospectivo, algo que ainda não estaria claro, do ponto de vista científico.

“Duas revisões sistemáticas sobre tipos de maus tratos (CM) na infância e consequências em longo prazo mostram que todos os tipos de abuso e negligência foram associados com tentativas de suicídio. Entretanto, a maioria dos estudos não foi ajustada para fatores de confusão, o que inclui a coocorrência de mais de um tipo de mau-trato, já que abuso físico, abuso emocional e negligência emocional ocorrem simultaneamente, em grande parte dos casos”, escrevem os Drs. Lara e Araújo.

Para eles, estabelecer de forma consistente etiologias específicas vinculadas à infância com relação ao suicídio na fase de adulto jovem pode contribuir para programar estratégias preventivas. Eles lembram no artigo que o agravo respondeu por 1,4% das mortes em todo mundo em 2012, mas é a segunda causa de morte em adultos jovens. Afirmam também que, embora ideação e planos suicidas sejam importantes precursores do ato e tenham uma prevalência global de 9,2% e 3,1%, respectivamente, “outros tipos de comportamentos suicidas devem também chamar a atenção das políticas de saúde”, já que para cada suicídio consumado existem paralelamente 40 tentativas.

Finalmente, os pesquisadores alertam para o fato de que os maus tratos na infância – abuso sexual, emocional e físico – atingem 33% da população mundial, constituindo-se em fatores de risco para depressão, dependência química e dor crônica, entre outras patologias, e contribuem com 67% do risco de tentativas de suicídio ao longo da vida. No trabalho, os psiquiatras encontraram associação entre abuso emocional grave na infância, ideação suicida e, principalmente, tentativas de suicídio. Para abuso sexual, os pesquisadores identificaram tentativas sem a intenção real de morte e não houve correlação entre abuso físico e suicídio ou tentativa. Entretanto, “abuso emocional foi associado com grave tentativa de suicídio com pico no percentil 95 (odds ratio, 4,39; IC de 95%, 2,04–9,41)”, constataram.

No artigo os autores declaram não possuir conflitos de interesses relevantes ao tema.

European Psychiatry. Publicado online em 18 de julho de 2016

2016 Jul 18;37:14-21. doi: 10.1016/j.eurpsy.2016.04.002.

Os Jovens, o Suicídio e a Automutilação

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AutomutilaçãoÉ a extrema Angústia que leva qualquer pessoa a ter ideias suicidas.

É comum confundir a Angústia com a Tristeza, mas, na verdade, a Angústia é a sensação que sentimos quando estamos tristes.
Ficamos tristes quando vivemos experiências que colidem com os nossos valores e interesses; estamos angustiados quando sentimos o nosso corpo caído sobre si próprio e ficamos sem capacidade de nos erguermos, ficamos com dificuldade em respirar e em pensar, com dor no peito…

Sempre que estamos tristes, sentimos a Angústia. Quando mais tristes estamos, mais Angústia sentimos. Nos casos extremos de Tristeza, a Angústia sentida também é extrema e a dor da morte aproxima-se. A dor da morte é uma pressão física tão forte que nos obriga a um pensamento de libertação: o suicídio. Aqui, o pensamento sobre o suicídio é uma forma de libertação inconsciente, pois a dor é tão forte e interior, que nos “suga” a alma e só um pensamento nos ocorre: a fuga… sair do corpo que se afunda…

Na sociedade atual, os jovens vivem muitas experiências que lhes trazem Tristeza e Angústia extrema. Destacamos o Bullying e a Violência Doméstica. O Bullying, na maioria das vezes, são as agressões que os jovens sofrem na escola pelos colegas, agressões estas de natureza física e psicológica, sujeitando os indivíduos à vergonha, à humilhação e ao desenquadramento social. Este sofrimento silencioso é tão doloroso que, sem apoio familiar nem escolar, leva o jovem a entrar num beco emocional sem saída, entra num estado de Angústia sem retorno em que a morte se torna uma obsessão, porque a dor de viver é insuportável.
O processo de Angústia também é causado pelo Distúrbio Cíclico da Angustia (DCA), um processo emocional erróneo.

O processo da automutilação:

Neste processo de autodestruição, na ideia do suicídio, muitos jovens atentam contra a sua vida infligindo cortes no seu corpo, agredindo-se de variadíssimas formas. No entanto quando o fazem pela primeira vez, existe um mecanismo mental de proteção à vida que os trava e que lhes quebra o estado de Angústia. Por momentos, ao atentarem contra a sua vida, saem do estado negativo e assim cria-se uma associação mental em que as autoagressões funcionam como um método de saída de um estado negativo, de relaxamento, de autocura. Os jovens que se automutilam continuamente, não procuram a morte, mas sim o alívio.

Infelizmente, neste processo, a ideação suicida e as automutilações levam muitas vidas dos nossos jovens.

O que fazer para parar o Bullying e este estado mental?

As famílias devem defender e proteger os jovens de todos os agressores, devem perceber que, quando o jovem está triste, há alguma causa para esse estado… e que o jovem muitas vezes não quer contar, por vergonha ou por saber que os pais nada podem fazer. Mas os pais podem fazer muito: podem defender as suas “crias” com unhas e dentes, falando com os professores, com os pais dos agressores (também eles jovens), acusando os agressores judicialmente, protegendo da forma que cada um melhor souber… mas PROTEGENDO e acarinhando. Nunca um pai pode ficar indiferente a uma agressão a um filho, embora muitos fiquem, pensando que é normal os miúdos se agredirem, e que os filhos têm que ser fortes. Não interessa o que fazem ao seu filho, o que interessa é o que ele sente quando o agridem.

No entanto, estas experiências podem deixar marcas profundas na personalidade e no bem estar do jovem, podendo criar comportamentos inconscientes de automutilação, de anorexia, e o permanente estado de angústia que não permite que o jovem consiga reagir às agressões que sofre ao sentir-se diminuído, fraco e humilhado. E, assim, deve-se intervir no estado mental dos jovens, alterando a sua perceção sobre as experiências que os levaram a entrar nesse estado emocional de dor, o que é possível através de técnicas psicoterapêuticas assertivas e eficazes.

Na Clínica da Mente, utilizamos o modelo psicoterapêutico HBM, que se tem mostrado muito eficaz na alteração dos estados mentais perturbadores e eficiente no tempo de intervenção. A medicação psiquiátrica, apenas atenua os sintomas, mas não atua ao nível emocional. Os jovens medicados perdem capacidades cognitivas e motoras, prejudicando o seu desempenho as suas atividades sociais e estudantis.

Fonte: Clínica da Mente. Porto . Portugal

Depressão: Doença ou perturbação emocional?

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A palavra Depressão deriva do latim deprimere, verbo que significa “prensar, esmagar, afundar”. Assim, compreende-se que a palavra Depressão define o estado que muitas vezes sentimos quando o nosso corpo se esmaga e se aperta em si próprio. É um estado provocado pela angústia que sentimos, quando pensamos e estamos em situações na vida que nos perturbam e entristecem.

A Depressão é, por isso, um estado introspetivo em que sentimos o corpo a afundar-se numa angústia forte e limitadora do nosso bem-estar e não uma doença do nosso cérebro. Não podemos utilizar a palavra doença para caracterizar este estado, porque todos compreendemos que a condição de doença acontece quando um órgão do nosso corpo não esta a funcionar bem, por ação de vírus, bactérias, entre outras diversas patologias e disfunções físicas.

Quando estamos deprimidos não estamos doentes porque todos os nossos órgãos funcionam normalmente. Não existe nenhum desequilíbrio químico no cérebro que crie este estado, o que existe é um estado que, esse sim, provoca alterações químicas em todo o nosso corpo. Quando estamos tristes a nossa estrutura bioquímica muda, mas quando estamos contentes também, portanto se quando estamos contentes não nos consideramos doentes, porque nos consideramos doentes quando estamos tristes?

MAS A DEPRESSÃO É UM ESTADO DE TRISTEZA?

mulher sentada nas escadas triste e pensativaSim. Muitas vezes, vivemos experiências que nos trazem dor e a essa dor chamamos angústia. Sentimos a angústia sempre que nos deparamos com experiências que nos quebram o estado de motivação, como ofensas, incompreensões, violências, entre tantas circunstâncias que nos retiram a paz interior, a alegria e a motivação para continuarmos o nosso caminho. Muitas vezes, sofremos com experiências que colidem com os nossos sonhos, com as nossas ambições, que prejudicam a nossa autoestima e confiança nas nossas capacidades.

Experiências como traumas, violência infantil, bullying, divórcios, maus tratos diversos, podem ser vividos com uma intensidade tal que se torna difícil ultrapassar a dor que elas trazem.

Muitos dizem que a Depressão é diferente da tristeza, porque quem dela sofre, sofre há demasiado tempo por causa de experiências comuns como a morte de alguém ou maus tratos na infância… Mas quem é que tem o poder de avaliar a forma como cada pessoa vive essas mesmas experiências?

O estado de tristeza não tem limites de tempo. É errado definir prazos para a tristeza, é errado definir-se que o luto é um estado de tristeza que não deve ultrapassar os 15 dias, pois deve durar o tempo que a pessoa precisar para ressignificar a dor da perda.

Quando recordamos as experiências do passado, conseguimos recordar também as suas sensações. É por isso que, quando recordamos os maus momentos, também revivemos a angústia que sentimos no passado, e reviver a angústia é voltar a senti-la. Assim, chamamos de emoções às recordações das sensações que foram vividas no passado.

Recordamos tudo o que nos é importante, e a dor é importante. Recordamos e sentimos constantemente a dor do nosso passado que ainda valorizamos, ao qual ainda damos importância.

Revivemos, portanto, emoções, como o medo, a mágoa, a tristeza, a revolta, que, ao longo do tempo, destroem a nossa qualidade de vida porque estamos continuamente a senti-las, limitando-nos na nossa liberdade de sermos felizes. Estas emoções perturbam o nosso bem-estar e deprimem-nos. As memórias podem ser muito fortes e, por isso, não nos conseguimos libertar emocionalmente delas. Vivemos, assim, muito tempo com este peso, com estas sensações e sentimentos, dia após dia, acumulando emoções negativas, o que nos leva a um estado de absoluta incapacidade para lidar com este estado emocional negativo. Quando chegamos a este estado emocional deprimido, ficamos sem recursos mentais, sem energia para estabelecermos os nossos objetivos, para vivermos de uma forma feliz.

As pessoas que não conseguem ultrapassar as dificuldades do passado não são as mais fracas, mas sim as que mais sentiram a dor ou o medo dessas experiências, por pequenas que sejam aos olhos dos outros.

Clique na imagem para ver o artigo na revista Terapias da Mente

PORQUE TOMAMOS MEDICAÇÃO PARA A DEPRESSÃO SE ESTA NÃO É UMA DOENÇA?

Quando sofremos com o estado depressivo, os sintomas podem ser tão severos que, sem saída e sem melhor alternativa, as pessoas procuram na medicina convencional o alívio desses mesmos sintomas. A indústria farmacêutica, ao longo do tempo, tem desenvolvido drogas que procuram suavizar os sintomas destes estados de tristeza, e os médicos, que estudam o corpo humano e o seu funcionamento biológico, perante a queixa dos sintomas que as pessoas relatam, servem-se da medicação para ajudar as pessoas que os procuram.

Mas este processo de cura dos sintomas é como querer eliminar uma silva retirando-lhes as folhas, quando o que se deve fazer é cortar-lhe as raízes. Assim, para tratar o sofrimento que o estado depressivo provoca, devemos encontrar as causas e não os sintomas.

Os sintomas mais comuns do estado depressivo são:

  • Angústia e tristeza;
  • Fadiga, cansaço e perda de energia;
  • Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e de auto-estima;
  • Falta ou excesso de apetite;
  • Perturbação do sono;
  • Preocupações recorrentes;
  • Desinteresse e apatia;
  • Diminuição do desejo sexual;
  • Irritabilidade;
  • Manifestação de sintomas físicos, como dores musculares, dores abdominais, entre outros.

É POSSÍVEL ESTARMOS DEPRIMIDOS SEM QUE HAJA CAUSAS DO PASSADO?

Não. A maioria das pessoas que sofrem de Depressão pode não reconhecer imediatamente que eventos da sua vida estão a provocar tal pressão emocional, mas existem sempre causas. As causas são sempre experiências que provocam traumas psicológicos. Um trauma psicológico é um dano provocado por um evento que o ser humano percebe como demasiado perturbador do seu bem-estar, quer seja pelo medo que o evento produz, quer seja por outra emoção como a tristeza.

homem deprimido com as mãos na cabeçaEm casos menos frequentes, as pessoas podem desenvolver um Distúrbio Cíclico da Angústia (DCA): um distúrbio emocional que origina um estado extremo de angústia súbita sem que as pessoas o associem a experiências ou memórias passadas. Mas, mesmo nestas situações menos frequentes, as causas podem ser encontradas em más associações mentais ocorridas em eventos passados.

O SUICÍDIO COMO UMA SAÍDA?

Nos casos extremos de tristeza, a angústia sentida também é extrema e a dor da morte aproxima-se. A dor da morte é uma expressão de quem sofre uma pressão física tão forte que os obriga a um pensamento de libertação: o suicídio. Aqui, o pensamento sobre o suicídio é uma forma de libertação inconsciente, pois a dor é tão forte e interior que lhes “suga” a alma e só um pensamento lhes ocorre: a fuga… sair do corpo que se afunda…

Na maioria dos casos de tentativas de suicídio, as pessoas relatam que o que os levou a cometer tal ato foi mais a pressão física da angústia que sentiam do que as dificuldades que enfrentam no seu dia-a-dia. Acredito que 80% dos suicídios e as tentativas são provocados pelo Distúrbio Cíclico da Angústia, onde os ataques súbitos de angústia provocam estados físicos, e por consequência, estados mentais insuportáveis.

Outras pessoas entram em espirais de angústia quando, por várias razões, nomeadamente do seu ambiente social e económico, não encontram uma forma de alívio para as pressões mentais, para alívio das suas preocupações e medos. Nesta espiral de angústia sem alívio, a morte pode parecer ser a única saída.

É POSSÍVEL SAIR DO ESTADO DEPRESSIVO?

Sim. É possível viver uma vida inteira a sentir a dor da memória, uma memória que nos fere, mas também é possível deixar de a sentir.

A ajuda da psicoterapia é essencial pela rapidez no processo de saída desse estado. O psicólogo que utiliza modelos psicoterapêuticos mais avançados, como o modelo de intervenção psicoterapêutica HBM, ou mesmo a terapia cognitiva-comportamental, pode ajudar as pessoas que sofrem a treinar a sua mente para desvalorizar os eventos traumáticos. A psicoterapia ajuda as pessoas a retirarem a carga emotiva das suas memórias, pela ressignificação mental que fará, na qual a pessoa que sofre dará um novo significado mental às experiências vividas, deixando de sofrer com o passado e voltará a encontrar, dentro de si, todos os seus recursos físicos e mentais para enfrentar com vontade o seu caminho diário em busca dos seus sonhos e felicidade.

Fonte. Clínica da Mente. Porto

Depressão: Doença ou perturbação emocional?

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A palavra Depressão deriva do latim deprimere, verbo que significa “prensar, esmagar, afundar”. Assim, compreende-se que a palavra Depressão define o estado que muitas vezes sentimos quando o nosso corpo se esmaga e se aperta em si próprio. É um estado provocado pela angústia que sentimos, quando pensamos e estamos em situações na vida que nos perturbam e entristecem.

A Depressão é, por isso, um estado introspectivo em que sentimos o corpo a afundar-se numa angústia forte e limitadora do nosso bem-estar e não uma doença do nosso cérebro. Não podemos utilizar a palavra doença para caracterizar este estado, porque todos compreendemos que a condição de doença acontece quando um órgão do nosso corpo não esta a funcionar bem, por ação de vírus, bactérias, entre outras diversas patologias e disfunções físicas.

Quando estamos deprimidos não estamos doentes porque todos os nossos órgãos funcionam normalmente. Não existe nenhum desequilíbrio químico no cérebro que crie este estado, o que existe é um estado que, esse sim, provoca alterações químicas em todo o nosso corpo. Quando estamos tristes a nossa estrutura bioquímica muda, mas quando estamos contentes também, portanto se quando estamos contentes não nos consideramos doentes, porque nos consideramos doentes quando estamos tristes?

Mas a Depressão é um estado de tristeza?

mulher sentada nas escadas triste e pensativaSim. Muitas vezes, vivemos experiências que nos trazem dor e a essa dor chamamos angústia. Sentimos a angústia sempre que nos deparamos com experiências que nos quebram o estado de motivação, como ofensas, incompreensões, violências, entre tantas circunstâncias que nos retiram a paz interior, a alegria e a motivação para continuarmos o nosso caminho. Muitas vezes, sofremos com experiências que colidem com os nossos sonhos, com as nossas ambições, que prejudicam a nossa autoestima e confiança nas nossas capacidades.

Experiências como traumas, violência infantil, bullying, divórcios, maus tratos diversos, podem ser vividos com uma intensidade tal que se torna difícil ultrapassar a dor que elas trazem.

Muitos dizem que a Depressão é diferente da tristeza, porque quem dela sofre, sofre há demasiado tempo por causa de experiências comuns como a morte de alguém ou maus tratos na infância… Mas quem é que tem o poder de avaliar a forma como cada pessoa vive essas mesmas experiências?

O estado de tristeza não tem limites de tempo. É errado definir prazos para a tristeza, é errado definir-se que o luto é um estado de tristeza que não deve ultrapassar os 15 dias, pois deve durar o tempo que a pessoa precisar para ressignificar a dor da perda.

Quando recordamos as experiências do passado, conseguimos recordar também as suas sensações. É por isso que, quando recordamos os maus momentos, também revivemos a angústia que sentimos no passado, e reviver a angústia é voltar a senti-la. Assim, chamamos de emoções às recordações das sensações que foram vividas no passado.

Recordamos tudo o que nos é importante, e a dor é importante. Recordamos e sentimos constantemente a dor do nosso passado que ainda valorizamos, ao qual ainda damos importância.

Revivemos, portanto, emoções, como o medo, a mágoa, a tristeza, a revolta, que, ao longo do tempo, destroem a nossa qualidade de vida porque estamos continuamente a senti-las, limitando-nos na nossa liberdade de sermos felizes. Estas emoções perturbam o nosso bem-estar e deprimem-nos. As memórias podem ser muito fortes e, por isso, não nos conseguimos libertar emocionalmente delas. Vivemos, assim, muito tempo com este peso, com estas sensações e sentimentos, dia após dia, acumulando emoções negativas, o que nos leva a um estado de absoluta incapacidade para lidar com este estado emocional negativo. Quando chegamos a este estado emocional deprimido, ficamos sem recursos mentais, sem energia para estabelecermos os nossos objetivos, para vivermos de uma forma feliz.

As pessoas que não conseguem ultrapassar as dificuldades do passado não são as mais fracas, mas sim as que mais sentiram a dor ou o medo dessas experiências, por pequenas que sejam aos olhos dos outros.

Porque tomamos medicação para a Depressão se esta não é uma doença?

Quando sofremos com o estado depressivo, os sintomas podem ser tão severos que, sem saída e sem melhor alternativa, as pessoas procuram na medicina convencional o alívio desses mesmos sintomas. A indústria farmacêutica, ao longo do tempo, tem desenvolvido drogas que procuram suavizar os sintomas destes estados de tristeza, e os médicos, que estudam o corpo humano e o seu funcionamento biológico, perante a queixa dos sintomas que as pessoas relatam, servem-se da medicação para ajudar as pessoas que os procuram.

Mas este processo de cura dos sintomas é como querer eliminar uma silva retirando-lhes as folhas, quando o que se deve fazer é cortar-lhe as raízes. Assim, para tratar o sofrimento que o estado depressivo provoca, devemos encontrar as causas e não os sintomas.

Os sintomas mais comuns do estado depressivo são:

  • Angústia e tristeza;
  • Fadiga, cansaço e perda de energia;
  • Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e de auto-estima;
  • Falta ou excesso de apetite;
  • Perturbação do sono;
  • Preocupações recorrentes;
  • Desinteresse e apatia;
  • Diminuição do desejo sexual;
  • Irritabilidade;
  • Manifestação de sintomas físicos, como dores musculares, dores abdominais, entre outros.

É possível estarmos deprimidos sem que haja causas do passado?

Não. A maioria das pessoas que sofrem de Depressão pode não reconhecer imediatamente que eventos da sua vida estão a provocar tal pressão emocional, mas existem sempre causas. As causas são sempre experiências que provocam traumas psicológicos. Um trauma psicológico é um dano provocado por um evento que o ser humano percebe como demasiado perturbador do seu bem-estar, quer seja pelo medo que o evento produz, quer seja por outra emoção como a tristeza.

homem deprimido com as mãos na cabeçaEm casos menos frequentes, as pessoas podem desenvolver um Distúrbio Cíclico da Angústia (DCA): um distúrbio emocional que origina um estado extremo de angústia súbita sem que as pessoas o associem a experiências ou memórias passadas. Mas, mesmo nestas situações menos frequentes, as causas podem ser encontradas em más associações mentais ocorridas em eventos passados.

O suicídio como uma saída?

Nos casos extremos de tristeza, a angústia sentida também é extrema e a dor da morte aproxima-se. A dor da morte é uma expressão de quem sofre uma pressão física tão forte que os obriga a um pensamento de libertação: o suicídio. Aqui, o pensamento sobre o suicídio é uma forma de libertação inconsciente, pois a dor é tão forte e interior que lhes “suga” a alma e só um pensamento lhes ocorre: a fuga… sair do corpo que se afunda…

Na maioria dos casos de tentativas de suicídio, as pessoas relatam que o que os levou a cometer tal ato foi mais a pressão física da angústia que sentiam do que as dificuldades que enfrentam no seu dia-a-dia. Acredito que 80% dos suicídios e as tentativas são provocados pelo Distúrbio Cíclico da Angústia, onde os ataques súbitos de angústia provocam estados físicos, e por consequência, estados mentais insuportáveis.

Outras pessoas entram em espirais de angústia quando, por várias razões, nomeadamente do seu ambiente social e económico, não encontram uma forma de alívio para as pressões mentais, para alívio das suas preocupações e medos. Nesta espiral de angústia sem alívio, a morte pode parecer ser a única saída.

É possível sair do estado depressivo?

Sim. É possível viver uma vida inteira a sentir a dor da memória, uma memória que nos fere, mas também é possível deixar de a sentir.

A ajuda da psicoterapia é essencial pela rapidez no processo de saída desse estado. O psicólogo que utiliza modelos psicoterapêuticos mais avançados, como o modelo de intervenção psicoterapêutica HBM, ou mesmo a terapia cognitiva-comportamental, pode ajudar as pessoas que sofrem a treinar a sua mente para desvalorizar os eventos traumáticos. A psicoterapia ajuda as pessoas a retirarem a carga emotiva das suas memórias, pela ressignificação mental que fará, na qual a pessoa que sofre dará um novo significado mental às experiências vividas, deixando de sofrer com o passado e voltará a encontrar, dentro de si, todos os seus recursos físicos e mentais para enfrentar com vontade o seu caminho diário em busca dos seus sonhos e felicidade.

Os Jovens, o Suicídio e a Automutilação

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AutomutilaçãoÉ a extrema Angústia que leva qualquer pessoa a ter ideias suicidas.

É comum confundir a Angústia com a Tristeza, mas, na verdade, a Angústia é a sensação que sentimos quando estamos tristes.
Ficamos tristes quando vivemos experiências que colidem com os nossos valores e interesses; estamos angustiados quando sentimos o nosso corpo caído sobre si próprio e ficamos sem capacidade de nos erguermos, ficamos com dificuldade em respirar e em pensar, com dor no peito…

Sempre que estamos tristes, sentimos a Angústia. Quando mais tristes estamos, mais Angústia sentimos. Nos casos extremos de Tristeza, a Angústia sentida também é extrema e a dor da morte aproxima-se. A dor da morte é uma pressão física tão forte que nos obriga a um pensamento de libertação: o suicídio. Aqui, o pensamento sobre o suicídio é uma forma de libertação inconsciente, pois a dor é tão forte e interior, que nos “suga” a alma e só um pensamento nos ocorre: a fuga… sair do corpo que se afunda…

Na sociedade atual, os jovens vivem muitas experiências que lhes trazem Tristeza e Angústia extrema. Destacamos o Bullying e a Violência Doméstica. O Bullying, na maioria das vezes, são as agressões que os jovens sofrem na escola pelos colegas, agressões estas de natureza física e psicológica, sujeitando os indivíduos à vergonha, à humilhação e ao desenquadramento social. Este sofrimento silencioso é tão doloroso que, sem apoio familiar nem escolar, leva o jovem a entrar num beco emocional sem saída, entra num estado de Angústia sem retorno em que a morte se torna uma obsessão, porque a dor de viver é insuportável.
O processo de Angústia também é causado pelo Distúrbio Cíclico da Angustia (DCA), um processo emocional erróneo.

O PROCESSO DA AUTOMUTILAÇÃO:

Neste processo de autodestruição, na ideia do suicídio, muitos jovens atentam contra a sua vida infligindo cortes no seu corpo, agredindo-se de variadíssimas formas. No entanto quando o fazem pela primeira vez, existe um mecanismo mental de proteção à vida que os trava e que lhes quebra o estado de Angústia. Por momentos, ao atentarem contra a sua vida, saem do estado negativo e assim cria-se uma associação mental em que as autoagressões funcionam como um método de saída de um estado negativo, de relaxamento, de autocura. Os jovens que se automutilam continuamente, não procuram a morte, mas sim o alívio.

Infelizmente, neste processo, a ideação suicida e as automutilações levam muitas vidas dos nossos jovens.

O QUE FAZER PARA PARAR O BULLYING E ESTE ESTADO MENTAL?

As famílias devem defender e proteger os jovens de todos os agressores, devem perceber que, quando o jovem está triste, há alguma causa para esse estado… e que o jovem muitas vezes não quer contar, por vergonha ou por saber que os pais nada podem fazer. Mas os pais podem fazer muito: podem defender as suas “crias” com unhas e dentes, falando com os professores, com os pais dos agressores (também eles jovens), acusando os agressores judicialmente, protegendo da forma que cada um melhor souber… mas PROTEGENDO e acarinhando. Nunca um pai pode ficar indiferente a uma agressão a um filho, embora muitos fiquem, pensando que é normal os miúdos se agredirem, e que os filhos têm que ser fortes. Não interessa o que fazem ao seu filho, o que interessa é o que ele sente quando o agridem.

No entanto, estas experiências podem deixar marcas profundas na personalidade e no bem estar do jovem, podendo criar comportamentos inconscientes de automutilação, de anorexia, e o permanente estado de angústia que não permite que o jovem consiga reagir às agressões que sofre ao sentir-se diminuído, fraco e humilhado. E, assim, deve-se intervir no estado mental dos jovens, alterando a sua perceção sobre as experiências que os levaram a entrar nesse estado emocional de dor, o que é possível através de técnicas psicoterapêuticas assertivas e eficazes.

Na Clínica da Mente, utilizamos o modelo psicoterapêutico HBM, que se tem mostrado muito eficaz na alteração dos estados mentais perturbadores e eficiente no tempo de intervenção. A medicação psiquiátrica, apenas atenua os sintomas, mas não atua ao nível emocional. Os jovens medicados perdem capacidades cognitivas e motoras, prejudicando o seu desempenho as suas atividades sociais e estudantis.